Um correspondente da DW responde a algumas das questões presentes nos dois artigos:
Marcus Brancaglione
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A fé na pluto-democracia americana

Duas análises interessantes do presente e o futuro do americanismo… e uma viagem no tempo

“Pode estar na moda pensar nesta eleição como um referendo sobre um “estilo de política” ou “visão do governo”. Mas quando uma grande parcela da população não está disposta a conceder legitimidade ao próprio processo de se fazer a pergunta, não devemos ficar surpresos quando eles se recusarem a aceitar a resposta.”

Democracia? Onde? Ou melhor para quem?

“As eleições presidenciais norte-americanas fazem-me pensar no clássico de Alexis Tocqueville Da Democracia na América. Uma ironia vem à mente: Da Democracia na América hoje seria Da Plutocracia na América. Nas suas viagens ao Novo Mundo, feitas na primeira metade do século XIX, Tocqueville detectou uma paixão intensa pela democracia entre a população. Hoje observa-se uma paixão exacerbada pela riqueza e poder.”

A proposito, esta noite tem o último debate, quero dizer o ultimo round desta luta em Las Vegas. Um luta onde o mais improvável que poderia acontecer é não acontecer nada. Portanto, não se surpreendam se qualquer um dos oponentes for a nocaute com alguma denuncia, ou morder a orelha do outro. Eles podem estar desgastados e mesmo sem força ou credibilidade para dar qualquer golpe de efeito, mas há que se considerar: primeiro, que os dois tem queixo de vidro; segundo, que os dois são capazes de qualquer coisa; e terceiro e o mais determinante está é a luta mais suja da história. Mais suja que dita luta mais suja da história, porque neste debate não um, mas dois tem cimento escondido debaixo das luvas. Aliás, escondido onde? Não é nem mais uma questão de quem vai dar ou acertar o próximo golpe baixo, mas qual golpe baixo será mais pesado ou pior mais verdadeiro.

Sempre é possível fazer pior: Billy Collins Jr. versus Luis Resto

Por via das dúvidas o Equador cortou a internet do Assange…

Pois é… Trump fazendo milagres. Se bobear acho que até o CEO da Goldman Sachs sou a múmia do Nixon poderia se eleger concorrendo contra ele. O único problema é que quem apostou nisto, se esqueceu de uma coisa, o raciocínio inverso também é válido: ele também poderia ganhar concorrendo contra os CEOs de Wall Street, ou as múmias de Nixon.

De fato para um “establishment” falido e criminoso poder vencer só mesmo trazendo para o ringue um adversário ainda mais baixo e repugnante. O problema que é pior do que eles só há tipo de coisa: o racismo e fascismo descarados. E isto é a repetição de erros histórico do estadismo do século passado. Porque é fácil dar toda a midia que esses populistas precisam para aparecer, crescer e derrubar seus adversários. Difícil depois é derrubá-los, quando já fidelizaram apoiadores fanáticos. Pois a mesma midia que deu a luz para eles, não ter poder para acabar com eles simplesmente tirando essa luz cobrindo-os de denuncias- nem mesmo as mais verdadeiras do mundo.

Populismo e terrorismo são coisas facílimas de fabricar e alimentar mas dificílimas de controlar e mais ainda de derrubar. São monstros que via de regra não caem sem levar seus espertos e arrogantes criadores com eles, e o que pior de tudo muita gente inocente junto. Quero dizer mais gente ainda.

Se você quiser entender melhor o que estou dizendo não imagine o cenário em que nada de novo acontece nessa luta e Hillary segue até o final ganhando por pontos. Um cenário onde um Trump derrotado continua a destilar suas mentiras descaradas sobre as verdades mais inconvenientes da democracia americana e hipocrisia; contrariando assim todos interesses e conselhos de quem lhe diz para cumprimenta o vencedor, cala a sua boca e mantem as aparências que sustentam o sistema. E sabe-se lá o que vem depois.

Imagine o oposto.

Imagine o que ninguém quer imaginar: Trump conseguindo os 5 ou 10 pontos que precisa e… vencendo! Os democratas se dariam por vencidos e apertariam sua mão para que a democracia pudesse seguir normalmente? Mas quê? Qual normalidade? Qual democracia?

Alias danem-se os republicanos e democratas, pensando da perceptiva de quem de qualquer forma será invadido e bombardeado que diferença faz toda essa merda? Ou que dentro dos EUA mesmo levará um tiro na cara porque não é da etnia cor ou credo certo que diferença faz?

A democracia fordista é um jogo lose-lose. Seja como senhora da guerra ou Mussolini made USA o resultado será o mesmo: o meteoro gigante wins. Seja no norte da America no sul, no ocidente ou oriente, embora ele via de regra cai nas periferias do mundo estejam elas onde estiverem.

Com Trump ou Hillary no poder, a America que os americanos não gostam de ver no espelho, agora pós-trumpismo, já conseguiu uma façanha: será mais americanista do que nunca.

Mas como não sou pessimista, nem muito menos fã do distopias, teorias apocalípticas, nem do anti-americanismo, antevejo ou outro fim para essa história americana:

Uma nova revolução contracultural vem por aí… e por aqui também.
O mundo inteiro precisa de uma nova revolução contracultural, mas nenhum lugar do mundo como a America.
Ninguém precisa tanto de outra revolução contracultural, ou melhor, de outro final para a história da sua Revolução…
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