Renda Básica: Economia Social e Moedas Locais

O que temos a aprender com o Worlg Experiment?

So perhaps why not pay a Basic Income with LETS money? Instead of asking for “funding,” why not do as the community of Wörgl did and just have a community issue its own currency? That’s what LETS does too, essentially. Join LETS, Wörgl (demurrage) and Basic Income, and you can “pay” a Basic Income to every community on Earth by teaching them how to run their own economic system (…) Does a local currency need to be a “cryptocurrency,” necessarily? Does it need to be a global instrument, or can it be purely local, “centralized?”. — How to pay a Basic Income to a poor community

Antes de mais nada, para quem não sabe o que é Worlg Experiment, LETs System, e moedas locais, segue e artigos: um que conta a história do que foi essa experiência pioneira; outra que é um exemplo atual e interessantíssimo de LETS; e por fim uma experiência de moeda social já correlacionada a renda básica.

Agora, vamos a questão.

É perfeitamente possível implementar a renda básica usando moedas locais, LETS ou qualquer outro meio-de-troca a parte do sistemas monetários e financeiros, tanto os nacionais quanto globais. E não só isso. Sistemas monetários independentes não apenas permitem instituir o pagamento de uma renda básica, mas de toda um uma Economia Social. O que no plano local, quer dizer toda uma microeconomia. Mais precisamente, a renda básica (i)tomada ela própria como tecnologia de microfinança e (ii) associada a outras ferramentas da microeconomia -tais como o microcrédito, microsseguros, moedas locais e banco sociais- formam um núcleo comunitário economicamente independente capaz de promover tanto o desenvolvimento local e quanto o global sinergeticamente. De modo que quanto mais integradas estiverem esses núcleos comunitário uns com os outros, maior será o desenvolvimento de toda a rede de economia social formada por cada uma destas microeconomias locais inter-independentes. Da mesma que quanto mais integradas estiveram cada uma destas tecnologias sociais local e globalmente maior será o desenvolvimento de toda as pessoas participam tanto da rede comunitária local quanto da rede comunitária global.

Logo tanto a renda Básica quanto a moedas locais são instrumentos isoladamente já são capazes de mitigar a pobreza; integradas se potencializam. E se essa integração com outras tecnologias (sociais ou não) for suficiente para constituir todo um novo sistema monetário-financeiro estas podem perfeitamente efetuar um bootstrap em qualquer comunidade independente da dimensão local, continental ou global do território abrangido por essa rede, ou a distancia e autonômica que separa esses núcleos comunitários, desde que integradas através das telecomunicações e livre comércio.

Na verdade fora a renda básica todos os instrumentos de microfinanças e microeconomia estão aí faz tempo e não como tese mas como projetos sociais aplicados — o microcrédito foi a referência da própria renda básica aplicada em Quatinga Velho. Logo a pergunta é porque não foram integradas e disseminados ainda? Ou ainda porque sequer atingiram isoladamente todo o seu potencial de disseminação? O que falta para colocá-los de pé?

A resposta é a seguinte: mesmo que não fosse tão difícil, (e é) de colocá-los de pé. o problema maior não é nem iniciar os projetos mas sim como mantê-los de pé. Um desafio que para mata muitos projetos quando seu propósito não é meramente experimentar, mas transformar alguma coisa mundo através da experiência. Por exemplo acabar com a miséria e pobreza.

O desafio não é portanto só o de criar Zonas Autônomas Temporárias, que funcionem, mas sim que permaneçam funcionado. Experiências que podem até não ter a pretensão de serem permanentes, mas que ao menos não esteja sabidamente fadadas a acabar, seja por sua própria programação, seja pela falta de concretude ou vulnerabilidades que as tornam incapazes de resistir e persistir frente as adversidades.

De fato mesmo os instrumentos mais clássicos da economia social, (microcrédito, moeda social, cooperativas) podem não ser capazes de resolver todo o problema da pobreza sozinhos. Mas ajudam absurdamente a mitigá-lo mesmo quando desintegrados. Isto quer dizer que não só seriam perfeitamente capazes de cumprir sua função sem a necessidade de nenhuma criptomoeda, mas também sem a necessidade de nenhuma renda básica. Sim eles já provaram que funcionam perfeitamente muito antes do advento da renda básica aplicada ou das criptomoedas.

Então repito a pergunta porque a disseminação e replicação dessas experiências simplesmente não aconteceu? Porque após quase um século desde das primeiras experiências com cooperativas que marcam o inicio da economia social e a pobreza e desigualdade social extrema persiste e prevalece em tantos lugares do mundo, a economia social não se desenvolveu como poderia e deveria?

O experimento Worgl tem metade desta resposta. Porque não ensina só como se pode criar uma economia social, sua história também ensina porque em grande parte isso não ocorreu:

O Banco Central avança
Se este fosse um conto de fadas seria lícito esperar um final feliz. Mas este não é um conto, foi realidade. Então a história é diferente.
Apesar de Unter não ter utilizado o termo “moeda”, o Banco Central encarava os Certificados como de dinheiro se tratasse. E, apesar das negociações entre a cidade e o Banco, a interpretação foi que explicação a cidade de Wörgl tinha excedido as suas competências, uma vez que o direito de emitir moeda na Áustria era privilégio exclusivo do Banco Central, nos termos do art. 122 do seu Estatuto. E Wörgl tinha violado essa lei.
A proibição do Certificados entrou em vigor no dia 15 de Setembro de 1933, no entanto, a cidade recorreu. Em 15 de Novembro, o caso chegou à Suprema Corte, a qual, como é óbvio, anulou o apelo pondo fim à experiência. -A experiência da moeda social

O que aconteceu com essa experiência paradigmática, não foi um fato isolado. Pelo contrário. Assim com ele se tornou um paradigma, a resposta do Estado Austríaco também se tornou um paradigma como o Poder Central e Autoridades Monetárias iriam conseguir frear, e manter refreado, a economia social sem destruí-la por completo: regulando. Ou o que é a mesma coisa se apropriando, tomando o controle, desse advento social, através do que eles sabem fazer melhor (ou só sabem fazer): proibindo, liberando. Ou seja enquadrando e sufocando jurídica, fiscal, tributária e até judicial e policialmente as iniciativas livres para subsidiar as outras devidamente enquadradas com exatamente as mesmas normativas, mas não só, as vezes, também até patrocínio financeiro -não necessariamente transparente ou legal. Normativas que ao mesmo tempo favorecer os amigos do rei quanto freiam as transformações sociais e econômicas que não interessam aos donos do reino. O que é a mesma coisa. já que os amigos do rei são aqueles que mais bem servem e se enquadram nos interesses do reino, e os inimigos do rei todos aqueles que não.

Diga-se de passagem essa não foi uma estratégia governamental inventada só para acabar ou cooptar especificamente com as iniciativas da economia social, mas para matar ou tomar qualquer iniciativa econômica ou social que contrarie os interesses governamentais ou mais precisamente os interesses que ele de fato administra e representa. Foi a mesma estratégia adotada contra seguridade mutuas dos trabalhadores e sindicatos e até movimentos sociais no inicio do século passado e que reduziram esses programas e organizações da sociedade em orgãos e organismos estatais ou paraestatais repleto de pelegos, corporativismo e sem mais nenhuma razão social. Não por acaso tão decantes falidos e impopulares quanto o próprios governos.

Em suma não é correto afirmar que as iniciativas organizações e projetos e experiências sociais não tenham crescido e disseminado, elas cresceram e foram replicadas até em dimensões maiores que as originais graças ao subsidio estatal, e patrocínio do grande capital, direto de empresas ou suas fundações “filantrópicas”. Elas cresceram, a unica diferença é que cresceram amputadas, acorrentadas em todo seu potencial de transformação social que pudesse vir a ultrapasse a conservação dos privilégios e interesses que constituem esse estatus quo. Cresceram reduzidas e deformadas pelo arcabouço normativo- jurídico para não se serem autônomas nem terem jamais força própria para se sustentar independente das sem esmolas que dirá cumprir sua finalidade social.

