Explicando o inexplicável para Roger Waters: “O que está acontecendo?”

Malcolm X, explica… em 1964 em “Ballots ou Bullets”

Ou da falência moral e tecnológica da velha democracia… como hipocrisia

“Na primeira noite eu não soube que tinha aparecido no telão. Achei que todos aplaudiriam, por que era isso que deveria acontecer. Naquele momento do show, em todos os lugares em que tocamos, todos ficam tão contentes nessa parte, Aí me perguntei: ‘O que está acontecendo?’”… — Roger Waters admite erro em hashtag #EleNão, mas mantém critica a Bolsonaro [que bosta de título…]

Bem, para começar nada melhor do que o clichê clássico:

“O Brasil não é para Principiantes”

Porém, como para explicar é preciso primeiro entender, leia essa curta crônica que explica para nós que nós que nos achamos muito espertos, o que essa expressão realmente significa, na origem e não no significado (um tanto quanto estúpido quando toma o caráter de um autoelogio, ufanista da sua capacidade de conviver com a desgraça, que não, não é exatamente a mesma coisa do que sobreviver às adversidades.

Para principiantes por Ruy Castro (2008)

Uma frase muito repetida há algum tempo, “O Brasil não é para principiantes”, já começa a entrar para a categoria de móveis e utensílios da língua. Quando isso acontece, sua autoria se torna secundária -embora, no caso, essa autoria seja tão ilustre que citá-la emprestar-lhe-ia ainda mais autoridade: Tom Jobim.
Tom não tirou essa frase do nariz. Era uma “blague” com o título de um livro, “Brasil para Principiantes”, de um húngaro radicado aqui, Peter Kellemen, e lançado em 1961 pela editora de maior prestígio na época. Tratava-se de um apanhado minucioso, hilariante e quase sempre exato dos pequenos golpes e vigarices que os brasileiros -para ele, uma massa de corruptos benignos- se aplicavam para ir levando a vida. Muitos se revoltaram com esse retrato tão cru do Brasil feito por um estrangeiro, mas até eles compraram o livro, que vendeu dezenas de milhares.
Kellemen dizia-se diplomata ou médico, dependendo do freguês, mas sua real ocupação era a de pilantra. Se qualquer leitor de seu livro já se daria bem ao se orientar por ele, pode-se imaginar o que Kellemen não tinha na manga. E ele não se fez de rogado.
Logo a seguir ao livro, lançou o “Carnê Fartura” -boletos que custavam uma mixaria e concorriam a sorteios milionários. Voluntários venderam o “Carnê Fartura” por todo o país, e papalvos sem conta o compraram. Nunca se soube de um sorteado. Quando a bolha estourou, Kellemen, milionário, fugiu para a Bolívia e sumiu de cena. Tinha feito o Brasil de principiante.
Mas isso não invalida a frase de Tom. Num país em que traficantes cheiram, prostitutas gozam e, para se manter no poder, a direita elege governantes de esquerda, o Brasil pode ser para qualquer um, menos para principiantes. Ou para gente de muitos princípios.- Folha de S.Paulo — Rio de Janeiro — Ruy Castro: Para principiantes — 22/03/2008

Por sinal, o fechamento politicamente incorreto da crônica faz referência a outra famosa frase que também virou clichê cunhada também por outro grande nome da MPB, Tim Maia:

“o Brasil não tem como dar certo…aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita”

Mas sejamos sinceros, nem o pensamento do Antônio Carlos nem o do Sebastião explicam o que aconteceu no espetáculo de rock progressivo em terra tupiniquins, nem o que acontecendo com a sociedade espetáculo nonsense brasileira. Talvez, o do Mano Brown…

Deseleições 2018: Quem vai contar para a esquerda? Inês é morta

Quanto ao que aconteceu na cena do rock e MPB, e com os antigos ícones dessa contracultura, isso quando ainda era contracultura, essa eu passo. Esta é uma história que não tenho conhecimento de causa nem estudo para me aventurar. Como mero observador superficial da cena, fico no lugar comum resumido pela frase de Lennon de 1971, “o sonho acabou”. Senão em 71, com certeza em 81 quando um “fã” viria a por um termo a todas as polêmicas levantadas por ele com um argumento para o qual não existe possibilidade de réplica, “lacrador” diriam hoje… aliás, “um” não, “o”, o argumento “lacrador” preferido da democracia americana para resolução de conflitos e dissuasão de divergentes, um maluco, um revolver, e 2 balas. E sejamos sinceros, não só da americana, e muito menos só das democracias. E assim de fato e pelas vias de fato, a polêmica estava encerrada: todos os sonhos tinham acabado, com certeza ao menos para Lennon: sonho e sonhador estavam mortos numa calçada de Nova Iorque. Fim da polêmica, fim do polemizador; corta a cena, cai o pano; choro e aplausos… Intervalo. E está encerrada a participação de mais um não convidado no espetáculo das representações democráticas, o fim de mais um ato do teatro dessa Democracia “ read e loaded”.

