Mayara Assunção
Nov 5 · 2 min read

TrAbAlHo…

Engrenagem de Trabalhadores: Imagem retirada da internet

Que vida trabalhosa, essa que a gente têm,
Se olhar bem, é o próprio ciclo da escassez:
Trabalha o dia inteiro, pra poder pagar alguém.
Paga uma escola que a gente não gosta,
Paga um sistema falido, que nos atende como quem joga esmola!

Paga pra andar de ônibus,
Paga pra morar,
Paga pra comer,
Paga pra estudar.

Se mata de trabalhar,
Trabalha para não se matar.
Trabalha e não tem nada.
Trabalha e não tem ninguém.
Qual mesmo o custo da vida?
Será que chega a um vintém?

Que vida de trabalho, toda atrapalhada,
Que a gente não tem nenhum canto pra deitar.
Nada é nosso, tudo é dos outros,
Não dá nem pra descansar!

Vida atrapalhada, não tem pra onde fugir,
A gente paga pra não ficar doente,
Tem gente que paga até pra sorrir!

Eu que não posso, fico assim:
Sorrindo meio de canto, toda atrapalhada,
Torta, encurralada, sempre com pressa: atrasada!
Sorriso amarelo, torto que nem a minha vida,
Toda oblíqua, encavalada, onde nada encaixa, nada rima!

Vida do caralho,
Que é só trabalho, trabalho, trabalho…
Se as contas não fecham a gente vende.
Vende o que têm e às vezes se vende,
mas a gente também não têm valor
e todo mundo é independente!

Vida ingrata!

Todo mês, sem esperança, olhando o contracheque,
Pra saber se vai poder dar uma vida diferente:
- Um teto, uma cama, comida ou um sorriso pro moleque!

Mayara Assunção

Written by

Filha da Dona Rita. É militante do Coletivo Kianda, Brincante de Cultura Popular, integrante do Bloco Afropercussivo Zumbiido e Mãe do Adriano.

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