Entretanto é um erro atribuir essa cooptação e adulteração e perda do potencial de empoderamento popular dessas iniciativas sociais a falta de caráter ou falta de resistência dos seus responsáveis. Primeiro porque o caráter e propósitos desses pioneiros eram muito diferentes dos capachos que seriam postos em seu lugar. Segundo e mais importante porque eles não abandonaram suas posições por falta de vontade e resistência, mas literalmente por falta de instrumentos sociais que pudessem constituir a sua defesa e resistência. Algo que acontecerá também com a renda básica se ela não tiver instrumento que permitam que ela multiplique e dissemine de forma social e independente.

Analisar uma comunidade é como analisar um organismo vivo, uma célula. Se olharmos apenas para seus processos internos podemos chegar a conclusão que ela funciona perfeitamente quando na verdade nenhum organismo sem uma carioteca, sem a capacidade de preservar o seu núcleo se adaptando e interagindo como o meio ambiente é capaz de sobreviver ou manter intacta suas funções autônomas. E quanto mais tóxico for esse ambiente, mais importante é esse sistema inteligente de proteção, que bloqueia o que é nocivo ao mesmo tempo que tira dele o que carece para se manter.

E isso sugere muito sobre o que uma criptomoeda podeira vir a agregar para a economia social. Não acredito que as criptomoedas sejam nenhuma bala mágica, capaz de tornar as livres iniciativas sociais invulneráveis aos mandos, desmandos e corrupção da tecnocracia e burocracia porque . Porém não tenho dúvidas que elas podem ser um obstáculo substancial capaz de garantir as comunidades ao menos o tempo que carecem para crescer e se desenvolver sem serem destruídas e dominadas no berço, seja por forças de cima para baixo, quanto de fora para dentro.

Na verdade não importa muito qual será instrumento exatamente será utilizado, mas sim que ele cumpra essa função estratégica de desenvolvimento. De modo que se não for criptomoeda outra ferramente deve ser adaptada e se não existir nenhuma então precisam ser inventadas. Pois na ausência destas tecnologias resta apenas aos projetos e organizações independentes ou tentarem subsistir completamente a parte marginalizados, ou então agindo como uma espécie de “virus” dentro deste sistema corporativa, usando os códigos jurídicos-normativos do sistema contra o sistema numa espécie de jui-jitsu dentro da própria delimitação da legalidade. Porém seja voando abaixo do radar, ou navegando dentro das zonas cinzas e “falhas” programada do sistema a capacidade de transformação social também está limitada, obviamente não como a das organizações e agentes sociais já cooptadas ou fabricados para ser submarinos para-governamentais dentro da sociedade e organizações não-governamentais, mas definitivamente bem mais limitada.

Poderia dizer então que a descentralização não é o fato determinante, mas sim a independência das pessoas comunidades e redes formadas por elas. Poderia dizer que sistemas locais centralizados poderiam promover essa emancipação, mas nisso estaria ignorando que essa independência é produto direto da descentralização. Ou mais corretamente da arquitetura descentralizadora da programação tanto as criptomoedas quanto das tecnologias que compõe a economia social. Logo, não é propriamente uma questão da dimensão da economia da localidade, se macro ou micro, mas literalmente da sua estrutura e programação funcional. De tal modo que seja um pais, seja uma vila, a centralização que torna qualquer poder central — seja local, nacional ou global — forte contra os organismos individuais ou associados submetidos a sua jurisdição é também sua maior vulnerabilidade contra aqueles que estão além ou aquém do alcance dela. Literalmente a grande força dos sistemas corporativos é também seu ponto mais vulnerável. Corte tome a cabeça do sistema que você quebra ou domina. Não é a toa que a Internet nasceu de um projeto militar como resposta a questão: como manter o sistema funcionando mesmo sem a cabeça? Descentralizando, porém isto é justamente a quebra das cadeias hierárquicas de comando e consequentemente a morte do corpo artificial parasitário que não existe para cumprir nenhuma social, mas se manter as custas das sociedades.

A arquitetura descentralizadora dos sistemas é não é só um fator que aumenta a eficiência, a estabilidade produtividade e segurança dos processos. Ele é fundamental ao cumprimento da sua função social e autonomia de um organismo. A burocracia, tecnocracia dos sistemas operacionais e gestores autocráticos por oposição aos democráticos não é uma falha do sistema, ela é um componente fundamental da sua verdadeira finalidade que não visa aumentar a produtividade social ou econômica mas justamente a sacrifica para manter essa poder centrais e estruturas intermediárias gerenciais, porque essas estruturas são a própria materialização desses privilégios como desigualdade de poderes e autoridades. Ou em outras palavras sua finalidades são corporativistas, não existem para agregar nada a sociedade e economia, mas exatamente para dominá-las de forma parasitária.

Por isso quanto chamamos essas classes de vermes, se não fazemos isso como ofensa a pessoa humana, mas a sua finalidade corporativa (privada ou estatal), estamos apenas e literalmente constatando sua função (anti)social dentro do sistema politico-econômico. E eliminar esse parasita politico fisiológico e intestino que apodrece e incha o organismos hospedeiros não faz parte do trabalho, é o trabalho social. A ação social que não presta a remediar os efeitos nocivos e contraditoriamente preservar o hospedeiro para ser dominado sugado, mas se se livrar e libertar dele, precisa atuar contra as causas parasitárias geradoras do problema para libertar em sua raiz. E a centralização não é só a estrutura desse corpo estranho e parasitário é seu código genético, sua programação.

A arquitetura, funcionalidade e autossustentação descentralizadas que bebe na fonte das teorias de redes e saber ecológico é um novo paradigma que precisa ser aplicado não só estrategicamente no combate destes sistemas políticos, mas organicamente nos projetos e tecnologias desenhadas para nos livrar desse mal, de modo que elas não sejam nem terminem apenas como a estrutura corporativa concorrente igualmente parasitária seja no plano micro ou macro da politica e economia. De modo que quanto mais centralizado os centros de processamento e tomada de decisão mais fácil derrubar, cooptar e perverter todo o programa, sistema ou organismo não importa se ele é o sistema destinado a revolucionar ou conservar o status quo.

Regimes políticos e políticas econômicas parasitárias ficam cada vez mais enfraquecidos conforme o mundo se integra graças a revolução tecnológica porque são vulneráveis naquilo justamente que é sua grande força e razão da sua potência: a centralização. Da mesma forma que as as livres e pequenas iniciativas não glocais mas individuais e comunitárias ganham poder de transformação e resistência na exata medida do fator determinante do seu empoderamento e constituição: o mutualismo da sua livre associação que em termos de arquitetura e programação dos sistemas é essa rede de redes geopoliticamente descentralizadas.

Logo um sistema monetário não precisa ser global, mas precisa, não importa a dimensão ou escala, a descentralização não só do ambiente, mas dos seus métodos e processos, isto se quiser ser de fato um fator determinante da conquista e preservação dessa autonomia e não o seu ponto fraco, ou até mesmo backdoor.

E aqui cabe uma outra questão: E se por ventura as criptomoedas tivessem mesmo essa capacidade, não seria possível efetuar esse bootstrap micro ou macro apenas agregando as criptomoedas a Economia Social sem necessariamente adotar a renda básica?

Não.

Se tenho minhas dúvidas quanto a extensão das possibilidades sociais das criptomoedas , quanto a capacidade dos instrumentos atuais da Economia Social tenho absoluta certeza das seus limitações e vulnerabilidade quanto a apropriação e cooptação perante os sistemas políticos e econômicos. Limitações, importantíssimo notar, que não só produto da vulnerabilidade a intervenção regulatória, mas da própria incapacidade de qualquer economia local ou global de se sustentar e resistir sem instrumentos de redistribuição de renda, descentralizados e voluntários. Ou seja da ausência de uma cultura e dispositivos de proteção mútua proativa e preventiva e não apenas reativa e repressora. E aqui entra a importancia da renda básica não como programa governamental, mas social em seu sentido pleno, isto é, como dispositivo e política pública de propriedade da sociedade, ou seja de cada cidadão não apenas por direito, mas de fato.

