Que importa quem será o presidente? Se não é você que o elege nem o despede? (Parte 7)

Uma leitura libertária informal da história “recente” do Brasil

E o Brasil?

Chegamos.

Desde de a queda do mundo de Berlim o liberalismo dita as regras do mundo como “representação hegemônica do pensamento civilizado ocidental”. Porém agora que essa hegemonia entra em crise sistêmica, possivelmente terminal da própria democracia liberal e do capitalismo de Estado, para variar o Brasil resolve abraça de vez o afogado.

Quando o liberalismo começa a cair de velho e o socialismo já caiu de pobre; quando esses ideias do século retrasado já não representa nada de promessa, de progresso, de reforma ou revolução perante o ultrapassado, o reacionário e conservadorismo, o que faz a “vanguarda da intelectualidade” da direita e esquerda brasileiras? Dobram a aposta na sua bi-polarização. Quando nem liberalismo nem socialismo representam mais nada de novo ou alternativo mas pelo contrário: explicitamente e despudoradamente passam a representar o que há de mais reacionário, contrarrevolucionário, anti-libertário e aristocrático, burocrático, corporativo, classicista e conservador, a vanguarda da intelectualidade servil-autoritária por obvio a adota.

Esses brasil conservador sempre mais chegado ao autoridade do que a liberdade se apague e deita copula com ideias mortos do liberalismo e socialismo exatamente da mesma forma que se entrega ao coito com as lideranças políticas mais mortas que vivos que ainda assombram e rondam os palácios do pais, tanto a direita quanto a esquerda. Ou pior se vende ao que há de mais velho e podre apenas plastificado e travestido de novo, desde que preserve os seus privilégios e interesses das suas respectivas classes seja a dos funcionários públicos, e intermediários sindicais paraestatais, seja a dos patrões e empregados tementes a deus, o estado e a perda dos seus empregos.

A esquerda ao socialismo ideias que na sua juventude forma o novo, o progresso a revolução mas que hoje representam o polo mais moderado do conservadorismo. Se aproximando mais daqueles valores autoritários do que hoje se chama ultraconservadorismo que são aqueles valores autoritárias e reacionárias e aristocráticos que beiram o primitivismo e tirania do autarquismo e monarquismos que tanto primeiro o liberalismo depois o socialismo combateram na sua origem e juventude antes de decair e se perverter nesse próprio velharia do status quo.

Assim no cultural e intelectual o brasileiro repete o processo produtivo/criativo do social e econômico. Importa o velho mesmo quando evidente carece e padece da produção ou até mesmo invenção ou no mínimo reinvenção do novo. E o novo mais uma vez já corre o risco de renascer velho. Assim enquanto todo mundo a deriva busca urgente para não dizer desesperadamente novas alternativas, o Brasil ao invés de inovar ou produzir, importa e recicla ideias e tecnologias sociais revolucionárias… dos séculos passados, quando não retrasados. Repete motivado a seu eterno complexo de inferiorizado e de raça vira-lata o mesmo proceder cultural em todos os planos criativos: social, artístico, cientifico, filosófico, politico, econômico, religioso mesmo há muito tempo tendo uma razão e sensibilidade muito próprias. Importa ideias velhas e ultrapassadas como faz com as tecnologias, compra a preço de ouro refugos sem nenhuma competitividade que aqui serão reciclados para não funcionar direito, enquanto perde suas grandes ideias e cabeças para fora, garantir sua posição servil, provinciana e subdesenvolvida na divisão internacional do capital e trabalho.

Na verdade enquanto o liberalismo entra em sua fase terminal como pensamento hegemônico dos valores ocidentais, o Brasil como sua vocação para a letargia e atraso, começa a descobrir suas virtudes para além das aparências só agora quando este precisa assim como seu par antitético o socialismo ser reinventado (se é que isso é possível).

Preocupação mais das classes que se servem destas ideológicas do que da nação enquanto república ou democracia, que empírica e explicitamente descobre com as revelações do presente que já são históricas que não precisa nem de um time de ideólogos nem do outro, nem muito menos da farsa da representação e oposição entre ambos na democracia irrepresentativa.

Contudo é preocupação de todos, que nem o liberalismo nem o socialismo decaiam para suas formas mais teratologicamente autoritárias pela forma mais conservadoras reacionárias e primitiva de poder de fato: as ditaduras ainda que disfarçadas pela fachada já nem mais institucional, mas meramente terminológica das repúblicas e democracias. Para variar a América Latina, eterno quintal e laboratório do mundo, tem versões contemporâneas para essas duas formas contemporâneas de ditaduras liberais e socialistas, Brasil e Venezuela. Aliás cada desses deformações de viés totalitário das ideologias tem nome próprio segundo precedentes históricos : comunismo e fascismo.

