REVOLUÇÃO ECOLIBERTÁRIA DOIS

DAS REFORMAS POLÍTICAS E REVOLUÇÕES ECOLIBERTÁRIAS

ⒶRobinRight. 2015

Parte II

Na busca da felicidade nenhum ser humano tem o direito de usar todos os meios disponíveis, (nem mesmo para por um fim em seu sofrimento), mas para pôr um fim à violência da coerção, ameaça e privação, toda pessoa tem direito de usar de todos os meios necessários para se defender. A violência não pode ser usada para mudar de condição de vida, mas para por fim ao condicionamento da vida pela agressão, ameaça e privação. Em verdade, quem sofre tem mais do que o direito de por um fim digno a sua própria vida, tem o direito de lutar com todas suas forças para se libertar e defender sua forma de vida; tem o direito de usar do que preciso for para se livrar das suas privações e dos responsáveis pelo seu sofrimento. E não me digam que não há responsáveis, porque se há um único coitado no mundo, há ao menos um violentador.

Só há uma coisa mais perversa do que manter preso e torturado neste mundo quem que não quer mais viver nele: é negar a quem implora por condições básicas de vida um lugar seu e tempo livre para poder viver em paz. Pior do que a pena de morte é a pena de vida, a condenação ao trabalho compulsório até a morte. E mais estúpido do que pedir para que um expropriado aceite sem lutar a sua condenação a morte, é o próprio condenado aceitar passivamente a sua sentença de não-vida. Só há uma coisa mais triste do que uma pessoa tomando a vida e liberdade das outras: é as pessoas entregando sua vida e liberdade aos outros nem mais sequer contra sua vontade, mas já sem qualquer força de vontade própria.

Triste ver, tanto o trabalhador quanto o proprietário defendendo a regulação da sua exploração e pilhagem sem mais lutar para reaver seu território e terras, seus meios vitais e natureza como seus bens particulares e comuns. Triste ver a estatização e privatização da própria vida; ver as pessoas pedindo para todos os tipos de corporação, estatal e privada, nacional e internacional, que as respeitem ou pelo menos que as roubem e explorem menos. Triste ver as pessoas desistir de suas propriedades e direitos naturais não só para defender a regulação da sua própria exploração, mas conformadas em pedir a mera mitigação da sua exploração como se fosse um direito. Triste ver as pessoas convencidas que as obrigações impostas pelo expropriador são seus próprios direitos, a tomar a bandeira do próprio crime regulado contra seus direitos naturais como se fossem suas conquistas constitucionais de direitos fundamentais.

Coitado de quem tomar a pátria pela terra; o Estado por Sociedade; e os governos do mundo como vontade dos povos e nações. Coitado de quem acha que o trabalho compulsório e alienado é um direito e não uma imposição. Pobre de quem acha que o título de propriedade concedido por um poder central e estatal é sua propriedade particular. Triste ver as pessoas naturais das mais até as menos expropriadas, trabalhando para sustentar estados e corporações quando poderiam estar trabalhando em seu favor ou a quem bem entendessem.

Toda revolução é mais do que a simples defesa da vida ou deposição de tiranos. Ela é a luta pela abolição do supremacismo, a libertação do estado de poder, o caminho da liberdade; uma busca constante pelos meios de fato como direitos garantidos para viver em paz, a luta não apenas para definir a condição da nossa própria vida e destino de acordo com nossa livre vontade e vocação, mas pelas condições necessárias para poder exercer esse direito como forma de vida. A revolução é essencialmente a luta dos seres dotados de livre arbítrio para naturalmente viver em paz contra quem, pela potencia armada e destrutiva, se arroga não só dono das terras e habitantes, mas o senhor absoluto da vontade alheia pela violência.

Entenda: revolução não é a apropriação ou desapropriação de propriedades, mas justamente o movimento contraposto: a restituição das propriedades particulares e comuns contra os monopólios do bem comum sustentado pelas culturas supremacistas e estatais da violência. A revolução não é a criminosa tomada das propriedades naturais para sua redistribuição compulsória pela intimidação da violência, é justamente o contrário: é o levante contra o Estado que não só pratica este crime, mas o legaliza perseguindo qualquer resistência ou legítima defesa dos direitos naturais e fundamentais. O fim de toda forma de domínio e exploração forçada pela privação das necessidades básicas se abole não pela tributação ou redistribuição autoritárias de bens e posses particulares, mas pela negação de expropriação estatal e apropriação particular das propriedades naturais, cujo usufruto e rendimentos pertencem igualmente não apenas a todos os seres humanos, mas a todos os seres vivos para sustentarem sua vida e a vida natural.

