A Nova República do Café com Leite versus o Tenentismo Togado. E o dia que Prestes cruzou com o Lampião

Uma homenagem as últimas “articulações” da mais nova versão da Velha República Oligárquica do Brasil

Mitos: O “cavaleiro da esperança” versus o “Rei do Cangaço” Não foi bem assim… nunca é.

Mas antes minha homenagem em inglês:

E devidamente dublada em português:

Mas a vida não imita arte. No mundo real não existe Homens- Morcegos, mas fartam mafiosos e seus “coringas”. Ou se preferir, ao invés da mitologia fascistoide Norte-Americana, a mitologia folclórica do Agreste Brasileiro:

Não existem cavaleiros das esperança mas coronéis e reis do cangaço é o que não faltam.

Agora vamos ver o que achamos no meio dessa coisa pública e seus procuradores…

A mais nova velha república do café com leite versus o novo “Tenentismo togado”

A primeira bandeira da velha república adotada no governo provisório mantinha as 13 listras referentes às treze colônias americanas. Wikipédia

Tardiamente, quero dizer, tardiamente para os defensores das velhas oligarquias e aristocracias corruptas, estão comparando a “desobediência” dos procuradores da república com o movimento Tenentista do inicio do século passado. É uma comparação exagerada, até porque não podem se dizer que não vai sair dali nenhuma coluna Prestes, (nem se pode dizer que os procuradores sejam tão nacionalistas quanto aqueles tenentes). Porém não duvido que esta história acabe mesmo numa ditadura populista na mão de “neo” getulistas que combinem pragmaticamente (isto é, sem nenhum princípio mas só fins que justifiquem qualquer meio) elementos liberais e conservadores sobre uma verniz social-democrata e até mesmo trabalhista, numa grande salada bem ao gosto do popular brasileiro sem nenhum caráter temperado com falsidade ideológica e unida por mesmo denominador comum: o autoritarismo.

Não duvido que muitos elementos desta republica de Curitiba troquem suas bandeiras “reformistas” para fazer parte do mais novo velho “establishment brasiliano” compondo a mais novíssima Nova velha república daqui alguns anos. Mas por agora é interessante ressaltar como essa Realpolitik que domina a mentalidade tanto da intelligentsia da esquerda quanto direita tradicional foi incapaz de conceber que poderia haver pessoas comprometidas com qualquer causa ou ideal sem segunda ou terceiras intenções, sem um projeto poder, ou até mesmo um projeto de Brasil bem definido. Que poderia haver apenas uma nova gerações sem maiores pretensões, de um moralismo ao olhos deles tão moleque tão sem a sua velhacaria que não poderia existir.

Para usar uma terminologia bem ao gosto deles. Eis que os moleques moralistas “sem o couro calejado para ocupar as posições que ocupam” pegaram os velhos bem laceados na sua moral em plena na “suruba”. Foi assim que esses velhos corruptos e pervertidos se deixaram flagrar despreocupadamente juntos, pelados e copulando entre eles e coitando a república. Embora digam que não é nada do que estamos pensando.

Dos artigos publicados sobre esses ditos “moleques” os “tenentistas togados” a melhor analise que encontrei foi esta:

Concordo e discordo de muitos pontos. Mas vou ressaltar 2 dessa análise:

  1. Eles não tem nenhuma proposta estrutural revolucionária em nenhum sentido para lidar com os problemas sistêmico que a corrupção dessas aristocracias e oligarquias representam. Suas propostas giram em torno de fato de propostas moralizantes para corrigir um regime que está morto e não sabe.
  2. Porém, o que não tenha como discordar nessa comparação é que mesmo movimento dos procuradores não sendo a reencarnação dos tenentistas, com certeza esses corruptos que eles enfrentam são os descendentes e herdeiros dessa republica oligárquica do café com leite disfarçada de regime democrático, dessa aristocracia de fidalgos enrustida como democracia. Sem dúvida a atual republica- essa República igualmente oligárquica, do cabresto, latifúndio, dos bacharéis, coronelismo meramente adaptado e reeditado nos tempos modernos, não tem, (assim como a velha não teve), mais condições de continuar. Não só pela sua natureza injustiça e criminosa revelada explicitamente, mas porque o sistema de exploração ultrapassado e insustentável que ela parasitava está prestes a se esgotar e já está se transformando completamente.

Ou seja, os procuradores podem até ter muito pontos em comum que os permitem estabelecer esse paralelo com o tenentismo. Mas a maior similaridade não está propriamente neles, mas no contra “o quê” se levantaram: a republica corrupta dessa velhas onipresentes e onipotentes oligarquias da política e econômica brasileira. Aliás oligarquias não, aristocracias porque hereditárias. Fidalgos que colocam seus interesses ora travestidos de “interesses nacionais”; ora como vontade transcendental do “mercado”; nem sequer mais como se estes fossem a falsificada representação da vontade do povo, mas novamente sem nenhum disfarce declaradamente a sua revelia e contra sua vontade de todos, tratando a a república como seu patrimônio e eles como a própria encarnação da democracia.

Em outras palavras, ainda não sei quanto os procuradores tem dos ideias e vícios dos tenentistas. Sei que de “Cavaleiros da Esperança” não tem nada, mas que de Republica oligárquica dominadas por jagunços coronéis e bacharéis esse regime ainda tem muito.

