Ativista, Libertário e de Esquerda, por favor

Da auto-apologia ao novo paradigma libertário

Quero aproveitar o seguinte comentário que recebi no Facebook para desenvolver melhor algumas ideias sobre o ativismo libertário e fazer mais um pouco da (espero que irritante para muita gente) propaganda dos 10 anos de trabalho libertário do ReCivitas:
“Acho só que talvez o autor não seja tanto “ativista libertário” quanto ele se declara. Me deu a impressão de ser ‘muito left, pouco lib’.”

Bem antes de mais nada quero dizer -parafraseando a famosa anedota do insano Jânio Quadros- que o comentarista não precisa achar, ou ter dúvidas, sua impressão está quase perfeita, porque este filho-da-puta não parece ser de esquerda, este filho-da-puta é de esquerda!

E só não digo que sou mais left do que lib porque estaria mentido. Sei que ser ser mais “left” ou “right” não faz ninguém mais ou menos libertário, mas rigorosamente apenas mais ou menos igualitário. Dois planos distintos dentro do mesmo paradigma libertário que não se contrapõe mas se complementam para definir o ente (ver diagrama de Nolan).

Logo, professo tanto o ideal libertário quanto igualitário, sem ver ou pressupor nenhuma contradição nisto, porque sei que na realidade nenhum deles existe de fato sem estar integrados um ao outra como prática.

Sei que tão ilegítimas e criminosas quanto as desigualdade de liberdades fundamentais são as “igualdades” forçadas entre iguais em privação de liberdades que de iguais não tem nada… não na relação de poder com seus desiguais em autoridades e privilégios. Critica esta que vale para todo o espectro político autoritário da esquerda a direita.

Assim se me declaro como um ativista libertário (e de esquerda); e não somente um libertário, ou ainda um integrante de uma esquerda mais libertária é justamente porque estou me definindo pelo que diferencia e não me confunde com eles, a saber: a coerência do meu ativismo com o meu discurso e não as pressuposições de outrem, seja ela uma autoridade ou não.

Entretanto se o que digo que sou, não tem coerência com o que eu faço, ou se o que eu faço não é coerente com meu falo, posso com correção ser apontado como demagogo, hipócrita e mentiroso, mas não se pode querer dizer o que se é ou que os outros baseado em impressões. Ou melhor, poder pode mas não com correção. Podemos dizer qualquer coisa, mesmo contra fatos e atos. Poderia até mesmo dizer que os outros são alienígenas ou que eu posso voar, e isso poderia até ser verdadeiro, mas bem mais difícil de provar depois.

Na verdade, querendo ou não, o que nós dizemos tanto sobre quem somos quanto sobre o que os outros depõe mais sobre o que nós pensamos de nós mesmo e dos outros, do que propriamente como as coisa são. Diz mais sobre o que sabemos ou ignoramos (propositalmente ou não) da realidade, do que sobre o real em si.

Portanto, poderia até me arriscar e dizer que sou o oposto do que faço, mas ai eu estaria cometendo o mesmo erro da esquerda falsária e autoritária a qual digo que não pertenço, não quero pertencer e que de fato me opus: estaria a pressupor que os outros são idiotas e que só meu discurso e não meu “ativismo” pode depor em favor ou contra minha coerência.

De fato quem tem o beneficio dessa tipo de dúvida é quem pensa que é, mas não faz nada sobre isso. O ativismo é uma faca de dois gumes. Pois se por um lado serve como ônus da prova da veracidade ou falsidade dos discursos, do outro retira do discurso isolado o poder de definir quem o individuo é somente como pensador.

Como acontece com qualquer político, mesmo não sendo um, querendo ou não, o que um ativista é ou deixa de ser está lá afinal de contas nos seus atos. Mas se não for um tolo, ou muito ingênuo, ele não vai ficar esperando pela a boa-vontade alheia para que o reconheçam. Ele vai fazer e falar, a menos que queira ser um pato, que bota ovo e não canta.

Logo se prefiro dizer que sou ativista libertário e não ativista da esquerda é por respeito a minha própria historia de vida, e para evitar que me confundam com quem me opus de fato: essa esquerda autoritária e demagoga.