As Torres de Babel devem cair. As verdadeiras revoluções são e devem ser a derrubada do maior crime contra a humanidade: a institucionalização da incompreensão e desinteligência pelos semeadores de conflito entre povos e pessoas como suas culturas; o fim da propagação da discórdia e segregação das pessoas apartadas dentro e fora das fronteiras dos territórios geopolíticos como realidade absoluta. A revolução é contra a idolatria ao poder e culto ao absoluto que fizeram da terra a pira de sacrifício aos todos poderosos. A luta é pelo fim de todos os campos de concentração e exploração do trabalho forçado por privação dos direitos, propriedades e meios vitais. A extinção desta forma de holocausto lento, geração após geração, de toda população não apenas explorada, mas alienada por sequestro e privação.

A revolução não é violência da imposição nem de condições, nem de valores contrários a realidade ou legalidade, não é meramente a rebelião contra o status quo ou deposição de governantes, amigos do rei, ou do estado no poder; não é só movimento de libertação das pessoas da sua condição ou destino atual, mas o movimento para que as pessoas possam definir qual é a condição e destino sempre quando bem entenderem. É a luta pela liberdade como empoderamento das pessoas para conceber e autodeterminar o sentido da sua própria vida em paz- juntas ou sozinhas, mas sempre de acordo com sua livre e espontânea vontade.

A revolução é a luta pela abolição da alienação. Ser um escravo nunca é uma questão de livre vontade, mas ser um alienado sim. Ser escravo ou empregado nunca é uma mera questão de livre-arbítrio, mas ser um conformado e alienado, defensor da sua condição cativa amante ou adorador dos seus violentadores, é. Ser um empregado ou servo só é uma escolha na cabeça de quem não sabe o que é necessidade, ou no discurso do próprio violentador que se satisfaz na privação e violação alheia. Mas o currado que defende o curral; o servo que defende a servidão, não é apenas conformado, é um alienado. Não é só mais pessoa submetida à servidão, mas pessoa reduzida a servilidade. Não é servo, mas servil.

A servidão é sempre uma violação, uma condição imposta, mas a servilidade é um estado de espírito; a conformação do violado com a violação ou até idolatria aos violentadores como amos e autoridades. E por mais violenta e forçada que seja esta condição psicológica, por mais força de vontade que a resistência exija, não existe servilidade sem quebra do espírito libertário e não há “servidão voluntária” sem a perda da fé na livre vontade,- ou o que é a mesma coisa- em si mesmo e na existência. A servidão é o sistema; a servilidade a síndrome que o sustenta. Mas não se consegue tal obediência servil apenas com doutrinação, é preciso privar os meios necessários à subsistência, controlar a informação, monopolizar o bem comum, desnaturar a vida. É pela banalização da privação dos meios vitais e provisão das necessidades condicionada a submissão, à ordem da servidão econômica e política, que se institucionaliza um domínio não apenas como estado, como realidade absoluta e inescapável.

A servilidade não é, portanto um estado volitivo, mas o que sobra da vocação depois do processo da destruição da força de vontade. É resultado da condição contraposta à volição e vocação: o produto da redução do livre arbítrio pela subtração dos recursos básicos para o exercício da livre vontade; a redução de todas as possibilidades de escolha em uma única “alternativa liberal”: obedecer e servir, ou morrer de fome ou à bala.

A servilidade ou “servidão voluntária” é o trauma psicológico resultante da técnica de domesticação humana por condicionamento comportamental ao estado de alienação não propriamente do homem pelo homem, mas do homem às fantasias de poder; da pessoa natural a artificial; dos indivíduos conscientes aos inconscientes coletivos; é a técnica de dominação das pessoas livres pelos alienados egregados. Uma realidade não tão violenta para os dominados quanto para os dominadores, mas certamente uma realidade adulterada para todos que não mais são livres por solidariedades, mas dependentes do poder.