Ditaduras mal disfarçadas que preservem pelo monopólio da violência os privilégios de classe que esses ideólogos entendem como “seus direitos” enquanto governantes. No caso dos liberais os direitos individuais preservados pela ditadura da “aristocracia” sobre a coisa pública. No caso dos socialistas dos direitos coletivos (supostamente sociais) pela ditadura da burocracia tanto sobre o público quanto o privado. Fascismo e comunismo. ditaduras que não são nem propriamente de classe mas de corporações subsidio pelo monopólio da força bruta para sustentar o insustentável: capitalismo de estado, ou o que é a mesma coisa, o falso “livre mercado” do estadismo.

Agora que o liberalismo até mesmo nos centro do mundo envelheceu se esqueceu que nasceu depondo monarquias e aristocracia, inclusive em revoluções burguesas, e pelo vicio do poder virou o novo establishment, finalmente a cultura brasileira, a representante máxima da servilidade no dito “mundo livre”, bastião do culto ao status quo e “as autoridade”, que embora perdendo terreno é um dos últimos territórios sob o domínio cultural da mentalidade católica apostólica romana, esta vanguarda do brasil analfabeta funcional politico-econômica se sente finalmente com mais afinidade, sem aquele vergonha caipira para abraçar abertamente o liberalismo.

Ou seja enquanto o liberalismo reinou praticamente sozinho depois de 1989 no mundo ocidental como seus modelos políticos e econômicos, a democracia representativa, e o mercantilismo bancaria-financeira (globalização), por aqui as aristocracias provincianos brasileiras continuaram brincando na nova república com o mesmo teatrinho da velha primeira republica, as farsas oligárquicas, ora se passando por neoliberalismo, ora por social-democracia até progressistas e de esquerda. Brincando de enganar enquanto mais uma vez se desnegavam.

Gerações de conservadores católicos brincando de liberais protestantes cujos antepassados convidaram gentilmente a se retirar a monarquia do Brasil, mas não implementaram nenhum capitalismo, mal ensaiando um industrialismo e financismo insípidos que nunca saiu do arcabouço dos velhas modelos familiares, suas casas grandes e senzalas, sobrados e favelas. Manteve-se por mais 3 ou 4 gerações como republica latifundiária e provinciana semi-feudal sem produção cultural, econômica e intelectual independente, investindo na verdade junto com a igreja na produção… de lideres populistas e massas de dependentes políticos, mão de obra servil e barata. (para não dizer semi-escrava).

E dizem que o brasileiro é pacifico e conservador; mas que nada… ele é sim passivo e cagalhão, especialmente quando o assunto é inovação, revolução, sobretudo do conhecimento e da con(ciência). Se Adão o primeiro homem fosse brasileiro, não teria comido jamais a maçã e viveria no seu paraíso tropical obediente. Já Eva que não era idiota teria fugido com a cobra para o a parte protestante do novo mundo faz tempo e emancipada e devidamente aculturada e aburguesada estaria comprando abacaxis importadas direto dos escravos do paraíso a preço de banana.

Onde aqui houve um dia liberalismo? Somos conversadores de qual liberação ou libertação de qual independência, desenvolvimento ou dignidade? De qual democracia? De qual espirito republicano?

É um povo conservador??? Só se for conservador da sua miséria, dependência e atraso. É medroso e retrogrado, é cultista, se não está rezando ou se drogando, está assistindo futebol, novela, game ou montando fã clube de ator politico ou de TV isto quando não de personagens mitológicos seja da ficção seja da vida real! Um hospício a céu aberto, onde o tratamento dos internos desse território estilo fazenda de concentração é o trabalho forçado, porque o tempo livre é a oficina do diabo. Mas sejamos justos, o medo de quem tem a falta de emprego sempre a sua porta e o poder sempre sobre sua cabeça é algo que entende e se fabrica, mas o de quem

E o brasileiro ainda fica se deleitando como sua criatividade improvisação, inventividade, coragem em tudo menos onde ele mais precisa: na política, na economia e no saber… nelas estamos mais para aqueles velhas e velhos plastificados que não mechem nem mais a boca, mas continuam se achando sempre jovens e lindos e ma-ra-vi-lho-sos. A retrato da “riqueza” de uma nação, rica em subsídios e pobre em oportunidades. O pesadelo americano da maior capitania hereditária do velho mundo fundada ao sul do novo.

