Porque anarquistas e libertários deveriam se preocupar mais com Diplomacia

E entender as teorias de Estado, suas leis e economias ainda melhor do que seus estadistas

Do Estadista

Para ser uma estadista é necessário apenas ter três predicados:

1. entender da soberania dos povos e sociedades — para usurpá-las;
2. conhecer ideais e a moralidade — para esmagá-las enquanto as simula.
3. saber como a máquina estatal opera e principalmente está operando enquanto ele a comanda — até mesmo para imputar todas as culpa aos subordinados ou tomar todos os méritos que não faz para si.

O estadista que não sabe fazer isso, não é um bom ou mau estadista, nem necessariamente um idiota, mas é um político ordinário, cujo único predicado é o mínimo para se tornar um político profissional: a amoralidade.

Todos são fantoches sem princípios mas o estadista ou contrário dos políticos medíocres sabe como cumprir seu papel desonroso sem ser devorado :

a.pela plebe faminta de ilusões.
b.pelos hipócrita faminto de acobertamento dos seus crimes
c. e pelos o escorpiões da sua classe canibal e faminta.

Estes são os predicados e funções do estadista, aos quais qualquer bandido, estelionatário comum mesmo psicótico e mitômano se não for completamente megalomaníaco ou limítrofe consegue desenvolver e desempenhar.

Parece fácil? E é. Desde que você mantenha certa alternância de poder. Não apenas para enganar a plebe, mas para não correr o risco de cair na armadilha eugenista clássica de todo supremacismo tão evidente na sucessão das de todas realezas hereditárias: acabar com um sucessor completamente débil mental, por completa negação de deixar o governo com elementos estranhos aos seus preconceitos seja de classes, raça ou ideologia!

É a seleção natural contra todas as formas de absolutismo e insanidade supremacista. O único problema é que ela é ainda mais lenta que a própria injustiça dos homens e seus Estados. Logo.

Do ativista

Já o ativista social. Sobretudo o libertário e anarquista precisa ser versado em tudo que o estadista sabe:

a. precisa entender como funciona a máquina estatal e sua burocracia- para poder freá-la;
b. precisa ter ideais e reconhecer suas falsificações ideologias- para desmascarar hipócritas e demagogos;
c. e sobretudo precisa conhecer a natureza da vontade e soberania popular; para poder libertar as pessoas dos seus usurpadores, restituindo esses direitos

Sim. Precisa de tudo isso, e muito mais…

O ativista social e político precisa saber tudo que o estadista sobre o Estado e a Sociedade, mas também precisa entender a cabeça dos estadista e seus fieis, mais do que eles mesmo.

Precisa conhecer e se solidarizar com a carência dos tiranizados não apenas como se fosse a a sua própria, mas como sendo a sua própria por que de fato é.

Não existe Libertação sem oprimidos a serem libertos, nem necessidade do libertarismo sem tiranos a serem derrubados e detidos.

O libertarismo sem o compromisso da luta contra o auto-outorgado legitimo monopólio da violência. contra o Estado de Poder não é libertário, é liberal e portanto tão estatal quanto qualquer regime comunista.

O libertarismo não é a mera afirmação romântica da liberdade e dos direitos naturais perdidos. O libertarismo é luta de escravos e ex-escravos pela libertação de todos contra o sistema e os donos do sistema que os possui, reduz computa e objetifica como se não fossem gente.

A liberdade é um fenômeno ancestral e transcendental ao poder. Não precisa da experiencia das prisões para ser conhecida nem reconhecida. A liberdade simplesmente É antes antes mesmo da criação da materialidade; é liber, motor imóvel do movimento dos espaços-tempos. Mas a Libertação e o libertarismo não existem sem a solidariedade aos carentes e suas privações, não existe sem o estado de consciência da liberdade como condição material conquistada e permanente defendida pela derrubada dos ídolos e senhores e despertar constante contra a vontade de poder.

E é por isso que o libertário que não domina a teoria de Estado e a prática do estadismo não apenas melhor que a classe política mas no mínimo tão bem quanto os estadistas e capitalistas que os comandam, não é senão um alvo ambulante e pode até não ser a massa de manobra vendida dos socialistas autoritários e pelegos, mas é vulnerável a sê-lo contra a sua vontade.

Pode não ser um demagogo ou um hipócrita, mas corre o risco de se tornar por falta de conhecimento do jogo um alienado. Porque não é possível simplesmente recusá-lo ou abandoná-lo, estamos presos a essas matrizes politicas e econômicas, nasceu presos a elas, e se quisermos nos libertar precisamos saber como funciona os bugs, os superegos dentro das nossas mentes. Precisamos saber como funciona as superestruturas que alimentam essa programação.

