Crimes de Estado e Revolução Cultural 3

Parte III: Do Estado de Paz

Os povos acordaram. E entre entregar as coroas para não perder as cabeças os patriarcas estão preferindo bater primeiro de frente. É isso que de certa forma os supremacistas de todos tipos estão fazendo, voltando a assumir-se como superiores e com direitos divinos de alguma espécie sobre aqueles que eles pretendem manter submetidos. E não estão fazendo apenas em discurso, mas em ato. Por isso não se enganem cada estupro cada ato de repressão contra uma mulher, estranho, estrangeiro, jovem, marginalizado, não é um ato isolado, nem seu crescimento se dá por acaso. Ele é a reação de cada fiel de culto-cultura, que se comportando como célula de um grande organismo reage a qualquer ato de emancipação, atacando com violência e terror para manter os demais sob o domínio do medo.

Pode dar certo, eles podem esmagar a revolução em guerras, mas nada garante que mesmo depois, eles não vão terminar de forma ainda pior como tantos reis e tiranos e patriarcas: com a cabeça cortada ou como pendurado como porcos. Eu que não sou tirano, autoridade de porra nenhuma, mas também com sinceridade não quero cabeça, aconselho que os tiranos e tiranetes atuais façam como fez as monarquias que sobreviveram ao iluminismo e a primeira primavera dos povos. Entregaram suas pretensões de mando e desmando sobre a vida dos outros, para poder ficar com a sua. E olha que até com coroa, riqueza e gordos salários bem maiores (bem maiores do que uma renda básica eles ficaram. Tai um bom contrato social que a dinastia da França poderia ter feito com seu povo.

Claro que existe despotismo esclarecido, e poder moderado, mas a diferença entre ele é a mesma que existe entre o bom e o mau bandido, o bom e mau escravagista. A moderação ou a atrocidade são atenuante dos crimes e não sua absolvição ou abolição. Ou a autoridade, tira a máscara, a coroa, e assume-se como supremacista e monopolista da violência e volta a pregar que tem direitos divinos sobre a plebe, e declara sua guerra abertamente contra a humanidade e natureza, e supremacismo, ou realmente encerra a desigualdade de autoridades e renuncia a qualquer pretensão arrogante de tutela e vigilância sobre pessoas emancipadas que só querem viver livres e em paz e que por direito naturais são iguais a ele. Porque declarando ou não suas pretensões arrogantes ou não. A farsa da igualdade de papel entre desiguais de fato, não esta mais cumprindo o seu papel de manter os dominados conformados.

Não há como manter esse discurso de igualdade de direitos e liberdades, com essa prática milenar de desigualdade de deveres e poderes. Ou todos temos os mesmos direitos e deveres, poderes e liberdades fundamentais ou não somos de fato não somos iguais em direito, mas desiguais em foros privilegiados e não temos desigualdades de riquezas mas de subsídios dos monopólio criminoso da violência positivamente legalizado ou não.

Claro que existem desigualdades naturais entre seres conscientes. Mas essas desigualdades não são de autoridade, nem de poder, mas de posses e capacidades e não de direitos e deveres. Direitos são absolutamente iguais, mas deveres são proporcionais a capacidades. O que faz do poder não um privilégio, mas um encargo proporcionalmente maior a capacidade de cada um.

Desigualdades podem ser e são naturalmente extremas, mas não tem força nem legitimidade para suprimir o direito natural a legitima defesa violenta, e por isso mesmo não tem força nem legitimidade para instituir nenhum estado de paz ou de fato de direito.

Algumas pessoas podem nascer mais forte, mais rápida, mais inteligente, mais protegidas e cheias de posses que as demais. Enquanto outras podem nascer pobres, isoladas, cheias de deficiências. Porém mesmo o mais fraco carente e vulnerável de todos os marginalizados pode cortar a garganta do mais forte, poderoso, rico e protegido dos donos do mundo enquanto ele seus dorme. E quem ensina essa lição não é nenhum revolucionário autoritário, não é nenhum Che Guevara, mas o maior filósofo do contratualista autocrático: Thomas Hobbes.

