Lampião e o deus dos legalista e dos libertários

E uma prece libertária

Pesquisando para a matéria do Prestes versus Lampião ,encontrei artigo interessantíssimo, na verdade reprodução de uma entrevista dada pelo Rei do Cangaço a época para um jornal da região quando da sua “anistia” e nomeação como “capitão” da guarda nacional para perseguir o Coluna Prestes, numa aliança supostamente improvável costurada por Padre Cicero destes cangaceiro com coronéis e jagunços.

Numa leitura superficial, (porque o texto que se segue não é uma analise dos histórica mas apenas um gancho para uma analise da ética brasileira) podemos considerar esse texto uma dos registros mais relevantes da completa falta de coerência no Brasil. Porém esta conclusão seria um erro. Uma projeção de uma escala de valores sobre outra completamente distinta que possui lógica de dinâmica própria. Os escrúpulos extremamente precários revelam certamente a carência de princípios, mas não a ausência completa de uma ética peculiar coerente tanto com os interesses de classes perversos quanto a dureza da vida como verdadeiro estado de guerra enseja.

Com certeza, podemos ler na articulação do ícone religioso, aquilo a que viria se chamar nos dias de hoje de “pragmatismo político”. Porém essa invenção contemporânea é um proceder de alcovas de palácios e igrejas mais antigo que a própria filosofia política, e muito provavelmente presente na genealogia tanto da política como arte da guerra quanto instintivamente do homem como animal político. Um comportamento que racionalizado serviu de base a formulação de um dos primeiros axiomas do que viria ainda hoje a se chamado por ciência politica e que ainda norteia ou mais precisamente tenta justificar a prática da política:“os fins justificam os meios”. Uma prática portanto reduzida ao conjunto de estratégias para a tomada e preservação do poder, onde o poder político é a finalidade e com tal é capaz de “legitimar” todos os meios empregados.

Logo é um erro pensar que a Político que justifica as suas práticas de acordo com seus objetivos estratégicos é destituído de princípios. Ao racionalizar a prática a política estabelece não apenas seus próprios princípios, mas funda um modo peculiar de pensamento onde não suprime princípios mas sim inverte os processos de sua concepção constituindo sua ética particular literalmente pervertida. Os fins justificam os meios, e “os fins justificam os meios” justificam qualquer principio. A razão expressa na sentença completa passa assim a ser tanto o próprio principio geral da política, como o processo pelo qual se formula cada principio em específico para cada meio e finalidade em particular. Logo se a priori as finalidades definem de forma absoluta os meios da politica, ambas finalidades e meios definem e redefinem constantemente a posteriori seus princípios conforme variam os interesses particulares na perseguição desse objetivo geral, o poder.

Para quem não partilha nem advoga por essa peculiar ética da política, isto é, para quem define seus métodos e objetivos de acordo com algum conjunto de valores, ou seja por definição para quem procede com algum tipo de ética. A politica pode parecer um completo vale-tudo sem nenhuma ética ou moralidade. Como descrevi acima isso é subestimar o perigo da mentalidade política, porque ela não é destituída de moral e ética, mas é constituída justamente do processo reverso, da perversão do proceder ético que cria toda uma moralidade a parte, regida ao invés de princípios pela perseguição da satisfação dessa objetivos de posse e poder, de tal modo que a produzir até mesmo pela força do hábito uma moralidade igualmente pervertida, isto é voltada a consagração e glorificação patológica destas conquistas.

De fato se fosse a política fosse uma ato de exercício puro da violência e violação desprovido de conhecimento dos processos éticos que se apropria e perverte, se fosse simplesmente amoral e não antiética não seria tão uma prática socioculturalmente tão doente, nociva e perniciosa. A capacidade que os sem-caráter e seus defensores possuem de formular justificativas motivações e racionalizar qualquer ato mesmo aqueles que não respeitam nenhuma racionalidade ou sensibilidade alheia de acordo com a vontade estabelecida como objetivos estratégicos confere ao pensamento político a capacidade de encobrir seus anseios e desvios patológicos e falsificar seus propósitos primeiros como se fossem segundas intenções. Permitem construir o argumento de que os crimes políticos são a corrupção de seus princípios e não a prova reveladora de que esses princípios nunca foram seus ideias, mas sempre foram a falsificação ideológica que faz parte, portanto, tão somente dos métodos antiéticos destituídos de qualquer moralidade a priori. Em outras palavras corrupção não é uma falha ética, mas parte integrante da metodologia politico perfeitamente coerente como a sua moral pervertida para a finalidade do poder em si mesmo.

