A dureza dos olhares

Você me olha com olhos cansados toda vez que vou contar uma novidade, mesmo que essa novidade façam meus olhos brilharem.

Nada tem muita importância para ti, a não ser os seus próprios interesses e eles dificilmente estão ligados a mim.

E assim sempre se seguiu, desde que eu me lembro enquanto menina. Aqueles mesmos olhos vazios de quem diz: “o que você está fazendo aqui”.

Me acostumei com a distância. Mas há momentos em que ela me incomoda e até me dói.

Eu sei que há esforço de sua parte, eu não seria injusta de dizer o contrário, mas há coisas que não preenchem um vazio com outro.

Há coisas que são insubstituíveis, minha cara.

Lidar com tudo isso é o maior desafio, creio que não somente meu particular. Alguns os curam com terapia. Falar, desabafar, jogar isso para fora, mas não é uma solução.

Às vezes tenho a impressão que estamos jogando tudo para debaixo do tapete, sem limpar a sujeira de fato.

Então, sigo com o pensamento de que precisamos sentir. Sentir mesmo que doa. E mesmo que doa mais de uma vez. Talvez, muito provável, doa muitas e muitas vezes ainda. Mas como diz o velho ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até fura”.

Ou seria cura?

Creio que um dia tudo isso se cura. E se cura sozinho. A ausência do seu olhar sempre estará comigo. Mas um dia ele doerá mesmo. Estará envolto de uma compreensão madura de quem aprendeu a lidar.

Afinal, acho que isso está diretamente ligado com a maturidade. E maturidade um dia chega a todos nós.

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    Um desejo louco de falar me consome, então escrevo.