No entanto não estou enunciando regras de um moralismo libertário; estou falando de leis do campo da liberdade tão inescapáveis quanto as da gravidade para o corpo dotado de massa. Um ordem que tanto sociedades libertárias quanto autoritárias não tem como escapar. Leis naturais com causas e consequências tão evidentes quanto comer pregos e que portanto não precisam da imposição de obrigações, vigilância, nem muitos menos punições para quem se arrisca a a desobedecê-las.

O poder não liberta, nem protege. A violência não é invulnerabilidade, nem o o poder é invulnerável. Mesmo os mais poderosos não são livres, nem estão livres da violência. O poder por mais totalitário e até mesmo genocida, não só não protege os mais poderosos dos mais fracos e marginalizados, como multiplica seus futuros algozes e o perigo da reação violenta. Rigorosamente. Os fieis que se julgam protegidos por esses culto de poder e violência morrem pelo poder e violência, e o que supostamente os deveria proteger os devora e permanece como cultura. E se não morrem é mais pela misericórdia e desprezo das milhares de pessoas que eles oprimem que não querem saber de revolução, guerra, nenhuma, nem vendetas, só querem viver sua vida em paz.

Mesmo o deus ou o estado mais onipotente não é nada frente a aquele que é invulnerável ao seu poder totalitário em sua liberdade individual garantida. A paz não é produto portanto de nenhuma superioridade de forças e poderes, mas do equilíbrio de forças e liberdades de um sistema de proteção universal. A onipotência não é nada perante a invulnerabilidade. O poder não existe frente a liberdade. Os monopólios da violência simplesmente se desfazem e inexistem perante a igualdade de liberdade dos solidários.

O poder simplesmente não existiria se houvessem liberdade garantidas para todos. E o monopólio da violência jamais cresceria novamente onde a solidariedade para garantia dessas liberdades fundamentais fosse o verdadeiro estado de paz. Porque o mesmo poder que não é capaz de estabelecer a paz, não consegue perpetuar sozinho a violência. O mesmo poder que não é capaz de proteger os cidadãos de terem sua garganta cortada pelos mais fracos marginais, pelo mesmo motivo não é capaz de impedir mesmo os mais fracos, carentes e até mesmos as mais pacificas e inofensivas formas de vida do mundo de se emanciparem em comunhão e se tornarem invulneráveis a sua violência e violação. E até mesmo de proteger ele da ira daqueles que eles violaram.

Até mesmo os mais fracos pacificas e inofensivas podem formar sociedades para viver livre e em paz dos mais poderosos e sua violência. Pode formar sociedades de proteção da vida, mas para precisam mais do que só renunciar a a violência, precisam garantirem o equilíbrio de fato de forças se levantarem e se unido contra toda a desigualdade de poder e projetos de agressão e privação.

Mais do que renunciar a agressão ou se dispor a defender mutuamente contra a violência, é preciso eliminar toda a privação e carestia que constitui a desigualdade de liberdades fundamentais é preciso acabar com a vulnerabilidade que os projetos de poder usam pra plantam suas cultura monopolista de poder estupro e violência. O poder desigualdade de autoridade, valores absolutos, e alienação dos expropriados são males que se cultivam na campos abandonados da insolidariedade humana e libertária.

A paz não se faz meramente com renuncia a violência. A paz de fato se faz com contra-violência, com libertação e a abolição universal da privação das liberdades fundamentais e o fim das desigualdades de direitos e deveres.

A paz é a ditadura da consensualidade, a unica ditadura sem ditadores, mas feita de soberanos iguais em liberdade e autoridade sobre seu bem comum. Porque nada nem mesmo a consciência da paz e liberdade dá a ninguém nenhuma autoridade maior sobre o mundo, nem ou sobre seres e pessoas mais violentos e perigosos. Nada nem mesmo as piores atrocidades e violência remove a autoridade absoluta que o ser livre tem sobre si. Tudo o que uma pessoa pode fazer legitimamente contra a outra não é contra sua paz ou liberdade, mas contra seu poder e violência.

A autoridade e poder não cabem nem contra nenhum ser em nenhuma hipótese. O que cabe é justamente o o oposto: a resistência e defesa contra eles. E isso não é um jogo de palavras, isso implica em dois estados distintos um estado de permanente guerra de todos supremacistas contra o resto do mundo; e outro efetivamente de paz de igualdade de liberdades fundamentais e autoridade sobre o bem comum entre os solidários na prática e defesa da sua liberdade: os libertários de fato e não em tese.

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