Brasil: De Volta ao Passado (parte 2)

A Renda Básica Universal do PT

Enquanto isso mais um projeto brasileiro de renda básica ganha o mundo. Seria motivo de comemoração. Até maior do que o projeto governamental da Finlândia. Se não fosse o medo de que em breve caia alguma denuncia fundada ou nem tanto sobre ele.

Seria um motivo de comemoração e não apreensão se não soubéssemos que quem faz o projeto não dá ponto sem nó, nem quem o divulga por aqui no Brasil idem. Tecnicamente é um projeto bom, mas não peça para colocar a mão no fogo por ele.

Isso é o resultado de ter um país dominado por políticos sem nenhuma credibilidade e veículos de imprensa que só se salvam graças ao fato de (ao contrário da política) existir ainda um número razoável de profissionais que respeitam seu trabalho. Sei o que você está pensando, que existe também na politica gente honesta e competente, é claro que existe, mas se a desproporção no jornalismo fosse a mesma da política, bem, jornalista não precisaria de mais liberdade de expressão para trabalhar sem censura, mas de foro privilégiado para não ser preso.

De fato qualquer projeto de renda básica vindo do partido que fosse, de direita ou esquerda deveria ser recebido com aplausos e entusiamo… se não estivéssemos vivendo um estado de exceção bem mal velado e esse projeto não estivessem na mão de partidos envolvidos em corrupção até a medula!

Estaria comemorando, porque quanto mais a renda básica se torna evidente mais a causa e a chance dos projetos se espalharem aumentam. Isto se não soubesse que não há melhor forma de matar um ideal universal do que reduzi-lo a ideologia partidária-eleitoral. Isto se não soubesse que não há melhor forma de enfraquecer o debate da renda básica como um projeto de futuro para o país do que torná-lo propriedade deste ou daquele projeto de poder.

Não há melhor forma de matar um direito universal, que deveria ser constitucional, do que tratá-lo como projeto de poder e programa de partido político. E convenhamos, ninguém sabe como se apropriar de ideias humanistas e reduzi-las a ideologias de classe como a velha esquerda.

E isso é tudo o que a velha direita quer.

A renda básica verdadeiramente incondicional e universal fora do projeto do futuro do país, pintada nas cores dos velhos discursos de guerra de classes , e bem enquadrada nos discursos e programas da eterna burocracia, que serve bem como cabresto a quem quer que esteja no poder, esquerda ou direita.

Quem sabe quem eles são, sabe o que está acontecendo. É impressionante, não bastasse transformar os protestos por mais democracia em ensejos para a volta de ditaduras. Não bastasse matar qualquer movimento para uma democracia mais direta e popular. Agora que o ideal de renda básica universal entra na agenda mundial eles se voltam para ele para reduzi-lo a mais um bolsa-família.