Assim, embora o comentário não pareça um elogio fico muito contente e elogiado por tal. Porque não é fácil ser da esquerda especialmente a libertária com esse tipo de direta e esquerda autoritária que tem se alternado no poder em nosso pais. Uma que se incomoda com quem é libertário demais, outra com quem é igualitário demais, e ambas com como quem é demais dos dois. Só falta agora eu ser mais solidário, para ser humanista demais e corporativista de menos, mas eu chego lá. Vocês podem não ver, mas juro que tenho trabalhado arduamente também para isto.

Confesso meu pecado, não fico contente, fico orgulhoso. Ter conseguido nestes 10 anos de trabalho social se manter fiel a esses ideais e ainda por escapar vivo e inteiro não foi fácil. Só quem conhece a realidade do que é o ativismo politico e social independente- inclusive neste período- sabe do que estou falando. Só quem enfrentou o autoritarismo e a falsidade ideológica do petismo não só na virtualidade, mas na realidade, cara-a-cara, dentro dentro do seu domínios do Brasil e fora dele, sabe o quanto esse trabalho pode ser desafiador e perigoso.

Manter uma linha clara de pensamento e ação bem longe e resguardada da incoerência da burguesia; da desonestidade da intelectualidade; e principalmente da bandidagens dos representantes político-partidários; e ainda por cima conseguido escapar das suas patrulhas ideológicas, ódios de classe e perseguições políticas é muito foda. Dúvida? então vai todo inocente mexer no curral deles… vai praticar o que eles só pregam para ver o que é ser ativista.

No Brasil sustentar qualquer ideal libertário ou igualitário já é uma luta, colocá-los então em prática onde eles precisam necessariamente estar junto como trabalho humanitário é uma guerra. Porém mesmo que esse esse trabalho fosse só teórico, ou se não houvesse tanta intolerância, perseguições ou ameaças, ainda sim ele seria incrivelmente difícil.

Superar a estreita e confusa compreensão da politica e economia que enquadra o pensamento brasileiro é pedir para ser classificado, ou melhor desqualificado como controverso, marginal, radical e subversivo. Elogio para poucos, ofensa para muitos.

Mas apologias a mim mesmo fora, que só provam o quão pessoalmente sou ainda mais insuportável, metido e folgado; e gosto e faço questão de sê-lo. Ademais sei que ficar falando o que sou; não sou; ou me acho é um porre e nem é tão divertido quando não tenho mais por onde perturbar com isso. Assim, quero aproveitar o comentário como gancho para me aprofundar um pouco mais na proposta de aprimoramento teórico-prático da visão libertária para além dos plano cartesianos das direitas e esquerdas autoritárias e libertárias. através da aplicação prática e inclusão conceitual de um novo plano: o ético da práxis e ideologia. E com tudo isso como pano de fundo, falar mais sobre essa tese.

Um pouco mais sobre o novo paradigma libertário

Considero portanto que nosso grande desafio, não é só o de superar toda falsificação ideológica e desinformação plantadas por quem vive disso, mas principalmente superar essa visão estreita, linear espectro político e econômico. Pois se como falsidade ideológica esta estreiteza pode até ser um privilégio das demagogias populistas das esquerdas e direitas autoritárias; como desinformação (e por vezes até mesmo como preconcepção) é esta visão é também um engano bastante recorrente entre libertários brasileiros de todos os espectros.

Porém superar estas visão baseada na preconcepção de que essa o ideal libertário é o polo oposto do igualitário e com ele compete pelo mesmo espaço no mundo como se fosse ideologia ou projeto de poder, é só uma entre as muitas possibilidades que o o modelo de pensamento libertário abre, como teoria epistemológica, e não apenas filosofia política e econômica, ou correntes ideológicas dentro destas.

Este é um erro muito comum de quem ainda vê o mundo unidimensionado pelo plano linear do velho espectro da direita e esquerda: pensar o libertarismo como se fosse apenas parte do espectro político-econômico; uma corrente que ocupa ou se reduz apenas uma faixa deste espectro; quando a concepção libertária, na verdade, tem outro plano distinto e seu espectro próprio- não paralelo, mas integrado.