Do sonho e sonhador morto no chão ficara somente uma lição ou aviso: só há uma coisa mais perigosa do que sonhar em voz alta, acordado, mais perigosa do que cantar em versos e prozas ou em espetáculos seus sonhos é tentar vivê-los de verdade em atos e palavras, ou pior ainda tentar fazê-lo realidade em meio ao pesadelo dos adormecidos em estado de vigília e vigilância da sua confortável e reconfortadora inconsciência.

Varia-se o “como” e “quem” entrega as mensagens assim como os costumes e ritos das culturas e sociedades, muda-se o nome dos regimes e governos, mas no final, o resultado do culto é o mesmo. Ou como teria explicado outro causador de problemas, que não por acaso encontrou um mesmo fim, crivado de balas (junto com tanto outros antes (e depois dele), no lendário e ainda atualíssimo discurso de Malcolm X, “Ballots or Bullets” — que por sinal é sugestivo na sua atualidade até no nome: votos ou balas (numa tradução livre):

Mas de 50 anos depois, o dilema continua o mesmo votos ou balas, assim como a venda compulsória e casada: Votos e balas. Democracia como hipocrisia. Democracia como cavalo e fachada e disfarce para toda a espécie de regimes autoritários seja a direita ou esquerda volver, de viés fascista ou stalinista. Socialismo e liberalismo, capitalismo e comunismo, conservadores e liberais, progressistas, moderados, reformistas, reacionários, todas as vertentes mesmos as mais neutras e moderadas, não deixam de conter dentro delas de forma latente a semente da monstruosidade fundamentalista que cresce em tempos de crise como radicalismo e autoritarismo até o máximo do desrespeito ideológico e atentado criminoso contra a vida e liberdade.

Para autoritários sejam eles de esquerda ou direita, a democracia não passa de mera peça de propaganda, ou um dos tantos meios alternativos antes do emprego das vias de fato, para a atingir sua finalidade, ou objetivo estratégico: a tomada e perpetuação no poder. Não é uma bem, um principio nem muito menos um fim, mas apenas meio entre tantos outros que podem ser usados, dentro da doutrina que une os polos opostos de todos projetos de poder e regimes de viés totalitário num mesmo campo autoritário: os fins justificam os meios. A base de toda ciência e práxis da política (e geopolítica) como guerra com ou sem armas, pelo poder. Ou mais precisamente com uso de toda e qualquer arma, ou o uso de toda e qualquer coisa sempre como arma para prevalecer, incluso o dialogo e a palavra. Como vimos Mourão e Dirceu podem em lados opostos da trincheiras, mas o seu desprezos, amores e disposições para passar por cima de qualquer coisa, incluso do que não é coisa, mas ser porque vive, é o mesmo. São sonhos mudam de cor e forma, mas são feitos da mesma matéria, poder. O pesadelo dos infelizes que serão tomados como objetos de construção dos seus castelos e realização de suas fantasias onde o outro não cabe, senão morto ou rezando a mesma cartilha.

Mas porque é tão difícil assim para os polos mais afeitos a esse ou aquela ideologia enxergar que dos lados, a um passo de lá ou de cada, cercando a população temos não um mais dois precipícios? Onde as opções dadas, não são opções. Dois precipícios de diferentes regimes autoritários, de diferentes grupos que serão beneficiados, mas a população permanecerá num mesmo lugar de sempre.

O que está acontecendo então?

A culpa é das fake-news? Pós-verdade?

Quanta hipocrisia…

Noticia descaradamente falsa circulando em grande midia em bolhas e grupinhos fechados é novidade onde? Fake-news, pós-verdade são termos importados que se constituem numa verdadeira piada pronta com direito a claquê e risada falsa de auditório. A tentativa de um antigo modelo de preconcepção e julgamento da verdade e falsidade que perdeu sua hegemonia para uma nova mídia um novo artifício ainda mais poderoso e perigoso, mas feita ainda da mesma velha lógica da alienação: a intermediação da verdade da natureza da vida como imagem e representação do artificial como real.

Num país onde a guerra da informação, desinformação e contrainformação sempre foram a realidade fantástico , ou “a vida como ela (não) é”, transmitida pelos show da vida. como “verdade” para milhões de brasileiros aficionados pela “magia” das telinhas, telões e, programas de tele-visão, muito antes do advento do computador ou celular. Não é de se estranhar que as explicações de Waters tenham sido dadas nada menos o programa dominical cujo sugestivo nome já diz tudo, “Fantástico: o Show da Vida”.

Como diria que o velho comunicador de massas Chacrinha:

“Meu filho, eu não estou aqui para explicar, eu estou aqui para confundir…”

“Meu filho, eu não estou aqui para explicar, eu estou aqui para confundir…”

É muito fácil, bater em fascistas quando se tem uma ilha, ou num show que custa 800 reais. Onde quem vai xingá-lo e aplaudi-lo como se fosse o povo é uma burguesia de direita e esquerda que enchem a boca para falar dos perigos autoritários de seus inimigos e vizinhos de burgo, mas que da realidade fascista ou stalinista (fica ao gosto do fregues) de carestias e privações política, econômicas e culturais que a grande maioria sua população está submetida conhecem tanto quanto a realidade concreta e sensível da Siria, ou qualquer outro campo de guerra das disputas por hegemonia geopolítica das potencias internacionais.