De fato, o domínio não se firma pela rendição dos dominados ou só pela expropriação dos seus meios-de-produção, terras ou saberes, mas pela expropriação da própria identidade da pessoa como sujeito dotado das propriedades e capacidades livres e naturais que permitem a ela definir a si mesma pela busca de significação para sua vida no mundo. Uma vez destituídos de um mundo próprio, sem espaço e tempo livres a pessoa não tem como se constituir-se como sujeito da sua própria vida e está indefeso contra a apropriação e segregação dos supremacistas. É pela quebra da fé dos sujeitos em sua natureza, a destituição da sua própria concepção como donos das suas vidas e terras, que os dominadores constroem as fronteiras imaginárias dos seus domus geopolíticos; impondo-se como protetores e provedores, impedem a percepção do que são de fato: carcereiros e sequestradores. É assim, reduzindo os sujeitos à propriedade e objeto do mundo alheio, impondo preconcepções a quem não tem como se defender, sobretudo os mais inocentes, doutrinando as crianças como se isso fosse educação, que os usurpadores perpetuam sua egrégora sobre as novas gerações antes mesmos que estas possam desenvolver qualquer forma de vida nova ou diversa. E aí do mal-educado que não disser ainda “muito obrigado”!

Assim, pela conformação dos sujeitos a objetos do outro; das novas gerações às velhas; dos segregados aos expropriadores, que os supremacistas constituem seus monopólios: de ladrões assassinos, a donos da terra e vigilantes. De bandidos a justiceiros legalizados: pela alienação, os dominadores encerram o risco e custo da dominação de um território abrindo enfim a possibilidade de ganho com a exploração da população. Povos que a cada nova geração aculturadas ao pátrio-poder, condicionada a uma psique servil não oferecem mais resistência e podem ser empregadas como se fossem animais domésticos e amestrado: burro de carga, cão de guarda, ou até mesmo gado de abate. E não, isto não é vida nem para um animal, quanto mais para um ser humano.

Toda pessoa humana tem o direito natural a autopreservação não só da vida, mas da sua liberdade e dignidade. Ninguém pode ser condenado por tentar se libertar daqueles que se impõem autocraticamente como seus benfeitores; sejam eles déspotas esclarecidos ou ditadores descarados. Todos que ditam e obrigam os outros a obedecê-los não passam de canalhas, mais ou menos hipócritas, estupradores travestidos de santos. Não quero dizer como que o estupro seja a mera contrariedade da vontade alheia, ou que a maldade ou a perversidade estejam no sexo, mas sim que o mal é a violação do outro; é o ato que destrói tudo o que poderia ser bom se não fosse a imposição da relação contra a vontade da pessoa. O mal é o poder, e a perversão está na sua tara. A perversidade está tanto na imposição do bem e do mal contra a vontade do outro, quando do mal como o bem para os outros. É a perversão que sequestra a moral que só nasce em liberdade para inverter autoritariamente todos os valores. É a inversão do bem comum em mal, e do mal como necessidade para provisão do bem; a condenação do sagrado para santificação dos demônios, e a demonização da liberdade para a canonização do poder.

O poder não é só farsa, é um crime. Não é um mito falso, é um mito perverso, diabólico, porque incapaz de reproduzir a capacidade criativa de concepção da alma humana que lhe permite entender e escolher entre o bem e o mal, frustrado e invejoso por não poder possuir a livre vontade busca então destruí-la. Não podendo possuir o que não é propriedade, mas princípio; não podendo se apossar da natureza da liberdade, nem da liberdade da natureza; o possesso se dedica a mutilar e esteriliza toda concepção, a castrar tudo que é natural, criativo e livre. O poder é uma a doença compulsiva possessiva dos frustrados convertidos em frustradores. Frustrados que ao não conseguir se realizar como forças geradoras e criativas tentam prevalecer como força destrutiva e possessora, furando os olhos dos outros para reinar numa terra de cegos.

Em verdade é assim que o poder e seus autocratas destroem o sentido, o prazer, e a vontade de viver de tudo que é naturalmente bom na vida, do sexo ao aprendizado: impondo todo o mal da sua mediocridade como o bem contra o consentimento dos inocentes e indefesos. Fazendo da sua ignorância e da obrigação de ignorar a base de toda sua autoridade e poder superior a moral e liberdade. A ordem falsa e artificial contra toda ordem livre e natural. Não há autoritário que não seja um pervertido; não há fanático que não seja um frustrado; e não há idolatra que não seja um maníaco. Simplesmente não há pessoa com mania de impor o que é melhor para os outros que não tenha verdadeira tara em tomar a vida e possuir o outro contra sua vontade. Não há adorador do poder que não seja em si um possuído, um maníaco compulsivo por ter e poder. Mas o poder está longe de ser um desejo sadomasoquista, porque o sádico e masoquista podem encontram seu prazer consentido sem impô-lo a ninguém, o poder é uma tara psicopática e estupradora onde o autoritário só se realiza na violação e violência, e jamais se contenta, só parando no limite físico que este prazer pervertido de morte e privação pode alcançar: o genocídio.

