IDIOCRACIA: Um ensaio sobre a farsa da representação democrática e a idiotia humana

Aviso: este é um artigo politicamente incorreto. Ou seja, um foda-se para as patrulhas ideológicas autoritárias de esquerda, direita, conservadores, progressistas e até mesmo que se dizem libertárias, mas são tão libertárias quanto a inquisição e as cruzadas e as igrejas medievais de ontem e hoje são cristãs.

Toscamente, há 3 tipos arquétipos de governos hoje: Ditaduras, Democracias e Ditaduras disfarçadas de Democracia. Mas pode chamar esse último de Idiocracia mesmo.

O que é uma Idiocracia? Para entender o que é idiocracia é preciso entender o que significa ser um idiota, quando isso não é xingamento gratuito e sem fundamento.

“Política é coisa de idiota!”. Mas não poder ser! Essa sentença aparece em comentários indignados, cada vez mais frequentes no Brasil, e, em nome da verdade histórica, o que podemos constatar é que acabou se invertendo o conceito original de idiota, pois a expressão idiótes, em grego, significava aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política. Em outros termos, os gregos antigos chamavam de idiota a pessoa que achava que a regra da vida é “cada um por si e Deus por todos”.
Os mesmos gregos davam um nome apropriado a quem cuidasse também da vida pública, da comunidade, e que acreditasse que a mais nobre regra é “um por todos e todos por um”: este era chamado de político. E se entendia que todos e todas éramos e deveríamos ser políticos, a partir da noção de que pólis é a comunidade, a cidade, a sociedade, e é nela, com ela e por ela que vivemos.
No cotidiano, o que se fez foi um sequestro semântico, uma inversão do que seria o sentido original de idiota, a ponto de muitas e muitos hoje pensarem que só deixa de ser idiota aquele que vive fechado dentro de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal. Sua expressão generalizada é: “Não me meto em política”. -Sergio Cortela

Então quer dizer que se recusar a se envolver com a política é que é ser um idiota. Depende de como. Se você confunde democracia com democracia representativa ou seja, entrega o seu direito igual de governar a si mesmo e participar do governo do que é de todos, você é por definição um idiota.

Há duas formas de idiotia:

Uma se dá pela renuncia do seu eu político, pela alienação e transferência dos seus direitos de decisão e participação sobre o bem comum e a vida pública em favor dos outros, que se tornam assim, seus chefes e líderes- não raro inclusive da sua vida privada.

Outra pela renuncia ao próprio bem comum e a vida pública, que embora não seja dado em favor de ninguém, resulta no mesmo, na transferência dos seus direitos de políticos e econômicos comuns aqueles que os detém de fato: aos políticos.

A grande jogada de marketing da falsa democracia que conhecemos é portanto a seguinte: se você quiser ter um mínimo de representatividade, um mínimo de participação ou poder de decisão, você terá que exercê-lo onde ele é liberado: escolhendo quem serão os donos de fato, dos seus direitos políticos e econômicos sobre o bem comum que num estado-nação se chama patrimônio nacional.

Ou seja aqueles que controlam, ocupam e sobretudo aferem os lucros sobre as propriedades públicas. Os políticos? Claro que não. O golpe dessa farsa é duplo. Eles não só não te representam como não representam só os interessem deles, mas de todos e qualquer um que o banquem seu papel como ator político nessa farsa representativa. Pagando e recebendo uma boa grana por isso, grana que não é deles, mas sua.

A política como circo, a democracia representativa como a grande atração dessa sociedade do espetáculo não funciona sem um grande público que acredite que o jogo não é combinado e que seu destino não é outro senão assistir outros representarem sua própria vida e pagarem caro, muito caro por isso.

Ora, é preciso muita ingenuidade para comprar isso. É preciso manter a sociedade permanentemente infantilizada para que pessoas adultas aceitem serem tuteladas até a velhice como se fossem crianças, e não raro ainda adorando seus tutores, ou chorando como cachorros sem dono a falta deles.

Mas rigorosamente um adulto que como uma criança é tutelado, não é uma criança grande, que não é portador de necessidades e cuidados especiais, uma pessoa na plenitude das suas capacidades mentais que se sujeita voluntariamente a tal condição humilhante de dependência não é um crianção, mas por definição um idiota. Um termo aplicado portanto incorretamente às pessoas que carecem de fato de tutela e proteção e vigilância, seja porque representam um perigo a si mesma ou até mesmo as outras. E que corretamente cabe aquele que voluntariamente se entregam a alienação, institucionalizam a sua idiotia em favor de alienistas profissionais que incorretamente são chamados de políticos, quando deveriam ser chamados de demagogos e tiranos.

