Que importa quem será o presidente? Se não é você que o elege nem o despede? (Parte 5)

Uma leitura libertária informal da história “recente” do Brasil

No final da Segunda Guerra Mundial, temos um retrato claro das duas forças que iriam disputar o mundo na guerra fria. O capitalismo e comunismo. Que numa aliança eventual, motivada até por um erro estratégico dos nazistas do que por uma aproximação das partes.

O liberalismo a partir daquele momento tornaria-se sinônimo de capitalismo. E o comunismo de socialismo. Mas se o socialismo que nasceu mais tarde que o liberalismo envelheceu e morreu (enquanto comunismo soviético) mais rápido do o liberalismo tem decaído. O fascismo e nazismo fizeram o arco do seu apogeu e morte de forma ultrarrápida e violenta, até porque já nasceram senão já velhos e podres, completamente fixados na tomada de poder. Onde as ideias não parecem ter coerência nenhuma com os princípios, mas se invertemos a ordem dos valores e passamos a usar os critérios dos ideólogos dessas doutrinas, a lógica dos seus discursos voltados para o poder e pelo poder em si mesmo podem ser decifradas.

De certa forma são regimes modernos essencialmente contrarrevolucionários, concebidos como uma espécie de reinvenção daquelas formas absolutas de poder régio e imperial que tinham sido depostas ou perdido a hegemonia para o liberalismo e socialismo nas revoluções. Enquanto o comunismo era uma degenerescência do socialismo, o fascismo e nazismo tinham traços híbridos apenas superficiais de ambos. Em essência era a restauração do culto populista a personalidade do César como representação sacramentada de um povo superior pela direito divino ou seleção natural da guerra. O “retorno” a defesa explicita da visão de mundo mundo natural concebido como reino onde os predadores ocupam o topo natural da cadeia alimentar, e os mais fortes entre esses naturalmente eleitos pela natureza as lideranças desses bandos. Em suma a estrutura hierárquica do pensamento racista e culturas supremacistas que tem o Império Romano como o modelo clássico.

Assim embora tendo como inimigos naturais o capitalismo liberal e o socialismo comunista a sua visão de restauração da ordem. Estes já estabelecidos respectivamente em doutrinas conservadoras e reacionários não o viam, e de fato não viram esse regime como um perigo, pelo contrário. Antes da guerra, poucos anteviram o que estava por vir. O perigo subversivo e de fato revolucionário até então era o anarquismo, já em franca decadência como movimento.

O anarquismo que resumia praticamente toda a manifestação libertária e quase todo pensamento anti-autoritária do período sempre esteve bastante restrito como movimento social dentro do socialismo ainda que como oposição ao comunismo e marxismo autoritário. Não representa nenhuma força considerável de resistência, até porque no geral nunca teve propostas proposta concreta para além do vamos derrubar tudo o que está aí e ver o que construímos depois. Ou melhor , tinha…. até como pedagogia. Do mutualismo e federalismo de Proudhon; coletivismo de Bakunin; comunismo de Kropotkin, o sindicalismo de Malatesta,até a pedagogia Ferrer na Europa até os EUA com o feminismo de Voltairine de Cleyre; o individualismo de Benjamin Tucker; o jusnaturalismo de Lysander Spooner; entre outros — como o “egoísta” alemão Max Stiner que tanto influência a russo-americana Emma Goldman. Mas não foi essa visão que prevaleceu. Foi só a “propaganda pelo ato” (muitas vezes eufemismo para terrorismo) que se firmou como práxis e imagem popular dos movimentos anarquistas. Até mesmo porque onde por exemplo, participou ativamente do processo revolucionário, não só armado mas gestionário, como na Ucrânia -lutando com o exército vermelho contra os monarquistas foi dizimado da mesma forma que depois o seria novamente na Espanha: Nas frentes de combate pelos fascistas que enfrentavam na vanguarda e pela retaguarda pelos aliados comunistas ou mais precisamente pelas costas. Não é de surpreender portanto que Ferrer por exemplo um dos fundadores da pedagogia libertária tenha sido fuzilado pelos fascistas. E já ditadores como Franco assim como Stalin permaneceriam no poder por muito tempo depois da Segunda Guerra. Lembrando que Franco como muitos outros ditadores que surgiram em países latinos e católicos não era aliados de comunistas durante guerra fria. Neste sentido, pode se dizer que o pensamento libertário sempre esteve bem cercado, inclusivo pelos flancos liberais.

“Foi você quem fez isso?” — Não, vocês o fizeram. Resposta de Picasso a um oficial nazista em revista ao seu apartamento em Paris a observar uma foto da obra.

Sigo para ultima(s) partes deste escrito… E não estou dividindo por graça não. É que ainda estou escrevendo mesmo.