Fico imaginando os colonos americanos se não fosse liberais, mas conversadores, monarquistas e legalista convictos: será que ainda estariam saldando a rainha da Inglaterra? Ou então se a burguesia francesa fosse conservadora como a plebe camponesa fiel ao feudalismo do rei e da igreja, não teria ela na período nazista-fascista-comunista tido o seu Stalin, Mussolini ou Hitler? Ou pensando ao contrário se o impérios do Brasil, Espanha e Portugal tivessem tido a sua revolução francesa burguesa ou liberal inglesa teríamos amargado mesmo após a segunda guerra ditaduras como as de Franco, Salazar, Vargas e militares? Ou então estaria a Russia hoje estaria voltado a senda do czarismo, como o populismo ultraconservador de Putin aliado a igreja ortodoxa, se na revolução russa não tivesse prevalecidos os bolcheviques, leninistas e depois sobre todos eles como o stalinismo e a ditadura do Partido a igreja do fiel ao materialista histórico? Os “ses” não importam. Mas importa saber por exemplo que dificilmente qualquer um destes países seria hoje uma potencia se não tivesse de fato e não no papel se emancipado. De preferencia e se possível sem o derramamento de sangue como a Inglaterra, e não com as cabeças cortadas e fuzilamentos como a França. Mas se alisarmos com rigor, veremos e tornar-se peça decorativa permanente do novo regime não veio da sabedoria liberal ou socialista, mas dos conservadores, que diga-se de passagem souberam preservar muito bem o que mais lhe interessava diante de tamanha convulsão social politica e econômica do período, a cabeças bem presa aos seus pescoços.

Nós que amamos a liberdade, pregamos a libertação dos povos, e acreditamos nas revolução sobretudo as pacíficas gostamos de acreditar que são nossas ideias nosso ativismo e movimento que produz as transformações históricas. Não são. Elas são apenas sementes, que podem ficar eternamente sem brotar se o poder fosse possível controlar eternamente a todo tempo todas as circunstancias. Evidente que o poder estabelecido não é capaz de fazer isso, mas consegue ceifar o campo geração após geração com razoável competência. Porém a grande visão da aristocracia e monarquia britânica foi justamente aquela que faltou completamente para as elites haitianas, saber o momento de vivar peça de museu e decoração turística sem necessariamente estar empalhada. Por outro lado basta comparar o desenvolvimento econômico russo e o brasileiro, o que separa o Brasil de ser uma potencia mundial como Russia? A economia ou a independência? Se você disser que é o armamentismo, isso é uma redundância a um dos fatores que ainda definem o que é potencia mundial e não naquilo que compõe junto como as forças militares, politicas e econômicas as causas que permitem o seu desenvolvimento perante as demais.

Digamos portanto que as reforma são feitas sobretudo pela sabedoria de quem governa em perceber que os tempos mudaram para se perpetuar no poder ainda que não seja o máximo ou explícito do novo regime. E as revoluções mais pela estupidez dos governantes que não são capazes de adaptar ou literalmente se contrabandear para o novo tempo.

No Brasil nossas oligarquias são mestres nesse arte de governar as massas. Embora para tanto tenham preferido o ridículo de serem os imperadores da miséria de uma republica de bananas com riquezas suficientes que poderia ter sido uma potencia mundial. Do que os cidadãos de uma republica mais livre e igual. Ou seja, preferiram continuar vivendo como reis feudais cagando onde comem ao invés de burgueses que também cagam e comem mas jogam sua merda bem longe dos seus reinos nas províncias de escravos como o Brasil. Em certo sentido, pode-se dizer que a crise humanitária é porque as privadas do mundo civilizado estão literalmente entupidas com lixo e cada dia mais vazias não só do que pilhar, mas das condições mínimas de quem as limpa para viver nelas.

Porém, nem tanto por burrice, mas mais pela velocidade e profundidade das transformações da sociedade brasileira, nossa classe governante parece que não estão conseguindo se adaptar em tempo real para repetir com a mesma facilidade de outrora o feito de manterem seus status de reis e capatazes da merda.

Como estamos assistindo, levantes, revoltas, protestos que culminam na deposição de governos e até regimes dependem de uma tamanha insensibilidade, desinteligência, corrupção e egocentrismo e teimosia de quem domina o poder, que precisa beirar o completo descolamento da realidade, para tirar levar uma população a apoiar o extremismo de revolucionário, mesmo que por um breve período de tempo como o francês, americano, russo, haitiano ou cubano.

Ou seja a combinação de fatores gera diferentes resultados: a vontade de progredir da sociedade mais a vontade de conservar legados pode gerar salto de desenvolvimento revolucionários e sem violência. A necessidade neste caso se torna oportunidade. E o problema o ensejo da solução.