O termo idiota portanto não é só histórica ou etimologicamente ainda pertinente. Ele é, depois é claro da definição de coitado, o nome que melhor define a nossa condição de servilidade político-econômica. De fato a idiotia é um termo impoliticamente correto somente quando aplicado à pessoas que carecem de assistência, não por acaso por esses mesmos idiotas e claro seus papais alienistas.

Mas pessoas que se acham tão espertas e cultas entra nessa?

Ora antes de tentar entender o idiota moderno, temos que separá-lo em duas categorias: os coitados e os espertos.

O coitado é aquele cidadão que mal tem tempo para ser idiota. Não tem as mínimas condições ou oportunidades para escolher se vai servir ou não, não tem tempo para racionalizar sua servidão, para parar e pensar sobre ela. E as vezes tem até mais consciência da sua condição, já que não tem de sobra para tentar se enganá-la. É o escravo que vive para trabalhar e pagar contas e tentar esquecer e aproveitar o pouco tempo que lhe resta para tentar fazer o que todo mundo veio e merece neste mundo: viver. Como qualquer outra pessoa reduzida a essa condição de idiotia muitas vezes também adora, obedece e até vive desculpando e dando desculpas para seus mestres, mas não propriamente por uma questão de escolha ou comodismo, mas exatamente pelo oposto.

O esperto é o extremo oposto, é o idiota-mor, aqueles que acham que não perdem uma oportunidade que a vida lhe dá para levar vantagem em tudo, certo? A fina flor da cultura meritocrática brasileira. Não confunda com aqueles que nascem e são criados do berço para serem alienistas. Porque esses não precisam bancar o espertos, não vivem de tirar proveito das oportunidades e vantagem, porque eles são os donos e herdeiros das oportunidades e vantagens.

Há portanto uma diferença fundamental: a ele nunca foi dado a chance, o direito de escolha, o acesso ao conhecimento para se libertar ou ser um desonesto intelectual. Ele nasce e vai morrer por força da privação nessa condição. Logo o coitado é um abduzido e não um alienado. Mas ninguém é tão coitado que não banque de vez em quando o esperto, nem tão inocente que de vez em quando espertamente não se faça de coitado. Coitados e espertos são tipos e não pessoas. Mais precisamente arquétipos de povos e culturas de escravos. Em outras palavras, de coitados e espertos todos temos um pouco. E tendemos cada vez a termos mais, quanto mais idiocrática for a democracia e mais imbecilizante for a sua sociedade do espetáculo.

Sim. Você entendeu certo. Rigorosamente, fora aqueles que monopolizam a polis, todos os demais se não são estão, querendo ou não, sendo feito de idiotas. Revoltados ou obedientes somos todos feitos de idiotas enquanto estamos excluídos e não demandamos o que é nosso por direito: a soberania da polis, a verdeira posse democrática do cidadão da república tanto como direito político e logo econômico. Porque somos idiotas, mas não loucos nem estúpidos e no dia em que tivermos a posse de fato do patrimônio público, quando for nossa e não dos nossos alienistas, vamos fazer exatamente como eles fazem entre eles, distribuir entre nós a riqueza. A diferença é que no caso deles é roubo, no nosso direito ao rendimento sobre patrimônio comum.

Mas como uma coisa tão natural e evidente pode ser tão renegada? Como a desonestidade política e intelectual tem conseguido prevalecer sobre direitos tão evidentes e universais quanto o principio de que seu rabo e a sua terra são seus seus, tanto quanto nossa terra e a nossa soberania são nossas?

Como mitos, mentiras e delírios coletivos podem prevalecer sobre verdade não apenas absolutamente lógicas, mas sensíveis?

Em primeira e última instancia sempre por ameaça e violência de fato. Mas não é possível extrair lucro ou vantagem de um sistema onde constantemente você precisa ficar lutando para colocar seus escravos na linha. Em um dado momento, para que o investimento de tempo e dinheiro na dominação de uma outra pessoa, é preciso que ela e seus descentes passe como máquinas ou animais adestrados a obedecer ordens sem pensar por programação mental ou reflexo condicionado.

Eis o problema das ditaduras e a solução que vinha funcionando das democracias representativas como fachada ou embalagens bonitinhas para a velha dominação do homem pelo homem.

