A batalha perdida pelo “Fora Temer”

Havendo eleição, votar ou não votar? Em quem ou no quê? I

Mais importante do que saber perder, é saber quando já perdemos. E estrategicamente, o Fora Temer já é uma batalha perdida. Inclusive se por ventura o tirano vier a ser deposto. A conquista deste objetivo seria como foi o impeachment de Dilma, ou melhor só a deposição dela, mais uma vitória de Pirro. Cujo erro, hoje todos sabem, não foi o cortar essa cabeça em especial do monstro, mas o não cortar juntas todas as cabeças da besta que viriam a tomar seu lugar.

O Estado é um mostro que quando se corta a cabeça não morre, nem nasce uma outra, ou duas, mas tantas quantas puderem ocupar o lugar. Isso não quer dizer que devemos nos conformar e submeter a tirania de nenhuma delas por medo das outras que emergirão, mas saber que alma desse monstro estatal como a de todos os monstros corporativos não estão nas cabeças, mas no corpo. E que o corpo portanto não sendo a mera somatória das partes, mas a totalidade cujas partes são a mera manifestação corporativa é aquilo que precisa ser destruído para dar fim a essa anima teratológica.

Não foi por falta de aviso. No entanto, seja porque os tolos da direita quiseram crer que as velhos aliados não eram parte da mesma corporação. Seja porque os “muito espertos” da esquerda preferiram insistir em subestimar a inteligência alheia e negar o obvio e explicito até derreter: que só até traição entre aqueles que estão unidos e bem unidos. Ou mesmo que ainda seja porque essa credulidade ignorante e a desonestidade prepotente, sempre trabalham juntas e servem a um mesmo fim, mesmo quando estão em lados opostos, ou melhor, se alternam como postura entre os antagonistas conforme os grupos vão da situação para a oposição- e vice-versa. O fato é que isso dá e deu no mesmo. E já é o que menos interessa. Saber quem e como se perdeu a batalha é importante, mas somente para reorganizar as forças e estratégias para a guerra.

Pois é obvio que estamos em guerra contra a classe política. Correção: que a classe política criminosa que tomou o Estado está em guerra não-declarada, mas já completamente aberta explicita e descarada contra a própria sociedade. E se nessa guerra o tempo está ao lado da sociedade. Nesta batalha em especifico ela está ao lado do inimigo. De tal modo que o simples adiar o inevitável, já constitui a vitória dos inimigos da sociedade.

Primeiro, porque na eventual queda do seu comandante-em-chefe atual quem assumirá é um rebento da mesma tropa corrupta, eleito pelos corruptos para os corruptos via eleição indireta.

Segundo, porque neste ínterim, da queda do atual tirano até a deposição do seu sucessor igualmente ilegítimo já terá findo esse mandato.

E Terceiro e mais importante: porque quando forem depostos, ou melhor quando abandonarem as suas posições, será porque já terão terminado o serviço a que se prestaram. Será porque tiveram tempo mais do que suficiente para completar sua pilhagem. E estarão a entregar (de novo) um uma terra queimada e arrasada, um pais estrutural e institucionalmente destruído e loteado, devidamente atrelado a um Estado que como gestor de interesses outros, estará ainda aparelhado para manter esses privilégios de e interesses criminosos. E tudo isso devidamente legalizado, embora ainda sim criminoso, através de decretos e leis de um congresso constituinte que sempre foi deles e nunca nosso. Embora descaradamente sempre a tenham chamado esse conluio de constituição de cidadã, com a mesma desfaçatez com que chamam a esse cleptocracia de democracia.

Seja portanto com Temer resistindo como o comandante-em-chefe zumbi, seja com outra marionete pronta apodrecer em tempo recorde como Maia. Ou seja ainda com o poder crescente de generais do naipe de um Echengoycfe cada vez mais explícitos, a vitória no cortar das velhas cabeças, ou o impedir o volta das antigas não muda em nada o curso dessa guerra, onde os verdadeiros chefes e suas posições privilegiadas permanecem intocadas. Logo, mesmo que a Lava-Jato sem avançar para os centro nervoso financeiro da corrupção oligárquica brasileira e se “consolide” a onde chegou e nunca mais parem de cair os gangsters, aqueles para quem eles prestam serviço e são pagos, os banksters, os grandes barões ladrões prevalecerão. E assim continuarão indefinidamente enquanto sequer tomarmos conhecimento desses inimigos, interesses, e sobretudo agendas e posições estratégicas para o Brasil. Mata-se as criaturas, ficam seus criadores.

