Que importa quem será o presidente? Se não é você que o elege nem o despede? (Parte 4)

Uma leitura libertária informal da história “recente” do Brasil

A juventude do liberalismo e socialismo

Pensar num velho socialista revolucionário viúvas de ditaduras decrepito ainda sonhando com “lá revolucion” é um caricatura ainda factível para os vivos. Mas talvez nossos antepassados mortos poderiam nos contar de socialistas utópicos ou revolucionários burgueses liberais, abolicionistas e até positivistas que morreram sem virarem velhos conservadores, reacionários ou amargurados.

O socialismo até mesmo por observação da degeneração burguesa tentou manter o discurso e a memória da revolução, porém o fez apenas como discurso tornando-se na sua prática no poder, que tem como referência maior a experiencia soviética um regime tão autoritário quanto a monarquia e aristocracias que representava o conservadorismo daqueles períodos. o chamado comunismo que perpassa o bolchevismo, leninista e até o stalinismo que é o arquétipo do totalitarismo que acabou marcando e virando sinônimo de comunismo para “os leigos” da ideologia socialista.

Geralmente quando falamos em revoluções liberais temos notadamente a revolução americana de 1776, mas a reforma liberal britânica também foi revolucionária e antes dela o próprio protestantismo, cujo antipapismo abriu o caminho para que essas nações conseguissem se libertar do jugo império católico romano, pavimentando sua ascensão como as potencias ocidentais. A própria revolução francesa notadamente anticlerical tinha em seu bojo o que seriam os polos da política do séculos posteriores: liberais e socialistas, direita e esquerda que por um breve momento, suficiente para mudar o mundo mantiveram uma “aliança estratégica” ou melhor eventual (afinal não foi tão planejada quanto a palavra estratégica sugere) para derrubar as forças conservadoras dos reis, aristocracias e igreja.

Figuras como Thomas Paine, uma das figuras mais compreendidas e renegadas dos últimos tempos, é o arquétipo desse liberal revolucionário, que nada tem de progressista, moderado ou conservador, tendo em seu pensamento elementos dessa gênese do pensamento moderno com suas ideais que contém princípios e causas ainda hoje liberais, socialistas e até libertárias que vão de uma defesa de direitos naturais de propriedade, passando por reformas agrárias até chegar a minarquismo e cosmopolitismo anti-autoritário e anti-clerical que faria muito socialista cristão que se diz “progressista”, ou “libertário” de direita anti-estatal conservador dos dias de hoje corar uma beata crente ou pastor de igreja de interior tanto seja pelo seu “politicamente incorreto” quanto pelo seu “moralismo” político.

O liberalismo emergira como grande força do pensamento depois das revoluções iluministas deporem os monarcas religiosos e nacionais- seja radical e violentamente cortando suas cabeças como na França ou mais moderadamente e sem colocando de enfeite para gringo ver.

Claro que isso é uma leitura pobre esquemática e reduzidíssima destas revoluções. Afinal basta lembrar que o da dita reforma liberal inglesa foi antes de tudo uma revolução puritana, burguesa e violenta, uma guerra civil que depôs a monarquia absolutista inglesa- tendo inclusive sido primeira a julgar e cortar a cabeça de uma monarca (Carlos I em 1649). Ou seja, a revolução gloriosa que pariu o capitalismo, nasceu de uma revolução regicida que não deixou de virar uma ditadura, assim como a russa e francesa e outras.

A burguesia e liberalismo ao contrário do socialismo não gosta muito de lembrar os excessos ou fazer apologia da sua juventude que o levou ao poder. Isso provoca uma curiosa contradição em suas formas hipócritas de exercício conservador do poder e reacionário das ideias: enquanto o socialista é um hipócrita ou falsificador ideológico do seu período histórico como poder e autoridade constituída fingindo-se ainda revolucionário e progressista. O liberal é de fato um defensor convicto do que poder institucionalidade que ocupa, defensor explicito da sua posição como status quo, mas que finge ser um conservador e moderado desde criancinha. Um regime esconde nos armários os esqueletos dos antigos reis, os antigos ocupantes do trono conservador. O outros exibe com orgulho a cabeça dos antigos tiranos, enquanto enterra em valas os jovens dissidentes que ousaram chamá-los pelo seu nome próprio: tiranos. E é claro que ambos regimes quando decaem na sua fase pré-terminal, que coincide com a supremacia e centralização máxima do seu poder e apologia, ou totalitarismo puro, ou seja retornam para suas formas mais autocráticas de hierarquismo, e se tornam o próprio retrato das piores tiranias absolutistas; mais reais que o rei, e mais reacionárias e contrarrevolucionárias que antigos conservadores moderados que um dia que se opuseram. Vide o comunismo e fascismo.

E é a eles a sua meia-idade do liberalismo e socialismo que saltaremos agora na Segunda Guerra Mundial.

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