Do conservador ao reacionário

A dialética libertária aplicada a(ausência d)o pensamento brasileiro — lei-se próprio

Tenho nos últimos textos usado uma dialética libertária aplicada a historia e historicidade das ideias e pensamentos. Utilizando uma visão quadrimensional inspirada no diagrama de Nolan libertário, onde além das dimensões clássicas dos eixos da direita e esquerda, e do autoritário e libertário, cruzo estes com o plano moral da práxis, que vai do revolucionário ao reacionário, passando por progressistas, reformistas, moderadas e conservadores, funciona como indicador de qual é o comprometimento na prática das referidas posições ideológicas. E por fim analiso a variação destas ao longo do tempo histórico. Com isso podendo verificar a transformação que dos ideários, praticas e posições ideológicas que cada termo passa enquanto se mantém por vezes teoricamente inalterado em sua definição original, ou toma o sentidos completamente diversos de acordo com essas novas acepções.

Não é raro portanto me deparar não só com o uso completamente sem noção atual ou original de um dessas termos. Pelo contrário, ao que parece entende-se erroneamente esquerda e direita , como sinônimos de posturas morais mais progressistas ou conservadoras como muita gente ainda supõe que as ideologias assim compreendidas não envelhecem assim como seus protagonistas. Como se a esquerda jamais tivesse deixado de ser revolucionária para ser reacionária ou hipócrita ou a direita tivesse nascido velha, moderada, conservadora, sem jamais ter sido jovem e revolucionária. Supõe até mesmo que jamais poderá inclusive voltar a ser revolucionária. E não só no sentido construtivo da palavra, de inovadora, mas no sentido violento que tanto seus seguidores abominam (diga-se de passagem com razão) no extremismo esquerdista.

Assim ao colocando a variável tempo- devidamente marcado como a passagem passagens dos eventos históricos- podemos desenvolver uma nova visão libertária capaz de compreender não só as ideologias embora ultrapassadas ainda presentes, mas a complexidade extremamente dinâmica e veloz das transformações do pensamento e mentalidade que já marcam a era da informação, e que vão tornando obsoletas e cada vez mais contraditórias essas concepções ideológicas de outrora.

No ultimo texto usei esse modelo dialético libertário da história para analisar a confusão de termos e concepções entre liberalismo (a ideologia), libertarismo (praxis) e conservadorismo (moral). Uma confusão especialmente forte no Brasil, onde se toma cada uma desses três concepções distintas como se fossem sinônimos de uma concepção completamente descontextualizado da realidade histórica do Brasil e do mundo onde a ideologia predomina tanto sobre a moral quanto sobre as práticas.

Aliás não poderia ser diferente. Afinal num pais onde a cultura de liberdade é praticamente nula, visões unidimensionais, polarizada e estáticas, marcadas por um ideologias autoritárias e que apelam para dogmatismo brutalidade das mais primitivas encontram terreno fértil para se disseminar nesta ignorância. E não surpreende portanto que os mais fieis extremistas de esquerda da juventude venham a se tornem quando velhos os reacionário mais irredutíveis e conservadores tanto da esquerda quanto da própria direita especialmente quando se voltam para o poder, sua conquista e conservação.

Esse salto que vai se efetuando nas práticas e depois nos discursos, entre polos ideológicos opostos — tanto o ideológico — da esquerda para direita — quanto da moralidade — mais “liberal” (progressista) para a conservadora (propriamente dita)- é sempre muito mais fácil e menos árduo do que o caminho inverso. Seja o da libertação da mentalidade autoritária ou a manutenção ao longo de uma vida de resistência a conformação ideológica e moral. Não importa se o regime em questão é liberal, socialista, fascista- ou como no passado monarquista. Sempre foi muito mais difícil se levantar contra o status quo por liberdades. E ainda mais difícil, para não dizer impossível, manter a coerência libertária original quando, se deixa de ser oposição ao regime para se tornar o regime. Ao menos nenhuma forma de governo, ou ideologia que tenha alcançado o poder em um território foi capaz, mesmo tendo sido planejada para constituir instituições com esse intuito de preservação e preservação a inerente corrupção que enseja o exercício do poder. Vide a alternâncias e divisão entre os poderes das instituições da democracia liberal por exemplo.