Como explicar então para Waters ou seu amigo gringo qual é a real de uma realidade que ele só conhece através da narrativa falsificada dos seus respectivos interesses ideológicos? Isto é claro supondo que ele tenha algum interesse em conhecer essa realidade, e não perpetuar como ideólogo vendido ou idiota útil dos interesses nativos que seja no sim ou não no final das contas sustentam do mesmo modo as vendas dos seus belos e engajados espetáculos no freakshow da sociedade do espetáculo.

Ideologia é artigo luxo, um privilégio das democracias desde que as democracias foram inventadas nas agoras de Atenas. Um privilégio de quem desfruta do direito ao tempo livre de todos transformado em privilégio do ócio de poucos para parlamentar e decidir sobre a coisa pública nos espaços públicos a revelia de quem sustenta sua civilização no lombo. É fácil ter consciência social com o rabo cheio de dinheiro para decidir sem o império do medo da sobrevivência como um cruz ou espada sobre a sua cabeça. É fácil pedir para que se vote com a cabeça e não com o bile, quando não é o seu rabo que está na reta, mas o do outro. Ou melhor com a bile, não, com o estomago ou cu literalmente na mão.

Nos grotões onde impera a miséria as as pessoas os mais pobres votam com estomago. E nas cidades entupidas de gente e violência urbana, votam com o cú fechado. Cada qual no seu respectivo salvador da pátria. A pergunta não é o que está acontecendo, mas sim o que nunca nunca aconteceu versus o que sempre continuou a acontecer na real.

Quem não entende porque um alguém cede a retórica da violência e quer armas, seja para garantir as propriedades que conseguiu com tanto esforço, ou para conseguir aquelas que não importa o quanto trabalhe ou se esforce não irá jamais conseguir, não entende sabe o que é liberdade para saber o que é desigualdade, nem sabe o que falta de democracia para saber o que é fascismo, ainda que não conhece o significado dessa palavra. Não o velho, mas o novo, que não é o mero xingamento da velha esquerda que desqualifica qualquer adversário um que não reze sua cartilha. Não, não era Bolsonaro a comandar a invasão do Carandiru. Não, não Bolsonaro que assinou as tantas os decretos de Garantia de Lei e Ordem onde o Exercito vem sendo sistematicamente empregado, seja para conter grandes protestos da população de grandes eventos até mesmo reservas indígenas. Foi que hoje se autodenomina como campo democrático incluso o de esquerda.

Hoje causas e até mesmos instituições de defesa dos direitos humanos, minorias, da reforma agrária a proteção do meio ambiente, passando para direitos fundamentais a assistência social são vistas como agenda exclusivas não só da esquerda, mas de um partido único que preferiu se apropriar e monopolizar desses direitos como peças da sua propaganda, e das populações deles carentes como massa de manobra e moeda de troca em negociações espúrias. Não, não foi opção da direita nem extrema direita reduzir direitos fundamentais a políticas governamentais ou até mesmo político-partidárias meramente eleitorais. Não foram os fascistas que sequestraram esses direito da guarda e proteção constitucional do estado democrático de direito, mas esses autoproclamados estadistas democratas, que colocaram a criança a mercê de quem quisesse tomá-los.

O grande problema de qualificar Bolsonaro de fascista, neofascistas, ou protofascista, é que essa embora verdadeira soa sempre hipócrita e vazia dependendo da sua procedência, ou melhor de quem exatamente procede. Uma democracia hipócrita ou seja por definição da palavra incapaz de efetuar a autocrítica da sua própria natureza não falseta de socialismo de bolsa Vutton, mas como práxis tão fascistoide e colonialista quanto dos seus adversários.

O grande problema para lidar com as novas faces do fascismo é que ele ou demonizamos o adversários, ou somos obrigados a reconhecer que muito do que ele tem de autoritário, totalitário e fascistoide é algo que pode não permear nossa retórica, mas inegavelmente permeia a práxis não só da nossa sociedades e instituições que sustentam a posição confortável e privilegiada, mas sustentam a nossas posição privilégiada de defensor de direitos cuja subtração não nos atinge diretamente mas as populações excluídas as quais nossas representações políticas são o roubo institucionalizado do verdadeiro lugar de fala, como cidadão numa verdadeira democracia direta onde um trabalhador empregado ou desempregado não precisa de um burguesinho de esquerda bem nascido use seu tempo livre para falar e pensar por ele na Ágora, porque ele desfruta NA PRÁTICA, COMO HERDEIRO E BRASILEIRO dos mesmos direitos oportunidades dos bem nascidos.

Uma esquerda que não pregue a abolição da escravidão assalariada e o fim dos atravessadores políticos, mas pelo contrário alimenta o culto ao trabalhismo e salvadores da pátria, para manter suas posições privilégiadas como classes intelectuais, tutoras e intermediadoras das massas ignorantes, semeia o ciclo histórico do qual por veze em tempos de crise sistêmica também é vítima.