A renda básica universal deve ser pensada como um direito humano aplicado. E o maior problema da defesa e proteção dos direitos humanos no Brasil é que ele é apropriado e identificado com se fosse uma ideologia de esquerda. E é por isso que quando você pensa neste tema, imediatamente cai na propaganda ideologia de lutas de classes que divide e enfraquece a nação, tanto da esquerda quanto direita sobre o tema.
Muita gente que não é fascista nem racista identifica a defesa dos direitos humanos como uma peça de um programa ideológico da esquerda. E faz porque tanto a velha esquerda faz questão de monopolizar o tema como se humanismo fosse uma propriedade exclusiva sua. Como a direita fascista, diz muito obrigado e estabelece com ela o polo inverso que sustenta ambas como jogo de gato e rato, pregando que direitos humanos só existem para bandido e proteção social para vagabundo.
Superar esses preconceitos não interessa a nenhuma das partes que monopolizam esse não-debate, porque sem esse jogo combinado ambos perdem os seus respectivos gados. Tratar a renda básica e os direitos humanos como os temas verdadeiramente universais que eles são no nome, não interessa a nenhum projeto de poder. Porque sem as cercas e muros embandeirados, eles perdem o controle ideológico da população dominada por essas divisões imbecilizantes.
Desmonopolizar seu debate partidário-ideológico não interessa. Interessa sim deformar seu caráter libertário para enquadra-la nas estruturas autoritárias de poder que é o trono que eles disputam.
Quer portanto melhor forma de frear a universalidade da renda básica do que reduzi-la a um programa partidário eleitoral? Um programa deste ou daquele governo e não um ideal e propriedade de toda a população independente de sua posição política? Um beneficio e tributo governamental e não um igual direito e dever mutuo entre os cidadãos? Quer melhor forma de matar a renda básica do que reduzi-la a um projeto do PT? Que melhor forma há de deixar a renda básica vulnerável aos ataques e desmonte e apropriação futura como o oposto do projeto de emancipação que é, do que reduzi-la ao monopólio da velha esquerda trabalhista que comunga do mesmo dogma falido do pleno emprego que a velha direita?
No Brasil interessa e muito a quem detêm o poder politico e econômico como privilégio manter o debate dos direitos humanos e a sua proteção social dentro dessa velha divisão de classes. Interessa e muito impedir que o debate vá para outro nível, saia da esfera da farsa politica e seus agentes entrem de fato na agenda e esfera do verdadeiro debate popular e democrático. Interessa e muito que a democracia direta e a renda básica universal permaneçam fora das redes, cercadas pelo arcabouço deformador da classe política brasileira sabidamente corrupta e autoritária.
Esse é o golpe. Impedir que a sociedade se aproprie dos seus direitos universais, políticos e econômicos, seus direitos como verdadeiros donos do país e do seu destino não apenas como um fato, mas antes de tudo como um saber. Manter os monopólios e propriedades materiais e imateriais, reduzir ideais e direitos universais a ideologias eternamente acorrentadas as ideologias e lutas de classe sociais. Uma luta que encobre a verdadeira luta de um povo, de uma nação que não é entre eles, mas contra a classe política que não faz outra coisa senão nos apartar e segregar, nos destruir como país livre e solidário.
O humanismo da renda básica não pertence a esse ou aquele grupo partidário e ideológico, não pertence nem mesmo aos libertários. O humanismo não é uma ideologia é um ideal, porque a humanidade e sua defesa não é uma propriedade deste ou daquela classe, mas um direito natural e legitimo de cada pessoa independente dos seus credos, inclusive os políticos. E a maior prova que a renda básica não pertence a esquerda ou direita é o fato dela ser defendida por pensadores de todo espectro ideológico que consideram a vida e a liberdade direitos inalienáveis de todos.
A democracia e os direitos universais como práticas verdadeiras e não ideologias tem uma força para unir e libertar que não podem ser perdidas, não podem ser reduzidas a monopólios e guerras de ideologias e partidos que depois do caos, reconstroem seus feudos sobre as ruínas e dívidas do seu povo.
Direitos universais e democracia não são propriedades exclusivas, quanto mais monopólio de nenhuma ideologia, são ideias e princípios fundamentais.

O problema da esquerda não é o mumbuca, como não era o bolsa-família. Da mesma forma que o problema da direita não é austeridade e responsabilidade fiscal, mas ao que de fato estão servindo essas ações e discursos. São projetos de poder desta ou daquele partido da classe politica ou projetos de emancipação e empoderamento de todos os cidadãos? Essa é a questão.

Responsabilidade social e fiscal não são um problema são solução, não são nenhum favor que esse ou aquele partido de esquerda ou direita presta à população quando chega ao governo, mas a sua obrigação constitucional para com a nação que sustenta qualquer pretensão de legitimidade. O problema não é a distribuição de renda ou contenção dos gastos do Estado, o problema é sua redução destes princípios em ideologias e o que é pior de tudo, nas mãos de sindicato de ladrões demagogos useiros e vezeiros também da prática da falsidade ideológica.

Quando o discursos da responsabilidade social e responsabilidade fiscal se tornam propriedade deste ou daquele partido, nunca temos as duas. E quando ambos são falsificadores ideológicos não temos então nunca nenhuma. Porque uma depende da outra, e criminosos políticos não podem fazer uma sem matar a outra, porque o que falta para cumprir e pagar as contas dessas obrigações é exatamente o que eles subtraíram com seu custo legal e ilegal da sua incompetência criminosa e prevaricadora.

Basta olhar para o Brasil exatamente agora e ver o que eles juntos roubaram e causaram, e que eles juntos pilharam e causaram se perpetuando alternadamente no poder. Adversários para disputá-lo; aliados para preservá-lo as custas do trabalho e desemprego da população.

É assim que eles se perpetuam como farsantes criminosos no poder. E nós vamos ficando para trás, perdendo gerações e mais gerações para mantê-los as nossas custas e contra nossa vontade lá. Morrendo sem crescer ou envelhecendo sem nunca desenvolver nosso potencial. Enquanto esses velhos malditos e seu poder mais velho ainda que eles, nunca morre, sempre a viver do sacrifício e infanticídio alheio, sempre fazendo seus pactos para sugar o sangue e suor até de quem ainda nem nasceu.

Pacto com diabo? Que nada é culto a Moloch mesmo.

Na terceira parte a conclusão

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