20 e poucos anos

Faltando poucos dias para completar 24 anos, algumas reflexões da vida aparecem e permanecem. O auge dos “20 e poucos anos” traz consigo uma série de questionamentos e mais certezas (ou dúvidas?) sobre o que vai acontecer daqui pra frente. Mas entre todos os “talvez”, de uma coisa tenho certeza: temos que nos libertar. Mas do quê, exatamente? Das pressões diárias sofridas por quem “só tem até os 30 anos” para se ajeitar na vida. E se não for assim? Qual o problema de mudarmos um pouco o rumo, ritmo e tom da nossa vida?

Algo que sempre me incomodou (e que percebo com mais clareza agora) é o fato de termos necessariamente que sair do Ensino Médio direto para a faculdade. Sem ter uns meses ou um ano para respirar, viver novas experiências e sentir o que é melhor. Qual a maturidade que um adolescente de 17 anos tem para escolher o curso que vai melhor se adequar ao resto da vida? E ah, claro, não basta apenas sair de três anos de estudo intenso de uma média de 13 disciplinas para entrar na vida universitária, mas o ideal ainda é que seja faculdade pública (no meu caso UnB). Aí mete o adolescente em um cursinho, para rever as mesmas matérias que já foram vistas. E nisso a pressão continua. E estuda, estuda, estuda, marca uma questão errada, anula uma certa. E a decepção que isso causa no momento? Eu não passei na UnB, mas isso não tira minha competência e esforço. Algumas pessoas apenas não foram feitas para aquele modelo de estudo.

Aí tudo bem, o adolescente com hormônios em chamas passa na faculdade, muitas vezes com profissões escolhidas pelos pais. A falta de tempo e de escolha faz com que alguns (vários) estudantes fiquem frustrados com sua decisão e acabem por se tornarem desmotivados e, consequentemente, não conseguirão o mesmo resultado positivo que alguém com certeza absoluta do que quer. Para mim, essa é uma das razões de se formarem tantos profissionais sem qualificação necessária, que acabam por comprometer o resultado final de seu trabalho (que sempre afeta outras pessoas). E essa pressão leva a crer que devemos nos formar aos 22 anos, porque tudo há de ser muito rápido. Dormir 4 horas por noite, tomar café, fazer trabalho, exercício, resenha, resumo, artigo, matéria, produto, tomar café, ler inúmeros livros e textos, TCC, já falei tomar café? O que são 22 anos diante de toda uma vida que virá? Que mal faria esperar um pouco mais?

Pronto, o jovem adulto se formou na faculdade depois de tudo. E agora? O emprego, claro!! Afinal, você já tem que sair da faculdade empregado! Já tá estudando pra concurso público? Já pagou as várias taxas de inscrição e meteu a cara nos livros mais uma vez? Olhaaa, que nos dias de hoje, na CRISE, não há tempo para esperar! Bora ter estabilidade financeira, jovem. Agonia, estresse, cansaço, após anos estudando sem um semestre de folga. Deu certo o concurso? Ótimo, espera (anos) ser chamado, e enquanto isso vai fazer pós, mestrado, doutorado. Mas tudo antes dos 30! Porque você precisa ser exemplar, e para ontem. Não deu certo? Atualiza o currículo, bora trabalhar, e nada de parar de estudar!

Você conseguiu emprego. Finalmente vida adulta, liberdade de ter o próprio dinheiro. Até que as contas começam a surgir, devagarinho, quase sem notar. A cada mês vão aparecendo novas dívidas, gastos e despesas. E você se surpreende como consegue viver numa boa, na verdade. Consegue sair para tomar umas, comprar coisas com seu próprio dinheiro e ter aos poucos uma independência financeira. Ainda não é suficiente para um apartamento ou carro, mas sim para aproveitar os momentos da vida, que não foi possível da mesma maneira antes devido à carga de estudos e falta de grana. E para você, parece que as coisas estão fluindo de uma maneira boa, tranquila, aos poucos. Mas aos olhos de outros, ainda estamos longe de chegar lá (mesmo que eu acredite estar no caminho certo).

Logo em seguida vem a pressão de um relacionamento, junto a possibilidade de ter filhos. Tudo assim, em um piscar de olhos. Quando menos se percebe, os anos passaram e o que você fez? O que você fez para você? Quando você chegou, bateu o pé, levantou a cabeça e disse “chega”? A vida passa em um piscar de olhos. Quem e o quê vamos escolher valorizar no tempo em que nos resta na Terra?
Me pergunto até onde fazemos algo por nós. Pensando no nosso bem-estar e felicidade. Quantas vezes nos podamos e controlamos para podermos ser o que é considerado o ideal? Temos que fazer por nós. Sermos nós mesmos. Autênticos e imperfeitos. “Atrasados” na vida ou não. Errando e tropeçando. Porque se não for assim, a vida vai ser curta e a pressão vai tomar conta de tudo que poderia ser belo e promissor. Vamos em frente jovens, no ritmo em que for possível, dançando conforme a nossa música.

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