É portanto um erro creditar a esse proceder ético-politico uma espécie de pragmatismo. O pragmatismo pode ser acusado de reduzir o critério de validação do verdadeiro e falso a obtenção de resultados práticos; e o método cientifico pode até mesmo conceber teses a posteriori voltadas a explicação de determinados resultados práticos obtidos ou até mesmo previamente buscados, como na busca da cura de uma doença ou inovação tecnológica. Mas manipular a metodologia para obter resultados previamente determinados, seja para validar teses ou a conquista de resultados tem outro nome: fraude. Uma falsificação que não se sustenta porque a ciência não basta a coerência interna, mas correspondência como a realidade.

No pragmatismo e ciência em geral princípios ou teses podem ser formulados a posteirio dos resultados, mas desde que os meios usados para obtenção deste resultado respeitem os princípios gerais que norteiam toda o método cientifico. Logo os resultados validam (ou não) princípios hipotéticos mas nunca o método! Ao contrário é o método que valida os resultados e norteia a a todo tempo a formulação tanto dos princípios quanto dos resultados. O meio é o meio de fato, o nexo entre o ideal e a sua concretização. Os meios não são formulados nem adulterados a partir das teses nem dos resultados para a justificação nem de uma, nem de outra. Não importa portanto que o pragmatismo submete a verdade dos princípios aos seus resultados práticos, ele não submete jamais os meios nem as finalidades, assim como o realismo científico não submete a metodologia científica aos princípios que toma por verdades universais imanentes das teses.

A ética cientifica evidentemente não está restrita ao respeito exclusivo ao método científico, como também a princípios humanistas assim como qualquer outra atividade atividade. Mas está inexoravelmente determinada por pelo respeito a sua metodologia, ou axioma oposto da metodologia política: seus objetivos ou resultados finais não justificam seus metódos ou meios nem validam suas teses e princípios, mas sim seus métodos são os meios que determinam seus objetivos e resultados finais que validam ou não suas hipo(teses). Isso claro em tese, porque que nada impede que na prática a ciência esteja submetida a lógica da política, e seus princípios, fins sejam outros. Porém se não for uma fraude, seus métodos ainda sim terão de ser os mesmos.

Notem, que a honestidade intelectual no proceder cientifico não é garantia de proceder não criminoso no que ultrapassa a compreensão do campo de determinação do proceder da atividade cientifico. Muito pelo contrário assim como a ética política pervertida que coloca tudo sob o império das suas próprias finalidades; ou da ética religiosa perversa que coloca seus próprios princípios dogmáticos particulares acima da própria moral como se fossem a própria expressão máxima e absoluta desses princípios a revelia das outras formas da sua manifestação; a ética cientifica também ao colocar tudo sob o império dos seu método como único critério do que é certo ou verdadeiro, a revelia de outros métodos finalidades e até mesmos princípios éticos e morais produz o mesmo mal que o estadismo, ou a religião, o da prática da sua atividade voltada para si mesmo como um corpo coletivo a parte do mundo, confundido até sua pessoa natural com as representações abstratas dos seus campo de saber/atuação, reduzindo a todos inclusive a si mesmo como objetos das suas preconcepções e projeções desconexas da natureza imediata, natural, universal e não-ideológica dos seres e das coisas.

Não é por acaso portanto que a ciência que considera a ciência como bem em si, tenha desempenhado o papel social análogo aos das religiões fundamentalistas nos regimes totalitários. De sacerdotes, propagandistas e até açougueiros dos seus crimes contra a humanidade.

Da mesma forma o positivismo político e jurídico -que inevitavelmente decai para o chamado legalismo nos períodos das crises institucionais sistêmicas -é uma tipo de positivismo igualmente distinto do científico e bastante impróprio. Embora todo positivismo sejam caracterizado pelo pensamento progressista de natureza conservadora, na ciência esse progressismo se estabelece como uma leitura conservadora que aceita o avanço mesmo que em contradição as teses preestabelecidas, porém sem descartar as antigos teses como velhos avanços mesmo que caiam em desuso. Já na política esse progressismo funciona de maneira oposta: impede o avanço de novas teses impedindo a todo e qualquer custo que as velhas caiam em desuso mesmo quando já descartadas como ultrapassadas.

Até porque assim como o pragmatismo o positivismo científico não é um critério de validação de teses científicas, mas de escolha entre teses concorrentes que não foram necessariamente invalidadas ou completamente substituídas por outras. Não incide como na produção politica jurídica na própria constituição das suas leis e campos de jurisdição.