Rigorosamente a concepção libertária só é capaz de compreender toda o espectro da esquerda e direita, mas ser compreendido (em todas as acepções) por qualquer um deles. E por isso que o diagrama de Nolan mesmo sem o eixo solidário (da práxis e ideologia) é uma projeção útil. Olhando para ele fica mais fácil entender como socialismo e liberalismo são de fatos polos opostos de um mesmo eixo horizontal, e anarquia e totalitarismos. Mas interessante mesmo são todas as transversais onde de fato se inserem os objetos reais: do anarco-comunismo e anarco-capitalismo ao totalitarismo dos estados comunistas e estados fascistas.

Não olhar para essa transversalidade é outro erro bastante comum, que muito contribui para a perpetuação da hegemonia das velhas pressuposições e disputas dos discursos do passado — do liberalismo e socialismo: onde liberdades e igualdades são contraditórias. Algo facilmente superável por essa novo paradigma onde o libertarismo e o igualitarismo não são polos opostos, mas as dimensões distintas e complementares de uma compreensão tal e qual a realidade onde a liberdade e a igualdade são fenômenos simbióticos e interdependentes e não contrapostos por natureza.

E notem que isto é possível ver, sem nem precisar adicionar o eixo ético da solidariedade para ampliar essa compreensão. Porém esse eixo ético que separa os polos teoricos e práticos da solidariedade é uma ampliação urgente e absurdamente necessário dada a complexidade crescente da virtualidade. Por exemplo, com a observação deste plano podemos distinguir entre demagogos e populistas de esquerda e direita, assim como a da burguesia de esquerda e direita, do resto da população, e assim entender melhor esses fatores que se comprovaram, em eventos recentes, como determinantes da atualidade.

Isso ajuda bastante não apenas a explicar melhor o que aconteceu mas a prever como razoável precisão e antecipação o que acontecerá. Por exemplo o que aconteceu a esquerda autoritária super-representada pelo petismo. Esse modelo ajudou a prever o que estava acontecendo, como e onde. Assim como ajudou a explicar porque esse partido acabou tendo a sua maior base eleitoral nas eleições de São Paulo nos jardins em pinheiros e não mais nas periferias de parelheiros. Entre outras coisas bem mais importantes. Como realizar projetos e ações sociais não apenas coerentes com o seu pensamento, mas que realmente ensejam as transformações que suas ideias propõem.

Ajuda a entender num plano bem mais amplo como também o liberalismo clássico e minarquista assim como o comunismo marxista clássicos na prática nunca foram nem jamais serão nenhum um pouco libertários. E nisto constitui contribuição valiosa não só para a nova esquerda que quer se diferencia da falsificadora e autoritária ideologia da velha guarda de tendencia totalitárias, mas para a nova direita- por obvio que não a neofascista ou aristocrática(lei-se escravagista), mas a igualmente libertária.

Ao novíssimos libertarismo de direita brasileiro poderia ajudar e muito no processo de transposição do libertarismo norte-americano do século XX para a contemporaneidade brasileira, levando em consideração a nossa natureza e história. Ou seja efetuando o mesmo processo que esse libertarismo norte-americano fez para transpor o europeu do século XIX a sua realidade.

Os libertários norte-americanos conseguirem ampliar o espectro até então de esquerda do libertarismo para a direita, e constituir o libertarismo como um outro nível inédito de compreensão da filosofia politica e econômica,apenas fizeram a leitura do libertarismo de então como produção cultural própria e não meramente importada.

O que tenho proposto é o libertarismo além como paradigma epistemológico não apenas para todo o conhecimento da filosofias a teologia passando pela ciência. Mas mesmo se não quiser ir tão longe em seu libertarismo, se a direita quiser considerar só as contribuições do pensamento libertário norte-americano, não só no seu conteúdo, mas no seu método de formulação poderá senão chegar ao mesmos lugares, ao menos se livrar de pressuposto que se tornam absurdos, já que não fazem o menor sentido na nossa realidade. E talvez mesmo na norte-americana tenha uma validade bastante estreita também.

Observem a a história norte-americana comparativamente a brasileira. Olhando para a história americana até faz sentido um libertário e até mesmo um liberal ser um conservador. Mas no Brasil? A pergunta a ser feita é: conservador do quê? A independência e república dos EUA foram fundados por uma revolução, burguesa, branca liberal mas ainda sim revolução. E o Brasil aonde estão a porra dos pais fundadores de qualquer estado minimo, liberal ou com as mais fracas ou corrompidas tendencias libertárias?

