Um Sonho: Azul da cor do Mar

Introdução: Da evolução e revolução das espécies inteligentes

Minha amiga Fabiana Cecin, escreveu, uma maravilhoso artigo dirigido a mim.

E não é um elogio gratuito. Porque até para meramente comentá-lo, sou obrigado a trazer a tona algumas reflexões que em geral, mantenho para só mim. Não por nenhuma razão de discrição, mas simplesmente pelo fato, que raros são os argumentos e circunstâncias que dão sentido a muito do que pretendo dizer. Como agora, graças ao questionamento e argumentos do escrito acima. Sem eles, são ditos que precisariam de longas e modorrentas introduções- bem mais do que é essa. como disse Wittigenstain são ditos que sem a ausência de um questionamento tácito ou explícito soam, como o louco interpelando pessoas nas ruas para dizer que horas são ou que o fim está próximo, quando ninguém lhe perguntou que horas eram, ou o tempo de quê. Ou seja algo que comunica pouco sobre que o se quer dizer, e levanta muitos questionamentos sobre a sanidade de quem o diz. Até os pregadores malucos, ao menos os que sabem que são (como eu) tem consciência desta triste figura que fazem ao viver pregando o seu “evangelho” da Liberdade como se fosse um “testemunha da renda básica” batendo de porta em porta e importunando até nos domingos e feriados e semeando entre as pedras do deserto do conservadorismo da servilidade brasileira.

Por outro lado, esse tipo de louco- o consciente da sua loucura e das loucuras humanas- sabe como nenhum outro maluco- que se finge ou acha mesmo são- dar valor as mensagem para ele, especialmente quando elas ao contrário das pregações feita de respostas prontas sobre perguntas que ele nunca se fez, ao contrário delas, essas mensagens fazem todo sentido para seus questionamentos ainda que não manifestos. Este é o caso.

Conheço menos filosofia oriental ainda do que ocidental, mas quando uma pessoa, como um mestre oriental e não um professor ou pregador ocidental, interrompe seus afazeres e “silêncio” sobre algo para compartilha suas meditações com você, sem que você o interpele, o significado e força dessa mensagem é imenso, desde que você se abra para ela. E pobre daquele que mal consegue receber ou nem tenta entender o significado dessa mensagem. Porque não discorda, nem concorda, não entende nem desentende, não é pastor nem ovelha, é pedra. Mais uma a compor o nosso deserto de cegos e surdos seletivos desligado que parece não ter fim.

Por isso mesmo só sei de sei uma coisa, mesmo querendo, e muito, sei que jamais terei compreendido completamente essa mensagem. Porque nossa compreensão de mundo, é feita daquilo que vemos, sentimos, e quando alguém nos conta sobre as maçãs ou cavalos, não imaginamos maças e cavalos universais, mas aquelas maçãs e cavalos guardadas em nossa memória emotiva, e se não temos uma lembrança nem emoção, de nada pelo menos parecido com isso, não temos nenhuma referencia para ter a menor idéia do do estamos falando que dirá para fazer a correspondência com das ideias das coisas que outro fala. Em outras palavras sem referencias não há pressuposições para fazermos as correspondências. De modo que estamos sempre a falar de coisas diferentes que com boa vontade e um pouco de sorte irão se referir em essência a uma mesma coisa pelos mesmos termos. E quando conseguimos fazer isso, quando conseguimos dar a entender o que queríamos dizer, quando o outro consegue ver não a mesma coisa que vemos, mas aquilo que projetamos- porque o que dizemos é sempre uma projeção do que vemos, vimos ou queremos um dia ver- quando conseguimos enxergar os sinais com os olhos do outro produzimos o milagre da comunicação através de um entendimento. Entendimento, portanto, que ao contrário que os cegos fanáticos fundamentalistas creem não é sinônimo de concórdia, convencimento ou conversão, mas algo muito mais fundamental: a base da possibilidade de dialogo e compreensão mútua entre os diferentes- que por natureza somos enquanto pensamos- tanto como concordância quanto discordância dentro disto que chamamos compreensão. Essa disposição a compreensão é a base geradora da possibilidade de intelecção entre seres separados por qualquer tempo-espaço, mesmo que seja somente o do universo dos seus corpos e mentes. A base todo pensamento dialógico, ou da capacidade de colocar no lugar do outro para compreendê-lo, o entendimento, mas pode chamar de inteligência mesmo.

