Mudança.

VOCÊ VIVE AQUI.

Desculpe-me, a casa está uma bagunça, não repare. Tenho prazer em recebê-lo, mas na intenção de lhe explicar que não é o momento certo para visitas. Há muitas coisas fora do lugar, algumas são novas, ainda não sei se ficarão bem, talvez não fiquem harmoniosas, não contrastem com as coisas que irão ficar. As mais velhas confesso, tenho apego. Não servem mais, mas me serviram. Não tem sido fácil arrumar, tenho guardado muitos presentes, alguns bons outros ruins, mas não me desfaço tão facilmente, pois me marcaram assim como muitas pessoas. Minha casa é meu chão, meu ganha pão, dela procedem todos os passos que dou, guarda tudo que sou. Sei que saquearam parte do que me era essencial, mas ainda assim me mantenho constante, e por isso me mudo, me moldo. Ela é minha e não mais permitirei a entrada de qualquer ser, que ora me anseia ora me repudia. Espero que me compreenda. Sinto dizer que já é tarde, agradeço a visita.