Você sabe o que está comprando?

Quem nasceu na década de 80 foi hipnotizado por uma garota com olhar fixo na câmera que nos dizia: “Compre Baton, compre Baton”. 
https://www.youtube.com/watch?v=sBWu7ibZDVg

Outro exemplo era um garoto com uma tesoura, dessas que vem na lista escolar, do Mickey, que nos humilhava simplesmente com: “Eu tenho você não tem”.
https://www.youtube.com/watch?v=zMFqTzH_dn0

Felizmente o Estatuto da criança e adolescente garante esse direto à infância e juventude.
“(…) Tendo em conta que, conforme assinalado na Declaração dos Direitos da Criança, a criança, em virtude de sua falta de maturidade física e mental, necessita proteção e cuidados especiais, inclusive a devida proteção legal, tanto antes quanto após seu nascimento.”
Esqueceram-se de mencionar que os “adultos” necessitam tanto quanto as crianças desse cuidado.

Há um ano eu assisti a uma aula da disciplina de Tecnologias da Informação e do Conhecimento (TIC), na PUC, em que a professora citava, como exemplo, a propaganda do OMO. Sim, o sabão em pó que a maioria dos brasileiros tem em casa. Em uma pesquisa de 2010, a Unilever, dona do OMO, mastigava nada menos que 70% do mercado.
Isso se dá pela “qualidade” do marketing da Unilever. Somente no primeiro semestre de 2014, a Unilever gastou 2,4 bilhões de reais em marketing. 
http://exame.abril.com.br/…/unilever-e-maior-anunciante-do…/
Na aula de TIC a professora brincava que a qualidade do Minerva era superior ao do OMO, mas a qualidade do marketing do OMO era infinitamente superior.

“O OMO não vende sabão em pó. Vende dignidade”.

Hoje parei para ver NFL, o futebol americano, que no Super Bowl 50 cada segundo de comercial custava 650 mil reais, isso mesmo, cada segundo.
Mas não foi o futebol que me impressionou, foi o valor que duas empresas estão vendendo nos seus comerciais.

O primeiro comercial é de uma operadora de celular com três “amigas”. 
https://www.youtube.com/watch?v=CPeniS821Qk
“A gente vive grudada, pelo celular, se fala todo dia. Até quando tá em outra cidade.”

Percebem o valor que é passado nessa propaganda?
Ao menos no meu ponto de vista, o legal da amizade é ver os amigos, olho no olho, cara a cara, reparar os sinais, nas expressões corporais. Eu aprendi assim.
Meu pai sempre gostou de casa cheia, com vários amigos. Lembro-me de vê-lo fazer galinha no fogão à lenha, num domingo, começando às 7 da manhã para receber os amigos. Não tinha Facebook nem WhatsApp e mesmo assim a casa lotava.
Mas hoje mudou né!?
Como diz no fim da propaganda: “Assim eu sinto que vocês estão pertinho de mim”.
Mas longe?
Eu não sinto isso. Liguem-me para um chá, para um café, para uma cerveja… Até para uma coxinha.

A segunda propaganda é mais preocupante, bem mais.
Ela vende o politicamente correto, vende nobreza, virtude, vende o desejo do maior jogador de futebol de todos os tempos: “Vamos proteger as criancinhas necessitadas” disse Pelé após o milésimo gol.

https://www.youtube.com/watch?v=2T_6T9giACQ

“Já pensou que você pode ajudar na educação do Brasil? Basta fazer o seguro Allianz Auto Instituto Ayrton Senna. É como se você ajudasse a levar milhares de crianças para a escola”.

Sério isso? Mas será que eles são tão bonzinhos assim?

“As doações realizadas por pessoas jurídicas para entidades civis sem fins lucrativos que atuem em benefício da coletividade podem ser deduzidas, até o limite de dois por cento do lucro operacional verificado antes de computada a dedução da doação”.

Para ajudar na educação basta fazer um seguro de carro?

O marketing é legal mas essa manipulação do consumidor me assunta muito…

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