Tem cientistas que acreditam que nos somos ou nos tornamos inteligentes porque desenvolvemos a linguagem. Não. Desenvolvemos a linguagem e a inteligencia uma reforçando a outra pela vontade de compreender o mundo que não é outra coisa que senão tudo menos eu, incluso portanto os outros, transmitida como herança genética e cultural ao entendimento como vocação e projeto inteligente de humanidade. Provavelmente se nossos antepassados das cavernas fossem extremamente conservadores em seus costumes e tradições primitivas de decidir suas discordâncias e produzir seus consensos como bichos, se batendo e matando e submetendo a força uns aos outros; se essa tivesse sido a estratégia de adaptação para a sobrevivência da espécie por seleção natural seleção natural teria sido esse homem, suas tribos e estratégia que teriam prevalecido, e com certeza seriam mais fortes e ainda mais violentos, mas bem menos capazes de dispostos e capazes de dialogar e chegar a soluções por definição inteligidas.

Outros cientistas acreditam ainda que a evolução é um processo de mutação aleatória. Como assim??? Se o homem primitivo A decide usando a sua livre vontade lutar até a morte com B. Terminando os dois mortos, ou um mais estropiado que o outro. Enquanto C e D decidem conversar ou trepar, e eventualmente conversar e trepar até pra reproduzir, em vez de se matar de qual desses homens primitivos você provavelmente descendente dos que se mataram ou dos que se reproduziram? Infelizmente dos dois. De A ou B que não morreu e resolveu partir para cima de C e D que enquanto tentavam conversar com ele matou C e estuprou e escravizou D e seus filhos. É desse principio masculino e patriarcal e feminino e gerador que descendemos ao menos desde que a história começou a ser escrita, e as pessoas inteligentes acreditaram que todos pensavam e resolviam as coisas como ela. Considerando que a herança genética de ambos é a mesma, é na nossa herança cultural, ou mais precisamente na estratégia hegemônica de adaptação e relação do homem com homem e o mundo que reside o que somos ou nos tornamos. E se hoje a cultura da violência prevalece, como certeza ela não prevaleceu homogeneamente e totalitariamente em todos os lugares a todo o tempo, do contrário não teríamos desenvolvido nem a capacidade genética de nos entender nas situações mais adversas e conflitantes, nem teríamos como herança linguagens prontas para facilitar esse processo que nada tem de aleatório, mas é sim produto da volição dos seres dotados de livre vontade. Não é só porque um macaco nasce com uma mão maior enquanto outra menor que esse vai sobreviver e outro não dependo do quão mais capaz uma outra forma seja adequada as circunstancias. Mais importante do que ter uma mão grande para alcançar lugares que os outros não alcança ou ter uma mão pequena para enfiar em buracos que os outros não pode, é saber escolher acertadamente onde vai colocar suas mãos. Quem pode muito também pode fazer muita bobagem. E mesmo quem pode pouco, quase nunca pode tão pouco que suas decisões não possam mudar sua vida. Não sendo o acaso, ou qualquer mutação aleatória o fator determinante da melhor ou pior adaptação do homem ao mundo e aos outros homens, mas suas decisões, especialmente aquelas de vida ou morte, produção e reprodução. E não é porque a livre vontade por definição seja não-predeterminada, e logo imprevisível aos olhos de outras forças e vontades que querem controlá-la, que essa vontade própria seja aleatória. Não é. Ela é livre. Feita das linguagens da capacidade de nos comunicar e linguagem que herdamos, mas que não nos exime da responsabilidade dos nossos antepassados, que envolve portanto não apenas abdicar da outra a violência, mas exercê-la plenamente com toda a vontade que a intelecção exige para a produção do entendimento.

