“Lula e Dilma serão presos”. E tem gente que acha que isso é a Lava-Jato funcionando…

O Brasil segundo os brasileiros

Repito o que eu afirmei: a Lava-Jato acabou. E explico porquê. Pode prender Lula; pode prender Aécio; pode prender (e não vai) até o Temer; que a Lava-Jato hoje opera para o sistema e não importa se queira ou não operar para o sistema. Se algum deles for preso é porque interessa e já caiu e tem outro igual ou muito provavelmente ainda pior, mais sem escrúpulos e vergonha na cara para tomar o lugar do anterior.

Usando a própria terminologia do PG, a PG “não desmantelou” a quadrilha, limpou o terreno para a troca das famiglias no poder. Os velhos capos estão de volta. Como disse Janot “não posso investigar o que Temer fez antes do mandato”. Traduzindo: quem detém o poder continua e continuará intocado até… perder o poder. A ordem dos fatores não altera o produto, ela é o fator determinante do produto. Não se perde o poder porque vai preso, só se vai preso se ou até porque já se perdeu o poder.

Quem por ventura cair em Brasilia, será jogado aos leões de Curitiba. Mas o esquema quadrilheiro institucionalizado e legalizado permanece: outro capo será posto em seu lugar. O ponto é que a Lava-Jato nunca poderia mudar isso. Ela apenas fragilizou a organização criminosa estatizada abrindo a oportunidade para que a sociedade retirasse seus privilégios. E nós como sociedade já perdemos essa chance. Hoje as chances de acabar com a quadrilha que domina o Brasil como mafia aristocrática não está mais nos movimentos burgueses de esquerda ou direita, mas numa genuína revolta popular provocada pela inépcia criminosa do Estado que ultrapasse os limites do suportável da população. E nada mais. A indignação seletiva da sociedade divida e imbecilizada em polos antagônicos a serviço da derrubada dos corruptos de times supostamente opostos perdeu todo seu “protagonismo como antagonista”. Em outras palavras, não está mais na mão da indignação da sociedade mas na revolta dos populares.

Curiosamente quem melhor definir esse principio foi um humorista, Dih Lopes no Comédia ao Vivo. Aliás, curiosamente não. Porque via de regra é com eles os comediantes que estão quase sempre as melhores e mais lúcidas criticas, em qualquer tempo ou sociedade.

Entre 5:30 e 6:00

“O brasileiro tem essa mania de falar que gente rica não é presa, aqui no Brasil. E veio aí o Eike Batista para provar que isso… é verdade. Esperaram o maluco falir para prender ele.”- Dih Lopes

Ele não fez uma piada. Ele enunciou uma lei da física da politica que explica como funciona a justiça estatal. Ou melhor um aprimoramento do entendimento da perfeita noção de que cadeia não é para gente rica e poderosa. De fato não foi o antigo Eike rico e poderoso que foi preso. Mas o Eike que já não era mais aquele homem influente como o mesmo capital. Os mesmo prestigio, rede de contados, infiltração no Estado para se manter acima da justiça. Algo que nitidamente Temer e Sarney ainda preservam, e Renan começa a sentir que está perdendo: o poder e influência que permite tanto escapar da justiça estatal quanto aparelha-la e controla-la das instancias menores as superiores.

E este é o ponto. A questão não é a justiça, mas pertencer e possuir o aparelho do Estado; estar do outro lado dessa guerra contra a sociedade. Neste sentido, o sistema se adaptou e aprendeu a usar a Lava-Jato em seu favor. Ao invés daqueles dossiês no velho estilo atribuído aos Serras e Mercadantes agora é Lava-Jato e delações. Há um caminho mais poderoso para desconstruir desafetos, adversários ou até mesmo se livrar de políticos que perderam sua relevância e serventia aos donos do jogo, mandar para Curitiba, ou seja, simplesmente expô-lo, especialmente quando a serventia já não paga mais o custo da blindagem, como no caso de Aécio depois que surgiu Dória Jr. Mas Aécio ainda sim é literalmente um privilegiado, pois ainda não perdeu o foro. Ainda não pode ser mandado para a mesma justiça reservada a plebe. O que também não quer dizer que será uma desgraça definitiva… porque não há nada que não possa ser desfeito pelas instancias superiores. Aplacada a ira da população por cabeças, se interessar ainda aos capos anistia-se o aristocrático decaído. Até porque o fato está consumado: desejo de sangue do povo satisfeito e reputações de adversários destruídas…

Em tese…

Porque o tiro pode sair pela culatra. Embora eles creiam piamente nisto: o povo não é tolo. E o petismo é o novo malufismo só que de esquerda… é o cara que rouba mas faz, e Maluf também nunca foi eleito só como os votos da burguesia corrupta agraciada com seus esquemas, mas pela população que sabia muito bem quem ele era quando votava nele, e contra, por exemplo, essa mesma esquerda petista, isso lá atrás…quando ainda se acreditava na lenda de que ela era feita de virgens vestais. E mesmo que no futuro os malufs de hoje da esquerda encontrem a decadência politica do original, mesmo que sobrevivam na eterna impunidade dos foros privilegiados, até lá ainda darão mais filhotes, mais Pitas as Kassabs da vida.

As pessoas segregam a população e acham que ela partilha dos mesmos valores morais éticos e doutrinas. Não senhores, isso é uma relação, inconsciente mesmo, entre senhores e escravos: os governantes fingem que fazem e enganam, eles fingem que gostam e acreditam. Mas no final das contas quando a casa, ou os ídolos caem eles não estão nem aí. A regra é a mesma deste que escravo é escravo e servo é servo, índio é índio e negro é negro:

“Eles que são brancos que se entendam.”

O povo sabe que não tem santos e não liga. Não porque seja uma massa imoral, bandida e criminosa como seus políticos e aristocratas. Mas porque vive em outro mundo, sob outro estatuto de cidadania e diretos, é um outro povo, uma outra sociedade sobre outras justiça e leis bem mais duras sobretudo quanto a sobrevivência.

Ele sabe que perfeitamente que nem Eike virou gente como a gente porque perdeu a fortuna e foi preso, nem nem Lula voltará a ser sindicalista, muito menos metalúrgico se for preso. Sabe que não há coitadinhos nessa historia. Mas não é trouxa, se tem uma coisa que consegue entender sem precisar de teorias e explicações, só no cheiro, é que aquilo que interessa a sociedade não é exatamente o que interessa ao povo, que dirá então o que interessa aos governos…

No fundo, entende melhor o jogo que muita gente que tem estudo e acha que entende de tudo... Entende tanto que sabe que o que ele sabe não faz a menor diferença porque a verdadeira diferença é a mesma em todas as esferas da sua vida, não importa o quanto ele saiba, ou seja capaz, importa o que ele tem para jogar. E se não tem nada, vai perder e servir sempre até o mais idiota dos idiotas, simplesmente porque idiota ou não, o cara é o dono da bola ou filho do dono, e ele nunca vai sequer ter sequer a chance de entrar em um campo.

Isto é ser um cidadão de segunda classe. Isto é ser uma Nação menor. Isto é o Brasil e o ser brasileiro.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Marcus Brancaglione’s story.