Aumento do número de sem-teto nos EUA é ‘bomba-relógio’

Elas parecem estar em toda parte. São pessoas de diversas idades, dormindo sobre papelão ou diretamente no chão, sem teto, debaixo de pontes ou em parques com seus pertences em sacolas plásticas como símbolo de suas vidas em movimento.
Muitos chegaram às ruas recentemente, vítimas da prosperidade que nos últimos anos transformou muitas cidades da costa oeste dos Estados Unidos.(…)
O jornalista da BBC Hugo Bachega visitou a vibrante cidade de Portland, a maior de Oregon, no noroeste dos Estados Unidos e uma das que estão vivendo o problema.
“É uma cidade de clima agradável, cultura rica e pensamento progressista”, conta Bachega.
“É também um núcleo de inovação, parte do chamado Silicon Forest (Floresta do Silício, em tradução literal) — apelido dado ao grupo de empresas de alta tecnologia localizadas na área metropolitana de Portland — e os novos residentes se mudaram para lá nos anos pós-crise, atraídos pelas empresas de alta tecnologia e seus trabalhos bem remunerados”.
“Mas a bonança não chegou para todos”, acrescenta o jornalista.
Como era de se esperar. (…)
A crescente demanda em uma área com falta de moradias rapidamente elevou o custo de vida e aqueles que estavam financeiramente no limite perderam a capacidade que tinham de pagar um lugar para viver.
Muitos foram resgatados por familiares e amigos ou programas governamentais e organizações de ajuda. Outros, no entanto, acabaram na rua. Os mais sortudos encontraram lugar em abrigos públicos. Não poucos estão agora em barracas de acampamento e veículos nas ruas.
“Mesmo que a economia esteja mais forte do que nunca”, disse o prefeito de Portland, Ted Wheeler, do Partido Democrata, “a desigualdade está crescendo a um ritmo alarmante e os benefícios de uma economia em crescimento se concentram cada vez mais em menos mãos”.
Muitos especialistas acreditam que é “uma bomba-relógio” nas ruas americanas que pode explodir para as autoridades, já que o problema está aumentando. “Temos mais desigualdade nos Estados Unidos, e isso, sem dúvida, tem impacto sobre as pessoas”. (…)
Acampamento para quem não tem teto
Joseph Gordon, um homem transgênero conhecido como Tequila, vive em um acampamento para pessoas desabrigadas chamado Hazelnut Grove e fundado em 2015, quando Portland declarou pela primeira vez estado de emergência devido à crise dos sem-teto.
“É muito assustador. As pessoas que conheço têm origens de vida muito diferentes, e a população de rua só cresce”, diz à BBC o homem de 37 anos.
“Estando na rua você lida com todos os tipos de situações, como ter que relaxar convivendo com ratos. Você também começa a apreciar a água corrente ou o fato de poder ir ao banheiro sempre que quiser”, conta Tequila. As pessoas normalmente pensam que ele é mexicano pela cor de sua pele e seu apelido, em referência à famosa bebida do México.
Os idosos e as minorias têm sido desproporcionalmente afetados pelo problema de falta de moradias, segundo um estudo da Universidade de Portland, que prevê que a tecnologia pode ter como consequência o corte de milhares de empregos de salários baixos, provavelmente piorando as coisas.
Fartos dos vizinhos
A presença dos desabrigados em Portland e outras cidades americanas com o mesmo problema é mais visível do que nunca.
Os moradores se queixam cada vez mais de cheiro de urina, fezes humanas e objetos abandonados que se acumulam em espaços públicos, às vezes em suas próprias escadas.
Em alguns lugares, há uma sensação de que é uma batalha que está sendo perdida.
Mas essa é uma crise que vem se construindo há muito tempo.
Os cortes do governo federal em programas habitacionais acessíveis e instalações para saúde mental nas últimas décadas fizeram com que muitas pessoas acabassem nas ruas dos Estados Unidos, segundo autoridades e provedores de serviços, enquanto os governos locais têm se mostrando incapazes de preenche a lacuna.
Relatório devastador das Nações Unidas
O acadêmico australiano Philip Alston, relator especial das Nações Unidas para a pobreza extrema e os direitos humanos, viajou pelos Estados Unidos por duas semanas em dezembro do ano passado.
Sua missão incluiu visitas a Los Angeles e São Francisco, que resultou em um relatório contundente no qual diz que “o sonho americano” está se tornando rapidamente, para muitos, a “ilusão americana”. (…) -Aumento do número de sem-teto nos EUA é ‘bomba-relógio’

Logo, o que vale para nós que nós as burguesias nativas,também vale para os gringos encastelados que vivem devidamente protegidos por seus Estados-Burgos, cada vez mais com cara de Alphaville, como direito a muro e policia, para impedir que a ralé invada com sua miséria suas bolhas num mundo cada dia mais parecido com o Brasil, onde as desigualdades e a hipocrisia impera. Entender o que acontece no Brasil não é tão difícil assim, bastaria olhar para o que está acontecendo agora mesmo no mundo. Qual a estratégia adotada de enfrentamento para a crise? A solidariedade internacional, o fechamento das portas e a demonização do outro? Mais água no feijão? Ou quem precise que vá bater em outra porta?

