Trump provando que não é preciso ter bola de cristal para prever Trump

E as consequências dos seus atos.

Poder-se-ia pensar que o diferendo entre Donald Trump e James Comey tinha atingido o seu estado máximo. Mas não, Trump tinha ainda guardada essa ameaça contra o diretor do FBI que acabou de demitir e que muitos analistas apontam como a abertura da porta a um mais provável do que nunca — temos de perceber que Trump leva apenas quatro meses de mandato — processo de impeachment.
A ameaça não é sequer velada, é mais do que explícita.
“James Comey que nem pense em começar a passar gravações das nossas conversas à imprensa”, avisou Trump.
Se houver justiça e estado de direito nos EUA, mais hora, menos hora Trump via ser deposto, o problema do “mais hora”, do tentar a sorte, e pagar pra ver, é que ele pode justamente não ser deposto pelo que ele prometeu e não cumpriu, mas pelo que ele cumpriu. Pois o que ele prometeu não constitui ofensa, constitui na posição que ele pretende ocupar, verdadeira ameaça. Ameaça que se consuma desde o primeiro instante que ele tomar de fato o poder, no mínimo, como intimidação!!! -Por aqui já também tem gente pegando onda…

Nossa parece até que eu sabia… mas como não saber???

Chamado de ‘rei das previsões’, macaco chinês aponta vitória de Trump

É muita vontade de não ver o rei do maior império do mundo nu que impede as pessoas de perceber e prever o que pode e vai fazer se não for literal e institucionalmente IMPEDIDO. Ele não é um individuo normal que enlouqueceu com os vícios do poder, ele é uma pessoa que jamais sequer fez questão de esconder seus desequilíbrio mental-emocional, seus preconceitos e ignorâncias pelo contrário construiu todo sua campanha populista na apologia destas qualidades.

Não me impressiona ver Trump sendo trump até mesmo na cadeira da presidência dos EUA, ele tem a previsibilidade de qualquer maniaco compulsivo, você não sabe onde ele vai atacar, mas sabe que vai atacar. O que me impressiona o grau de crendice servil a mítica dos supremos poderes de quem supostamente se julga cientista político para acreditar que poderes os cargos e as instituições tem qualidades e personalidades próprias e que suas responsabilidades inerentes humanizam os que detém o poder sobre elas.

Isto é o equivalente em cosmologia aos epiciclos da teoria heliocêntrica. Todos doutos já sabiam que a Terra não era o centro do universo, mas continuavam a salvar a teoria mais por medo das consequências do que propriamente pela elegância, simplicidade e eficiência das suas predições. A teoria politica de estado com os reis e os astros das classes politicas a orbitar acima do mundo mundano da plebe já não funciona mais, não só porque a plebe não acredita mais nesta superstição, mas porque hoje todo mundo tem telescópio, e só não olha o mundo pela lente das telecomunicações quem é muito, muito pobre, ou é muito muito fanático, que prefere não olhar para não ver aquilo que não pode existir segundo seus dogmas políticos-ideológicos.

A era da mitificação dos grandes lideres, reis, imperadores, esses dinossauros são incompatível com a velocidade da era das luzes e informação. Por uma simples razão eles não dinossauros eles são mitos e por definição mitos não existem senão como narrativa destinada ao imaginário popular.

Esta na hora da ciência politica virar de fato ciência e perceber que os preconceitos e mitos não apenas descem, eles sobem. Não é só ideia de inferioridade da plebe que é o germe da idiotia, é a ideia de superioridade no poder idiocracia.

É absolutamente patético para não mencionar covarde e servil trocar os critérios de julgamentos que se reversa a uma pessoa pela posição que ela ocupa. Um canalha é um canalha, um imbecil é imbecil esteja ele nu ou togado, esteja ele na privada ou no trono, coroado ou corneado. E sobretudo um demente é um demente, não importa as circunstancias, por sinal a incapacidade de controlar seu comportamento e desejos mesmo diante de prejuízos óbvios para si ou para ou outros é um dos principais sintomas de que estamos diante de uma pisque doente ou doentia.

Ridículo o cientista geopolítico que fala dos interesses de um governo que não é uma entidade metafisica mas biológica e historicamente um bando de animais dotados de racionais armados e unidos em bando com diferentes níveis tecnológicos. Como se tratasse de uma classe de seres de quando ele se volta para o seu vigilante noturno particular. A maioria deles não empregaria Trump para ser o segurança nem desarmado de seu bairro, mas agem e comentam com a maior naturalidade do mundo porque ele é seu grande líder, seu macho alfa. A maioria nem dormiria no mesmo quarto que a maioria dos lideres mundiais e a classe politica e econômica que os rodeia como satélites neste cosmos, mas se o figura pedir para ele dar o rabo ele dá até o do filho por obediência as leis desse universo que lembremos é uma fantasia antropocêntrica.