Geralmente nas teorias de renda básica se fazemos referência a renda básica apenas como o montante pago, ou no máximo como o sistema de pagamentos e seu financiamento. E não a renda básica como o própria tecnologia ou dispositivos e modelos aplicados que a constituem de fato. Ou seja a renda básica como não apenas como meio-de-pagamento, mas como o meio-de-produção, o capital social e produtivo deste bens e serviços sociais. E como toda propriedade ou capital sua finalidade depende de quem o detém e controla de quem define a sua natureza ou razão, literalmente o que ela é fato e não só conceitualmente de acordo como seus propósitos.

A instituição e preservação de sociedades e economias verdadeiramente livres depende e muito dos códigos e dispositivos que constituem esses contratos sociais e comerciais; da capacidade desses programas e dispositivos sociais de se preservar e preservar essas economias e sociedades da incorporação de poderes centralizadores estatais e privados não só nacionais mas internacionais. De fato a própria soberania e autonomia dos povos como verdadeiras nações como federação- não só de localidades territoriais mas de pessoas livres e autônomas associadas de livre e espontânea vontade por suas afinidades solidárias- depende da integração e segurança dos dispositivos e tecnologias sociais que constituem e mantem essa rede de segurança e solidariedade social do que das suas forças armadas ou potencial militar. Até porque até mesmo as força militares enquanto dependerão e muito da preservação desta moral dos exércitos, da união entre os combatentes — ao menos enquanto forem compostas de seres humanos e não exclusivamente máquinas.

Daí a importância de uma renda básica ou qualquer coisa parecida capaz de cumprir esse papel de garantidor do mínimo vital não só para preservação esses sistemas politico e econômico, mas a liberdade individual e soberania desses povos enquanto sociedades minimamente livres e não democráticas e não exercítos de mão-de-obra vulneráveis a exploração e tiranização.

O importante portanto é entender não só porque o Worgl acabou. Mas porque ele não poderia resistir a oposição de um Banco Central, mesmo se quisesse. Mesmo que o Estado em ultima instancia não apelasse sempre para a ameça e uso da brutalidade.É importante compreender que o estado não tem só a prerrogativa do monopólio só da violência, mas sim o monopólio da recursos comuns e produção dos bens e serviços públicos através dessa prerrogativa e supremacia da violência. E evidentemente é sempre a ela em primeira e ultima instância que ele vai apelar, mas durante intervalo que constitui propriamente esse estado de pax estatizada não é propriamente e ele que ele recorre mas sim a seus dispositivos políticos, executivos, legislativos e jurídicos para manter seu domus econômico e cultural.

De tal modo que Uma potencia privada ou estatal não precisa se valer da sua força de fato, mas apenas sufocar a economia e cultura de uma comunidade ou nação menor seja dominando a cabeça dos sistemas corporativos seja simplesmente usando a falta de segurança politica, jurídica e econômica a desintegração local, nacional e internacional dessas comunidades e sociedades para impor seu domínio matar ou se apropriar de qualquer iniciativa outrora livre dessas pessoas.

Não é uma questão de chaves no lugar da bala. Ou só de possuir as chaves e armas que controlam seus sistemas. Uma questão de dispor de tecnologias de defesas segurança ou seguridade capazes de preservar as liberdades individuais ou soberania. Nem tão pouco é somente de uma questão de livre associativismo ou integração destes sistemas tecnologias e organismos que os constituem, mas justamente (e antes de tudo) de possuí-los de possuir esses recursos e meios como direito e de fato. De possuir os recursos e meios-de-produção e reprodução dessas liberdades fundamentais como direitos de propriedades.

O fator determinante da liberdade individual é exatamente a mesma da soberania nacional: é possuir de direito e de fato tanto a liberdade produzida socialmente, quanto os recursos que servem de matéria prima a sua produção e reprodução. Não é portanto uma questão de só de desenvolvimento econômico tecnológico, industrial, militar ou comercial. Mas de posse, controle e preservação dos meios e recursos necessários a produção e reprodução de bens de serviços dos bens não só sociais, mas vitais ou se preferir estratégicos.

Uma questão de controle de os meios e recursos estratégicos. Estratégicos não só a produção de riquezas, mas da preservação da vida e dos estados de paz. E como poderia ser diferente? Povos e nações não são abstrações coletivas, mas se individuais que compartilham as mesmas necessidades básicas e meios comuns. Da água as riquezas naturais da terra, passando pela produção do pão, até chegar as tecnologias sociais e informacionais quem controla a produção e distribuição destes bens, quem controla sobretudo a concepção cultural e ideológica destas noções do que é a liberdade, propriedade e legitimidade, individuo e cidadania seja nacional ou cosmopolita, controla esses recursos meios (e definições) que constituem os sistemas políticos-econômicos nacionais e internacionais, controla o território, as localidades e pessoas dentro delas.

Ou simplesmente quem controla o capital e seus rendimentos controla o sistema. Capital em seu sentido original e não das riquezas em geral produzida através da sua expropriação ou não, mas capital como os recursos e meios propriedades que são essenciais tanto para a produção de riqueza quanto preservação da vida. De modo que se você controla exclusivamente seus próprios meios e recursos e participa igualmente do controle dos recursos e meios comuns é livre. E quem não controla um ou outro, ou nenhum dos dois é escravo de quem os controla sua propriedade ou participação. Ou em outras palavras quem não é dono das propriedades que constituem sua liberdade natural e social, não é proprietário de si, mas propriedade querendo ou não de quem detém os recursos e meios produtivos não das riquezas, mas da liberdade de fato. É recurso, maquina e capital humano para reprodução não só da riqueza alheia, mas da sua própria alienação.

Não é portanto o dinheiro que faz dinheiro, mas rigorosamente o capital que reproduz e sustenta o capital seja como propriedade de liberdade ou alienação. Ou mais precisamente não o monopólio sobre os meios-de-troca que constituem o fator determinante da dominação, mas a posse exclusiva de todos os recursos e meios necessários a preservação e produção da liberdade como bem ou serviço inclusive a produção dos próprios meios-de-troca.

E eis aqui o grande problema clássico que a renda básica tem em comum com todos os sistemas monetários, sejam moedas locais, nacionais; fiduciárias ou criptografadas derivado não da pobreza ou concentração de riquezas, mas da expropriação sistemática institucionalizado e legalizado desses capitais. Não é possível estabelecer um sistema monetário a revelia da economia real que não é composta apenas do trabalho, mas do capital que é formado pela posse tanto dos meios de produção e reprodução social quanto dos recursos naturais como matéria prima. Os capital como meio ambienta vital, ambiental essencial a tanto a sobrevivência da todas pessoa humana tanto como trabalhador livre, quanto como cidadão de uma autentica sociedade de paz .

Ou seja, uma pessoa não é pobre e dependente porque não tem uma moeda, ou outros meios para trocar seus trabalho. É vulnerável a pobreza e submissão politica econômica e militar pela mesma razão que um nação inteira o é: porque não controla seus recursos mais básicos ou se preferir estratégicos. Não possui de fato os meios para produzir bens e serviços. Não possui os meios para sobreviver a revelia da submissão de quem detém o que é capital a sua existência. Esse sistema não se mantém portanto primordialmente pela escassez programada dos meios de troca, mas antes dos recursos e e meios naturais e artificiais onde o meio-de-troca é também só outro meio essencial mas não o único, nem o primeiro. De fato é pela posse e controle exclusivo dessas propriedades fundamentais as liberdade mais básica que estrategicamente se impõe e mantem o controle dos outros meios incluso os de troca.

Assim sendo, sejam moradores de uma minuscula comunidade ou o povo de pais inteiro, todos são igualmente dependente da ajuda ou financiamento do capital externo quando não controlam seu próprio capital. Ou se por desventura eles já foram esgotados como recursos naturais ou jamais foram desenvolvidos como tecnologia e industria social. A produção da renda assim como os meios-de-troca está condicionado a um mesmo fator: a posse de propriedades.

