Mulher interesseira, vem sambar comigo

Eu comecei a ouvir o fascículo 33 da coletânea História da Musica Popular Brasileira pelo Lado 2, tamanha minha intimidade com LPs. Depois de pedir a Carlos Nealdo instruções claras de como se usa a parte que toca esse tipo de mídia no som lá de casa, encostei a agulha com um medo da porra de arranhar esse troço. Era crise certa no relacionamento.

“Êste fásciculo”, como está escrito na capa, tem 8 músicas do Sinhô, o Rei do Samba. Nealdo resolveu me apresentar a esse cidadão logo de início porque “ele está para o registro sonoro do samba assim como Al Jolson está para o registro sonoro do jazz”, jurando que essa empreitada que arrumei pra mim mesma tem alguma coisa de cult.

Botei o disco pra girar, a agulha pra riscar e fui lavar os pratos. Depois de uma pequena pausa para trocar o lado do disco, entre uma leva de detergente e outra, ouvi:

“A mulher e a galinha
são dois bichos interesseiros
a galinha pelo milho
a mulher pelo dinheiro”

Parei, olhei para o Nealdo e perguntei se ele tava de brincadeira comigo. Ele levantou e foi colocar o lixo pra fora.

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