Eu Voltei.

Já tem mais ou menos um ano desde a última vez que coloquei no papel — digital — coisas sobre o que eu sentia. Minha vida de decepções; comigo, com outros; sempre foi registrada. Na hora? Porque eu tinha a sensação que com isso tiraria um pouco do peso, que no meu drama, era o peso da minha existência. Depois? Pra eu ler e rir, pensando: como eu era bobinha. Ou “aindabemquepassou”. Assim, rapidinho, pra não dar chance de lembrar muito. Pior é quando encontro nos meus rascunhos algum texto sem data — rola mais ou menos isso: Jesus, pra quem foi? Ou quando dá até pra listar: pode ter sido x ah mas também pode ter sido y.

A gente nunca sabe quando vai aparecer a pessoa ou situação que nos enche de vontade pra mergulhar de novo. E aqui posso estar falando de amor e também posso estar falando de trabalho. Posso estar falando de uma vez que você adotou um cachorro, se arrependeu porque dos 7 dias, só ficava em casa 2 e ainda assim dois anos depois resolveu comprar um passarinho. E por que não adotar um gato? Você acreditou que seria diferente. Dessa vez foi deixar seu passarinho com sua tia sem muito chororô. Não teve tempo pro chá. E nem lembrou de pedir para que ela não esquecesse de publicar na linha do tempo fotos do pequenino. “Vou acompanhar de longe, tá?”

Não to falando de erros fatais, erros nos negócios, investimentos financeiros ou de você cair no mesmo conto do vigário. Tô falando de erro emocional, erro de tato. Erros que muitas vezes não começaram por você, mas terminaram em você. Sem querer diminuir aqui culpas e responsabilidades.

“Chega de chicote e cenoura”! (Ouvi isso hoje numa palestra sobre Agile.) E é isso mesmo. Errei! E não preciso viver com o peso de “nunca mais posso vaciliar de novo”, como se eu fosse um animal adestrado. Isso não é o mesmo que não tentar ser uma pessoa melhor. A experiência nos engrandece. Traz maturidade. Ou deveria. Prefiro pensar, na minha inexperiência, que na verdade isso só melhora minha vontade e rapidez em recomeçar.

E por que eu to escrevendo isso? Porque depois de quase um ano sem escrever eu vi que não deixei de passar por situações ruins, pelo contrário, passei por dezenas e dezenas de péssimas situações: familiares, amorosas, no trabalho e com amigos.

Errei com muita gente.

Erraram muito comigo.

E percebi que tomei fôlego bem mais rápido e não precisei colocar mais palavras tristes no papel pra me sentir melhor. Eu simplesmente me sinto.

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