UMA NOTA SOBRE MIM

Havia nela uma contradição exorbitante.
Ora ela era excesso de carinho e atenção.
Ora uma ausência repentina. Aprendeu a fazer falta.
Em dia de despertar filosófico, cultura sem precedentes.
Em outros dias palavrão em escala crescente.
Aprendeu a libertar-se do que ela mantinha refém.
Era transbordar das palavras em momentos inoportunos.
Era silêncio ensurdecedor na alma ouvinte.
Em dias frios, calor. Em dias quentes, primavera.
Aprendeu a chorar, e ouvir o jorrar dos pingos que a regavam.
Aprendeu a florescer no sertão.
Aprendeu a mergulhar em si e conheceu sua profundidade.
Em retidão se perdeu, mas si achou antes de si encontrar só.
Em devoção desacreditava do tudo.
Sem fé confiava cegamente.
Aprendeu a perdoar seus erros pensados e praticados.
Condenou-se a ser feliz.
Virou gratidão.
Si amou primeiro.