Precisamos nos libertar primeiro, mas não apenas fugir, precisamos voltar para libertar os outros e derrubar a prisão-senzala como um verdadeiro quilombola e não um abolicionista de congresso ou gabinete que acha que só os negros são escravos, ou de que não são os pretos da casa.

Eis o porque o ativista social e libertário deveria ter mais apreço pela renda básica. E deveria prestar mais atenção a diplomacia do os lobistas generais e tiranetes cheios de tesão por guerra e poder.

Deveria entender de cara que diplomacia não é evidentemente as relações internacionais governamentais estatizadas, mas as relações entre os povos antes de qualquer órgãos estatais. Mas mesmo no que se refere a diplomacia como relação de governos para com governos- a revelia dos povos ou contra eles; a diplomacia como guerra simulada, ou a ante-sala permanente das de fato; Mesmo no que se refere a esse tipo de diplomacia os libertários deveriam ser tão versados e estar tão informados quanto os próprios estadistas.

A formação libertária exige o conhecimento da diplomacia, e os segredos de estado que ela dissimula, não apenas por suas perigosas consequências para os povos, mas porque como todo bom diplomata sabe, lidar com o estadismo é uma arte que requer técnicas absolutamente idênticas dos especialistas em negociar com bandidos armados em situações de crise com reféns.

E quanto maior for a crise geopolítica e econõmica os estadistas mais assemelhados estarão aos bandidos desesperados e dispostos a tudo para conseguir o que querem. E a crise mais parecida estará como uma rebeliões em presídios. Porque não só de um lado haverá um grupo armado de bandidos que não tem nada a perder pronto a executar a qualquer momento todo mundo. Mas do um grupo monte de policiais ou estados policiais com sangue-olho loucos para terem uma deixa para entrar e massacrar “legalmente” todo mundo.

A diplomacia supondo que não é cooptada pelo próprio interesse estatal, é basicamente ou supostamente uma pessoa tentando usar do bom senso e da razão para demover maddogs de acabarem com a vida de inocentes ou não rendidos e sob a custodia de um estado.

Na verdade os Estados em si podem ser comparados a presídios e policias privatizadas em competição. A unica diferença portanto entre o negociador e o diplomata é que no caso das rebeliões estatais a tomada do presidio e dos reféns é feita por ninguém menos que os diretor e seus carcereiros. E claro toda intervenção humanitária para “salvar” os presidiários é movida apenas pelo interesse de comprar e por novos administrar dessa massa falida.

É por isso que pelo menos para fazer frente ao estadismo a formação do libertário exige um conhecimento muito mais livre critico e desideologizado do Estado que o dos próprios estadistas ou sua intelectualidade academicista e tão livre pensadora quando pode ser qualquer pelego.

Um conhecimento que é por definição e necessidade autodidata, porque:

1.você não vai receber os ideias não praticados das mãos dos demagogos que os renegam como suas ideologias;
2. nem muito menos vai receber o mapa e o manual de funcionamento sistema prisional das mãos dos diretores de OZ.

E todo esse saber é só o começo, e dentro do libertarismo absolutamente nada. Não é formação nenhuma. Porque a essência do conhecimento necessário para construir sociedades livres, redes de proteção mutua e universalizáveis, ou seja o saber necessário para construir os novos sistemas políticos e econômicos não está lá. Ele não faz parte da cultura mas da sua contra-cultura.

Não é só nulo dentro Estado de Poder, ele é marginal e permanente renegado e apagado, porque a simples existência e contradição da premissa absolutista e totalitária estatal é por si só disruptiva.

A simples existência de outras formas de vida ou realidades possíveis para além do materialismo estatal é mais do uma revolução social ou cientifica é uma revolução cosmológica e epistemológica. É uma descoberta maior do que existe vida em outros planetas, é a descoberta que existe a possibilidade de vida inteligente já aqui no nosso vivendo entre nós!!! E ela nem é alienígena nem muitos menos alienista, mas pura e simplesmente tão natural que soa tão estranho como não ter que trabalhar para comer para os alienados.

Um descoberta muito mais reveladora do que o Universo não gira em torno do nosso mundo, é descobrir que o Universo não tem começo nem fim em nosso mundos físicos, políticos econômicos religiosos, culturais, apartados ou juntos. Não é meramente a morte do antropocentrismo pela ciência mas a morte do antropomorfismo pela consciência. A maior revolução do pensamento deste que os Papas se negaram a olhar pelo telescópios de Galileu. E revolução não apenas racionalista, mas anarquista.

Não tema, olhe pelas lentes do outro. É através delas, é olhando pelos olhos dos outros que nos libertamos e conseguimos enxergar enfim a nossa própria humanidade.

Verão quão nus estão os reis e suas realidades, e descobrirá que invisível não é o espirito da liberdade no além, mas a patética e arrogante (i)legitimidade deles aqui e agora.

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