Renda Básica, Suplicy e a Política no Brasil

Introdução

Seguindo a política de publicar abertamente em português as respostas que damos a questionamentos feitos por pessoas de outros países sobre a Renda Básica (desde que, é claro, tenham interesse público e não tratem de outras questões particulares), segue mais uma resposta. E neste caso estamos publicando ainda por outra razão: citamos outras pessoas e sua ações. E o correto nestes casos é que tanto as pessoas possam saber o que foi dito sobre elas, quanto no que se refere as pessoas eventos e atos públicos que não só elas mas todos possam ficar sabendo. Não importa que não queiramos estabelecer nenhum dialogo com elas. Não é uma questão só de transparência ou respeito a possibilidade do contraditório, mas antes de tudo de reconhecimento dos devidos créditos. Não, que os fatos e realizações precisem do nosso reconhecimento (ou de ninguém) para serem verdadeiros, mas nós precisamos saber reconhecer esses fatos e atos se quisermos ser verdadeiros. E vamos a questão:

I want to hear your comments about the progress on your basic income startup, your background in getting actively involved with basic income and your views and connections with Brazilian politics concerning basic income.

For example, have you connnections with Eduardo Suplicy, is basic income supported by other politicians there or other states un Brazil, any discussion about basic income in this years elections there?

A maior parte dos políticos e seus partidos está esse ano preocupados em não encolher e desaparecer, nem tanto para ter a chance de fazer nada, mas para manter o foro privilegiado e não ir para cadeia. Suplicy, embora pertence ao partido mais envolvido neste escândalo de corrupção, não foi citado até agora, e não me arrisco a dizer que não será, mas pessoalmente não acredito que ele seja desonesto. Quanto a nossa relação, ela sempre foi cordial e apartidária e apesar das nossas diferenças sobre politica, Bolsa-Familia, Quatinga Velho e renda básica, afinal defendemos uma mesma causa. E por isso mesmo, antes de iniciarmos Quatinga Velho tentamos juntos fazer de Paranapiacaba a primeira experiencia. Depois, ainda colaboramos voluntariamente com as tentativas de fazer Santo Antonio do Pinhal outra experiencia brasileira. Mas depois que encerramos nossa colaboração neste projeto em meados de 2011–12, contato desde então é praticamente nulo. Sem ressentimentos, nem expectativas.
Nunca fizemos segredo que consideramos não apenas errada, mas revoltantes muitas das práticas adotadas por essa velha esquerda, inclusive fizemos essa critica no nosso discuro da BIEN 2012 da forma mais construtiva possível dada a gravidade das consequências que infelizmente se consumaram nos tristes fatos políticos, econômicos do Brasil. Por isso, não me entendam mal, não quero passar a impressão que ele pertence ou é conivente com as práticas criminosas do seu partido só porque não se desligou dos seus companheiros. Não acredito nisto. E não acho que tenha no Brasil quem acredite.
Nisto Suplicy é praticamente uma unanimidade no Brasil: uma pessoa que é impossível você ficar brava. Pelo contrário, difícil é não se solidarizar com ele. Eu por exemplo, confesso a vocês que fiquei revoltado com o tratamento humilhante conferido a ele pela ex-presidente quando do episódio da formação do grupo de trabalho para a Renda Básica. Um episódio interessante que acho que explica muito sobre ele e o momento politico do Brasil e porque mesmo que não houvesse tanta corrupção e desonestidade consideramos impossível trabalhar para fazer qualquer coisa de concreto com essa velha política.
Dilma jurou como promessa de campanha que ia recebê-lo. Caiu jurando, mas sem jamais recebe-lo. E tudo que ele queria era uma reunião para entregar sua bendita cartinha. 4 anos esperando por uma reunião. Só uma reunião.
Esse mérito também foi o maior impecilho na carreira política do Suplicy. Sempre foi um gentlement, sempre soube expor sem se indispor com ninguém. Ele sempre é um cara legal, mas nunca deu para levar ele muito a sério. Nós levamos e não temos vergonha disso. Mas me orgulho muito mais de termos acordado em tempo de não perder nossa juventude e realizar a experiência de Quatinga Velho.
Dito isso tudo, posta minha visão dos acontecimento não posso e não quero deixar de mencionar dos fatos, independente do meu grau de consideração sobre eles. Suplicy foi o responsável politico pela lei federal da renda básica. E embora irreconhecido, o principal fomentador dentro do universos das politicas governamentais de todos os programas de renda mínima condicionadas. Não se pode ignorar, apagar ou falsificar a história de vida das pessoas. Amigos ou inimigos. Não importa o desprezo que eu sinto pela politica representativa, ou o quanto ela é de fato desprezível. Suplicy fez história na politica brasileira e não foi com crimes, mas com atos que merecem respeito e reconhecimento. E assim, mesmo discordando de quase tudo dele, não pertencendo a sua classe política nem social, quando o assunto é renda básica universal tenho orgulho de dizer que defendo a mesma causa que a dele.
E acrescento: voltaríamos a atuar com qualquer governo (desde que obviamente não seja uma ditadura declarada ou disfarçada), se ele se mantivesse dentro do que consideramos os padrões, ainda que não ideais, mínimos de ética para a atuação social:
1. Democrático, transparente e honesto. Ou seja, não seja ilegitimo e criminosos.
2. E que de fato busque a concretização da renda básica como direito inalienável incondicional, e sem discriminação: ou seja, que não seja uma panaceia ou nau de demagogos.
Não defendemos o estadismo, mas não temos nenhuma objeção de colaborar com nenhuma pessoa ou instituição acadêmica, privada ou pública, que mantenha sua independência dentro deste norte básico de princípios éticos e finalidades e interesses sociais.
Marcus Brancaglione, Presidente do ReCivitas 2011–2016

PS: Quanto ao fato de estar publicando isso as vésperas da eleição. É irrelevante. Nenhum elogio ou critica afetará o resultado da sua eleição.

Antes de tudo porque Suplicy está concorrendo a vereador, e com o eleitorado que já teve é praticamente impossível não se eleger. Deve ser inclusive um dos poucos petistas que mesmo recuando em pretensões, vai sobreviver a essas eleições. 3 ou 4 votos que ganhe ou perca com artigos como esse, não interferem em nada no universo dos seus eleitores.

Ademais, não há elogio ou critica que mude voto de petistas e anti-petistas. Não há fato que mude suas opiniões formadas, que dirá análises.

Pena que não levem ele a sério, na unica que todos deveriam: a resposta, meu amigo… é você sabe.
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