O trabalho não se dá no vácuo, mas sobre posses, e rendas assim como moedas que não são uma ficção contábil são literalmente representações matemáticas dessa riqueza, que quando materializadas adquirem valor que não é arbitrário por uma ou várias autoridade monetária centralizadas ou descentralizadas, mas pelo usuários conforme o valor de uso da mesma. Criar uma moeda local com uma renda básica é um problema até menor. O difícil, para não dizer impossível, é sustentá-la sem o capital propriamente dito, ou mais precisamente só como o trabalho ou integração das pessoas como único capital ou instrumento de capitalização do sistema.

Certamente uma renda básica não carece do financiamento dos capitalistas, ela carece do capital. Mas a partir do momento que eles detém o monopólio dos capitais não só para a reprodução da riqueza, mas a preservação e reprodução da vida, isso acaba se confundindo. E quebrar esse monopólio sem violência, sem criar outros monopólios da violência mas com tecnologias sociais inteligentes é grande desafio da renda básica na prática.

Numa comunidade pobre, é absolutamente inútil uma renda básica numa moeda social que não compre o absolutamente nada do necessário para sobrevivência exatamente da mesma forma que um montante insuficiente em moeda nacional. De tal modo que a renda básica sozinha não é capaz de sustentar essa emancipação e desenvolvimento autosustentado não só sem a as outros programas e dispositivos da economia social, mas sobretudo sem uma economia real.

O dilema da microeconomia não difere muito da macroeconomia. Ou um um povo de território tem uma economia suficientemente desenvolvida para sustentar sua renda, ou precisa da injeção de capital inclusive o financeiro para efetuar esse desenvolvimento. Na verdade esse capital não precisa ser externo. Território pobres, que foram pilhados e destruídos por séculos de exploração colonial, e décadas de guerra e ocupação, ou pela interminável corrupção das suas classes politicas e econômicas dominantes. Territórios pobres pilhados em seus recursos naturais e que nunca tiveram infraestrutura, industria suficiente ou se as tiveram destruídas por essa guerras, corrupção e ocupações. Estas economias carecem de 3 coisas:

  1. A restituição do controle dos seus recursos naturais e meios de produção estratégicos que restaram. ou seja independência e soberania.
  2. E a restituição do que foi roubado, não só por uma questão de justiça, mas também por uma questão mais pragmática: o que resta não é suficiente para reerguer ou reerguer uma economia.
  3. Que esses capital restituído vá direto para a população e não para as mãos dos governos e burocracias corruptas que por sinal são apenas os parasitas domésticos que se apossaram da máquina burocrática instalada pela metrópoles como estado nas suas províncias para sugá-las. Parasitas nacionais que não são continuam a pilhar, mas continuam a vender povo e terra para quem pagar mais dentro ou fora do território.

Imagine se por exemplo a Europa sem o plano Marshal, deixada a sua própria sorte como as colônias dos países periféricos, como Africa que não raro tiveram ainda que pagar uma indenização ao ladrão para receber de volta sua própria terra roubada, ou seja resgate. Como estariam hoje se tudo que tivesse fosse o trabalho e os destroços e o que restou da sua riqueza natural para se reerguer? Sabemos a resposta. Mas e se esses recursos fossem parar na mão de ditaduras ou oligarquias como estariam esses países? também sabemos, paises europeus que mantiveram suas ditadores como a Espanha de Franco, Portugal de Salazar, ou as ditaduras da Grécia:

Mas será que os bancos não sabem que esse dinheiro vai parar na mão da autocratas e sua corrupção? É claro que eles sabem, mas esse não é justamente o négocio desse capitalismo de Estado. Capital nas mãos do povo emancipa, não mãos de governos é garantia de dividas e juros intermináveis! Porque esses classes politicas e econômicas governantes não se comportam simplesmente como ladrões e tiranos, elas se comportam como viciados em posse e poder. E viciados violentos que não só vende tudo que há na casa que ele ocupa para sustentar seu vício, mas roubam até não ter mais o quê de quem produz.

Governos provincianos autoritários e centralizadores é garantia de corrupção. E corrupção garantia da manutenção da pilhagem sobre a riquezas das nações e exploração do trabalho dessas populações, sem a necessidade de nenhum pacto colonial, ou melhor um pacto colonial formal entre ditaduras ou falsas democracias e os grandes centros financeiros do capitalismo. A assimetria de direitos e poderes entre governantes e governados garante que todo o custo político descapitalização rapinagem local e externa produzam o constante endividamento destes países e o lucro garantido dos credores. Por isso é que pouco importa se eles as dominantes provinciais queimam ou cheiram o capital externo investido, pelo contrário tanto melhor, porque no final das contas a dívida e o prejuízo permanece e quem paga sempre, querendo ou não, é a população- com tributos, trabalho, e o pior de tudo penhor do seu patrimônio natural e estratégicas, como sua descapitalização. Ou seja literalmente estamos pagando não pela produção de riquezas, mas sim o roubo e monopolização tanto destas riquezas produzidas quando dos recursos necessários a sua produção! Estamos financiando não a produção de mais e novas riqueza, mas a concentração das mesmas não só como posse mas poder antisocial. Enfim, estamos financiando os poderes e potencias políticas e econômicas que nos esmagam com o nossa própria nossa pobreza e empobrecimento, com nossa perdas em independência e soberania.

E este é um fenômeno macroeconômico e geopolítico derivado do apartheid entre capital e trabalho, que também se repete no plano domestico e microeconômico, na exata medida que a relação segregatória entre centros e periferias se estende e replica tanto na arquitetura e infraestrutura da urbanizações quanto nas diferenças de berço, gene e consequentemente de raça dentro das diferenças e desigualdades e divisões nacionais, regionais e locais.

Por isso que financiar a renda básica de tributando quem possui e produz legitimante, além de ser antes de tudo criminoso, é estupido. Porque está se tirando o capital de quem produz riqueza, e que gera o capital que vai financiar a renda básica, quando deveria se retirar o capital de quem constitui seu poder estatal ou privado roubando essa riqueza e que portanto está empobrecendo toda a sociedade. É portanto direitos de propriedade e rendimentos do que público mas é roubado, ou sonegado como concessão privada que deve se financiar a renda básica.

Logo mesmo em países que não são propriamente pobres, mas desiguais não só em renda, mas em direitos (vide o foro privilégiado, leia-se: licença legal para matar e roubar) como o Brasil, a população não tem nenhuma participação da riquezas predominante natural destes territórios, porque a industrial não tem como se desenvolver nesse ambiente de entreguismo e corrupção. E sem essa participação politica e econômica na riqueza e patrimônio nacional não há como haver desenvolvimento, erradicação da pobreza, por uma razão muito simples o único propriedade que essas população possuem é seu trabalho. E como trabalho não produz nada sem capital, estão condenados a se vender não só como pessoas mas como nação.

Essa lógica corrupta e perversa se reproduz com ainda mais força nas regiões e comunidades mais pobres desses territórios de exploração. Ou quem os explora restitui a parcela do capital que não lhes pertence, mas a população como direito de participação. Ou essas pessoas carecem do investimento de capitais externos (financeiros e tecnológicos) para construir a economia que pode os libertar dessa exploração. E literalmente comprar a sua alforria, literalmente recomprar a sua liberdade.

Vamos supor que por ventura as comunidades fossem livres e tivessem o direito de emitir sua própria moeda local sem necessidade de lastreá-la em moeda real. Ainda sim a moeda precisaria estar lastreada em bens reais para ter valor, mesmo que ela própria fosse a fonte geradora do seu valor, por sua utilidade como meio de troca. De tal modo para que a moeda não perdesse valor e consequentemente poder de compra. Porque a pobreza não é uma questão meramente de falta de dinheiro, ou renda, ou vontade de trabalhar mas da falta de capital. Capital.

De modo que não existem propriamente comunidades pobres, mas empobrecidas, ou mais precisamente ainda descapitalizadas. Mesmo onde comunidades afetadas são afetadas por desastres ou condições naturais, raros são problemas que não podem ser eliminados, mitigados pela capital. De modo que as localidades e nações capitalizadas reconstroem sua infraestrutura tantas vezes quanto necessário, e as descapitalizadas não tem meios para escapar das mortes mais evitáveis da seca ou até de as vezes de uma simples diarréia num bebê.