Assim para usar um termo completamente ridículo que a esquerda tradicional adora usar não vejo nenhum “lado certo da história”, mas vejo claramente o lado que encarna tudo o que há de podre e que precisa ser derrubado para o Brasil de fato se libertar e crescer: as oligarquias. Com ou sem tenentes togados essa maldita republica do café com leite, esse aristocracias paulistanas, mineiras e cariocas, esse eixo que dominam a econômica e política palaciana, esses tiranos financistas, os verdadeiros capos dessa mafia legalizada, e seus fantoches, precisa ser tirada das casas do povo. E junto com ela todos seus lugar-tenentes: latifundiários escravagistas dos matos grossos dos brasis afora; coronéis e seus jagunços dos sertões. e esse patronato que só dos grandes centro-urbanos que só não adere declaradamente as ditaduras nazi-fascistas porque é ignorante demais para saber o que é ou não é. E que com eles levem para vala toda essa mídia e essa esquerda burguesa e pelega que só serve de falsa oposição e sua agente sabotadora.

Enfim que todas essas alcateias se devorem entre elas até que sobre tão poucos lobo para se travestir de pastor que tosquiar o povo.

Caiu a ficha mister Patriota? O velho regime está ferido de morte. A velha republica, sua e dos seus comparsas a adversários respira por aparelhos e não volta do coma. A disputa agora é sobre a nova republica quer queiram vocês ou não, quer queiramos nós ou não, porque os tempos já são outros.

E que os mortos enterrem os mortos. Porque o mundo pertence aos vivos e aos que vão nascer.

Lampião, Prestes e Padre Cicero

Mas que não se enganem não será fácil. Porque entre o revolucionário- mesmo o pacifico- e o banditismo, a velhas oligarquias a esquerda ou direta hão sempre de apelar para o banditismo e coronelismo como ou sem patentes oficiais. Farda bala e patente e anistia tudo o que se precisar para manter o Brasil como sempre for eles arrumam. Rasgam a fantasia; emprestam a fantasia. Tudo é válido, tudo é legal quando o assunto é manter o Brasil que não pertence ao Brasil longe das mãos do povo brasileiro, e sempre sobre as botas dos ladrões empossados, diplomados, togados e armados desta ditadura, mas finge que é república.

Não se enganem falta muito os procuradores da Lava-Jato serem tenentistas e sua cruzada não é nenhuma Coluna Prestes, mas se colocarem em risco o coração do sistema- o latifúndio, o agronegócio, o financismo- eles (ou quem quer que seja) vai ter que enfrentar a união legalistas dos jagunços, cangaceiros, coronéis, igrejas, banqueiros, jornais, tvs e patrões, toda a cosa nostra brasileira junta devidamente fantasiados de forças patrióticas de deus e da legalidade, da ordem e do progresso. Quem quer que ouse se levantar há de enfrentar o coronelismo e o cangaço fardado, togado e reinante do Norte ao Sul do Brasil.

Não, não existem salvadores da pátria, nem cavaleiros da esperança, mas as oligarquias, aristocracias, o banditismo, os coronéis, as falsas reformas e revoluções, o autoritarismo, o patrimonialismo, a corrupção e o compadrio não são mitos, mas infelizmente já parte do folclore dessa trágica realidade fantástica da História do Brasil. A farsa é nossa realidade histórica. E é a que a história se repete, é o espetáculo dessa tragédia que nunca se interrompeu de verdade.

Não é Deus e o Diabo na Terra do Sol, mas Lampião, Padi Ciço e Prestes na terra de ninguém… só que sem cavaleiros e sem esperança.

PRESTES, LAMPIÃO E PADRE CICERO

As providências tomadas pelo deputado não foram nada ortodoxias ao convocar um “batalhão patriótico”, integrado por jagunços vinculados aos coronéis. Todavia, sua atitude mais controversa foi incorporar a esse grupo o bando do mais famigerado e tímido cangaceiro que atuava nos sertões nordestinos. Escreveu uma carta a Lampião convidando-o a fazer parte da empreitada, carta essa que foi submetida à avaliação e que foi aprovada pelo Padre Cícero, figura respeitada e admirada por Virgulino Ferreira.
Tão logo recebeu a carta, Lampião partiu para Juazeiro com 49 homens. No dia 5 de março foi recebido pelo sacerdote e obteve a patente de capitão do “batalhão patriótico”, outorgada por um amedrontado funcionário do Ministério da Agricultura. Como parte das negociações, recebeu ainda fardas e armamento para a sua “tropa”. Três dias depois desses acontecimentos o deputado Floro Bartolomeu, que já se encontrava enfermo no Rio de Janeiro, veio a falecer.
Entretanto a carreira legalista de Lampião foi curta, embora aparentemente estivesse decidido a cumprir sua parte no acordo. Seu bando deixou e Ceará e voltou para Pernambuco, onde continuou a praticar crimes e, consequentemente, foi perseguido pela polícia. Como pensava que o seu posto de capitão do “batalhão patriótico” lhe conferia imunidade ilimitada, voltou a Juazeiro para novamente falar com o Padre Cícero, mas não foi por ele recebido. Certamente queria reclamar da ação da polícia de Pernambuco. Decepcionado, Lampião abandonou o posto, voltou a sua carreira de cangaceiro, mas não abdicou o titulo de capitão, que adotou daí para sempre.
É isso aí, no grande Sertão Brasil bandido vira policia e herói; soldado vira revolucionário e bandido. E a porra do Padre nunca muda, sempre continua onde sempre esteve, no meio, do lado dos donos da terra. Afinal falando em oligarquias, ela também nunca deixou de ser também sua.

É como dizia o grande filósofo Tim Maia:

Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita.
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