Sobre idiomas

Frequentemente me deparo com algumas situações envolvendo o “saber algum idioma que não o meu nativo” que acho bastante chatas e desnecessárias. São situações quando geralmente alguém que, em toda sua inocência, pronuncia ou escreve algo em outro idioma e outro alguém, em toda sua arrogância, corrige normalmente em tom de deboche. Não há nada de errado com uma correção, é inclusive necessária para o aprender. O problema está em que geralmente o tom de deboche vem de alguém que, digamos, foi mais afortunado na construção de segundos idiomas. Alguém que morou fora do país, alguém que estudou anos a fio, alguém que se preocupa mais em aparecer a ser, alguém que já soube tão pouco equivalente a nada. Pode ser um deboche em formato de risada, ou uma pronúncia forçada, que foge completamente do tom de voz do idioma nativo da pessoa, ou algum outro formato. Não tenho absolutamente nada contra o aprendizado de outros idiomas, eu gosto de conhecer, ler e escrever um pouco de cada língua, suas ramificações, acho bem interessante. O que acho desinteressante é a arrogância por parte de quem também faz isso.

Mas o que é saber um idioma?

Parto do princípio que o idioma é um meio de comunicação entre culturas (daí uma das premissas do intercâmbio cultural) e comunicação nada mais é do que a compreensão entre duas entidades. Fala, texto, gestos, qualquer interação entre duas entidades é uma comunicação. E ela acontece em diversos idiomas no mundo todo. Muitas pessoas conhecem vários idiomas bem, ou mal, ou conhecem poucos idiomas bem, ou mal. O fato é que saber um idioma é simples, e conseguir se comunicar nele também.

Então, questiono a necessidade do deboche. O mesmo vale para as críticas comuns em currículos, artigos, perfis, onde o “inglês básico”, ou outro idioma qualquer, é questionado. Houve a necessidade da informação de um lado, houve a captura da informação do outro, então houve comunicação. Se isso é feito em outro idioma, excelente, há um nível básico de comunicação em outro idioma.

E você, antes de debochar, é “fluente” no seu idioma nativo? Pense duas vezes.