O positivismo jurídico contém portanto em seu arcabouço todo o espectro do conservadorismo político legalista: dos ditos “progressistas” aos “conservadores” que em verdade são ultraconservadores- os fundamentalistas do dogma legalista que produzem as interpretações mais ortodoxas da doutrina.

Progressistas em geral defendem a possibilidade de reformas e reformulações, o avanço do sistema até mesmo das leis fundamentais desde que não haja ruptura com o modelo estabelecido, e que tais transformações sejam efetuadas pelas autoridades reconhecidas. Conservadores idem, também aceitam transformações dos sistema, porém não só aceitam rupturas como não aceitam que tais leis possam ser alteradas por nenhuma outra autoridade que não aquela que originalmente a cosntitui, ou as vezes nem mesmo por estes depois de constituídas se que tal mudança fosse prevista na própria constituição original.

Como tamanha conservação é impossível em sistemas naturalmente dinâmicos como o são os compreendidos pela história da politica. Os conservadores são portanto monarquistas e anti-liberais quando a monarquia era a conservação e o liberalismo a revolução, e hoje são os liberais já que o liberalismo é o status quo e qualquer anti-liberalismo a revolução. Os progressistas por sua vez não era portanto monarquistas, nem tão pouco os revolucionários liberais. Como hoje não são obviamente partidários do conservadorismo liberais, mas de uma transição desde que não haja nenhuma ruptura como antigo sistema. Há ainda aqueles que se dizem progressistas que falam de transição gradual até a ruptura completa do sistema. Esses por conta da incoerência ou desonestidade da sua proposição não são progressistas nem conservadores. E embora sejam talvez um dos grupos mais proeminentes hoje em dia, não cabem aqui nesta analise.

Aqui o importante entender o principio que rege o chamado positivismo juridico-politico que gera a “ética” e interpretações legalistas. O positivismo pode ser entendido portanto como um forma mais elaborada do pragmatismo político. Os fins não parecem mais justificar mais os meios, mas os principios positivos. Contudo como esses principios são elaborados para racionalizar as finalidades que por sua vez justificam os meios. Em primeira e se necessário última instancia a validação dos princípios, meios e fins retorna ao mesma fonte original do poder, a autoridade autoreferente do poder de fato, o poder político. Os princípios positivistas não submetem aqueles que detém os meios ou finalidades do poder a quem detém a sua autoridade, porque os princípios positivos são fundados e determinados pela própria autoridade desse poder de fato constituindo-se portanto como o exercício tácito da mesma vontade absoluta capaz de justificar todos os métodos bastando inscrevê-los nos fundamentos da constituição do poder, de tal modo que mesmo que a antiga constituição não preveja tal alteração, se a nova como a fonte fundamentalista deste poder prevê o resultado é na prática, no fim, o mesmo. Vale o que a doutrina positiva manda.

Assim a autoridade positivista quando se assenhora da preservação e avanço politico e jurídico, reinventa o absolutismo ilustrado: asseverando que nada pode ser alterado daquilo que estabelecido pela autoridade, salvo se alterado pela própria autoridade senão estabelecido como nova ordem. Desta forma Ignorados os princípios, e estabelecida a ditadura dos fins que justificam os meios, os meios que são estabelecido pela autoridade legitimada pela monopólio da força de fato passam a ser o critério de auto-validação dos resultados consequentes como verdades. E não importa que esses princípios e teses sejam as racionalizações dos maiores absurdos ou desnaturações, elas são agora a expressão do fundamentamento de uma autoridade inquestionáveis e imutáveis até que a mesma autoridade ou outra tome o poder de fato e decrete o contrário: afinal os fins justificam os meios. Reiniciando o ciclo do poder pelo poder, que só pode ser quebrado pelo poder, de tal modo que trocam-se, os governos, ou até mesmo os regimes, mas o sistema permanece como cultura de supremacia e servidão.

Afinal a finalidades da política é a por definição a manutenção do poder, o controle dos meios. Não só os fins servem de justificativa os meios, mas é finalidade destes meios preservar a si mesmo como autoridade poder e posse de fato e epistemológica desses meios e concepções alienadas dos mesmos.

Como o dito pragmatismo politico o positivismo jurídico é apenas uma forma mais elaborada do mesmo jogo de racionalização e justificação do irracional e injustificável: a violação pela força bruta devidamente instituída, legitimada e autorizada por ela mesma.

