Alho Poró (2017)

O que se precisa pra fazer uma quiche de alho poró? Alho poró, é claro! O problema é que as vezes é difícil achar este ingrediente. A história Alho Poró (Independente/La Gougoutte, 2017) de Bianca Ribeiro começa com a busca de duas mulheres comuns pelo primo das cebolas.

A receita da narrativa é simples: misture bem todos os ingredientes, leve ao forno baixo e, quando estiver quase pronto, flambe com chamas quentes! A trama principal se desenvolve num ritmo lento, quase cotidiano, fácil de nos identificarmos. As mulheres, típicas mães de família da classe média preparam uma receita que nunca fizeram antes. O tempero é o mistério: para quê?

Nesta história o sujeito se satisfaz não tanto pelo sabor — o gosto delicioso vem ao fim — mas com os odores da cocção. O olfato nos guia pela sutiliza da narrativa: nada é direto e óbvio, mas a história se desenrola nas entre linhas dos diálogos bem escrito. Contrasta, no entanto, com um elemento central presente na capa do livro. Na adolescência de uma das protagonistas, meninas brigavam sem motivo. Brigavam mesmo, de soco; não como o senso-comum acredita. Nada de puxões de cabelos e arranhões ao som de gritinhos. Era soco na cara. Porque era mais sincero. Mesmo sem ser direto, Alho Poró é extremamente sincero. Mulheres, determinadas, preparam o prato da vingança como ninguém. E não precisa ser servido frio.

Alho Poró foi um projeto realizado via Catarse em 2017.

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