FIM

Eu sempre tive problemas com desfechos e ainda tenho. Talvez hoje eu tenha menos. Mas, talvez, isso seja uma ilusão por eu me agarrar a ideia de que eu amadureci. Talvez.

Eu tenho medo que aquela amizade que a gente jurou durar anos, com trocas de mensagens futuras sobre ser mãe, nunca aconteça. Medo que aqueles planos que fizemos para 1, 5 e 10 anos nunca se concretizem. Que aquela mensagem enviada hoje para ser recebida daqui a 8 anos não faça mais o menor sentido.

E eu sinceramente sinto que tudo que se passou no ontem, hoje faz menos sentido e amanhã talvez ele seja nulo. E isso dói.

Claro que isso não é ilusório. Percebo como o telefone toca menos vezes. Como a gente se vê menos e temos compartilhado muito menos coisas. É natural. E sinto que o fim está cada vez mais próximo. E isso dói. 
 
 Entretanto, por outro lado, tentar reatar tudo o tempo inteiro é um saco. Cansativo. 
 
 E talvez você pense da mesma forma que eu, e se assim for, terei a certeza de que tudo isso é natural. Que a cada despedida pode ser a última. A fatídica. E nunca saberemos quando aquele até logo se tornará um adeus. 
 Então vem aquele conselho de que devemos viver o presente de forma intensa, aproveitar os minutos, os momentos e se entregar sempre por inteiro. E talvez seja o correto, mas todo esse discurso sempre me pareceu tão piegas e boçal. 
 
 Mas talvez a maioria das verdades sejam piegas e boçais. 
 
 Eu não quero apagar todas as fotos, mensagens, momentos. Não quero jogar fora todos os presentes, passados e futuros. Não quero fazer da vida um eterno “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” e seguir em frente.

Meu desejo é aprender a lidar com o ponto intermediário, entre sempre saber dizer adeus, mas nunca deixar de dizer até logo. Mas, percebe como isso soa confuso? Até meio imaginário. Porque não podemos barrar as constantes evoluções, internas e externas. E cedo ou tarde tudo perde aquele gostinho de novidade.

E aí vem aquele gosto amargo de morte. E você percebe que realmente tudo morre. Que os sentimentos enfraquecem. Que as pessoas vão embora para perto, para longe. Que as distantes ficam enormes, mesmo estando a alguns metros. Que o interesse passa. Que algo novo estreia. Mas ainda sim, tudo isso dói. 
 
 Então concluo que amadurecer dói pra caralho. 
 
 E sempre haverá o momento em que aquela fotografia perdida fará com que uma lágrima venha sem controle aos olhos. Marejados de saudade. De arrependimento. De felicidade.

Partir. É a palavra que resume tudo isso então. Em algum momento todos partem. E seremos aquele que parte ou aquele que deixa partir. Mas partiremos. E talvez o ciclo da vida seja maior que nascer, crescer e morrer. Talvez seja resumido em conhecer, envolver e partir.
 
 E tudo isso dói.

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