Nos EUA o termo conservador dentro de alguns círculos e sob certos aspectos até faz sentido, como defesa de liberdades, mas no Brasil é uma uma contradição absoluta e absurda de termos. Os Estados Unidos da America proclamaram sua independência republica com uma revolução. Os Estados Unidos Do Brasil como um autogolpe da fidalguia e burocracia brasileira para manter seu modo de vida português de viver, tanto que primeiro ficamos primeiro com uma independência com o filho do rei de Portugal como imperador e depois com uma república feita não por nenhum exercito revolucionário, mas pelo mesmo exercito do império. Bem ao gosto dos arranjos (e jeitinho) brasileiros.

Para se entender o ridículo de transpor ideários e culturas gringas sem sequer ter o cuidado de adaptá-las, imaginem os EUA com o príncipe herdeiro do trono inglês de imperador e o exercito desse império proclamando uma república. Isso lembra muito mais os EUA das dinastias politicas e guerras de hoje do que o da sua fundação. Mais ridículo que isso só mesmo neonazista latino americano e ainda por cima negro.

Falando na condição negra. Veja que loucura. Os EUA foi até a década de 60 oficialmente um estado de apartheid, e ainda é uma das sociedades mais racistas e segregacionistas do mundo. Mas até na hora de fazer sua abolição veja a diferenças históricas.

A revolução americana foi feita por brancos liberais para brancos liberais Norte a revelia não só dos direitos dos negros, mas dos escravagistas do sul uma contradição moral e de interesses na sua fundação que acabariam por explodir em conflito. acabou resultando nada menos que uma das maiores guerras civis já ocorridas na historia e faz todo o sentido que os conservadores estivessem do lado da abolição, porque esses conservadores eram de fato os liberais. Mas, e aí de novo, e no Brasil? Como é que foi feita a abolição?Exatamente como foi instituída a renda básica de cidadania para todos os brasileiros. Com a princesa Isabel assinado a lei áurea e pronto. Mas o que isso tem a lei da renda básica tem a ver a lei áurea? Você sabe o que é a renda básica? você já viu algum brasileiro recebendo essa porra desse direito? Pois é na prática é a mesma coisa, com a abolição. E se você acha é não. Ou você é branco ou é gringo, ou pelo menos acredita que é.

Quem sabe quando os EUA ou uma Suiça proclamarem a sua renda básica. Aqui no Brasil todo mundo vire seus defensores deste de criancinha, até mesmos os escravagistas, ou herdeiros de toda a riqueza da sua cultura e propriedades.

No Brasil os conservadores de verdade sempre estiveram do lado do escravagismo e aristocracia. Inclusive neste mesmo período de revolução industrial e portanto conturbado da historia das americanas em geral, temos por aqui a guerra contra o Paraguai e a proclamação de uma república e abolição. E novamente o liberalismo aqui foi bastante moderado, e irrelevante. Tanto que o que rigorosamente tivemos por aqui não foi a fundação de república liberal mas positivista, bem mais afeita ordem e progresso das patriotadas e espíritos autoritários.

O fato é que quando um individuo se diz libertário ele para poder perguntar do que ele conservador, precisa primeiro se perguntar: libertador de quê? Ou melhor sempre: Libertador do quê, afinal de contas?

Um verdadeiro liberal do século XX não era a favor da liberação de todos os comércios, mas da libertação dos negros. E não adianta dizer estupidamente que a escravidão era um trafico, por que por definição só se trafica o que é ilegal. e o comercio de gentes era aos olhos dos constitucionalistas de então perfeitamente legal.

O fato é que assim como há despostas esclarecidos ou não, a libertários ignorantes ou não. Esclarecidos quanto ao quê? Ignorantes sobre o quê? Critica estabelecida sob pressuposições ideológicas não é critica é policiamento e julgamento. Logo sobretudo um libertário com um minimo de autocritica precisa se perguntar no Brasil não sobre o ser liberal ou ser conservador. Mas antes de tudo sobre liberdade de que? igualdade em quê? E solidariedade com quem?