A eliminação dessa parceria criminosa de gangsters e banksters sob o monopólio da violência contra e as custas da sociedade não é propriamente uma batalha que se encerra com a deposição deste ou daquele tirano, mas tanto da eliminação definitiva de toda essa corja de gangsters que hoje grilam os palácios e submetem a república quanto da corja que não apenas é subsidiada politico-juridicamente por esse Estado criminoso, mas subsidia financeiramente a perpetuação desse Estado como sistema de expropriação da sociedade e sua economia.

Não é motivo de surpresa, portanto, a falta de timing da classe política para defender os interesses da sociedade, essa incrível capacidade deles de matar os ideais e ainda depois ainda maquiar e vender os mortos. Eles hão de sempre formar fileiras ou melhor tomando as bandeiras ou quando a batalha já está perdida, ou no momento derradeiro apenas como quinta coluna para desmobilizar e abrir flancos para o golpe final. E isso tudo de tal modo que na foto, em vista das próximas eleições, reaparecem do lado certo, o da sociedade, sem contudo jamais correr o risco de permitir que esse lado ganhe qualquer batalha.

E é por isso que a defesa das eleição direta antecipadas chegou devidamente atrasada, nunca passou de propaganda política; já o risco de adiamento ou até fraude — se você não considera o sistema eleitoral já uma fraude em si- este sim continua sempre e cada vez mais presentes. A equação que define sua chegada no tempo devido ou pelo contrário seu atraso ou adiamento é simples: as eleições diretas ou ocorrem com cartas marcadas de modo que as diferentes alternativas disponíveis deem no mesmo e não exista o menor risco de que as “reformas” feitas por esses criminosos no poder sejam desfeitas, ou simplesmente não haverá eleições até que essas condições de conservação do status não estejam novamente “garantidas”. Ou seja, até que a população se conforme, e se cale, ou novamente se aliene e entregue a algum líder populista devidamente amestrado; até que quem insistir em denunciar autoridades criminosas não seja novamente ele o criminalizado e perseguido; até que aquilo que eles denomina a normalidade institucional das coisas se restabelece, as eleições diretas permanecem em risco assim como a própria democracia que nem chegar a amadurecer e sonhar em ser uma verdadeira democracia, plena e direta, chegou.

Infelizmente estamos como o Fora Temer, não estamos mais a combater uma zumbi, ou marionete, mas um espantalho. Estrategicamente falando, enquanto nos preocupamos em reaver uma posição ou mandato roubada e já institucionalmente destruído. As forças criminosas tanto as que estão na situação quanto as que depostas e supostamente estão na oposição, já estão posicionando seus exércitos para a próxima batalha pelo poder no Brasil. E as batalhas deles por poder, são para nós a nossas lutas de resistência por liberdade.

Não só as movimentações desses exércitos políticos já estão em curso para a batalha das próximas eleições, como a própria batalha das próximas eleições. E não se deixe enganar não é uma batalha para decidir qual será o próximo grupo ou gangue a ocupar os palácios. Mas antes disso, uma guerra de posições, sobre quando como e sobretudo quem e em que termos será disputada esse combate. A parte mais importante, porque quem ganha ou perde na verdade é mito mais consequência desses fatores do que da ilusão da vontade popular.

O que não significa que essa é mais uma batalha perdida. Embora a desvantagem seja gigantesca para a sociedade. Sempre existe a possibilidade do erro de calculo de seus adversários que se exponencia na medida da sua prepotência.

É sobre elas que diferentes indivíduos que fazem parte ou não de movimentos ou organizações da sociedade civil podem estabelecer a linha de atuação e até mesmo agendas em comum espontaneamente, e até de forma completamente independente uns dos outros ou de uma articulação conjunta maior do que a simples manifestação e troca livre de propostas e ideias e sobretudo critérios para tomada de decisão e posicionamento político.

E é tratando desta questão, de qual poderia ser essa tomada de posicionamento consciente do cidadão nessa próxima batalha, que vou prosseguir com esse escrito. A qual adianto não é uma posição militante em favor deste ou aquele partido, nem da anulação do voto. Mas outra que na medida das impossibilidades represente da melhor forma possível o único partido ao qual queiramos ou não é e continuará sendo depois da eleição se não trocarmos de lado: o do povo que quando organizado antes de tudo de forma tácita se chama sociedade.

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