Uma ilha de Faróis num mar de continentais*

Maycon Alves Casado
Nov 7 · 2 min read

Há alguns anos eu tenho frequentado o Island Club (IC). Trata-se de uma associação de pessoas que validam entre si suas diversas opiniões e ações e depois as divulgam para outros ICs. Essas opiniões e ações se tornam conhecidas e vividas de forma tão intensa que para eles os continentais¹ também estão familiarizados com tudo o que fazem, mesmo sabendo que suas publicações praticamente não saem do ciclo de ICs.

A forma de ingresso e como fui parar neste Club é assunto para outra conversa, que um dia espero conseguir relatar.

Assim que você é recebido pelos Faróis² eles deixam bem claro que possuem a Iluminação e que devemos segui-los fielmente sem questionar nada. Soa como um fideísmo, o que é um tanto quanto contraditório. Afinal a racionalidade e empirismo são regras pétreas da instituição.

O convívio e a aceitação na comunidade se dão de diversas maneiras. Há certos ritos de passagem e geralmente aqueles que nunca passaram por outro tipo de organização são os que se moldam mais rápido. Já os outros não se iludem muito com a necessidade de pertencimento. Contudo os dois grupos são forçados a expressar os símbolos, formas e convicções do IC de imediato³.


* Parafraseando José Murilo de Carvalho

  1. Termo usado dentro do clube para se referir a quem não é associado.
  2. Palavra usada entre os membros do Island Club para se referirem a si mesmo.
  3. Escrever neste formato de notas nos finais dos textos, que faz você ficar subindo e descendo a tela para procurar uma informação, é uma das expressões que devemos cultivar constantemente. Aqui está algo que nem todos continentais sabem e por vezes não compreendem por completo o que os Faróis querem dizer. Até mesmo nas conversações, quando há esse contato entre grupos, os iluminados se esforçam em fazer referências que em suma acaba por omitir informações necessárias para o bom andamento do diálogo. Começam a divagar e são os mais prolixos possíveis. Se perdem nas ilustrações que nada se parecem com a vida real e sem se darem conta perdem o fio da meada e nunca mais voltam para o contexto inicial da conversa.

Maycon Alves Casado

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"a palavra escrita é uma garantia universal de permanência" - João Camilo de Oliveira Torres

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