Quando uma a necessidade da sociedade se opõe a intransigente conservação dos privilégios dos governantes, mesmo frente ao progresso inevitável ou até já ocorrido, como são os tecnológicos econômicos e culturais, o conflito entre o sociedade e o estado, entre o social e o poder por liberdade se tornam inevitáveis e a revolução decai em violência. senão pelo levante agressivo da população, pela repressão violenta de manifestações pacificas. E nem sempre a solução que emerge é muito diferente em método e na essência do problema anterior.

Quando o governo por outro usa de seus privilégios e prerrogativas para impor o que ele considera não verdadeiramente o progresso de toda a população. Como isso não existe senão como uma resposta ao primeiro ou segunda situações. Ela volta para a primeira caso seja bem sucedida, ou para segunda, caso, porque não importa as intenções, mas os resultados. E se os resultados forem o agravamento do problema, amplia-se a possibilidade de pagar com as cabeças o que poderia ter se resolvido com um principio de divisão ou simplesmente diminuição da concentração ou monopólios de posses e poderes, isto é diminuição das desigualdades de direitos, oportunidades e consequentemente dos resultados.

Resta por fim o pior dos mundos, quando diante da necessidade e do progresso inevitável e urgente tanto povo quanto governo enterram ambos a cabeça em seus rabos e mundos e esperam que a providência divina, resolva tudo por eles. Dão tempo ao tempo. Inegável que matematicamente há uma remota possibilidade disso ocorrer, mas o mais provável é que não haja disso nem revolução nem conservação, nem progresso, nem reforma, mas a forma mais grotesca de restauração da mais antiga e justa da guerras, a da sobrevivência, e paz resultante seja a dissolução do que havia sem nenhuma outra forma de organização que não as mais básicas, desconexas e isoladas que resultam no desaparecimento de culturas e civilizações e até etnias.

Ainda bem que não somos amish e que inventaram a roda antes de inventarem o Brasil, se tivessem descoberto o Brasil na idade da pedra estaríamos ainda seguindo as tradições e costumes mais liberais de desde sempre, e nos matando não a bala, mas a machadadas de sílica.

A única coisa que temos por enquanto para conservar que a riqueza nossa diversidade natural ética e cultural, é justamente o que o desenvolvimentismo, o progressismo civilizatório e o conservadorismo liberal ou reacionário tem em comum: manter a continuidade da predação da riqueza de nossa nação em nome da preservação da nossa nem tão confortável servidão. Gênios!,Com certeza Adam Smith e Karl Marx concordariam em ao menos uma coisa: que adiante um povo ter pais que não falta terra, água e comida e riquezas se idiotas e idiocratas dando em árvore? E quando não dão se fabricam nas escolas e trabalho?

O Estado cuida da burocracia-corrupção da igualdade. O mercado da burocracia-corrupção da liberdade. e o Terceiros Setor da burocracia-corrupção da solidariedade. Este é o iluminismo a moda brasileira, onde não é a toda que igualdade, liberdade e solidariedade sejam bens extremamente escaços, como seria diferente se todos estão nas mãos de monopólios que subsidiam uns aos outros e sentam em cima na cabeça da população que o sustenta?

Das juventudes leninistas, aos nova direita de liberais ortodoxos, passando por anarquista bakunistas, e até conservadores proto-fascistas. O brasil continua sendo um museu de grandes novidades. Vai ter preguiça de ler e de escrever E CRIAR assim no inferno! Entre tentar desenvolver um pensamento próprio (mesmo que seja medíocre) ou ficar com ideias alienígenas do século passado… o brasileiro pergunta posso ir de Santo Augustinho? E pior é que dá para pegar esses caras e criar algo completamente novo, original e revolucionário mas e a coragem para enfrentar o complexo de vira-lata?

Não somos conservadores, não somos revolucionários, não somos reformistas nem progressistas, sequer somos moderados naquilo que somos de fato: alienados. Porque há de conservar algo há que se preservar o legado natural ou humano, temos ambos, e revolucionário mesmo não seria destruir ou tomar tudo, porque isso é o institucionalizado. E progressismo nestes estado politico e econômico corrupto que a crise institucional presente descortina é o mesmo que pedir moderação ou reforma da perversão. Rouba menos, ou com mais discrição. Ou como diria o malufismo a mais conservadora de todas as tradições e costumes suprapartidárias e supra ideológicas brasileiras “estupra mas não mata”.

O Brasil não é um pais retrogrado. Não é um gigante adormecido. É um gigante nati-morto. É capaz dos Estados-Nações desaparecerem antes de acordamos e nascermos como verdadeira nação. Acontece.