Uma loucura?

É lógico que é!!!

Porque dessa ideologia insana surge a obediência e passividade diante dos maiores crimes e absurdos desde que sagrados pela autoridade do estadismo dos costumes e da legalidade. É através desta lógica pervertida e perversa que se racionaliza deste o estado mafioso brasileiro até o nazismo alemão como dever legal e até mesmo constitucional de submissão do cidadão aos menores aos maiores crimes e criminosos da humanidade desde que entranhados na Justiça e no Estado.

Na verdade o positivismo político-jurídico é o subproduto de uma cultura autoritária onde não só as noções mais básicas de justiça e liberdade estão alienadas a poderes supremos, mas as noções mais fundamentais de ética e moralidade. Esse tipo de ordenamento autoritário absolutista é simplesmente impossível de ser aplicada se ao invés de uma colônia de animais racionais temos uma sociedade de seres humanos livres. É impossível alienar politica e economicamente a pessoa natural que ainda não tenha sido mutilada em sua autodeterminação e identidade moral e ética.

Para implantar tamanha idiocracia é preciso primeiro matar o desenvolvimento natural da dignidade a capacidade das pessoas de se dignar e indignar, alienando a moral do escravo epistemológico aos dos seus mestres culturais. Não é preciso cegar as pessoas para torná-las completamente dependentes da visão e condução de mundo alheia, basta fazê-las descrer da sua própria capacidade ver e conceber livremente o seu mundo. Para colocar um povo inteiro de joelhos a rezar as por seus ídolos, as ordens de seus mestres ou então pela intervenção da providência divina contra eles, basta matar valores e respeitos próprios, basta matar sua dignidade.

Os pretos-da-casa adoram dizer que o povo tem a mesma ética dos seus governantes. Não duvido que eles as macaqueiam, mas rigorosamente a ética de um povo que perdeu a sua capacidade de se indignar e levantar contra aqueles que violam seus direitos mais básicos, dos escravos institucionalizados não é mesma dos seus violentadores e capatazes. Não o ethos dos cegos que tem seus olhos furados todos os dias, não é a mesma dos seus reis de um olho só. Seus medos não são os medos deles. Suas dores não são as deles. Seus valores e amores não são os deles. Mesmo quando ele chora a dor do mestre, adora o amor do mestre, mesmo nascendo e morrendo sem jamais conhecer a si mesmo, sua alma, sua dignidade sua liberdade não pertence a eles. E nunca pertencerá.

A religião, a ciência e a política todas compartimentadas e pervertidamente voltadas para seus objetos corpos e campos de saber, constituem os três grandes monopólios da desintegração institucionalizada das liberdades naturais de pensamento e ação como poder e alienação. A religião monopoliza os campos de saber dos princípios ideais da revelação e inspiração; a ciência dos métodos da verificação da sua verdade ou falsidade material e a politica da sua aplicação e reprodução social. Poderia ser diferente, a religião poderia não ser uma fabrica de fanáticos fundamentalista; a politica não ser o trono dos maniacos legalmente autorizados;e a ciência não ser o mero refugio dos que querem preservar sua sanidade nesse mundo de loucos e alienados pelo poder. Mas se e somente a razão saísse dessa trégua confortável e voltasse cruzar as fronteiras preestabelecidas do pensamento e campos do saber. Assumindo a fé quanto a razão social que compõe todo o conhecimento quando integrado não só em si, mas conexo com a natureza do mundo e da percepção.

Ou a liberdade avança em direção ao conhecimento, ou o poder e suas divisões e monopólios sobre o conhecimento avançam sobre a liberdade, ou o que é a mesma coisa sob a luz da razão de uma filosofia libertária, sobre sua fé na liberdade e amor ao conhecimento.

Fé? Onde? Em quê?

Dizem que o brasileiro é cheio de fé, um povo temente a Deus. Não, o brasileiro é um povo temente a qualquer poder supremo, a qualquer todo poderoso. Ele não ama nem teme por nada que seja sagrado, pois se amasse e respeitasse não se ajoelharia calaria diante da autoridade de nada que não fosse verdadeira e evidente sagrado. A começar pela sua própria vida e liberdade, assim como a do estranho e distante tanto quanto a do seu próximo.