Toda revolução é mais do que meramente o fim de um regime político ou econômico, é a levante contra todos esses maníacos por poder que não só não se importam com a desgraça alheia, mas literalmente gozam com o sofrimento de quem luta desesperada até a morte nos seus circos de fome e guerra. A revolução é o levante das pessoas de paz contra os violentadores pervertidos e suas ditaduras moralistas e hipócritas, que só serve de fachada para encobrir toda a perversidade dos seus crimes históricos e desejos torpes. Não. Quem ainda não apodreceu em vida não só pode, como deve usar de todos os meios necessários para por fim a esta cultura de privações usadas para conformá-lo a esta vida desumanizante de violação e extermínio. E essa vida reduzida a concorrência de todos contra todos, onde a vítima tem de se vender a quem rouba seus bens comuns em troca do resgate dos seus meios vitais como benesse ou ração, não é vida, é tripalium.

O estado de poder é por definição não só monopolizador e supremacista, mas sobretudo perversor. Porque sem a proibição de todas as outras formas livres e concorrentes de pensamento e valores, sem a apropriação do processo gerador das novas concepções para sua esterilização, nenhum poder artificial teria como frear a ordem natural libertária e criativa. Sem forjar a morte da própria força criadora, sem o assassinato do sagrado e falsificação do próprio principio criador, o poder jamais reinaria ou se afirmaria como real. Sem a inversão de toda ordem natural em favor do corpo artificial, sem a proibição da liberdade e legalização do poder, sem a negação da natureza, o culto supremacista não teria como se impor como estado e a farsa do poder jamais seria tomada pelos dominados como sua realidade absoluta.

Para se perpetuar de forma antinatural como monopólio absoluto contra a diversidade, a idolatria do mal como necessidade e do bem como concessão do poder supremo precisa confundir, demonizando o ordem natural e endeusando seu corpo artificial; sacralizando seus falsos mitos e ritos como verdadeiros e reais e apagando a memória de todo o bem comum e direitos naturais. O poder reina no vácuo, na continuada destruição da ligação de todo ser com o principio criador; reina pela a ruptura da conexão com o fenômeno transcendental gerador da criação, evolução e revolução: a Liberdade. O poder reina impondo o culto e a idolatria no lugar da fé e da razão. Impondo a ignorância como libertação e o conhecimento como perdição. É a deturpação da religião, do estado e da ordem como o poder supremo, absoluto e violento no lugar da fé na sagrada liberdade, paz e razão.

O poder, não podendo destruir o bem, fez da liberdade um pecado original e do conhecimento um fruto proibido, impondo tudo que é bom como “mal”. De fato supõe e impõe e cobra a obediência cega e calada, e “legítima” seu poder assim pela “obediência” dos cegos calados e obrigados. O poder não é só território de dominação, mas o campo onde se cultiva a pobreza e ignorância para a colheita de fanáticos nacionalistas e religiosos. O poder é a cultura da perversão como normalidade: a disseminação dos mitos de “naturalização” da dominação pela falsificação da realidade; a propaganda que busca legitimar o supremacismo e a usurpação, a pregação da idolatria aos usurpadores como autoridades todo poderosas e de deidades totalitárias representadas à imagem e semelhança destes supremacistas.

O poder como estado perpétuo não existe sem que se mate antes a liberdade como princípio criador. Não é possível destruir toda a criação sem depor o verdadeiro criador, a Liberdade, e empossar o Poder e seus supremacistas como donos do céu e da terra. A Liber Criadora, precisa ser dada como morta e esquecida para poder se coroar como falso-deus, o rei da discórdia e senhor da guerra, o patrono de todas as bestas e leviatãs do mundo. E se os todos poderosos dizem façamos a revolução antes que o povo o faça, que o povo se liberte antes que se estatize e privatize e precarize até mesmo seu direito a revolução.

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