Agora o leitor pode estar pensando: “entendi porque o cara falou que era maluco, o texto dela fala de uma coisa aqui e agora e ele responde outra completamente diferente…da época das cavernas, evolução do homens… o bicho é doído mesmo…” Sim. Mas essa historinha da genealógica da humanidade é importante para entender a base de meus argumentos que pode ser considerandos conservadores… conservadores dos princípios evolucionários e revolucionários que constituem a nossa vocação e vontade de seremos mais humanos e inteligentes.

Confesso que se a humanidade se dividisse em duas conforme as tendências herdadas ou apreendidas da vida: pertenceria não aos pacíficos e inteligentes, mas aos mais violentos e primitivos. Quem me conhece pessoalmente sabe que não estou fazendo graça retórica. Tudo o que digo e faço é fruto de um enorme esforço na tentativa de vir a ser o que não sou e nem foi me dado, é fruto dessa força de vontade que considero mais o fator determinantes do que nos tornamos como indivíduos,sociedades e especie, do que qualquer outro fator predeterminado de uma suposta predestinação. Mas qual é o principio científico que garante a minha afirmação de que as essas coisas não sejam predeterminadas? Não há. Porque essas coisas não são coisas. Não sou objetos da ciência alheia, mas da própria, são dotadas de consciência e portanto sujeitos de si mesmo e não objetos dos outros. Não preciso portanto da lei fundamentalista ou mesmo a empirista alheia para confirmar o que minha própria existência constitui já fundamental e empiricamente como prova mais do que suficiente para mim mesmo. Porque, uma prova de que não somos livres, ou pior de que não devemos ser livres, apresentadas contra a nossa vida e liberdade, não é prova de nada é uma declaração de guerra contra o direito natural a vida e liberdade do outro, e se for prova de algo é a prova da propaganda política de guerra do outro contra a minha existência. E aqui mais uma vez estou adiantando mais ainda meus argumentos.

Assim embora não sejam as melhores, essas referências são tudo ou que eu tenho para constituir minha ciência e consciência. E para tentar compreender com sinceridade os argumentos de Cecin é a elas que preciso recorrer, essas leituras que mundo que dizem respeito tanto as experiências que vivenciei ou presencie com os meus próprios olhos, quando as contada através da sensibilidade de outras pessoas, vivas e mortas, que as compartilharam também em registros.

Por isso em respeito a profundidade do registro que Fabiana Cecin deixou como mensagem para mim e todos que sonham em essência com o mesmo que ela defende. Não vou apenas descrever numa primeira parte meus pontos de concordância e discordância que compõe a transparência desse dialogo em aberto, mas numa segunda também abrir também minhas razões pessoais. Não porque seja necessário, ou porque as perguntas exijam. Mas porque muito do que ela respondeu com seus argumentos,tem a ver com coisas que venho me questionando e que não fazem o menor sentido, não libertário, se não forem absolutamente pessoais. E veremos se daí consigo chegar a alguma conclusão que valha a pena.

Das Razões sem paixões e e a Razão como Compaixão

O texto de Cecin invoca algumas das melhores leituras que tive oportunidade de ler. Resgata um dos fundamentos de toda a noção moderna de Libertação e consequentemente do pensamento libertário moderno e contemporâneo. As propostas de desalienação contidas no seu escrito remetem ao ensaio que tomo por inaugural dessa retomada da reflexão democrática e libertária: o “Discurso da Servidão Voluntária.” de Etiene La Boetie. Esse conceito fundamenta, “servidão voluntária”, vai influenciar todo o pensamento antiautoritários posterior, em especial a corrente de pensadores libertários pacifistas cujo mais notável sem dúvida foi Henry David Thoreau, em seu ensaio sobre a Desobediência Civil. Conceito este que por sua vez influenciaria Gandhi e Martin Luther King, no desenvolvimento dessas estratégia de não-violência como forma luta contra a opressão e a lutas por libertação não pela confrontação armada, mas conscientização, mobilização e resistência dos povos.