Quando portanto falamos de uma renda básica precisamos ter em mente que não estamos falando da mera distribuição de dinheiro, ou meios-de-troca, sejam moedas nacionais, sociais ou criptografadas. Estamos ou precisamos falar necessariamente da redistribuição de renda, da restituição de capitais através de títulos que correspondem a reaquisição, que permitam o acesso destes meios e recursos estratégicos não apenas a vida mas a emancipação pessoal e independência da comunidade, sociedade,nação, delas todas como humanidade a revelia de encercamentos e divisões geopolíticos e econômicos que separem cada uma delas de se unirem sem ter que renunciar a sua identidade individual, regional, nacional ou cosmopolita.

Quando portanto falamos em financiamento da renda básica , em qualquer moeda podemos de fato prescindir do capital financeiro, mas não podemos prescindir do capital enquanto meio de aquisição das propriedade dos recursos e meios. Sistemas monetários que não sejam a representação contábil da riqueza disponível, podem não ser necessariamente fraudes como é o cassino do mercados de “capitais”, mas são ficções que como tal mais hora menos estouram ou em bolhas ou inflação. Ou seja na perda do poder aquisitivo desses meios-de-troca sejam eles títulos, moedas, commodities ou créditos.

O valor do montante da renda, quanto a próprio meio do seu pagamento é subjetivo. E quando dizemos que seu valor é subjetivo não estamos dizendo que ele possa ser ajustado arbitrariamente por autoridade descentralizadas por oposição as autocráticas e centralizadoras. Mas sim que seu valor real é governado pelas tanto desejos e necessidades especificas de cada pessoa que variam conforme circunstâncias. De modo que o valor de uma renda ou da própria moeda vai a zero onde não existe um mercado, ou um mercado que aceite esses meios-de-troca. De modo que rendas e moedas só se constituem em instrumentos de combate a pobreza e desenvolvimento quando permitem o acesso a infraestruturas e mercados sejam eles públicos ou privados, ou seja se a moeda e a renda são capazes de fazer circular não só o trabalho mas o capital necessário para construí-los.

Sistema monetário seja nacional ou local portanto precisam de um lastro maior que só o trabalho daqueles que integram essa rede. Precisam da participação de quem detém o capital da sua localidade para compor o mercado, e do participação no capital para compor a sua renda básica. E na ausência dessa riqueza, mercados internos suficientes ou do devido direito de acesso e participação da população neles, esse povo carece então do capital externo para financiar o poder aquisitivo da sua renda ou da sua moeda.

Moedas e rendas básicas, ou mais precisamente renda básicas em moedas próprias sejam locais ou nacionais precisam ser bancadas ou mais precisamente estar lastreada em capitais. E se a participação que a cada cidadão tem sobre o riqueza pública foi roubada ou destruída, restam apenas dois caminhos do uso da força de fato legítima para restituí-la, que está monopolizado pelo poder estatal, a lei, ou então o financiamento de fora da localidade ou até do território para financiá-lo.

Ou seja qualquer moeda fiduciária local ou nacional que não constitui seu valor como meio de troca pela sua própria utilidade enquanto tal, precisa ter um lastro de capital que não precisa ser convertido em outras moedas, mas necessariamente em bens materiais e não só de acordo com a demanda dos usuários, mas antes de acordo com a oferta da economia real. Qualquer emissão de meios-de-troca sem essas correspondência com capitais acabam não por aumentam o poder aquisitivo mas reduzir o valor da própria moeda, ou até mesmo podem fazer seu valor evaporar na exata medida que a sociedade descobre que aquela moeda não praticamente nada.

Em suma ou os meios de troca que não são constituídos já por capitais precisam de capitais que os lastreie. A emissão de moeda fiduciárias ou ou mesmo o lançamento de crédito na forma de notas promissória a ser resgatadas ou trocadas por trabalho como nos bancos do tempo, são ferramentas interessantíssimas porque permitem colocar o trabalho também como fonte de financiamento, como riqueza, mas ainda sim padecem da falta de capital, tanto como meio de troca seguro quanto de uma economia forte que capaz de atender a demanda por bens e servições vitais e estratégicos.

Por isso em geral economias fracas precisam de reservas monetárias de moeda de outras economias mais solidas, ou commodities naturais ou artificiais capazes de desempenhar esse papel. E mesmo economias fortes não podem estar completamente desprovidas desses meios-de-troca como ouro ou prata especialmente em tempos de guerra ou risco eminente de uma.

E nem em momento alguma nenhuma delas desprovida dos meios vitais e estratégicos. Ou vai acabar trocando ouro ou petróleo por pão.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/08/1912899-com-petroleo-e-sem-sabao-venezuela-tem-gasolina-quase-gratuita.shtml

Logo quando falamos de uma renda básica em qualquer moeda nacional, local ou cripto, o raciocínio que se aplica é o mesmo que o aplicado a importância do montante. O que de fato essa renda (neste montante e nesta moeda) pode comprar naquela localidade? Mesmo que não seja tudo o que esta precisa para se livrar da exploração econômica ou dependência política, se essas renda ajudar a pessoa a conseguir se livrar delas através da privação primitiva da sobrevivência ela já significante, embora não seja suficiente.

Poderíamos pensar então que comunidades completamente autosuficientes, ricas ou que controlem suas riquezas naturais poderiam adotar uma moeda local sem se preocupar com o seu valor em relação as demais ou do investimento do capital externo. Mas não existem países completamente autosuficientes. Não existem países que sejam absolutamente competitivos em todas os setores produtivos. Que dirá então de comunidades?

Mesmo em comunidades que não sejam pobres. Que tenham alguma riqueza natural para financiar sua renda básica, como por exemplo o petróleo, precisam levar em consideração não apenas se possuem uma produção interna suficiente, mas competitiva, porque se o custo da produção dos seus bens e serviços for maior que o de fora, não estamos usando essa moeda como meio-de-troca, mas como instrumento de protecionismo da comercio e industria, ao custo de toda a comunidade ou sociedade. E se esse a produção não for só mais cara, ou pouco competitiva, mas completamente insuficiente, baseada somente em poucos riquezas isso é um suicídio.

Macro ou micro a questão da pobreza é uma questão de desenvolvimento. E desenvolvimento envolve quebra de monopólios, oligopólios, desigualdades de direitos e poderes, e é por isso que importantíssimo que as tecnologias sociais, rendas propriedades e sistemas tenham características redistributivas, que renda básica e moeda social impliquem literalmente em acesso e participação no capital sobretudo o estratégico que compõe a economia real e não bolhas financeiras e monetárias do Mercado e Estado. Em outras palavras, não é que a renda básica e a moedas precise do investimento de capital financeiro, elas precisam do capital tanto para se constituírem, e para produzirem o impacto social esperado, tanto na produção e redistribuição de riquezas quando na divisão ou mais no apartheid entre capital e trabalho que produz a constante descapitalização, a real causa do subdesenvolvimento e pobreza.

É por isso que a lei brasileira da renda básica aprovada, é na prática nula, não aponta de onde devem provir os recursos, não apontam os capitais devem financiar a renda básica. E justiça seja feita, se apontasse não seria aprovada. E é por isso que tantos opositores afirmam que a renda básica provocaria inflação. Porque na cabeça deles, dos economistas estatais, a renda básica somente seria criada com a emissão de dinheiro e não redistribuição de renda, porque redistribuição de renda senão é roubo da riqueza particular alheia, é justiça, isto é, é a restituição justamente dos rendimentos pilhados do que é ou deveria ser público e não estatal ou concessão privada. Mas essa (e outras) justiças são algo que está fora de cogitação, porque quem as controla a justiça são exatamente os mesmos organização criminosa formada por bankster e gangster que controlam tanto a politica quanto a economia como capitalismo estatal.