Diretor da Fundação Konrad Adenauer no Brasil afirma que país está num beco sem saída. “Com esse vácuo de poder político, há o risco de que algum populista ou extremista se aproveite da situação na próxima eleição”, diz.
O Brasil está parado devido à crise e, com ou sem o presidente Michel Temer, não há uma solução à vista, avalia o jurista alemão Jan Woischnik, diretor da Fundação Konrad Adenauer no Brasil [ligada a União União Democrata-Cristã a social-democracia de direita, (um exemplo do que chamei aqui de liberalismo como conservadorismo moderado)].
Em entrevista à DW, Woischnik afirma que não vê nenhum nome que poderia substituir Temer. “Em eleições indiretas, os deputados e senadores poderiam acabar escolhendo um parlamentar num Congresso em que grande parte de seus membros é acusada de corrupção.”

E eis que voltamos ao princípio deste escrito:

O Brasil tem uma tradição política com forte componente de desrespeito à vontade popular. A esmagadora maioria de seus políticos e partidos não tem muito apreço pela democracia.(…)
Senadores querem que uma minoria de 10% de eleitores possa pedir a revogação de um mandato presidencial. Pobre do Brasil e dos brasileiros. A intenção pode ser boa e aparentemente “moderna”, mas vai levar a política nacional para o inferno. Pois as coisas sempre podem piorar.(…)
Presidentes terão de comprar deputados e senadores para se manter no poder. Os derrotados terão uma espada permanente contra o pescoço dos vitoriosos. Será um saque permanente. (…)
Os políticos querem fazer bonitinho à custa da sobrevivência.
O problema é portanto evidente: e não é se 1 ou 10 por cento pode pedir a cabeça do rei, é o 0,0001 por cento que continua a decidir sozinho se vai cortá-la ou não contra a vontade da maioria de manter ou depor o rei. O ridículo do absurdo disso tudo é o “poder do povo” de pedir para o corpo cortar sua própria cabeça? Quando é sabido que somente o povo pode cortá-la. No sentido figurado é claro, porque somos mais civilizados do que os povos bárbaros do séculos passados… sinceramente se somos eu não sei. Mas que nossos governantes não são isso eu já tenho certeza absoluta, e é tudo que basta para saber que bom fim essa história não terá, resta saber para quem: nós ou eles.

PS:

Leituras altamente recomendadas para libertários, socialistas e liberais de raiz (que por evidente não são fã de ditaduras nem de proto-ditadores):

politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/casa-civil-e-gsi-tratam-de-substituicao-de-diretor-da-pf/

Nota de Correção

Para encerrar, (não, não vou falar de democracia direta e renda básica) vou simplesmente fazer uma correção: o subtitulo desses escrito não deveria ter sido “Uma leitura libertária informal da história “recente” do Brasil”, mas sim “Uma leitura libertária das ideias ultrapassadas no mundo aplicado ao Brasil atual” porque de história do Brasil e ideias de futuro não falei nada. Mas acho que ficou melhor assim: afinal falei das transformações de coisas que só se fazem em construção, transformado. E nenhuma transformação, nenhum novo projeto de Brasil vai chegar a lugar nenhum se não nos livrarmos e enterrarmos de vez essas velhas múmias e entulhos ideológicos políticos econômicos e culturais que um dia acredita também foram jovens crianças. Ou como diria o palestrante mais assustador que já vi na minha vida:

“Vocês podem acreditar eu não nasci com 50 anos…” Pois é, não inventaram plástica que puxe a alma não, mas se até Hitler nasceu uma criança indefesa e inocente quem não nasceu? Resta agora só descobrir como e quando exatamente como uma pessoa, acorda e diz: “sabe de uma coisa, vamos fazer isso, ai”. Ok, é um processo gradual, mas um dia, um dia exatamente, você pode até não se lembrar, alguma coisa não cresceu, mas mudou. A menos é claro que você acredita que a nossa vontade esteja completamente predeterminada pela hereditariamente ou realidade (em todos sentidos da palavra); que o destino é e deve estar predestinados desde o nascimento, dependendo de onde se nasce e de quem.

A questão é quando foi que paramos de crescer e envelhecemos, ou quiça nem crescemos, nos tornando um pais velho sem jamais crescer. E o que impede de nos reinventarmos? Poderemos crescer depois de velho, ou teríamos que literalmente que nascer de novo como república?

Isso é sem dúvida o que mais interessa. Mas não é mais propriamente uma questão desta história, mas de visões de futuro. Assunto para outros escritos e ações onde espero que essa breve leitura dos posicionamentos políticos-ideológicos seja útil.

Vamos ver.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.