Não estou sugerindo que a França e EUA sejam exemplos de coerência de humanismo. Não sou idiota. Mas não podemos ignorar os fatos que diferenciam nossas histórias e foram determinantes para o grau de desenvolvimento e independência diferenciados de cada uma destas nações em relação ao Brasil.

E o fato determinante é que o Brasil nunca teve uma burguesia nem liberal nem muito menos jamais revolucionária; nossa “burguesia” nunca passou de uma fidalguia assentada confortavelmente em na burocracia e títulos de posse hereditários, desde as capitanias até os coronelismo. Sempre teve uma ascendências, tendências e sobretudos complexos aristocráticos. Nossa burguesia é tão autêntica quanto nosso eterno capitalismo colonial de Estado.

De fato nunca tivemos uma direita revolucionária, e não se deixe enganar pelos discursos, nem nenhuma esquerda. O Brasil não é feito constituído em revoluções, conspirações ou inconfidências, mas de golpes em golpes, arranjos e conchavos e traições palacianas que mudam tudo para não mudar nada. Porque o negócio é levar vantagem em tudo, certo?

Não há projetos de pais, porque não temos uma nação de fato , mas a alternância de usurpadores e traficantes da nossa soberania no poder.

Nunca tivemos revoluções nem revolucionários nem burgueses, nem proletários, nem muito menos contratos sociais. Nunca tivemos guerras, ou derramamento de sangue, e nem deveriámos ter nem ter tido, mas quem disse que não morremos mais em nosso falso estado de paz que eles nas suas guerras? E as verdadeiras revoluções que não se fazem necessariamente como derramamento de sangue? Mas como a prática das novas ideias e ideais? Onde estão?

Nosso pais é de “progressistas”, “reformistas”, “conservadores” de tudo aquilo que nunca tivemos. Uma república livre e democrática, nem como imperfeita e para poucos.

Nosso “processo civilizatório” é feito de farsas derrubadas por outras farsas para colocar ilegitimamento no poder outros farsantes. Uma permanente ditadura dos espertos, se cagando de medo do próprio povo e do dia que vão ser definitivamente devorados por sua esperteza. Não é um pais de gente pacífica, mas de bando de cagalhões.

Não é de surpreender portanto que um autor do seculo XIV como Thomas Paine permaneça tão atual e incompreendido e desconhecido num pais que mesmo tão aculturado desconhece que o que significa a liberdade como ato e o libertarismo como libertação de fato carestias e opressões politicas e econômicas.

Não é de se espantar que não tenha como entender que o mesmo autor que participou das duas revoluções burguesas: e escreveu o panfleto revolucionário mais lido e importante para a independência da América com a mesmo coerência de princípios conseguiu seja exatamente o mesmo a propor na assembléia revolucionária francesa uma renda básica e ainda por cima como fundamento para a justiça agrária.

Por isso é preciso estar atento para que o que supomos como incoerência não seja produto da nossa ignorância pelo processo intelectual mais alienado e autoritário possível: julgar a coerência do pensamento de uma outra pessoa baseado nas nossas ideias e praticas (ou falta delas).

Considerações finais

Logo sou brasileiro e cosmopolita; negro (e índio) ainda que de pele branca, libertário mas não liberal, de esquerda mas capitalista. Contra o estadismo mas não anarquista. Jusnaturalista e ecolibertário, mas não “biologento”. Descrente do Todo-Poderoso mas não ateu. Sou panarquista. Um teórico e ativista radical do ideal libertário-igualitário-humanitário que faz da Liberdade não meramente sua razão de ser, mas literalmente desta razão de ser a sua fé consciente. E sei que tudo isso me faz não apenas uma contradição ambulante para os velhos paradigmas, mas coerência como minhas próprio-concepções e auto-determinação.

Sou libertário, igualitário e solidário. ainda que esse “altruísmo interessado” de um Visconde de Tocqueville, ou instinto de “mutual aid” de um Kropotkin não existam para cegueira infantil dos randiotas e sua desinteligência extemporânea.

Enfim sou americano, mas “do sul que é muito bonito”, ao menos para quem é e o que quer ser. Latino-americano — ainda que jamais bolivariano .esse brazilian way of life que nem Freud ou Noam Chomsky explicam (ou entendem). Mas que justiça seja feita um Stefan Zweig anteviu.

Acho que esse texto serve bem de introdução ao outro:

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