A proximidade desta estratégia de propaganda pelo ato pacifica em contraposição a terrorista- seja a revolucionária, ou estatal- guarda evidentes correlação com a Pedagogia Libertária. Processo educativo que em essência busca sistematizar metodologicamente o ensino voltado para a emancipação, empoderamento e libertação das pessoas dessa condição de servilidade voluntária, por oposição a outra educação voltada justamente para adestrar e conforma-la a sua condição de obediência a servilidade como norma e normalidade.

Essa correlação não é portanto casual. Pedagogias Libertárias e ativismos sociais e pacifistas, partilham de um mesmo pressuposto racional: a possibilidade da libertação, através tão somente da racionalidade, dessa ciência de si mesmo e o mundo como um despertar, um estado de vigília por oposição ao sonambulismo da servilidade a essa inconsciências coletivas que anulam o individuo para formar as totalidades. O oposto da libertação e conscientização solidária, que fortalece o individuo e suas relações para formar comunidades e sociedades.

Essas são as referências que me identifico. é que foram o norte e fundamento não só do meu pensamento, mas trabalho e ativismo social. Então, não preciso dizer que concordo com os princípios propostas contidas no texto. Logo podem considerar que as objeções que faço aos argumentos é muito mais uma autocritica. E que se podem ser resumidas em uma unica sentença: concordo que tudo isso é absolutamente necessário, mas não creio que seja suficiente. É preciso mais.E é sobre esse mais que acredito que falta ao pensamento e ativismo libertário e social. E é sobre esse “mais” que acredito que falta não apenas as práticas, mas aos fundamentos- o que seria? porque seria necessário? — é em torno dessas reflexão que tento responder a essa questão.

Quando inicie meu trabalho como ativista social, notadamente da renda básica, acreditava que os conceitos estavam dados, faltava colocá-los em práticas. Ou rigorosamente falando tínhamos uma moral da história, mas faltava a sua ética. Durante o processo, a experiência de campo, que é um campo de batalha não só pelo social, mas pelo simbólico, fui descobrindo que não era só a ética que era falha, mas a moral daqueles que defendiam a liberdade. Havias buracos e falhas gigantescas não só estruturais, mas de projeto. Talvez pela própria falta de conhecimento a teorias da liberdade e empoderamento estavam longe do engenho e da engenharia das teorias de poder e autoridade. Literalmente condenada a cair ou por ventura conseguir a libertação somente ao custo de perdas humanas e humanitárias inaceitáveis impostas por esses poderes e autoridades muito bem estabelecidas.

Uma das grandes críticas que pragmáticos e autoritários fazem com relação ao idealismo dos libertários e pacifistas é justamente a nossa incapacidade até o presente momento de ter colocado um único lugar concreto do mundo nossas ideias práticas de convivência. Em suma sonhadores e utópicos. Sim, como Hakim Bay bem coloca, isso não é verdadeiro, mas parte da estratégia de desqualificação daquilo que não se consegue competir em condições de igualdade de concorrência sem apelar para a violência. É mais uma das muitas trincheiras cheia de armadilhas construídas justamente para impedir esse avanço- uma das fakenews a mais antigas da guerra de propaganda do mundo estatizado. Na verdade, estamos a todo tempo criando sem alarde nossas pequenas e efêmeras e as vezes invisíveis “zonas autônomas temporárias” que geram as evoluções e revoluções e transformam o mundo de forma muito mais concreta que séculos de status quo morto e cristalizado. Status quo, que embora, claro, mais permanente, não deixa de ser também transitório, e mesmo sendo desenhado exatamente para frear essas transformações não deixa de constituí-las e provocá-las dialeticamente.