Se no passado funcionava a distinção de que não nascemos iguais em liberdade fundamentais. E isto quer dizer na prática que uns nasceram para trabalhar e servir enquanto outros para mandar e ficar com o fruto desse trabalho. Que existiam pessoas de sangue azul e outras de sangue vermelho. Pessoas filhas e escolhidas por deus e outras que não passavam de animais que falavam. Depois de algumas revoluções, reis e reinos derrubados um novo regime nasceu. Onde supostamente quem escolhe seus senhores não é mais deus, mas os próprios escravos. E por escolherem compulsoriamente seus mestres, eram portanto livres. Ridículo. Como é possível que uma ideologia tão tosca e falsificada possa funcionar até hoje?

Será que eles pensam que nós somos idiotas?

Eles não, nós pensamos. E é exatamente por isso que o golpe funciona. Não são eles, somos nós mesmos que pensamos que somos idiotas. Somos nós que acreditamos que somos idiotas e precisamos por toda a vida ser tutelados por outros homens. E aqui vem a grande jogada das ditaduras como democracia da invenção da idiocracia.

O idiota não é somente um pessoa apartada da vida pública, o idiota é um ser humano apartado do outro ser humano. Quando você pergunta a uma pessoa se ela deve ser vigiada, controlada, punida, tutela ela nunca concorda com isso. Mas quando você pergunta se o estrangeiro, o vizinho, o estranho, o outro precisa disto o idiota responde prontamente que sim, esquecendo que ele também é o outro dos outros. Não confunda o idiota com o individualista, ou mesmo com o egoísta, o idiota perfeito (um arquétipo) é um ser ensimesmado em si mesmo, enfiado com a cabeça no seu próprio buraco vivendo sem perceber do devorar das suas próprias entranhas.

A idiocracia é o apartheid perfeito onde toda pessoa fechada em si mesma como seu próprio universo, onde o outro não é nada senão outro universo concorrente, onde as liberdades se limitam e se chocam ao invés de se unir e se completar. É o estado de divisão, discórdia, dominação e imbecilização perfeito de um povo, de uma humanidade que não se enxerga mais como uma senão pela intermediação paternal da identidade estato-nacional, pela alienação estatal e nacionalista, cuja tensão não desprendentemente portanto explode em patriotismo, xenofobia e racismo.

Na idiocracia não estamos divididos apenas em castas e classes, mas antes de tudo em inimigos uns dos outros, e portanto como sociedade de nós mesmos. Uma presa fácil portanto aqueles que dominam a politica como arte milenar da politica de dominar e violentar outros homens em seu favor, as ditaduras ou autocracias. Por oposição a politica como arte de libertar e preservar a liberdade de todos, as repúblicas e democracias.

A idiocracia, a representação da tirania como democracia não é portanto senão a forma mais avançada de engenharia de controle social, onde o escravo não foge e não resiste, não luta, mas pelo contrário idolatra e até defende os seus senhores por crer-se livre.

Entretanto, não é tão fácil assim quanto parece, manter as pessoas nesse estado de imbecilização. Ela precisa combinar um razoável conforto material de modo a fazer todos os escravos se sentiram como se fossem pretos-da-casa, e escribas. Ao mesmo tempo que demanda um controle extremamente restrito da informação, conhecimento e capital e com a mesma aparência de liberdade, ou melhor liberdade já reduzida definitivamente a mera liberalidade. Daí também muitos se referirem muito corretamente a democracia representativa também como liberal.

Porque libera e proíbe quem é dono da coisa. E não o dono da coisa é liberado e proibido do que é seu. Daí se vê que liberalismo e socialismo, são os polos opostos de uma mesma doutrina autoritária estadista, inseridas no mesmo principio de alienação de direitos privados e públicos. Variando apenas na quantidade e qualidade das propriedades que expropriam, eufemismo para roubo. Regulando, proibindo ou liberando mais ou menos desta ou daquela. Mas sempre expropriando tanto as propriedades particulares quanto comuns dos legítimos donos tanto como indivíduos como nação. Em outras palavras, socialismo de estado e liberalismo de estado são em essência a mesma bosta, ora temperada e servida mais ao gosto da esquerda ora da direita. E não é de se surpreender portanto que o povão que está sempre excluído do topo do poder e partilha dos butins, seja muitas vezes o menos suscetível a enxergar as “diferenças” entre essas bundas gordas sentada disputar quem irá agora devorar tudo e cagar sobre as suas cabeças.