O fato é que quando se deixa a oposição e se tornar o poder, seja como parte do velho regime, ou do parte de um novo. O efeito a longo prazo é o mesmo: o novo vai se tornando cada vez mais superficial e aparente, e na essência cada vez mais parecido quando não pior ao velho e seus vícios. E não é preciso nenhuma dialética libertária da História para perceber isto. Esse processo é, ou pelo menos deveria ser, absolutamente redundante para quem observa até mesmo só o espaço histórico das transformações presentes, que embora curto é extremamente representativo enquanto crise sistêmica desses transformações.

Olhando para nosso momento histórico essas corrupção não apenas institucional mas ideológica é tão evidente que enunciá-la não faria o menor sentido, se o nível de confusão e ignorância e fidelidade fanática das pessoas não fosse tal, que mesmo as pessoas que se julgam cultas não são mais capazes de diferenciar não apenas posturas posturas morais de políticas, mas diferentes dentre de um mesmo espectro de pensamento tanto político quanto moral! Confundindo por exemplo ideias (e práticas) conservadoras com aquelas que são propriamente reacionárias. E quando digo reacionárias me refiro no pior sentido da palavra, o destrutivo. Reacionário portanto no mesmo sentido pejorativo que os próprias pessoas que se consideram progressistas, moderadas e conservadoras empregam muitas vezes a palavra revolucionário, no sentido de destruição de todos os “costumes e tradições” antigos ou “progresso civilizatório” conquistados.

Reacionário e revolucionário nestes sentido pejorativo, se referem ao mesmo tipo de fanáticos fundamentalistas, apenas em polos políticos ideológicos opostos. Ambos estão igualmente dispostos a passar por cima de tudo que seja tido como sagrado, natural ou progresso, em nome da verdade das suas ideais e ideais que contraditórios em tudo, exceto no desrespeito a pessoas humanas do outro, e adoração as suas ideias e ideologias como valor que a tudo justifica. Nisto são absolutamente iguais. A diferença entre eles, é que o extremista de esquerda é o fundamentalista que quer destruir tudo para implantar a ditadura do que ele considera o “novo” a utopia do futuro igualitária ou até mesmo “libertária”. Enquanto o fundamentalista de direita quer destruir tudo para restaurar o “antigo”, as coisas com eram e nunca deveriam ter deixado de ser, regidas “naturalmente” por autoridade superior. Neste sentido pode se dizer que o reacionário é mais sincero em suas más intenções de servidão contra os considerados por ele inferiores, já que não falsifica as suas intenções autoritárias. O revolucionário de viés autoritária se já não é um falsário ideológico é um completo ignorante da sua própria natureza reacionária que irá como semente aflorar uma vez no poder.

Vê-se que em todos os casos o emprego de termos revolucionários para ambos radicais fundamentalistas de esquerda e direita é completamente incorreto e impróprio. Porque o que eles pregam dentro do eixo moral pratico e “ideal” é o que há não de mais antigo, brutal e pré-histórico na humanidade: a violência, ou mais precisamente a supremacia pela força bruta. Dizer disso ou deles, revolucionários ou conservadores é como chamar o Estado Islâmico de revolucionário, porque usa da violência para destruir o que está estabelecido; e conservador, porque tenta restaurar o que para a cultura deles são os preceitos mais tradicionais. Ou para usar um exemplo mais “cristão”, é como dizer conservador por pregar a submissão da mulher, ou a escravidão porque está na Bíblia ou estão enraizadas em nossas tradições e costumes “civilizados” mais antigos. Ou dizer-se revolucionário porque se repudia todas esses costumes tradições e instituições sem propor absolutamente nada de novo e concreto em seu lugar.

Logo não é só um uso completamente impróprio da palavra revolucionário… é um uso desonesto até mesmo do termo conservador. Porque o conservador não é necessariamente um reacionário, mas inegavelmente é contrarrevolucionário, se prega ou pratica preceitos e pré-concepções, anteriores ao atuais; e é reacionário se a contrarrevolução que ele prega é contra por exemplo conquistas da humanidade que derrubaram tiranias, como por exemplo, notoriamente o advento liberal e iluminista dos chamados “diretos humanos”.