Não é a toa que a renda básica de Quatinga Velho nunca foi financiada por nenhum Estado, ou entidade filantrópica corporativa, mas de pessoas menos pobres em geral de localidades mais ricas para pessoas mais pobres de localidades mais empobrecidas ainda. Porque se a descapitalização dessas pessoas não só financeira, mas informacional se a privação da divisão capital entre os expropriados e proprietários fosse absoluta, não haveria a menor possibilidade dos descapitalizados saírem da pobreza. Porque a pobreza é não é só como um fosso onde as pessoas não saem sem ajuda de quem está fora deles, ou pelo menos não está no fundo dele. É uma fosso apinhado de seres humanos, um mar de pessoas projetado para elas se esmagarem e sufocarem e na tentativa desesperada desesperadamente de fugir usando uns aos outros terminam como afogados a puxar uns ao outros de volta ao buraco.

Teorias dos jogos são perfeitamente capazes de explicar o comportamento humano em sistemas monetários e financeiros regidos pelas privações primitiva, mas essas economias não são jogos meramente virtuais, mas reais regidos pela privação de coisas vitais e com resultados fatais para os players mais enfraquecidos.

Portanto ão é só o montante da renda que precisa ter importância e significado e representativa para aqueles que a recebe, a moeda com que se pagam precisam ter exatamente a mesmo valor, precisam ter exatamente a mesmo significado e correspondência como o que é real, o capital. Ou não tem nenhuma capacidade de empoderamento aquisitivo. E uma renda básica que não seja não seja capaz de prover o acesso a esses bens essenciais seja porque seu montante seja insuficiente, ou porque o seu meio-de-troca é não é aceito por quem detém esses capitais é uma moeda e renda fadada a falir. Assim como renda básica que não se constitua literalmente como investimento capital, investimento descentralizado livre de intermediários também não tem capacidade quase nenhuma para promover a construção e reconstrução dessa economia. E mesmo enquanto tal não representa capitalização suficiente para fazer isso sozinha, sem outras tecnologias sociais agregadas ou derivadas da própria renda básica, como microcrédito que integramos durante o período em que tivemos capital para tanto a experiência de Quatinga Velho. Porque simplesmente é impossível a pessoa reformar sua casa ou construir seu próprio negocio no tempo das suas necessidades só com o capital de uma renda básica.

A falta do pão não é apenas uma questão da falta de dinheiro, advém justamente da falta de compressão que a pobreza e a fome não é um fenômeno, é uma industria. Onde o monopólio sobre a produção e circulação é um dos mais importantes fatores para sustentar essa exploração política e econômica. Monopólio que inclui os meios-de-troca, mas não é sustentado exclusivamente por ele.

A experiência chavista da Venezuela, é o melhor exemplo do que eu estou falando. Mesmo que não fosse uma ditadura, ainda seria um modelo econômico insustentável pois está baseado na mera fabricação de moeda numa razão de uma economia completamente dependente da importação dos produtos mais básicos e exportação de um único bem. O que gera a desvalorização do desse meio-de-troca e redução do seu poder de compra (inflação). Mas não precisamos sair do nosso pais para entender esse processo, temos exemplos históricos e atuais, até mesmos porque nossa economia permanece sequestrada e prisioneira e subdesenvolvida dos mesmos paradigma oligarquico, quando até das mesmas oligarquias! Vide a crise do café na primeira república e em breve a do agronegócio na “nova”.

O desenvolvimentismo e estatismo vendido como nacionalismo tenta resolver essa problema infraestrutural concentrado e centralizando poderes e capitais e planejamento no estruturas corporativas tanto estatais quando privadas subsidiadas ao custo da descapitalização ou até mesmo expropriação de toda a sociedade. Enquanto efetivamente a economia de renda básica prove o efeito contrário através da participação societária sobre aquilo que é bem público e comum, patrimônio propriedade de cada cidadão.

Quando falamos em desigualdades sociais, nacionais e mundiais não estamos falando só de pessoas pobres em ambientes ricos, como nas bolhas das grandes metrópoles dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, estamos falando das periferias a margem dentro e fora delas como nos grotões do Brasil, America Látina, Africa e Asia. Lugares onde inexiste infraestruturas públicas e privadas onde está renda ou moeda ajudaria muito ou nada sem investimento na construção ou reconstrução dessa infraestrutura de bens e serviços privados e públicos.

Então estou dizendo que a moeda e a renda básica é inútil nestes lugares? Não pelo contrário, estou dizendo que ou a renda básica precisa não só vir junto com esse capital, ela precisa ser parte essencialmente desse capital! Ou mais precisamente que a sua capacidade de desenvolvimento econômico e social advém direta do capital que ela literalmente representa -simbólica e contabilmente.

A renda básica precisa representar contábil e socialmente a restituição da participação de cada individuo nesse capital. Exatamente como a moeda circulante precisa representar a somatória da riqueza disponível e potencial, nem mais nem menos. Uma equação que diga-se de passagem não é objeto de calculo de nenhuma autoridade mas produto de uma lógica, que não é fácil de se emular mesmo em sistema monetários-financeiros descentralizados. Não apenas por uma questão de justiça ou direito natural, mas porque uma renda básica sem essa capacidade não é capaz cumprir a função que a define como tal. E não só não é renda básica, como seja lá o que for não funciona. Aliás é melhor ter qualquer coisa mesmo que não seja a renda básica das definições fundamentalistas e dogmáticas que cumpre sua finalidade social, do que ter uma renda básica ideal que não funciona ou sequer existe de fato.

Logo moedas e rendas básicas ou não sociais ou não carecem só de propriedades ou capitais, de uma economia real para ser empregada, mas de uma economia real que lhe confira seu valor real como poder aquisitivo. De modo que o sistema monetário e financeiro local ou nacional precisa estar conectado a essa economia real, precisa rigorosamente ser corresponder a a economia real que constitui o capital que o financia, e se não é a própria economia local ou nacional, tem que ser outra que detenha a riqueza necessária para sustentar o básico. Para ver a validade desta afirmação basta imaginar que os recursos pudessem ser requisitados e teletransportados conforme a demanda das pessoas sem nenhuma necessidade de intermediação. Ainda sim a menos que esse sistema monetário e financeiro fosse capaz de materializar fabricar do nada esses recursos, ele precisaria tirá-los A para dar a B. Mesmo que A não seja uma proprietário ou o proprietário legitimo da coisa, mas a própria natureza, ainda assim é preciso haver o recurso, a capacidade de extrái-lo e transferi-lo, e não menos importante a legitimidade de fazê-lo, se quisermos viver eternamente numa guerra não declarada civil ou entre nações.

De tal modo que se a coisa pertence ou também pertence em alguma parte a outras pessoas é somente nessa parte que ela deve ser transferida ou restituída. E mesmo que não pertença a ninguém em particular ou coletivamente, o direito de retirá-la da própria natureza está igualmente delimitado por aquilo que define a legitimidade tanto da propriedade quanto da apropriação, a ausência de danos ou prejuízo para a vida, liberdade e propriedade inerente ou adquiridas legitimamente pelos demais, ou seja respeitando o mesmo procedimento de aquisição não-violenta.

Uma renda básica que não provenha do capital, ou seja em si o capital não tem capacidade de eliminar a pobreza, findar a desigualdade social extrema promover o acesso aos bens e serviços essenciais naturais ou sociais, contruí-los do ou reconstruí-los. não quebra monopólio nem oligopólios nem econômicos nem políticos, sobre a posse das coisas nem muito menos sobre a intermediação dessas posses. Não é tem o poder de garantir o promover a independência de nenhuma pessoa comunidade ou sociedade. E entretanto… entretanto justamente pela mesma razão, uma renda básica genuína que seja a razão contábil da distribuição dessa participação na riqueza tem um poder de realizar o que nenhuma violência de nenhum poder central nem socialista ou capitalista jamais foi capaz de fazer.

