Social TV segundo os brasileiros

A gente adora comentar o que está passando na TV. E não é de hoje. Se antes estávamos limitados a sentir vergonha alheia da Banheira do Gugu apenas entre as pessoas que estavam conosco na sala, agora podemos compartilhar deste mesmo sentimento com o Brasil inteiro quando a Ana Maria cai da cadeira no meio do Mais Você. Além de assistir ela cair ao vivo, podemos ir na mesma hora para o Twitter e contar pra todo mundo como nos sentimos com relação a isso. E mais do isso. Podemos pegar o vídeo da queda e postar no Facebook. Podemos remixar e fazer um funk do momento no Youtube. E mais que isso. Podemos fazer um gif da Namaria caindo em loop infinito. Podemos fazer um Vine. Podemos fazer um vídeo de 10 horas dela caindo sem parar. Sim, as possibilidades são inúmeras. Mas porque? Porque odiamos a Namaria? Não! Nós só sentimos essa necessidade desenfreada de compartilhar, dividir, expressar opiniões e, finalmente, zoar.

Essa mania de levar nossas impressões sobre o que assistimos para essa “segunda tela” mudou completamente a forma como consumimos televisão. Com a internet na palma da nossa mão, a televisão não tem mais a nossa atenção exclusiva. Ao mesmo tempo que assistimos, nós estamos navegando por outros conteúdos e interagindo com outras pessoas. E assim começou a era do Social TV.

A startup Shareablee da Comscore, uma das maiores empresas dos EUA em análise da internet, já divulgou vários estudos sobre o assunto. Se liga nos gráficos:

Em apenas um ano, a quantidade de ações nas redes sociais relacionadas com programas de televisão aumentou em 91%.

Os compartilhamentos no Facebook relacionados a programas de TV cresceu 103% na América Latina.

No Twitter, os retweets relacionados a programas de TV também apresentaram um aumento de 106%.

E não é só lá fora que eles estão abrindo o olho pra isso. Aqui no Brasil, em março deste ano, foi lançado o IBOPE Twitter TV Ratings (MW ITTR), para medir o buzz de cada programa de televisão aberta na rede social. Se você tiver curiosidade de ver quais os programas que mais repercutiram no ambiente digital, o ranking semanal é divulgado gratuitamente neste link.

Os reality shows impulsionam e muito a interação com o conteúdo.

As hashtags, um dos recursos mais comuns das redes sociais, ajudam na tarefa de rastrear os conteúdos produzidos pelos usuários. Cada palavra ou frase precedida pela cerquilha (a.k.a jogo da velha) se transforma em um link indexador de conteúdo. Dessa forma, é possível ver tudo o que se fala sobre um determinado assunto buscando apenas o termo que foi convencionada oficialmente ou organicamente para tal. Vários programas atualmente já orientam o usuário, deixando a hashtag aparente no canto do vídeo. Outros programas vão além. O Pânico na TV é um exemplo disso. Desde 2011 eles utilizam o Twitter como ferramenta de votação, deixando o público escolher o destino de funcionários do programa, seja para ser demitido (#saibolina e #ficabolina), ou engordar 14kg (#sabanhasato ou #vesgorduho), ou ficar careca ao vivo (#carequinhadotas e #cabelinhodoneymar). Dar o poder de decisão para o público é empoderá-lo e isso dá resultado, visto que todas as semanas ele normalmente fica em primeiro lugar nas menções na categoria de programa de variedades. O comportamento das torcidas dos reality shows merecem uma análise bem mais profunda e, por isso, vai ganhar um post especial, que vai chegar em breve ❤.

A repercussão dos programas televisivos no ambiente de digital traz dois grandes benefícios. O primeiro deles é criar uma relação mais próxima com quem está consumindo o produto. Receber o feedback dos telespectadores é a chave para o sucesso, porque dá a oportunidade de entender a fundo onde estão os erros e acertos e cria a possibilidade de fazer ajustes sempre que necessário. O segundo benefício é ampliar o alcance, trazendo um público cada vez maior para consumir o conteúdo do programa. Quando os programas de televisão deixam de ter medo da internet, eles só tem a ganhar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.