#meninasdosolhos

Fui convidada a participar do #meninadosolhos, projeto do fotógrafo Germano Germóglio com a artista plástica Renata Cabral, cujos trabalhos já conhecia como espectadora-admiradora. Um convite que, na verdade, é um doce presente: ser perpetuada nas artes dos dois.

Escolhi como cenário a floricultura da praça da independência em João Pessoa, capital da Paraíba, de onde sou natural. E escolhi por muitos motivos, entre eles, o fato de ser marco divisório entre os encantos do Centro Histórico e a “chegada da Modernidade” simbolizada pela abertura da Epitácio Pessoa. Um assunto que tantas vezes vi nas minhas pesquisas de mestrado na solidão do IHGP, ora compreendendo a euforia da Revista Era Nova dos anos 1920 em noticiar “os caminhos da modernidade”, ora refletindo, quase um século depois, sobre qual seria o posicionamento daqueles esperançosos jornalistas se pudessem olhar para aquele processo de modo retrospectivo.

Um outro motivo, não menos importantes, foram as memórias de infância, quando meu pai me levava para escolher flores enquanto escrevia belos textos para a minha mãe, ressaltando o quanto ela era maravilhosa. Lembro bem de um dos cartões, que começava com “As rosas não falam” e terminava com as palavras sempre lindas e emocionadas.

Ao chegar para fotografar, ofegante, apressada e morta de vergonha do atraso, sou recebida com flores, calmaria, abraços e sorrisos por artistas que me encantaram com a sensibilidade e amor ao que fazem. Eu me senti nos dias da minha infância, saudosa também dos tempos em que estudava nas Lourdinas e passava achando lindo as árvores de ipê e pau-brasil. Saudosa até do que não vivi, mas li em “O Tambiá da minha infância”.

Estou muito feliz e ansiosa pelo resultado, que contará com exposição desta tela em branco, que se tornará uma obra incrível, e um catálogo com vinte mulheres em pontos históricos da cidade de João Pessoa.