Ótimo, então temos então nossas zonas autônomas temporárias, mas isso, não resolve o problema. Porque do ponto de vista popular, as pessoas continuam a querer condições de vida e liberdade que não sejam efêmeras, inseguras. E portanto não é de se surpreender que entre a retrocesso a servidão do autoritarismo e o progresso da libertação da autonomia, elas escolham a segunda. Optem por pouca liberdade garantida com muita repressão. Do que por liberdades plenas que decairão rapidamente ou serão esmagadas precisamente por essa repressão. Esse é o primeiro erro dos processos revolucionários pacificos ou não. As pessoas mesmo as que não são autoritárias, não necessariamente são libertárias. A grande maioria das pessoas não quer viver tomando conta do rabo, dos outros, mas igualmente não está disposta a arriscar o seu para defender o alheio. Como Thoreau as pessoas não vieram ao mundo para lutar pela vida e liberdade, vieram para simplesmente viverem em paz com liberdade. E muito da dominação o que é chamada portanto de servidão voluntária, não é propriamente uma servidão, não é propriamente voluntária, não é resultante nem comodismo, nem de falta de visão do mundo, mas precisamente da construção artificial de um mundo onde ser livre exige sacrifícios que com justiça não podemos exigir de nenhuma pessoa. Essa é a essência da dominação. A servidão voluntária é uma visão do opressor ainda que na qualidade de missionário do humanismo ou da libertação e não da exploração, mas ainda sim a visão do outro que não sofre ou sente essa opressão. E o simples fato, de tempo livre e conhecimento para debater a condição nos coloca por definição na condição não do sofre enquanto pensamos mas daquele que observa, ainda que seja o seu próprio sofrimento.

A servidão voluntária, a ideia de que o falta as pessoas tomada por conformismo e servilidade é somente o despertar para sua condição servil e vislumbrar a liberdade, essa ideia de que o conformismo e servilismo se dá por falta de educação ou cultura libertária, também é discriminatória, e supremacista e portanto autoritária não na sua proposições ideológicas, mas na pressuposições epistemologias- que formam a base do entendimento, união inteligente tanto como comunicação quanto comunhão. Um supremacismo social pacifico e caridoso em luta eterna contra o supremacismo segregacionista, violento e escravagista, mas ainda sim suposição que o que falta não só para oprimidos mas para opressores é a revelação da nossa verdade que liberta. Que o que leva um explorar e outro a aceitar é ignorância de ambos. Não é.

Alienação, não é produto da ignorância, não é falta de conhecimento, é abdução, é o sequestro (incluso dos plano simbólico) de um pessoa feita refém de outra (não apenas pelo simbolismo) mas por ameaça, segregação e privação dos meios e relações concretos e simbólicos que constituem a liberdade como possibilidade tanto de concepção quando da consequente realização. É literalmente o produto da dominação de uma pessoa que se considera e se comporta como alienígena conscientemente ou não: seja como o missionário “cheio de amor e apreço” ou o conquistador “cheio de ódio e desprezo” frente ao indígena e sua terra, mas igualmente repleto de preceitos que podem (ou tem a missão de ) convencer ou impor suas relações formas de pensar e viver ao outro.

O erro do pensamento libertário, está portanto no credo que tem o poder de despertar a transformação a revelia da livre vontade ou das pré-condições minimante necessários para o outro manifestá-lo a revelia da sua- a falta de meios essenciais a vida (o capital). O erro está portanto na incoerência de tentar constestar a proposição imperialista e autorirária, sem renunciar a ela como pressuposição que podemos ou devemos mudar o mundo, ou o outro. Ou o que é a mesma coisa que podemos transformar a vida toda e qualquer pessoa com nossas palavras ou atos, transformar mesmo quem não quer ser transformado, ou mesmo querendo simplesmente não pode. Em suma na pressuposição que nossos atos são fatores determinantes, é portanto nós somo o sujeito da transformação do vida alheia, quando nada senão a ação do próprio sujeito o é, sendo nossas ações no máximo imposições ou disposições para que essa pessoa exerça ou não sua livre vontade. E as disposições não eliminam as imposições nem muito menos anulam a vontade de impor.