Itália envia policiais à fronteira com a França após devolução de migrantes

(…) Salvini, político de extrema-direita, divulgou um vídeo da devolução de migrantes para o território italiano, um “ato hostil” segundo ele. As imagens foram filmadas na manhã de sexta-feira por um morador da cidade e mostram um carro da polícia francesa deixando três pessoas antes de retornar para o território francês, a poucos metros de distância.(…)
A cada ano, milhares migrantes que tentam entrar na França são interceptados e levados de volta para a fronteira italiana. (…)
Não é a primeira vez
No início da semana, Salvini denunciou uma “ofensa sem precedentes”, depois de uma operação da polícia francesa para deixar migrantes em uma área de florestas do território italiano.
Neste caso, a França reconheceu um “erro” e alegou que os policiais não conheciam bem a região, mas um porta-voz do presidente francês, Emmanuel Macron, acusou Salvini de “uso político” do caso. (…) -Itália envia policiais à fronteira com a França após devolução de migrantes
Ou como diria Tyler Durden: “Sticking Feathers Up your Butt Does Not Make You A Chicken”

Aliás essa política eu conhece bem, nasci na cidade com o maior IDH do Brasil, onde mendigo que dormia na rua, acordava no dia seguinte nas praias de outra cidade… ah, meu querido ABC paulista, tutti buona gente”…

Neste exato momento, as portas de fecham para os desesperados que marcham, frutos inclusive das guerras, mas onde estão instaladas as tropas e as empresas nativas dessas mesmos Estados burgos, nos seus territórios? O que vocês acham que aconteceria se um pais que cujo cidadão não serve para pisar na Alphaville deles, decidisse, que a empresas de Alphaville também não podem mais ocupar seus territórios? Não senhores, é muito fácil, falar em defesa dos direitos fundamentais quanto a garantia de fato dos nossos direitos fundamentais a vida, liberdade, propriedade está assentada não de desigualdade de riquezas, mas de direitos universais devidamente subsidia pela assimetria da supremacia armada do poder de fato, seja o policial seja o militar.

É por isso que Bolsonaro incomoda tanto, mesmo ainda não tendo feito, nada e tanto que já infringiram de fato direitos humanos a direita e a esquerda do campo democrático caminham impunes, não é pelo que ele pode fazer, e não duvido que ele faça, mas pelo que sua retórica brutal denuncia como um espelho a nossa hipocrisia. Ele é o policial que sorri quando o burguês de esquerda chama a policia opressora para defendê-lo dos marginais. Ele é o espelho sem maquiagem das contradições e hipocrisia de uma sociedade escravagista, racista e protofacista que em seus círculos gosta de se vender e ver como civilizada, ilustrada e vejam só até mesmo progressista, só porque tem amigos gays ou não trata seus empregados como lixo humano como aquele seu vizinho de condomínio elitista.

Ah, façam-me o favor, vamos deixar de ser hipócritas, Lula e Bolsonaro são os dois a cara do Brasil, e ao mesmo tempo, porque nós brasileiros temos duas caras, e a maior prova disso é a internet onde o homem invisível revele como dizia Platão sua outra face. Não adianta demonizar o outro, porque o demônio mora dentro dos nossos hábitos, mora dentro da nossa cultura, seus paradoxos, contradições, e negação da realidade que hoje explode como um ferida purulenta, mas que não, não nasceu ontem, não desceu de nenhuma nave alienígena.

Subir num pedestal, vestir-se de vestal, e chamar o outro de fascista, machista, autoritário, sem rasgar a fantasia, sem admitir a falsidade ideológica, sem enterrar de uma vez por todas as mentiras, e manipulações e inações que tiram qualquer possibilidade de fidúcia, credibilidade e até mesmo legitimidade de qualquer discurso, só fortalece ainda mais a posição daqueles que assumiram abertamente quem são e jogam estrategicamente justamente no flanco aberto que virou verdadeira avenida das incoerência entre discurso e a prática de uma democracia que virou a própria institucionalização da demagogia.

Eis o problema das frentes democráticas domésticas ou internacionais. Para haver a frente, há de haver uma democracia, um regime político e socieconômico que seja claramente oposto e distinto daquele essa frente se opõe. E não um campo que, retórica a parte, mais se assemelha ao que demoniza do que aquilo que professa sem jamais praticar, discursando como se jamais tivesse estado ou tivesse sido o poder ou não fosse ela própria aliada de ditaduras e governos autoritários não só de esquerda mas até mesmo de direita Brasil adentro e America Latina afora. Como apontar para os vícios autoritários e tirânicos alheios com Renan e Maduro ainda como aliados? E mesmo que não tivessem o rabo preso, será que bastaria renegar isso, para restaurar a confiança e credibilidade popular perdida?

A confiança e reciprocidade, o capital social, não é algo que se contabiliza com créditos e débitos. Confiança e reputação que se perde, não se restaura, somando feito da conta negativa dos desfeitos, ou vice-versa. Como disse Paulo Freire sobre a educação, a confiança também não é um processo bancário, um banco onde vão se depositando informação e desinformação, mas um delicado processo orgânico como a vida, um fenômeno relacional que uma vez quebrado e perdido, não se recupera, não se ressuscita principalmente com o mesmo receituário que a matou, o charlatanismo dos demagogos.