Daí a importância extrema da classes médias para a estabilidade desse sistema que só aceitam de bom grado viverem sendo cagadas na cabeça se puderem cagar ainda mais na cabeça de quem está abaixo delas. Ou em termos menos escatológicos, e parecidos de como vivemos, o perigo que é para essas democracias fakes quando a burguesia pára de sonhar em virar high society e começa a se compadecer e identificar sua condição como a das classes mais pobres, quando começa a descobrir que o sonho americano é igual a loteria ou um cassino. Um jogo que sempre tem alguém que ganha, mas numa proporção de tanto outros apostadores que jogaram para perder de tal modo que não apenas os ganhadores não representem de fato nada, mas o próprio jogo de vender sonhos de um custo necessário para a estabilidade do sistema, se torne uma das suas maiores e mais descomunais fontes de lucro para os donos do jogo.

Como a idiocracia está a ensejar o seu próprio fim

A idiocracia é portanto um sistema muito bem elaborado pelos alienistas ou idiocratas. Porém como todo sistema de exploração politica ou econômica ele não é sustentável, isto é, engendra seu próprio fim pela desnaturação e esgotamento dos seres reduzidos a coisas e recursos que ele explora, ou seja os seres humanos empregados e alienados politica e economicamente que já estão falhando e vão simplesmente quebrar, se é que não vão se rebelar antes.

Quando digo falhando quero dizer que eles já não estão mais respondendo como eles esperam aos estímulos, incentivos e ameaças de outras, não por desobediência mas por estresse. Um problema dos sistemas de controle e produção por imbecilização é que ao mesmo tempo que a demanda econômica por sistemas inteligentes e criativos e informativos cresce proporcionalmente a politica por alienação. É preciso produzir pessoas altamente capacitadas para produzir coisas, mas ao mesmo tempo cada vez menos capazes de discernir sobre si mesmas e sobre seu mundo. Ou seja numa era em que a produção é baseada na informação se torna imprescindível produzir cada vez mais lixo para as pessoas que tenham acesso a informação não desenvolvam discernimento e passem a produzir autoconhecimento. A poluição da desinformação e do freakshow da sociedade do espetáculo precisa aumentar absurdamente para manter as pessoas dentro do arcabouço da idiocracia. Mas na medida que o principio, ainda que falso da ditadura disfarçada de democracia é a escolha de quem os represente, a tendencia é que os donos do sistema percam o controle da sua máquina para o próprio lixo, brutalidade e desinformação que produzem e não de forma caótica, mas ordenada como sistema autoritário da mesma representação de ditaduras como falsa democracia, exponencia tanto em autoritarismo quanto em falsidade ideológica.

Em outras palavras, não apenas no meio ambiente natural, mas no artificial e político o que estamos assistindo hoje nas democracias liberais é as aristocracias sendo engolidas pelo lixo, pelos monstros que elas mesmas criaram para entreter a sua plebe. Estamos assistindo a democracia representativa sendo engolida pelas suas próprias engrenagens de reprodução. Estamos assistindo os idiocratas sendo engolidos por sua idiocracia. Os espertos sendo devorados por sua esperteza. Estamos vendo o mostro da hipocrisia e desonestidade ideológica ganhar corpo e representada dentro do sistema e devorando seus criadores. Não é a era da pós-verdade, é a era da ultra-hipocrisia, onde as Idiocracias deixarão de ser as ditaduras disfarçadas de democracia para der as ditadura da idiotia, o governo dos idiotas para os idiotas. A adoração das ditaduras e seus líderes sem máscaras nem disfarces, mas esse idiotia bem mais perigosa tem outro nome, e outro precedente histórico… o Totalitarismo.

Onde o mal está sempre no outro nunca nos todo poderosos e seu poder total.

Epilogo

“I never expected Idiocracy to become a documentary” — Etan Cohen

Idiocracia também é o nome de um filme americano que funciona hoje inclusive como denuncia de seus (não poucos) preconceitos que não conseguiu escapar: o presidente por exemplo no filme não é um empresário multimilionário, branco, racista e fascistoide, mas um negro, cantor, lutador de luta-livre e ex-ator porno.

Pois é.

O mal está sempre no outro.