Se tivesse fé não abaixaria a cabeça e calaria a boca para qualquer autoridade, mas respeitaria sua própria humanidade e dignidade humana, respeitaria a a livre vontade enquanto força criativa da comunhão de paz, centelha do divino em sua própria alma. Mandaria pro inferno essas pessoas que se acham deuses entre os homens, ou os filhos únicos de deus, suas prisões, suas ameaças, punições, ritos e processos junto com toda a sua violência e privações contra a natureza e vocação humana. Trocaria a esperança pela perseverança, a servilidade pela liberdade, e a obediência pela resistência. E usaria da sua força destrutiva não mais do que para frear a própria destruição.

A canalha de hoje e sempre se preocupa com sua biografia, com o seu legado histórico, essa é piada das piadas dos materialistas que não tem onde agarrar-se no seu afã de perpetuar-se a eternidade. Certamente a canalha do passado se preocupava tanto quanto eles. E com certeza serão lembrados, mas não como gostariam. Porque não importa quanto tempo demore, seus herdeiros, as novas gerações, um dia acordarão, sempre acordam pelo simples fato de que não há noite que dure para sempre, e neste dia lembrarão deles não com o orgulho que os alemães de hoje se lembram de seus antepassados da SS e não como nossos fidalgos, filhos e servos bastardos dos coronéis, bandidos, e jagunços desse grande província latifundiária de compadres escravagistas financistas e burocratas.

Ademais, acreditem ou não, para o bem ou para o mal, mesmo que esquecidos ou jamais percebidos nenhum ser ou ação deixa de existir no seu próprio tempo e espaço porque morreu ou ainda renasceu em outro. Nascemos e morremos sozinhos, mas o meio-tempo de coexistência nesse espaço é a eternidade de todo nosso céu e inferno para além desse percepção desse momento. Mas isso não é objeto só da razão, mas também da fé. E quem tem fé hoje em qualquer coisa que não seja imediata ou mediada? Quem acredita em qualquer coisa além que não seja um projeção do material ou imaginário?

Quem acredita que a vida e a liberdade são sagradas e não estão acima, mas antes e além de qualquer credo ou ideologia ou valor?

Quem acredita que a vida e liberdade são mais que princípios universais a serem respeitados? São coisas e não ideais ou ideais?

Quem enxerga na vida e liberdade mais do que fenômenos causais e acidentais? Quem vê nelas os próprios fenômenos constituintes do milagre da materialização do transcendental? Quem vê na vida a própria materialização da liberdade?

Quem vê a libertação mais para além do mero livrar dos impostos e impostores violentos?

Quem enxerga na liberdade a essência da sua alma? o principio constituinte de todo potencial não apenas produtivo mas criativo, a força geradora da existência como permanente vir-a-ser? A liber da vida como fenômeno da existência capaz de autodeterminar seu sentido? A fonte criadora da própria possibilidade da moral humana? A essência da sua capacidade e vocação para a distinção entre o bem e o mal? O principio que precisa existir antes da própria concepção de qualquer coisa e vai continuar existindo independe do fim ou continuidade de todas as concepções? A constante que gera a afirmação e negação e que até mesmo quando renegada se reafirma como fato e potência?

Quem consegue ver com sua razão ou sensibilidade as pegadas do transcendente por definição? Quem se importa com a liber das coisas, com a alma dos entes e fenômenos?

Quem acredita que a liberdade não é uma mera propriedade manifesta das coisas e suas relações, mas as coisas e suas relações uma manifestação da liberdade como sua propriedade mais essencial? Sua origem e sentido eterno, imediato sempre instantaneamente autodeterminado?

Quem consegue ver a realidade para além do encadeamento de causas e consequências desintegrada em fenomenos ora aleatórios hora predeterminados? Quem consegue ver o determinado e o indeterminado como propriedades integradas do mesmo fenômeno existencial libertário?

Quem consegue ver que a delimitação das coisas presentes é ao mesmo tempo sua própria constituição e base geradora de todas as possibilidades presentes e futuras não só contraditórias, mas transcendentes — e transcendente não só a sua afirmação ou contradição, mas a sua própria síntese e antítese?

Quem consegue ver que a existência do possível e predeterminado é a própria matéria da criação do inconcebível e indeterminável, o mapa que aponta para a descoberta do novo no além das fronteiras do horizontes de eventos, no “Apeiron” do nada, do caos e dos acasos?

Quem tem a fé na liberdade como a fonte de inspiração do seu pensamento e sentido criativo da vida?

Quem enfim acredita que Libertarismo é mais do que teoria politica e econômica? Acredita que é mais do que uma teoria epistemológica? mas tem a liberdade como sua fé não enquanto credo alienista, mas força elementar geradora do fenômeno da sua livre vontade e consciência?

