Que importa quem será o presidente? Se não é você que o elege nem o despede? (Parte 3)

Uma leitura libertária informal da história “recente” do Brasil

A crise (e futura queda) da democracia e economia liberal

Hoje o liberalismo, experimente decadência similar a do comunismo, por isso a importância de não confundi-los respectivamente como capitalismo e socialismo, que permanecem tanto como modelos políticos-econômicos aplicados quanto ideológicos ainda que não plenamente ou em completa coerência com seus princípios. Até porque como dissemos não só compreendem variadas formas de governos e econômicas como (como já dissemos) economias e governos com características hibridas ainda que contraditórias.

Esta crise embora afete as democracias e economias mais frágeis, as periferias desse sistema, também atinge seu coração. E não só a maior potencia maior entra em crise mas sua democracia e economia liberal em toda suas áreas de predominância geopolítica. Seus modelos políticos e econômicos globais sempre foram postos em cheque por parcela significativa dos povos e sociedades periféricas (ditos em eufemisticamente em desenvolvimento), os antigos países terceiro mundo e governos do segundo mundo, mas agora essa tensão social atinge também quase todas as democracias e economias liberais no seio das suas próprias sociedades, e a radicalização da polarização toma também as grandes metrópoles das potencias ocidental do mundo desenvolvido, o velho Primeiro Mundo, inclusive entre aliado não tão antigos assim como a Alemanha.

A polarização entre esquerda e direita moderadas como as social-democracia mais neoliberal ou mais socialista se esvazia como centro do debate ideológico; cada lado perde terreno para antigas ideologias tidas como mortas,um vazio vai se abrindo no antigo centro da política que sustenta o sistema enquanto, as forças migram para os polos mais radicais desse mesmo socialismo e liberalismo -com evidente vantagem atualmente para a direita mais conservadora em todos os lugares do mundo.

O centro politico onde se dava a alternância delimitada a esse espectro de poder se amplia dos progressistas e conservadores moderados, para reformistas e conservadores mais radicais, ressurgindo inclusive vertentes revolucionárias e reacionárias.

O mundo volta a assistir o crescimento de movimentos que quase desparecem após a segunda guerra como o fascismo. Até mesmo o anarquismo que já havia começado a desaparecer na primeira guerra retorna ainda que diferente dos novos movimentos libertários sem novas proposições.

Importante não confundir também anarquismo com o libertarismo do qual hoje é só uma vertente, embora tenha sido uma das principais e primeiras. Pois assim como socialismo e liberalismo clássico hoje no conjunto do universo expandido do seu pensamento o anarquismo clássico como um pensamento monolítico, mas um complexo de várias vertentes ditas anarquistas ou libertárias que intercruzam também com o conjunto do pensamento socialista ou liberal. Embora essa primeira fase do libertarismo tenha sido notadamente mais anarquista, revolucionária e de esquerda, principalmente se comparada aos libertários de direita que surgiram depois retomando tradições do liberalismo clássico. Embora também fundando vertentes igualmente radicais e revolucionárias (ao menos conceitualmente) ao capitalismo de estado.

Mas isso é apenas um exemplo, desse dinâmica que envolve a juventude, maturidade, envelhecimento e eventualmente a morte e renascimento dos pensamentos e seus movimentos. De tal forma que embora o pensamento libertário ainda não tenha envelhecido ou se pervertido pelo vício do poder, também não atingiu ainda a maturidade suficiente para constituir-se como proposta concreta e factível o liberalismo ou mesmo alternativa como o socialismo.

Logo se por um lado o liberalismo e socialismo carregam o fardo de terem se tornado no poder a contradição conservadora e até mesmo reacionária a sua origens revolucionárias e anti-autoritárias que os envelheceu e matou, que os hoje os obriga a se reinventar. O libertarismo enfrenta o desafio de se constituir para além de uma ética e movimento social em se concretizar como um território político e econômico para as pessoas naturais vivenciarem essa forma de vida. E embora existam propostas libertárias factíveis para iniciar tais experiências elas não estão disseminadas e popularizadas em grau suficiente hoje para constituir alternativa numa eventual queda também do liberalismo.

Sigo na próxima parte deste escrito com voltando as origens do liberalismo e socialismo quando um dia eles foram a antítese do conservadorismo.