Princípio que se encaixa como uma luva para os idiocratas brasileiros e seu complexo bipolar de inferioridade e esperteza, ora vitimista e idolatra dos gringos, ora ufanista e racista macaqueando todos os preconceitos supremacistas contra os menos ricos e brancos que eles se achando os mais brancos e europeus e civilizados que eles se julgam ser.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco, esperto somos nós, como prova as capa da revista das mídias idiocratas brasileiras, uma atrás da outra sem parar…

Quanta merda…

E ainda tem gente que se pergunta ou quer fazer um filme de ficção científica de como seria um mundo distópico onde gente como os nazistas tivessem dominado o mundo. Parece até ainda que estamos antes de 1500 e que nunca ouviram falar de colonização e de um continente chamado as Américas. Deixa eu te contar como seria, seria mais ou menos assim:

você trabalharia até morrer isso se tivesse sorte, e ainda deveria se sentir como um Mike Jagger, como um Rolling Stones.

De certa forma esses idiocratas cada vez mais idiotas acertaram sem querer mais uma vez em cheio:

“Yeah baby, Like a Rolling Stone”. Heil, Brazil também pra vocês. Que vocês descubram um dia na pele o que é ser de verdade um rolling stone:

E a propósito…. fodam-se, de verde e amarelo mesmo- mandou dizer o futuro Presidente dos EUA… Camacho 2024

“Era uma vez, você se vestia tão bem
Em seu auge, dando esmola aos mendigos, não era?
As pessoas diziam “Cuidado, boneca! Você pode se dar mal!”
Você pensou que estavam brincando com você
Você costumava rir
De todos que vadiavam a sua volta
Agora você não fala tão alto
Agora você não parece tão orgulhosa
Tendo que roubar sua próxima refeição
Qual é a sensação?
Qual é a sensação?
De estar sem lar?
Como uma completa desconhecida?
Como uma pedra rolando?
Você frequentou as melhores escolas, certo, senhorita solitária
Mas você sabe que queria apenas encher a cara
Ninguém nunca te ensinou como viver nas ruas
E agora você vai ter que se acostumar com isso
Você disse que nunca se comprometeria
Com um vagabundo misterioso, mas agora você percebe
Que ele não está vendendo álibis
Enquanto você olha fixamente para o vácuo de seus olhos
E o pergunta, “quer fazer um trato?”
Qual é a sensação?
Qual é a sensação?
De estar sozinha?
Sem direção alguma?
Como uma completa desconhecida?
Como uma pedra rolando?
Você nunca se virava pra ver os malabaristas e palhaços
Quando eles faziam truques para você
Você nunca entendeu que isso não é bom
Você não deveria deixar que eles se dessem mal por você
Você costumava cavalgar o cavalo cromado com seu diplomata
Que carregava em seu ombro um gato siamês
Não foi difícil quando você descobriu que
Ele realmente não era o que aparentava ser
Após ter te roubado tudo o que podia?
Qual é a sensação?
Qual é a sensação?
De estar sozinha?
Sem rumo para casa?
Como uma completa desconhecida?
Como uma pedra rolando?
Princesa na torre e todas aquelas pessoas bonitas
Estão bebendo, pensando que se deram bem
Trocando presentes caros, mas é melhor você pegar esse anel de diamantes
E penhorá-lo, meu bem
Você costumava se divertir tanto
Com o Napoleão de trapos e a linguagem que ele usava
Vá até ele agora, ele está te chamando, você não tem como recusar
Quando você não tem nada, você não tem nada a perder
Você está invisível agora, você não tem mais segredos a ocultar
Qual é a sensação?
Qual é a sensação?
De estar sozinha?
Sem rumo para casa?
Como uma completa desconhecida?
Como uma pedra rolando?”

Like a Rolling Stone

Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn’t you?
People’d call, say
“Beware doll, you’re bound to fall”
You thought they were just all kiddin’ you
You used to laugh about
Everybody that was hangin’ out
Now you don’t walk so proud
Now you don’t talk so loud
About having to be scrounging for your next meal
How does it feel
How does it feel
To be without a home
With no direction home
Like a complete unknown
Just Like a rolling stone?
You’ve gone to the finest school
all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you
how to live on the street
And now you find out
you’re gonna have to get used to it
You said you’d never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He’s not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?
How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Just Like a rolling stone?
You never turned around to see the frowns
on the jugglers and the cowns
When they all come down and did tricks for you
You never understood that it ain’t no good
You shouldn’t let other people
get yourkicks for you
You used to ride on chrome horse
with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain’t it hard when you discover that
He really wasn’t where it’s at
After he took from you everything he could steal
How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Just Like a rolling stone?
Princess on the steeple and all the pretty people
They’re drinkin’, thinkin’ that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you’d better lift your diamond ring
you’d better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can’t refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You’re invisible now, you got no secrets to conceal
How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone? — Bob Dylan