Que um fanático da idade média, cristão ou islâmico, pregue a morte daqueles que eles desprezam ou consideram a escória da humanidade e se chame um conservador é compreensível. Afinal aquele era na prática o mundo e mentalidade especialmente a católica do período. Evidente que já estava em desacordo como os próprios ensinamentos de Cristo e era passível de repreensão, ou autocrítica sem precisar de inventassem nada novo. Mas não foi assim que ocorreu. Precisou se erguer a noção de direitos do homem para que pusesse um limite na tirania do homem contra o homem. E olha que foi só um limite, porque dentro desse limite ela continuo correndo solta. Porém hoje, no mundo ocidental, depois do advento dessa revolução pregar o que foi por ela recriminado não é pedir a conservação de nada, mas o retorno, e no caso o retorno do que não conseguimos nos livrar sem muita morte e sangue.

Logo quem prega: que estes direitos estão subordinados aos interesses da Nação, Estado, ou suas autoridades; que eles estão sujeitos a exceções; que que existem determinados grupos, que compõem a “escória humana”, os marginais, que pregam extermínio humanos seja de bandidos, religiões, nacionalidades, raças, sexos, classes. Esses indivíduos se não sabem o que falam, precisam ser alertados. Ao menos para falar sabendo exatamente o que querem dizer, eles não estão defendendo nenhum principio conservadores revolucionários, nem muito humano, nem a direita nem esquerda. Podem não saber, ou fingir que não sabem, mas estão defendendo ideologias reacionárias que em tempos modernos e contemporâneos foram devidamente qualificadas como totalitarismo e basicamente consiste em apologia ao supremacismo que é qualificado (com razão quando posta em prática) como crime contra a humanidade. Vários oficias nazistas forma condenados por tais práticas. Na esquerda resultou nos crimes cometidos pelas ditaduras comunistas. Em suma os polos do mesmo culto supremacista insano que assola a humanidade com como delírio coletivo e que em simbiose de ódio, discórdia arrasta massas a guerras civis e nacionais.

E o simples fato de ter que explicar isso. De que negar holocausto, tortura e genocídios, ditaduras, violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade quando praticadas por seus ditadores e ditaduras de estimação ideológica. O simples fato de ter que explicar que esse absurdo é um absurdo e que defendê-lo por que sua causa é de esquerda ou direita, conservadora ou progressista, é por si um péssimo pressagio do grau de insanidade e fanatismo ideológico.

Que as pessoas sempre tiveram um discurso e outra prática isso é meio que um lugar comum, a hipocrisia não só dos aliados mas dos supostos inimigos sempre foi uma grande aliada da corrupção em todos os planos e sentidos. Mas ter que construir uma critica sobre esse nível de ignorância, sobre esse grau de inconsciência… uma analise crítica sobre o conceito que fazem de si mesmo e das sua ideias e do que elas significam não apenas historicamente, mas na prática em qualquer lugar ou época da humanidade, isso é sinal de que fudeu, e fudeu muito. E se você está mais chocado, com o verbo foder do que com tudo que eu escrevi, acima reflita um pouco mais sobre seus valores. porque é tudo que eu disse é muito mais preocupante e chocante do que o uso de linguagem chulo e impróprio.

As esquerdas nunca se envergonharam de defender suas ditaduras, aliás a democracias liberais também nunca se envergonhou em fazer negócio e apoiá-las de elas fossem aliadas políticas e parceiras comerciais do seu capitalismo de estado. Mas agora as direitas também saíram do armário. E vão entrar em simbiose malditas com seus polo oposto…

Presidentes mafiosos?

Você não faz ideia que nossas oligarquias e fidalguias são capazes de colocar no poder, se for para preservar seus interesses. Não queira nem saber.

Mas infelizmente querer não saber, não basta. É preciso se libertar e saber o que é uma ditadura da idiota e das ideias servis-autoritárias até para um dia podermos nos livrarmos definitivamente delas. Coisa que está longe de acontecer.

Governe-se.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/06/1896114-para-russos-stalin-e-a-figura-mais-notavel-da-historia-mundial.shtml

Medo e violência insuflam defesa do autoritarismo no Brasil

Para encerrar dois exemplos de uso bem “pós-modernos” das palavras ditadura e revolução:

E claro, isso não é “formação de quadrilha”:

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