O que é um “coxinha?”

Como é que o salgadinho acabou virando sinônimo de nova direita conservadora e higienista?

Um amigo português perguntou o que era um coxinha, eu que não curto muito usar esse jargão dessa política gourmet , esquerda “mortadela”, “caviar”, direta “coxinha”… percebi que precisava entender melhor todo esse “mimimi…” para responder para ele… e resultado foi esse texto.

O primeiro disfarce do playboy Doria: o coxinha da classe media

O significado desta gíria foi mudando como o tempo. Quando era moleque era apelido que meio dava nas periferia da metrópole de São Paulo para os policiais militares. Depois o termo passou a dar nome especificamente uma nova classe média com estilo de vida, vocabulário, vestimenta e o que é mais importante um concepção de politica correto identificada com as ideologias conservadores de família, religião, propriedade.

Assim o coxinha em principio fosse identificado por seu comportamento bastante preocupado com a aparência, aprovação e prosperidade. Foi por suas posições ideológicas que o termo ganhou o sentido que tem hoje e o cidadão dito “coxinha” passou a ser identificado. Primeiro pejorativamente, coxinha passou a fazer parte do jargão da esquerda como para definir a classe média de direita, considerada reacionária, preconceituosa e consumista. Depois, por representarem majoritariamente a oposição mais ativa nos protestos contra os governos petista da presidente Dilma (2014–16), o termo passou a ser usado como genericamente para toda oposição de direita anti-petista.

Hoje coxinha continua sendo um termo pejorativo para esquerda. Mas essa direita resolveu tomar o apelido e usá-lo para se identificar.

Quem pode dar a melhor definição do que é ser coxinha assumido é o Prefeito de São Paulo como propaganda politica que literalmente incorporou e passou o estilo e passou a representar os anseios dessa classe média a qual não pertence:

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o prefeito eleito de São Paulo, João Doria Jr., afirmou há pouco que aceitou a sugestão de assessores de campanha para assumir a imagem de “coxinha”, que já tinha essa intenção e que, na sua opinião, “ser coxinha é ser correto”.
“Gosto de ser correto, não sou pessoa desarrumada, desarranjada, e não serei, e assim eu quero a cidade de São Paulo. Quero que as pessoas tenham orgulho de viver aqui” -Doria “coxinha

http://emais.estadao.com.br/noticias/moda-beleza,estilo-coxinha-de-doria-cai-nas-gracas-do-eleitor,10000079931

Tentando explicar o termo, percebi uma coisa interessante: a esquerda governista por óbvio não inventou o apelido, nem muito menos o estilo, comportamento ou a mentalidade coxinha, mas conseguiu agrupar a direita como um movimento conservador “anti-esquerdista” ao qual a direita só precisou se apropriar e arrebanhar os descontentes e “perseguidos” em torno de uma identidade comum que eles ganharam de presente.

Assim, convido todos aqueles que, como eu, são agraciados pela esquerda com essas e outras adjetivações a acolhê-las com benevolência e humor, com a percepção de estarmos sob a égide de frouxocratas histéricos que teimam, em sua monomania vã e molenga, em nos assolar com seus fantasmas internos e suas abissais impossibilidades.
E, usando o rebote como mantra, proferirei, contrito: coxinhas de todo o Brasil, uni-vos! Eu, coxinha | VEJA.com

É a ditadura do politicamente correto de direita tomando o trono da esquerda. E ditadura do politicamento correto é ditadura não importa, o viés. É opressiva e acaba unindo a oposição e criando uma nova identidade a reação de um movimento que talvez nem existisse se não tivesse sido literalmente provocado:

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