E nisto voltamos a questão inicial se as sociedades livres são mais inteligentes e representam maior evolução dentro da estratégia que constitui a nossa humanidade, porque não as imposições continuam a prevalecer? Porque não conseguimos dispor o suficiente, nem sequer para aqueles que querer se ver livres desses regimes o façam com o mínimo de razoável certeza, permanência e segurança, para dizer finalmente agora posso ao menos viver em paz?

A Pax Imperial versus a Paz libertária

Qual é enfim o problema das organizações pacificas, das sociedades e comunhões de paz fundada no respeito a liberdades sem senhores nem escravos? porque mesmo sendo mais inteligentes e racionais elas não conseguem se manter? Porque elas não se replicam e esparralharam ao longo da história da humanidade como os impérios? Pelo contrário foram esmagadas ou decaíram nos regimes de exploração e servilidade? Porque invariavelmente até hoje todos as revoluções de libertação, incluso as recentes liberais e socialistas foram corrompidas ou degeneram por conta própria em estados reacionários e autoritários, e até mesmo totalitários e genocidas? Porque esses movimentos revolucionários capitulam ou então quando vencem se tornam a nova forma da própria tirania que combateram? Seria a espécie humana um tipo de animal social como a formiga ou abelha, que precisa de ordem hierárquica, precisa de rainhas, onde a maioria não pensa e precisa compartilhar de uma mesma mente coletiva com aqueles que pensam por conta própria e por isso são reis?

Se um dia a anarquia reinasse em todos os territórios o que teríamos? A ditadura dos que não querem reis contra os que querem ser ou servi-los? Se um dia a paz reinasse o que teríamos a ditadura dos pacíficos contra os selvagens e violentos? A educação e sociedade libertária realizaria então o sonho da educação autoritária e fabricaria enfim pessoas com comportamentos dentro da normalidade da não-violência libertária. E o que faríamos com o desvio dos padrões que não aceitam a proibição da violência? Policiaríamos e prenderíamos aqueles que insistem em usar da violência ao invés do diálogo? Ou os deixaríamos soltos para predar até formar de novo o seus domínios, gangues e impor sua lei do terror no seu territórios contra os pacíficos?

Como deixar de ser laranjas mecânicas? Sem os fabricantes de laranjas mecânicas?

O que faltou então até hoje para nossos antepassados que não eram macacos, para não se organizarem como tais? O que falta para nós para deixarmos essas formas primitivas de convivência baseadas na ameaça reciproca de violência e relações forçadas que sempre em guerras e ditaduras? O que falta como como civilização para a humanidade escapar desse ciclo de monopólios e violência?

Podemos colocar isso dentro de uma perceptiva evolucionista. O homem é um animal, um animal que aspira simbolicamente deixar de ser um animal. A humanidade então não seria um dado, mas uma construção simbólica em progresso. Uma evolução que não se faz de modo homogêneo, mas também, sabia a natureza, não se faz com mutantes, com saltos onde se formam dois tipos de homens uns mais primitivos: territorialistas, sexistas, carnívoros e belicosos, onde o mais forte domina o bando, apenas para ficar velho se ser derrubado pelo mais jovem E outros que são o oposto disto. Seria isto?

