CAMINHOS PARA A ESQUERDA LIBERTÁRIA PÓS-ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2016

1. Apontamentos para uma análise de conjuntura:

- Após o impeachment, a esquerda sofreu um duro golpe nas eleições municipais;

- No meu entendimento, esta situação não é uma crise da esquerda em si, mas uma crise de um determinado modelo de esquerda hegemônico há muito tempo no Brasil, modelo encarnado no PT e com referencial teórico marxista;

- Sendo um modelo hegemônico, a maioria das pessoas passaram a generalizar a esquerda como sendo este modelo;

- O repúdio à esquerda visto nas eleições, na realidade seria um repúdio a este modelo de esquerda, ao PT e em certo ponto a um tipo de marxismo, consequência direta da hegemonia do modelo citado;

- O PSOL é encarado por estes eleitores como um novo PT, sofrendo assim o mesmo repúdio, o que levou uma candidatura com tudo para ganhar a prefeitura, como a da Luciana Genro, a perder desastrosamente;

- Este modelo de esquerda, autoritário por natureza, sempre sufocou o sindicalismo e movimentos populares com seus burocratas, levando a atual falta de trabalho de base, a grande inação da população contra os absurdos do governo Temer, a tímida reação ao impeachment e suas consequências, o sufocamento dos movimentos autônomos, a grande hierarquização que leva as pessoas a sempre esperarem um líder iluminado e dificultam as necessárias experiências com a democracia direta e gestão direta dos movimentos sociais, etc….
 — A esquerda só vai sair deste atoleiro se se afastar deste modelo falido, e abraçar novas práticas e referenciais;
 — O maior impeditivo para isto segue sendo a própria esquerda, neo petista no caso, que destrói iniciativas inovadoras com disputas sórdidas, que só lhes beneficiam, como o debate sobre a narrativa de golpe que se sucedeu a queda da Dilma, ou as disputas que visam levar a esquerda a encampar algum candidato petista como o Lula, para 2018;

2. Saindo do atoleiro

Sigo convicto que deveríamos escutar mais a Espanha e seus processos municipalistas de confluências. Os movimentos sociais autônomos deveriam assaltar os partidos e a democracia, levando experiências de gestão democrática radical, com elementos de democracia direta e uso de ferramentas digitais e assembleárias, para dentro das instituições. Processos profundamente horizontais e democráticos, que prezem acima de tudo pela autonomia dos movimentos envolvidos, e que despreze profundamente o uso partidário para auto promoção, tão comum na esquerda brasileira. Infelizmente, até hoje não tivemos nenhuma experiência de confluência no Brasil, somente similares. Porém sigo acreditando que este é o melhor modelo.
 Passei a acompanhar com atenção também o processo autonomista que ocorre nos municípios do Chile, e creio que ele pode ser um ótimo referencial também, além dos Piratas da Islândia.

3. Sugestões práticas

- Fortalecer o movimento Quero Prévias como embrião das confluências;
 — Fortalecer o movimento ecofederalista;

- Fortalecer movimentos sociais autônomos, através de trabalho de base intenso;

- Criar uma rede suprapartidária de iniciativas práticas de democracia líquida, como os Mandatos Cidadãos do coletivo Primavera Cidadão, o mandato coletivo do movimento ecofederalista, o Konsento, as bancadas ativistas e pela democracia direta, o mandato de vereador informal do Djalma, etc…

- Atuar como vírus, infectando diversos partidos, e os levando para um caminho de defesa da democracia líquida e confluências;

- Buscar novos referenciais teóricos e práticos, para além do marxismo, dando ouvidos com atenção para os diferentes tipos de anarquismo.

Texto inicial…. ainda há muito o que se refletir sobre isto.

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