Ch-ch-ch-changes

Eu gosto de ficar sozinho. De tragar a morte em meus pulmões combinando tabaco com poluição. De observar a ira dos motoristas que encaram o peso de mais um fim de tarde em uma das avenidas mais loucas dessa cidade suja enquanto abro uma cerveja para lembrar que ela é tudo o que eu tenho.

Aí, eu conheci você.

Eu não preciso mais ficar sozinho. Posso dividir com você a vista linda do meu quarto; expressar e destrinchar todo e qualquer pensamento meu — das mais ceticistas filosofias às piadas mais sem sentido. Eu me sinto bem aqui. Sinto que posso ser eu mesmo. Saindo da tua boca as palavras assemelham-se a tudo que eu entendo como belo e sublime.

A definição de amor que eu conheço foi você quem desenhou pra mim.

Mas eu cansei.

Hoje é dia. Dia de acender um cigarro enquanto o sol beija o horizonte. De observar e brindar a distância da fúria de uma das avenidas mais importantes da cidade com o “tsss” da latinha de cerveja; navegar em pensamentos distantes, profundos… internos. Encarar minhas faces. Não falar muito, e nem mesmo te escutar. Deixar espaço pro silêncio cantar. Hoje eu quero ficar sozinho.

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