O problema são as fake news? Não a falsificação da realidade sempre foi um dos maiores problema e obstruções a transformação social do mundo. E a solução para esse problema é tão antiga quanto a invenção dessa armadilhas: ação social. Só há um remédio contra a falsificação do real, factual. Fatos. Mas fatos não se produzem por narrativas, discursos, fatos se produzem por atos e ações que discursos e narrativas não conseguem nem desmontar nem substituir. O discurso é meramente subsidio é sinal que aponta o caminho para Roma, desde que Roma exista, e não mais um 171, mais um conto do vigário, mais uma terra prometida onde entre o que existe de fato e o que foi prometido ou narrado, há a distancia que separa o gato da lebre.

A velha esquerda se especializou em construir ídolos e desconstruir adversários. E se esqueceu de um detalhe: a verdade está na práxis e não no discurso. Na ação e não ideação. Na realização e na propaganda. No real e não no espetáculo. No povo e não nos representantes e representações. Na verdadeira democracia e não nos “democratas”. E quanto mais a esquerda se agarrar no corpo velho, podre dessas falsas representações demagógicas, mais tempo e espaço dará para projetos de poder reacionários e autoritários se firmarem como a nova ordem entronada no seu antigo objeto de desejo e consumo: o poder.

A esquerda preferiu atalhos não só para chegar ao poder. Mas para a transformação social corrompida neste objetivo da tomada como meio necessário as transformações sociais e não consequência das mesmas como trabalho social de base. Comprou a mentira autoritária que é a tomando o poder que se muda um pais dos palácios, de cima para baixo. Quando de cima para baixo a unica coisa que se faz é perpetuar a própria superstrutura que mantém tudo como está: as relações de desigualdade, de autoridade, liberdade, as relações de poder.

O atalho para poder, é atalho para os grupos que tomam o poder como falsos representantes do povo, não o atalho para emancipação do povo. à emancipação, libertação e desenvolvimento não existem atalhos, mas só o verdadeiro trabalho que não é o alienado, nem o pelego, mas o de base libertário e educador por definição. Emancipador da própria tutela do educador, que se não se extingue no processo como tutor e autoridade não é educação, mas doutrinação, arrebanhamento populistas para caudilhos e ditadores mal disfarçados de salvadores da pátria. As bandeiras podem ser outras mas a estrutura e sobretudo a mentalidade onde esse mal perpetua alternando em ciclos é a mesma: autoritarismo.

Ou a esquerda se reinventa não em discurso mas em ato, com práticas de abolição da escravidão assalariada, e evolução libertária da democracia e economia. Ou abandona o subsídio do monopólio autoritário, estatal e demagogia política-partidária volta a trabalhar com sistemas sociais e solidários e libertários de base, ou vai amargar esse descolamento espetacular da realidade popular de um povo que ela não mais conhece, e nem ele mais a reconhece como representação de nada senão eles mesmo enquanto parte de uma mesma classe: a política-governamental.

Nem Bolsonaro nem Haddad: eleitores optam por votar nulo no segundo turno

(…) “Ficou no ar essa de votar contra o fascismo ou votar contra o comunismo e nenhum dos dois representa isso, na minha visão”, afirma Fernando Teló, 29 anos, morador de Maringá (Paraná), zona eleitoral em que 60,1% dos votantes escolheu Bolsonaro no primeiro turno. O jovem se refere ao cenário político partidário do segundo turno como um “Grenal Eleitoral”, em referência ao clássico entre os times Grêmio e Internacional, e confessa que tem evitado falar de política. “Me sinto obrigado a pisar em ovos nesse assunto, ficou tudo mais delicado e as pessoas ficaram imprevisíveis. Evito ainda mais s quando se trata do Bolsonaro, pois tem número maior de eleitores dele aqui”.
Jennifer Ferreira* mora na periferia de São Paulo e também tem sentido receio em relação aos apoiadores do Bolsonaro.“Eu tive que bloquear um cara que nem me conhecia e veio me perseguir no Facebook porque eu tinha repudiado em um comentário as agressões sofridas pela MC Banana [que é transexual]. É uma loucura, parece que estamos voltando à ditadura”. Mas, apesar de a jovem de 23 anos temer a eleição de Bolsonaro, ela não acredita que mais um governo do PT seja a saída. Durante a gestão Haddad, ela morou embaixo do Viaduto Alcântara Machado e relata que lutou contra pelo menos três tentativas de remoção de sua casa. “Eu não votei no primeiro e não tô com nenhuma vontade de ir votar no segundo. Morei na rua e sei que os de baixo sempre sofrem.” (…)
Fátima Pacheco Jordão aponta para a manifestação dos não-votantes como um ato de descontentamento com o instrumento político partidário. “A população não consegue perceber nas lideranças políticas partidárias aquilo que elas procuram”. “ Mas à medida que o dia da eleição se aproxima, parte importante do eleitorado resolve em quem vai votar. Às vezes, na última semana, quiçá, no último dia”, diz a também especialista em pesquisa de opinião. Com o cenário, ela enxerga uma forte tendência popular em reivindicar outras formas de democracia, mas pondera: “é provável que a população peça por uma maior participação num sentido plebiscitário, mas é provável que as elites irão preferir fazer uma reforma política.”[grifo meu]. -Nem Bolsonaro nem Haddad: eleitores optam por votar nulo no segundo turno