A economia de uma casa, de uma vila ou de uma nação inteira em seus aspectos fundamentais não se diferenciam muito. Suponha por exemplo que você queira se tornar completamente livre e autossuficiente. E compre um uma terra só sua com água potável e lugar para plantar o que você precisa para comer, que sua família é grande o suficiente para dar conta de todo o trabalho, ou então forme uma comunidade para tanto. Suponha ainda que sua casa e comunidade nunca precise de absolutamente nada de fora dela para se sustentar, o que é impossível por mais primitiva que seja essa comunidade, se ela por ventura sofresse com alguma praga ou desastre natural como essa família ou comunidade obteria os recursos sem ajuda externa? Supondo ainda que por sorte jamais sofresse nenhuma adversidade, ainda sim o que impediria que ela fosse esmagada ou sufocada por tributos confisco ou expropriação ou que uma uma proibição governamental qualquer? Mesmo que não houvesse o governo, o que impediria que ela sofresse o mesmo com assaltos, roubos e ameaça de outras gangues ou máfias atrás de seus recursos naturais? Como ou de onde ela levantaria os recursos necessários para se reerguer? Não é a toa que as primeiras comunidades como a Modern Times, todas elas desaparecem completamente após as crises do capitalismo do inicio do século XX, cujo evento marcante é a grande depressão de 30.

Essa é a verdadeira tragédia dos comuns. A tragédias dos nativos em qualquer tempo. Invadidos domínios e extintos por forças de ocupação e colonização. Mesmo o Império Chines que queimou toda a sua frota de navios, e se fechou em seu território para o mundo, seria aberta e derrubado a força da violência do Império Britânico na guerra do ópio. Não há saída estamos condenados a conviver entre chacais. E nem mesmo se fugíssemos para outro planeta estaríamos livres deles, porque nós somos os chacais, o lobo mora dentro do homem.

De fato a unica defesa que as pessoas de paz possuem, seja ela militar ou política é colocar o preço da sua dominação e destruição a um preço que impossível do outro pagar. Fazer com que o custo da sua exploração seja um prejuízo certo muito maior do que qualquer possibilidade de lucro com a sua A liberdade e paz não tem preço, mas não se mantem de graça. E esse é o custo. Na verdade a única arma que o pequeno e fraco tem contra o grande e forte.Que um pais tem contra uma potencia, que sociedade tem contra uma Estado, que uma comunidade tem contra um sociedade, e que uma única pessoa mesmo sozinha tem contra todo o mundo. Algo que só se faz com sucesso quando essas pessoas se associam livremente, em rede e passam a ter juntas o capital necessário para negociar amistosamente ou não sua convivência livre e pacifica.

Parece que estou pintando um quadro muito duro da realidade, mas é a realidade nos localidades pobres onde as pessoas não fazem sua própria segurança, mas sua própria seguridade social não raro para se proteger da “proteção e segurança compulsória” dos mais fortes porque bem armados, mas bem armados porque a força de fato também se compra com capital.

Transformar localidades em comunidades, cidades em sociedades, e territórios em nações, não confundir com Estado-Nações, nem cidades-estado, é a chave, e se a moeda ou sistema de troca é capaz de ajudar nesse processo de resistência, emancipação e desenvolvimento econômico e social. Ela então como toda ajuda ou ferramente sempre bem-vinda. Do contrário não, ela é entendida pelo povo daquele lugar como mais uma armadilha que eles só mordem por absoluta falta de alternativas, mas por isso mesmo se dispersam e largam na primeiro oportunidade. E tantos projetos sociais governamentais ou não se desfazem praticamente sozinhos.

Um moeda ou sistema monetário próprio é portanto uma faca de dois gumes. um instrumento que pode tanto promover a riqueza e eliminar a pobreza, quanto agravar a pobreza e destruir a riqueza especialmente quando essa faca trabalha para interesses alheios as necessidades das pessoas da localidade ou território, porque interesses são difusos, mas necessidades comuns. E da mesma forma que moeda própria pode livrar um povo da recessão ou inflação provocada por um poder central, também ela mesma pode provocar essa recessão ou inflação se sua produção estiver desconectada dos meios e recursos, da economia real. Pode provocar seja através do estado ou corporações privadas bolhas que quando estouram levam a falência o sistema e quem pagar a conta é sempre a sociedade, sendo ele ou não o proprietário do sistema. A diferença (que não é nem um pouco sem importância) está no acesso aos ganhos e não nos custos e eventuais perdas.

Daí a importância da compreensão que os sistemas monetários como representações contábeis da riqueza realmente disponível para o uso da população. Uma representação fidedigna não só capital mas do seu rendimento que está ou pode ser consumido especialmente quando a parte mais importante a todo tempo são os recursos naturais que mesmo sendo renováveis, precisam de tempo para se reproduzir de tal modo que esse rendimento ou essas rendas básicas ou não são ou deveriam ser arbitrárias ou regidas apenas pela lógica econômica, mas pelos limites ecológicos. Porque mesmo que a economia real fosse capaz de acompanhar qualquer emissão de moeda, provendo rendimentos crescentes para todos, ou como é hoje só para alguns proprietários dos recursos e meios de produção. Esse crescimento igual ou desigual não seria infinito porque não só os recursos naturais são finitos como sua taxa de reprodução e crescimento não é a mesma da acumulação do capital ou do consumo desenfreado que regem a cultura humana no seu atual estágio de evolução ou consciência.

Logo não só a provisão dos meios de troca ou dos rendimentos que estão atreladas delimitadas querendo ou não pela quantidade de riqueza ou capital disponível. Mas a própria transformação dos meios vitais e ambientais em capitais e propriedades, matérias primas e meio de produção seja de uso privado ou coletivo, está também delimitada a capacidade da natureza em prover graciosamente esses recursos. E o estouro dessa bolha definitivamente será a última não só do capitalismo, mas da humanidade.

É por isso que rendimentos e rendas iguais para todos ou desiguais estão delimitadas a longo prazo pelas capacidade real da propriedades em produzir riqueza como capital, assim como a própria fabricação destas propriedades e do capital está delimitada pela capacidade real da natureza em reproduzir aquilo que é vital antes de ser capital. Sistemas monetários e financeiros macros ou micro respondem a mesmas leis econômicas universais, assim como as economias e suas leis respondem a leis ecológicas mais universais ainda da natureza. Na verdade fundos de capitais são curiosas invenções da cegueira seletiva da humanidade. Eles funcionam como uma árvore que nunca seca porque delas só se retira os frutos. Mas que ao mesmo tempo não preserva o próprio patrimônio natural que prove e sustenta.

Não só podemos mas devemos dispensar as leis da economia politica que não tem fundamento ecológico, mas não podemos ignorar as leis da ecologia. E ao observá-las inevitavelmente estaremos reconstruindo economias, políticas e sociedades onde aquilo que nos apropriamos do que é vital transformamos por definição em capital. De tal modo que sistemas financeiros e monetários locais ou globais que ignorem essa ordem de causas e consequências não só jogos são cassinos onde estamos apostando a longo prazo contra nossa própria existência. E infelizmente estamos ganhando não igualmente, mas ganhando e muito.

Enfim creio que o maior e mais importante advento da humanidade seria um sistema monetário-financeiro capaz de produzir uma nova política e economia. Um sistema socioeconômico que fosse capaz de ao mesmo tempo promover a paz através da provisão do mínimo vital para todos e a natureza através de produção proporcional do capital e do dinheiro em relação a verdadeira reserva do possível a natureza.

Uma parte da tecnologia que compõe esse sistema já está disponível a renda básica aplicada já está disponível. Falta agora o advento e aplicação de sistemas monetários não apenas desconectados dos poderes centralizadores e monopolizadores privados e estatal fabricantes riquezas nem sempre rais a custa de misérias sempre concretas, mas re-ligadas a natureza, conexas e contabilmente correspondentes não só a produção industrial, mas sobretudo a natural.

Um sistema no qual a logica da produção não só dos meios de uso, mas dos meios de troca varie de acordo não só com a oferta ou demanda dos usuários do sistema (mercado), mas que observe a própria “oferta” natural de recursos. Obviamente não simulação virtual da mineração ou de moedas fiduciárias apenas descentralizadas. Mas como registro contábil do que de fato está sendo produzido e está disponível ao consumo. Isso quer dizer portanto que o algorítimo desse sistema não pode variar por escolhas arbitrárias, mas deve estar conectado a algum bioindicador que alimente o processamento deste dado, como a luz solar alimenta não só como energia mas como informação a própria produção e reprodução da vida de tal modo que na natureza o necessário se constitui a partir do possível e não o contrário que é insustentável.

