O caráter do vitimismo

Essa história do bar Quitandinha mostra o quanto uma história pode ser distorcida e o quanto quem quer ser vítima é capaz de mudar completamente uma situação. Não defendo o bar, óbvio que não. Não sou limitado a este ponto, principalmente porque o vídeo não tem áudio para entender as partes que a moça cita sobre as conversas. Porém, a quantidade de mentiras contadas para distorcer a visão para uma situação de vítima é absurda. Em uma era onde o mostrar é maior que o ser/viver, as pessoas esquecem que ser mulher, negro, gay, homem, branco, gordo, magro, não muda em absolutamente nada seus ideais, quem você é ou o que você faz. Claro que historicamente temos diversos períodos de discriminação, de impotência de algumas características (até os canhotos já foram discriminados, não?), mas não consigo entender como, em uma época onde as ditas “minorias” conquistam muito, ainda há o vitimismo em cima de uma característica do ser. Usar a história como sermão não justifica o desejo que você tem de ter poder sobre algo, só porque crê ter o direito de tal poder. O desfecho da história na situação, justifica isso. A recusa do pagamento da conta pelo consumo no bar, alegando algo completamente mentiroso, demonstra esse caráter de sentimento de impotência e criação do vitimismo, e existe independente de raça, físico, situação econômica, etc. Quem quer ter algo que julga ter direito, mesmo através de uma visão desorientada, possuindo naturalmente um caráter egocêntrico ou por efeito de algum distúrbio psicológico, faz de tudo para alcançar, mesmo que precise utilizar do vitimismo. É o tal do “empoderamento” que está na moda. Muitas vezes eu já ouvi “você não entende a necessidade do poder porque você não é mulher”, ou “porque você não é gay”, ou “porque você não é negro” ou por qualquer motivo que sugira que eu sou completamente abençoado e não sou impotente com nada. Como resposta, eu sempre sugiro adaptar a situação. E se você trouxer o caso que você se sentiu impotente ou alega ser vítima devido à característica X, para uma característica Y. Tem certeza que não iria acontecer? Vou exemplificar e reforçar o caso do Quitandinha com uma situação que passei.

No final do ano fui em um bar da minha cidade tomar uma cerveja com uns amigos. cheguei antes, fiquei sozinho, havia um casal de um lado e um grupo de amigos do outro. O grupo de amigos falava em tom altíssimo, mesmo que internamente no grupo, coisas que uma mulher praticante do vitimismo diretamente se ofenderia, alegando machismo. Eu, que estava sozinho e não sou mulher, achei completamente ofensiva a situação, mas nada a ver com machismo ou feminismo. Foi uma situação de falta de RESPEITO com quem está dividindo o espaço. Se você se sente ameaçada em andar na rua à noite porque é mulher, saiba que qualquer um vai se sentir assim. É uma questão de falta de SEGURANÇA. Se você se sente envergonhado em fazer academia porque é gordo, pense bem. Não é porque você é gordo, é porque você provavelmente é sedentário e não está acostumado com o ambiente, é falta de VONTADE ou até de INTERESSE.

Ter ou fazer é diferente de realizar. Quem quer realizar algo, realiza independente do meio, independente do que acha que tem direito, independente de desculpas. Quem quer realizar conquista. Temos bons exemplos de sobra no mundo e na história.

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