A importância do Setembro Amarelo.
Por: Mayara Bosco Santa Rosa
Acho que essa vai ser a primeira vez que vou falar sobre esse assunto publicamente, mas me senti na obrigação depois da notícia que acabei de receber.

Há seis anos, em 2012, minha auto-estima era bem baixa, não acreditava em mim, não me sentia o suficiente e achava que tudo isso acontecia devido a minha beleza. Infelizmente, me julgava muito por minha aparência. Não conseguia nada e descontava em mim, como se eu nunca fosse suficiente e como se eu nunca fosse ser. Me sentia feia, por dentro, por fora, de um lado e de outro, o tempo todo e isso acabava comigo.
Busquei ajuda e comecei a frequentar uma psicóloga. Fazia testes que eu não sabia nem para o que serviam, tinha que ficar jogando uma espécie de videogame, ficar desenhando, escrevendo… E pensava: no que isso vai me ajudar? Passei pela primeira sessão, segunda, terceira, até que um tempo depois fui diagnosticada com começo de depressão, mas nada muito sério, graças a Deus.
Felizmente, sempre tive muito medo da dor, principalmente física. E isso me travava toda vez que eu tinha vontade de fazer alguma coisa de ruim para mim. Sabe aquelas cenas de filmes e novelas que o carro está em movimento e você quer se jogar dali? Então, me lembro até hoje de diversas vezes estar no carro, na estrada, e olhar pra ela, pensar muitas vezes em abrir a porta e me jogar, mas aí eu pensava na dor e não conseguia mais. A mesma coisa com se auto mutilar.
Tudo de bom que acontecia comigo, eu não conseguia enxergar, parecia que nada era o suficiente para me completar, parecia que as únicas coisas boas que me satisfaziam eram coisas materiais e muitos amigos, eu sempre tinha que ter muitos amigos ao meu redor, eu tinha a necessidade de ser conhecida. E digo, que dó de mim. Que dó de eu não ter conseguido enxergar coisas simples, como um “oi”, um sorriso, que poderiam ter sido algo bom no meu dia.
Tudo de ruim, eu comecei a levar como um aprendizado e parei de me julgar, afinal, todo mundo erra, né? Eu derrubava água no chão e me sentia uma incompetente. Agora me diz, o que uma aguinha derramada no chão vai mudar na sua vida? Primeiro: pega um papel e limpa. Segundo: ela vai secar. Minhas piores fases foram momento em que eu ia mal na escola, me sentia a menina mais burra do colégio, principalmente depois que eu reprovei o primeiro colegial. Agora me diz, de novo, o que isso tem de mal? Isso vai, realmente, mudar a pessoa que você é? Não, nunca vai. O que importa é o que está dentro de você. Todos nós temos dificuldades e isso é NORMAL!
Uma vez um amigo brincou comigo, depois de eu postar algo meio que “motivacional” no Instagram, e falou “ou você está mal ou quer ajudar alguém” e acredite, tudo que eu posto sobre coisas do gênero é para me ajudar e ajudar os outros também.

Depois de um tempo, melhorei e me conectei muito com Deus, o que me fez parar de pensar em coisas desse tipo. A racionalidade e a auto-estima começaram a surgir. Deus foi (e ainda é) crucial em minha vida. Parece estranho para quem não acredita, mas foi de tamanha importância para mim. Comecei a rezar mais do que antes, comecei a me controlar em momentos que me sentia mal e sempre dizia “vai dar tudo certo”. Pratiquem o pensamento positivo e otimista todos os dias.
Ok, já contei muito de mim e agora vou falar o porquê de tudo isso. Como muitos sabem, Setembro é o mês de “prevenção ao suicídio” e, há uma hora, eu recebi uma mensagem no Whatsapp falando sobre um menino, da minha faculdade, que se suicidou na semana passada. E, pasmem, ele é o terceiro, só esse ano, dentro da FACOM (Faculdade de Comunicação e Marketing) a cometer suicídio. E a maioria nem sabe disso.
Eu não sei quem é nenhum dos três alunos, mas eu só sei que, quando eu vi essa mensagem, eu me senti muito mal, me senti angustiada, queria chorar. E o pior de tudo, para mim, é o fato de eu não conseguir fazer nada perante a isso.
Tem um grupo no Facebook que também discutem muito sobre essas questões de suicídios, até mesmo em comentários que, possivelmente, seriam irônicos. Quantas vezes já não vi comentários de pessoas que estavam “cansados da vida”, que “queriam estar mortos”? As vezes acho que nem eles conseguem ver tamanha gravidade na fala e ficam se alimentando dessa ideia.
Como já dizia Augusto Cury: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida.” E essa é a frase exata pra quem já passou por isso. Nunca deixe isso passar despercebido, nunca deixe para depois, procure ajuda agora, hoje. Sua vida é o bem mais precioso que Deus já pode ter te dado, valorize-a. Confesso que até hoje não sei qual a função dos joguinhos do videogame da minha psicóloga, mas eu sei que eles me salvaram.