Um sistema monetário que operasse dentro dessa lógica garantia que os valores e montantes emitidos seja como renda básica, crédito ou rendimentos são títulos resgatáveis de fato resgatáveis in natura. Em outras palavras um sistema monetário lastreado não pela supremacia da força de fato, mas como simulação da inteligência da natureza.

O demurrage ou a oxidação dos meios contábeis de troca pode ser uma parte dessa solução. Falta outras a razão da reprodução desses meios. Mas aqui não já é uma outra história, um outro problema que sinceramente desconheço a solução. Apenas sei que precisa de uma e que o prazo não é tão longo quanto gostaríamos.

O dinheiro é só uma abstração contábil, mas o capital não. O capital não é a representação simbólica (e também contabilizável) só da riqueza, mas antes de tudo do que é essencial tanto para a produção da mesma como sobretudo a preservação da vida e liberdade.

O capital desintegrado do trabalho é a matéria prima das fabricas de poder politico e econômico. Assim como a própria produção, reprodução e distribuição do dinheiro desintegrada da economia real (do capital e trabalho integrados) é uma das máquinas dessa monopólios da tirania e rapinagem por descapitalização e exploração do trabalho dos expropriados.

Reintegrar a produção do dinheiro a reprodução do capital é hoje ainda mais importante do que reintegrá-la ao trabalho, porque a medida que o trabalho passa a se reproduzir apenas pelos meios-de-produção sem a necessidade de trabalhadores a divisões de classes ficam mais nítidas e acentuada entre os que detém as os recursos vitais e estratégicos, as matérias-primas e meios-de-produção social e econômica, e os que não detém nada. Não detém não o dinheiro, os seus meios-de-produção, mas o capital, onde o produto e a maquina são também capitais.

O desafio portanto não é criar moedas sociais ou criptomoedas, pagar rendas básicas ou qualquer coisa similar. O desafio é como fazer disso, o processo de reintegração das pessoas naturais ao que é essencial a preservação da sua vida e liberdade, ao o que é capital.

Dinheiro no papel ou no computador que não representa acesso, controle, posse do capital, é como cheque sem fundo ou cidadania sem democracia plena, é ficção, direito de propriedade e participação que só existem nos códigos jurídicos ou contábeis de leis ou algorítimos não necessariamente autoritários, mas ainda sim arbitrários.

A virtualidade dos sistemas jurídicos, computacionais, monetários e financeiro produz a ilusão. Porque mesmo que não fossemos mais de carne e osso, mas consciências etéreas dentro de uma matrix, de um mundo virtual onde os recursos poderiam ser fabricados a uma razão matemática infinita ou a um custo de produção e distribuição praticamente nulo e instantâneo como é a informação. Ainda sim quem controlar os servidores desse mundo virtual quem controlar o mundo concreto que os mantém ligado, controlará o mundo e essas consciências que podem se libertar se sozinhas e umas outras através da revelação, mas jamais terão controle sobre seus destino e liberdade se não retomarem o controle do seu mundo real e natural.

Sem dúvida é preciso conectar as pessoas diretamente com outras pessoas, promover a desintermediação e consensualidade sobre todas as formas de relação pessoal, produtiva, comercial e social para libertar as pessoas dos monopólios que as desintegram como consciências individuais e coletivas livres. Mas isso sozinho não é suficiente. É preciso religar, reconectar esses consciências individuais integradas coletivamente ao mundo real e natural. E isso a partir de dentro do arcabouço, de dentro do próprios sistemas artificiais. Os sistemas programas e dispositivos alternativos (igualmente artificiais) que criamos precisam hackear esses arcabouços jurídicos, financeiros, monetários, políticos que controlam não só as relações pessoais e social, mas antes de qualquer coisa e a partir dela a relação dessas pessoas e sociedades como o que é natural e lhe é vital. Precisam reconectar as pessoas e suas redes a esses meios e recursos reais e naturais que constituem tanto os seus direitos sociais quanto suas liberdades naturais. Precisam representar, significar, importar corresponder a essa realidade absolutamente necessária a todos. Ou simplesmente o capital.

Logo não basta apenas promover projetos de renda básica, moeda social a parte do domínios políticos e e econômicos desse capitais, é preciso promover projetos que quebrem essa dominação inclusive cultural. É preciso promover o acesso e controle de algum capital, e isso de forma incondicional, porque quem não tem acesso e controle incondicional sobre qualquer coisa não é seu proprietário de fato, mas mero usuário do que pertence de fato, a quem estabelece unilateralmente suas condições de uso- mesmo não tendo nenhum direito de posso ou controle que lhe dê legitimidade para condicionar nada, mas apenas negociar sua intermediação.

Para responder a questão que enseja esse ensaio é preciso se perguntar: esses projetos sociais, essas rendas correspondem, significam, representam, quantificam e sobretudo realizam o acesso incondicional ao capital? Ou não representam nenhuma acesso? Ou pior ainda só o acesso regulado por quem intermedia? Porque se não prove acesso nenhum, ou só prove mediante a imposições de condições sobre o que é do outro, então não intermedia nada, nem coloca obstáculos, priva e rouba as pessoas dos meios e oportunidades.

O valor e razão social da moeda ou renda não depende só da sua correta correspondência com a capital, mas exatamente da forma como elas intermediam essa provisão. De tal modo que ao invés de efetuar a promoção do acesso capital podem justamente efetuar o oposto a submissão a quem de fato ter o controle sobre mediante sua regulação. Assim, moeda e renda não só precisam corresponder e representar contabilmente as propriedades e rendimentos reais, mas também prover (e garantir) essa intermediação sem expropriar as pessoas da posse e poder a propriedade de fato sobre esses capitais. E quando dizemos garantir, isso quer dizer que não basta não prover de fato e prover sem expropriar, quer dizer ainda por cima que é preciso proteger o sistema do ataque e sabotagem daqueles que só querem expropriar, ou só prover mediante expropriação. Ou pior ainda: prover restos como meio de perpetuar a expropriação e concentração do principal!

Ou seja é foda. Mas se fosse fácil, então o pai da distribuição de renda no Brasil seria Silvio Santos e a miséria já teria acabado apenas com a televisão num programa de domingo. Ou qualquer coisa mais ou menos igual a isso.

Silvio sobre Figueiredo: “Se não fosse ele, eu tava vendendo caneta na Sé” (imagine se todos tivessem a mesma sinceridade…)

Certa vez, alguém disse que nosso projeto social de renda básica era muito ingênuo… que nós eramos muitos ingênuos. Hoje sou obrigado a concordar é claro que eramos ingênuos , se não fossemos, se soubéssemos tudo que sabemos hoje, talvez não tivéssemos feito nada. Mas hoje sabemos e continuamos, mesmo sabendo que — fora para as pessoas que recebem a renda- estamos apenas enxugando gelo. E acho que esse é ponto que representa o verdadeiro valor de todas essas iniciativas sociais, o fazer o possível, o agir e persistir mesmo sabendo que não é o ideal, mesmo sabendo que ainda é preciso construir o caminho até esse conhecimento. Porque no fundo são essas experiencias históricas como o Worlg, o Lets que constituem o capital sobre o qual construímos as novas. O resto -como esse texto- no fundo não passa de especulação.

Porque no fundo pouco importa a intenção com que aponto todos esses obstáculos e dificuldades, pouco importa se é para desanimar ou ajudar. Não são a presença deles ou a capacidade de enxergá-los que vai parar quem quer mesmo fazer, nem muito a falta deles ou da sua visão que vai mover quem ninguém. Obstáculos e barreiras para quem quer seguir em frente não só barreiras que não podem ser ultrapassadas, perigos a serem evitados, ou caminhos que não dão em lugar nenhum, mas bloqueios a serem quebrados, perigos a serem destruídos e trilhas a serem aberta. Mas onde isso vai dar? Essa é a questão. A questão que só quem chegou lá pode responder. O que definitivamente não é o meu caso. Não cheguei tão longe, com “minha” experiência para responder como a ciência e propriedade a pergunta. Quem conseguir colocar uma verdadeira renda básica, de fato incondicional com um sistema monetário ou meio de pagamento independente é que dar uma resposta para isso.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.