Muitas das grandes descobertas da humanidade, da ciência não propriamente descobertas de coisa nenhuma, mas a pura e simples consequência do livre pensamento que para de acreditar em bobagem.

Maquiavel explica. Aliás, se ele explica alguma coisa sobre o nosso planeta dos macacos e que governantes sobem ao poder e caem pela mesma razão, pelo que eles são. Se fossem capazes de adaptar sua forma de ser e conduzir a toda e qualquer circunstancia jamais sairiam do poder ou ficariam nele até o mundo se acabar. O que sob um reinado absoluto nunca é tão difícil.

Trump não é imprevisível; a eleição de Trump não foi imprevisível; o que esse mentecapto é capaz de fazer não é nada imprevisível. Somos nós que continuamos querendo acreditar que isso não pode ser verdade. Somos nós que continuamos a torcer a realidade para fazê-la caber na nossa visão de mundo. E esse tipo de fé obviamente não muda o mundo, mas sim o mundo é que arrebenta mais hora menos hora com ela, simplesmente desabando com todo o peso da gravidade da real na cabeça do crente.

O que era paranoia ontem, é a ameaça hoje, para ser a normalidade amanhã.
A paranoia é o nome que o cego seletivo dá aos riscos e possibilidades que ele se recusa terminantemente a considerar como hipótese até caírem na cabeça deles a posteriori como fatos, ou seja, quando já não pode mais fazer nada para evitar isso.
Para o homem que só reproduz verdades a partir do que lhe é definido, a unica verdade que existe é a pós-verdade. A verdade como imposição e impostura de autoridade e não como princípios e razão das suas próprias impressões como premissas e conclusão como raciocínio lógico.
Pós-verdade é apenas mais um novo nome, mais um eufemismo para tentar reacobertar velhos procedimentos que foram revelados para ver se reciclando por comparação com o que há de mais absurdo hoje eles prolongam a vida da velharia política ou até mesmo ressuscitam os velhos fantasmas e absurdos do passado.
Como diria o ditado dos maloqueiros: pós verdade de cu é rola. Vide Trump — Pós-verdade? Paranoia?

Ou como diria o próprio Rei Sol do Ocidente: A pós-verdade sou eu.

Não,não é a ocasião que faz o ladrão, a ocasião faz o roubo, ter um ladrão no lugar certo na hora certa faz parte das precondições das consequências, não importa o quão delimitada ou ampla é o poder de ação destas pessoas sobre seu destino ou destino de todos, somente a possibilidade absoluta de satisfazer seus desejos como privilégios ou impossibilidade igualmente absoluta de satisfazer suas necessidades como um direito são capazes de assassinar a livre vontade humana tanto nas personas dos tiranos quanto dos seus desafortunados alienados.

Olhe os governantes sem a reverencia servil que você olha para qualquer pessoa e você verá que eles são não são nem mais suspeitos nem culpados do que nenhum inocente, com uma igualmente singela diferença de potencial destrutivo: toneladas de bombas armas e homens treinados para matar e prender sob suas ordens. Fora essa diferença insignificante somos todos iguais, não é mesmo?

Ou então continue torcendo para tenha realmente havido e continue a haver quebras da cadeias de comando nestas ordens hierárquicas absolutas. Isso é claro supondo que você queira que a verdadeira história aquela que não vai parar nos livros documentos e biografias sobre o que aconteceu e sobretudo daquilo que “por sorte” não aconteceu continue sendo escrita nos “detalhes”.

Por lá:

E aqui:

Que eles continuem “rechaçando a hipótese de apoiar a decretação de Estado de Defesa [e guerra] nos dias tensos” e violações constitucionais independente do credo de quem é o comandante-em-chefe especialmente quando ele não é ou não o for, nem mais por direito nem legitimidade. Que os esses militares ao contrário da Venezuela saibam ficar ao lado da Nação e não do Estado quando a tensão social desses contratos fictícios definitivamente arrebentar pelo peso insustentável dos custos, privilégios criminosos do topo dessa pirâmide sobre as bases, pilares e fundações.

O QUE
Que não é o que não pode ser que 
Não é o que não pode 
Ser que não é. 
O que não pode ser que não 
É o que não 
Pode ser 
Que não 
É!
O que não pode ser que 
Não é o que não pode ser 
Que não é o que 
O que? 
O que? 
O que? 
O que?
Que não é o que, não pode ser
Que não é o que não pode ser
Que não é o que não pode ser que não é (2x)
Não não não é(2x)
É
Pode ser
É
Pode ser pode ser pode ser pode ser(2x)
Que não é o que não pode ser
Que não
Que não é
Que não é(2x)
Que não é que não pode ser
Que não pode ser que não é(4x) — Arnaldo Antunes, Titãs, Cabeça Dinossauro, 1986
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