Porém, o trecho do discurso de MalcolmX que explica melhor a falha da democracia, ou se preferir do status que a direita fora do poder soube aproveitar, enquanto a esquerda não, é exatamente esse aqui:

Foram as bases políticas que saíram para a rua o que assustou mortalmente o homem branco; assustou mortalmente a estrutura do poder do branco de Washington DC; eu estava lá. Quando eles descobriram que o rolo compressor negro ia derrubar a capital, chamaram a esses líderes negros da nação, que você respeita e nos quais acredita, para dizer-lhes: “Suspenda as ações”, disse Kennedy, e acrescentou: “Olha, vocês estão deixando isto ir longe demais”. E o Velho Tom falou: “Patrão, não posso pará-las, porque não fui eu quem começou”. Estou falando para vocês o que disseram. Eles disseram: “Nem mesmo estou lá, e muito menos as controlo”. Os brancos então disseram: “Estes negros estão fazendo as coisas por conta própria. Estão se adiantando a nós”. E a velha e astuta raposa falou: “Se vocês não estão lá, nós colocaremos vocês lá. Colocaremos-os na direção desse movimento. Promoveremos vocês, lhes daremos boas-vindas […]Isto é o que eles fizeram na marcha de Washington. Eles se somaram a ela […] tomaram parte, assumiram-na. E logo que eles assumiram-na ela perdeu seu caráter militante. Deixou de ser um aborrecimento, deixou de ser incendiária, deixou de ser comprometida porque inclusive deixou de ser uma marcha. Tornou-se um piquenique, um circo. Nada mais do que um circo, com palhaços e tudo […]Não, foi uma traição. Foi uma absorção […] a levaram a rédeas curtas, falaram para esses negros em que momento eles deveriam golpear a cidade, onde deveriam parar, que símbolos levar, que canções cantar, qual discurso poderiam fazer e qual não poderiam, e então falaram para eles que fossem embora antes do anoitecer.

Sim. A analogia, nem tão analógica assim é como os protestos populares de 2013. Não que o governo não tenha tentado se apropriar e manobrar e cooptar e introduzir novas lideranças, mas eis o problema, a lógica da propagação e controle das manifestações não era mais a mesma, nem de comunicação nem de organização. As midias e formas de organizações eram outras, a da internet, celular e redes sociais. A nova direita soube adaptar suas táticas e estratégias de propaganda comunicação e sobretudo organização de base, e capturam o movimento, literalmente, a esquerda não. Tentaram frear o irrefreável: a história, e em sua pior frente transformação como sistema de produção tecnológico e ideológico. Hoje tentam levantar barreiras contra o whatsapp, do mesmo vendedor de do bolhas e caos em forma de algorítimos e lucros, sem entender a natureza em rede desse arma que é ao mesmo tempo campo de batalha, onde bloqueios não funcionam, onde a tática do “não passarão”, é complemente inútil. Necessário sim era ultrapassar essa tecnologia em todos os seus vícios, construir novas redes, disruptivas dentro, e construtivas fora, redes e plataformas e programas fundamentados na lógica da democracia direta, capazes de competir. Não adiantava persistir no velho. era necessário construir o novos modelos, para competir pelo futuro. Futuro que agora chegou, e a realidade não perdoa, entre o velho podre, o lixo autoritário reciclado, o reciclado torne-se a esperança ou melhor ilusão de renovação por falta de novidade ou mais precisamente inovação, tecnológica e ética da democracia.

Em suma era preciso investir em plataformas de democracia direta, era preciso investir em transferência de renda como emancipação e não fonte de alienação. Ainda é. Correr atrás do tempo perdido. Mas não para fazer dessa causa cavalo dos velhos podres poderes, mas causa social. Do contrário o resultado a longo prazo será o mesmo: a volta dos que não foram.

Essa é a dimensão moral da reinvenção não só da esquerdas, ou também dos ditos campos que se reivindicam progressistas e democráticos, mas da reinvenção da democracia como sistema institucional e tecnologicamente compatível com o mundo no século XXI, a nova democracia na na era da informação. Um imperativo da necessidade. É isso ou amargar o retrocesso ao autoritarismo reacionário num nível inédito: o da ditadura da informação.

