Portanto a “pena de morte” é assassinato, pois não é uma legítima defesa de ninguém real.
Fabiana Cecin
31

A Pena Capital

Sim. Fabi. É a execução de uma pessoa dominada que já sai do campo da proteção da sociedade contra um bandido ou tirano e entra na questão bem mais pesada nos plano psicossociais e espirituais que é a “justiça punitiva”. A execução pública é um ritual que tanto substitui, satisfaz e monopoliza o desejo da sociedade (ou de uma partir significativa dela) de praticar o linchamento quanto de relação de poder e cultura de violência que ele envolve. Portanto não é toa que os indivíduos executados ao longo da história das civilizações pertenciam massivamente aos grupos marginalizados do período. Por exemplo, no Ocidente, um dos maiores períodos, senão o maior, em que mais a tortura e execução da pena de morte foram aplicadas foi o da inquisição católica e suas maiores vítimas mulheres pobres.

Particularmente sou (ou era espero) uma pessoa muito esquentada, do tipo que não perde o controle tão fácil, mas facinho se dói e revolta não só com as coisas com ele mas com as coisas que acontecem com os outros. Então entendo, perfeitamente a revolta e o ódio que quem sofre e não acho que o perdão seja uma obrigação de quem tenha sofrido qualquer tipo de violência ou violação. Mas entre a justiça e a vingança. Entre a retribuição do mal e sua reparação. Entre a cura de quem sofre ou sofreu a violência e violação, e a satisfação de ver o violento e violador violentado, há um abismo. Entre os rituais de pacificação das almas dos vivos e dos mortos e suas sociedades, e os rituais de sacrifício de morte e sangue há uma distancia infinita equivalente a do céu e do inferno.

Por isso, feliz de quem consegue perdoar, mas não há como se exigir isso de quem sofre, engolir sempre em seco e suportar todo tipo de violência e humilhação, a obediência e o perdão como obrigação e não como manifestação da livre vontade. Esse perdão obrigado que não é um exercício da cura do perdão mas do mal da obediência pusilânime. O mesmo mal que quando ordena que aquela perdoa não tem o direito de fazê-lo, mas tem a obrigação de obedecer a condenação do Estado e sociedade.

Essa obrigação do perdoar e condenar e obedecer cegamente essa justiça seletiva seletiva e punitiva de aceitar os ritos de vingança institucionalizado como se fossem justiça ou reparação e esquecer a justiça para todos e a reparação. Essa triste amalgama de povos obedientes e sofredores que são de tempos em tempos apaziguados em sua ira e revolta reprimida com linchamentos públicos consiste na própria base da sua dominação por degeneração da sua moral, solidariedade e dignidade. Pão e sangue, o clássico circo romano.

Evidente portanto que a substituição da justiça punitiva voltada para o agressor, por uma justiça reparativa voltada para as vítimas seria um salto quântico no desenvolvimento humano, humanizaria deverás a sociedade, reduziria drasticamente a violência em numero, custo e danos não apenas materiais mas humanos, sociais (e espirituais) para a humanidade. Uma redução de custos e danos que não interessa para quem ganha e se sustenta dela. Mas que reparação uma ova, dinheiro propriedade e trabalho vem não vai, as vítimas se fodam, pega o genocida e homicida e enforca e esquarteja em praça pública e tá tudo resolvido. E como… isso é o que se chama investimento a fundo perdido no maior “negócio” da história: vender proteção e vingança no mercado da violência. Mais hora menos hora esse investimento em pena capital sempre retorna com juros e dividendos aos seus monopólios.

PS: Tem muito a ver com o livro que você, valeu.

Abraços

Marcus

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.