O conto da super chance

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Se você é publicitário em Aracaju, certamente entende o que estou falando e sabe quais são as consequências de rasgar o verbo sobre esse assunto em um mercado onde todo mundo se conhece.

Não sei se todo lugar é igual, mas por aqui, estagiar de graça é regra para entrar em boa parte das agências. Você sabe como funciona o ingresso de um aluno em uma escola particular? É mais ou menos desse jeito que funciona o ingresso no mercado de trabalho local, mas no caso, os pais pagam para o filho trabalhar e aprender dentro de uma agência. Chamam de estágio voluntário. Lindo nome. Já passei por alguns.

Depois do estágio voluntário, as experiências mudam de nome, mas continuam iguais na hora da execução. Tem o estágio de 8h diárias, a vaga de Jr. que paga valor de estágio durante os três meses de experiência, o emprego que paga mal, a outra agência que não assina a carteira, o outro emprego que paga até bem, mas não assina a carteira com o valor que realmente paga. Ah, não poderia esquecer a famosa pizza na agência! O que acontece se você não aceita? Segue o bonde, tem quem aceite. Assim, o mercado sobrevive do vício.

Olhe para um profissional local que você admira. Olhou? Provavelmente ele aceitou ou aceita alguma modalidade da “super chance” para se manter aqui. Não julgo. Cada um sabe da sua realidade. Ao longo de quase quatro anos de curso, fui atrás de inúmeras propostas e descobri que a maioria delas era desse tipo. Aprendi bastante e quero continuar aprendendo, mas é um tanto quanto triste a maneira como as coisas acontecem.

Já parou para perguntar a seus amigos da área porque eles estão migrando de estado? Aposto que acerto a resposta, mas faça o exercício.

Se você tem uma agência e não faz isso, ótimo! Não precisa me colocar na sua lista do rancor. Eduque o mercado, você é dono, as pessoas conseguem te ouvir.