(…) a democracia representativa, como a inventaram nos EUA, é um processo de filtrar informação. Há 250 anos era impossível consultar todas as pessoas e as pessoas tampouco estavam informadas. Então os “pais fundadores” da nação americana inventaram um filtro de informação que chamaram de representação: ter representantes que em seu nome deliberam e definem o que serve à sociedade. Rompemos isso completamente.
Os representantes hoje podem ter acesso a tudo o que os cidadãos fazem. E os cidadãos podem ditar a vida dos representantes, com tuítes e outros recursos. A democracia representativa não está preparada para isso.
É o que vemos agora, com a última eleição nos EUA e como o novo presidente usa as mídias sociais — é parte dessa confusão em que estamos.
É preciso refletir e reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela pode facilmente se converter em ditadura da informação. E atentem que a visão mais antiga da sociedade da informação é de 1948, quando George Orwell publicou seu livro 1984. A visão era de uma ditadura da informação.
Se alguém dissesse isso há dez anos, certamente seria contestado pela maioria que acreditava que a internet era democracia pura e liberdade. Mas hoje pessoas começam a entender a necessidade de atuação rápida. A democracia não está preparada para a era digital e está sendo destruída.
Estamos num processo que (o economista austro-americano Joseph) Schumpeter chamou de destruição criativa. E não teremos nenhuma criatividade, porque não há proposta de como fazê-la de modo diferente. Não há uma saída, e isso preocupa.
(…) (O ex-presidente americano Barack) Obama entende muito bem de big data. Depois do caso Snowden muitos perguntaram porque Obama nada fez. Bom, porque ele também o usou muito.
A maior despesa da campanha de Obama em 2012 não foi para comerciais de TV: criou-se um grupo de 40 engenheiros recrutados em empresas como Google, Facebook, Craigslist, e que incluiu até jogadores profissionais de pôquer. Pagou milhões de dólares para o desenvolvimento de uma base de dados de 16 milhões de eleitores indecisos: 16 milhões de perfis com diferentes dados: tuítes, posts do Facebook, onde vivem, o que assistiam na TV.
É preciso reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela facilmente se converte em ditadura da informação
Quando a campanha conhecia suas preferências, se um amigo seu no Facebook dava uma curtida na campanha de Obama, a equipe ganhava acesso à página desse amigo e passava e enviar mensagens.
E conseguiram mudar a opinião de 80% das pessoas alcançadas desta maneira. Com isso, Obama ganhou a eleição. È como uma lavagem cerebral: não mostra a informação, apenas o que querem escutar.
(…) O representante político tem muita informação sobre você, mas o inverso também é verdade. Veja o presidente Trump, que muitas vezes reage em tempo real ao que as pessoas dizem. É como alguém se convertesse em uma marionete do que recebe pela TV ou pelo Twitter.
A ideia do mandato representativo, como criado peos “pais fundadores” dos EUA, era: confiamos em você como pessoa e você lidera e toma decisões em nosso nome. Agora os políticos medem sua popularidade no Facebook e mudam o discurso ao vivo para ajustá-lo aos comentários do Twitter. Isso não é a ideia que foi desenhada. Os grandes presidentes não se guiaram por populismo: eles lideraram. — ‘Despreparada para a era digital, a democracia está sendo destruída’, afirma guru do ‘big data’

Ou a demanda por democracia deixa de ser cavalo de troia para velhos demagogos, e evolui para verdadeira democracia usando as ferramentas tecnológicas hoje empregadas para raquea-la e destruí-la, para se reinventar como democracia direta digital ou vai decair de vez por todas em ditaduras distópicas onde o estados de direito democrático fake de hoje vai parecer um paraíso de respeito a igualdade de liberdades como direitos fundamentais.

Ou os programas de combate a desigualdades deixam de ser benesses,peças de propaganda e instrumentos de manipulação governamental e partidária de massas, e passam a ser de direitos na prática , garantias de fato de direitos fundamentais sem nenhuma discriminação, nem segregação ou relação de poder, ou as desigualdades vão simplesmente arrebentar o tecido já tênue esgarçado e das sociedades contemporâneas.

Mas isso já não é uma demanda por um novo ethos, e já para de uma nova tekne, construída como inovação a partir do novo paradigma, onde essa nova mentalidade é literalmente a plataforma criativa dessa nova cultura e tecnologia que já são um sonho de futuro de utopistas, mas uma necessidade cada dia mais presente e urgente: renda básica e democracia direta, para ontem. Ou mais Trump e Bolsonaro e afins de novo para amanhã… isso enquanto o mundo, o ambiente ou a ordem nacional e mundial aguentar.

Resumo da opera:

Continuem a não assumir responsabilidade por nada e jogar a culpa na tia do whatsapp; continuem desconstruindo e bloqueando ao invés de dar lugar a inovação e renovação; continuem insistindo em tudo que já caiu de podre, velho, reacionário, corrupto e autoritário; continuem apostando no discurso demagógico e prepotente no lugar do ativismo social LIBERTÁRIO de base para ver quanto tempo vamos demorar para conseguir construir qualquer resistência ao autoritarismo que dirá qualquer progresso de fato democrático.

E quando digo “continuem” não falo com os representantes políticos, porque esses não tem cura, falo com quem se considera da sociedade civil. Até porque está claro, ganhando ou perdendo só uma coisa é absolutamente certa e demostrada nessas deseleições: eles nunca mudam. No máximo se replicam.

Claro que também pode-se continuar sonhando com o retorno de Dom Sebastião também… sonhar é livre, mas não se engane sempre custa caro. mesmo quando não colocamos um centavo um dedo de trabalho por eles. Viver e sonhar não são tão diferentes assim, ambos cobram um mesmo preço, e preço caro sempre corrigido com juros e correção monetária, quanto mais distantes um do outro eles estão não só como realidade, mas antes de tudo como verdade.