Quem sente a liberdade como o principio criador imanente e transcendente da sua existência?

Quem não se sente nem se concebe como um produto do acaso, mas como criação permanente da sua própria vontade libertária de das mundo em conexão?

Quem sente a liberdade de definir o próprio sentido e identidade existencial não como uma ausência de sentido, mas a própria possibilidade de livre autodeterminação do sentido da vida?

Quem sente as possibilidades e impossibilidades como o próprio base e sentindo concreta e transcendente da sua existência? O princípios, o meios e a finalidades?

A razão e a fé são atributos que podemos renegar em tese mas mesmo quando renegamos estamos sempre afirmando na prática. Mesmo quando dizemos que não acreditamos em absolutamente nada, nem mesmo na razão ou liberdade, mesmo quando perseguimos a razão e a liberdade estamos afirmando em ato esse logos libertário-racional que de fato é um só, e está manifesto até mesmo como principio elementar até mesmo das teses e atos contraditórios da sua negação e perseguição. É o negar a possibilidade da fala falando, e da existência existindo.

Eu não tenho nenhuma vergonha da minha fé na Universalidade da Liberdade, e mesmo que não tivesse razões filosóficas, teológicas ou epistemológicas para fundamentar apenas essa profundo sentimento de sentido libertário não deixaria de inspirar nessa razão, até porque se a razão ensina algo é que nossas razões apenas racionalizam nossas inspirações e aspirações. E se substituímos a inspiração, o espirito da coisa, pela sua projeção racional ela deixam de ser o ideal repleto de sentido que dá significado as coisas para ser o vazio nominal e ideológico do credo nas ideias e palavra e não nos atos e fatos que ambos são meros signos.

A Liberdade para mim é sagrada, mas a Liberdade na boca, no papel ou na tela só um nome vazio. Assim como o sagrado é só um nome sem a liberdade do próprio pensamento a lhe conceber. Há quem chamem essas coisas de outros nomes, assim como quem dê a outras coisas o nome de liberdade ou até mesmo digam que elas são sagradas, mesmo que seja para justificar os atos mais criminosos e contrários a vida e liberdade. Isto porque na verdade não importa o nome da coisa, mas saber que a palavra é ato, e estejamos pregando, proclamando, exigindo, pedindo ou simplesmente chamando por Ela, é o ato que evoca a coisa. Mesmo sem dizer uma única palavra, sem nunca tê-la visto, experimentado, ou mesmo sem sequer saber exatamente o que ela é, o importante é chamar de verdade por ela, e se preciso em voz alta, mesmo sem saber que seu nome é Liberdade!

Até porque de fato ela não tem um nome, mas terá todo o nome pela qual você a chama:

“You’ve got a Friend”- Carole King

Quando você estiver abatida e com problemas/E precisar de uma mão para ajudar/E nada, nada estiver dando certo/Feche seus olhos e pense em mim/E logo eu estarei aí/Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias/Apenas chame meu nome/E você sabe, onde quer que eu esteja/Eu irei correndo/Para te ver novamente/Inverno, primavera, verão ou outono/Tudo que você tem de fazer é chamar/E eu estarei lá, sim, sim, sim/Você tem um amigo//Se o céu acima de você/Tornar-se escuro e cheio de nuvens/E aquele antigo vento norte começar a soprar/Mantenha sua cabeça sã e chame meu nome em voz alta/E logo eu estarei batendo na sua porta/Apenas chame meu nome/E você sabe, onde quer que eu esteja/Eu virei correndo para te encontrar novamente/Inverno, primavera, verão ou outono/Tudo que você tem de fazer é chamar/E eu estarei lá, sim, sim, sim/Ei, não é bom saber que você tem um amigo?//As pessoas podem ser tão frias/Elas te magoarão e te abandonarão/E então elas tomarão sua alma se você permitir-lhes/Oh, sim, mas não permita-lhes/Apenas chame alto meu nome/E você sabe, onde quer que eu esteja/Eu virei correndo para te encontrar novamente/Você não entende que/Inverno, primavera, verão ou outono/Ei, agora tudo que você tem a fazer é chamar?/Senhor, eu estarei lá, sim eu estarei/Você tem um amigo/Você tem um amigo//Não é bom saber? Você tem um amigo/Não é bom saber? Você tem um amigo//

Bem, talvez não neste mundo, ou não para todo mundo.

Fica então para a próxima vida, fio, nesta estou sem tempo e sem trocados. Mas prometo que na minha próxima prece vou pedir por você…

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