Felizmente não conheço nenhum libertário que pense dessa forma que tenha decidido dividir a espécie humana em duas grandes classes ou raças: a dos homens evoluídos querem ser livres e iguais; E a dos primitivos que querem ser senhores mas aceitam ser escravos se perderam a luta. Ao menos por enquanto… Pois se ou quando houver tal divisão dentro do pensamento libertário de certo ele deixaria de ser uma utopia, mas não para ser a concretização do ideal, mas sua negação. Se tornar uma ideologia materialista autoritária. Como o marxismo-stalismo o foi para o socialismo.Que do sonho das pessoas poderem encontrarem ou construírem um viver em paz do jeito que sonhavam como deveria ser, um mundo sem propriedade privada, passou a ser uma ditadura contra o inimigo que não partilhasse desse sonho, o egoísta que não quisesse largar as propriedades privadas de fato e em forma de pensar. Com a diferença que ao invés de termos uma guerra de classes, teríamos uma guerra entre gerações- não de pobres contra ricos, mas dos novos contra os velhos. Ou seja ao invés da ditadura do proletária do sobre a ditadura do patronado, a ditadura dos libertários sobre os autoritários. O guerra para a qual já caminhamos justamente pela ditadura oposta: o que está posto não pode ser adaptado não importa o quão nocivos seja para a vida das próximas gerações. E cuja mera inversão dialética não irá efetuar a transposição do conflito, nem muito menos a transcendência do ciclo vicioso de violência que o compõe, mas retroalimentá-lo sistêmica e simbioticamente.

O libertário como revolução ideologia, e não epistemológica é portanto apenas outra revolução fadada a se tornar uma ditadura vazia e contraditória dos significados que lhe dão origem engedrando a necessidade do seu fim. Se tornaria portanto mais uma ideologia a abrir portas para todo tipo de totalitarismo de esquerda e direita que degeneraria inevitavelmente em novas roupagens para o mesmo racismo eugenismo e nazismos, agora libertários. Rigorosamente na prática não seria mais o ideal, mas e daí? o que é que na história da humanidade não foi apropriado e transformado na prática na negação do foi originalmente pregado? Hoje esse tipo de pensamento do homem como um praga incorrigível como um ser maléfico, existe em certas correntes radiciais da ecologismo, mas eles não fazem (até onde sei ) nenhuma distinção de classe gênero ou espécie deles os ecologista em relação aos demais que não são, consideram portanto a humanidade como um todo um mal, o que rigorosamente não os torna propriamente nazi-ambientalistas como lhes imputam que são. Mas nem por isso são menos perigosos.

Fundamentalistas religiosos ou políticos, seja do monarquismo, liberalismo, socialismo, anarquismo, ambientalismo ou libertarismo são todos igualmente perigosos, e o germe do regime que combatem porque participam da mesma presunção que seu antecessor, e se são hoje os revolucionários e progressistas amanhã serão os conservadores e reacionários, por uma simples razão mudaram de posição no estatus quo da história, mas não de paradigma epistemológico. Todos eles igualmente continuam acreditando religiosa ou cientificamente que são eles e não os demais os possuidores, portadores e transmissores da verdade. Até os relativistas quando ideólogos e não epistemólogos acreditam nisso! Tudo é relativo, e o relativismo é absoluta inclusive a quem não é relativista!!!

Em sua o autoritarismo não é uma fenômeno do plano ideológico e sim epistemológico, da mesma forma o seu polo inverso o libertarismo. É uma forma de compreender o eu e o mundo. Ou talvez eu que esteja me expressando mal. Talvez eu deva construir melhor e separar o argumento abstraindo e substantivando o fundamentalismo do autoritarismo. De modo que o fundamentalistas que é uma propriedade do plano epistemológico constitui e permeia tanto as ideologias autoritários quanto libertárias da mesma forma que o antifundamentalismo. Dai que podemos ter reis e reinos tribos com caciques que não são imperialistas, porque não tem a pretensão de impor sua cultura sua forma de viver aos demais tribos. Enquanto que temos democratas, liberais, socialistas, ambientalistas e até anarquistas todos tão fundamentalistas quanto um pastor, imã, ou padre, dispostos a levar a sua a libertação da sua revelação e verdade, e consequentemente impor ou dispor a sua jurisdição sobre toda a terra, abolindo todos os crimes e trazendo a justiça, até mesmo a quem não quer a sua justiça, ou sequer tem ou quer ter abandonar a sua própria em favor dela. Um índio que meta flecha em qualquer missionário autoritário ou libertário ou ambientalista que venha trazer a sua mensagem de que eles são cidadãos daquela nação, que não são cidadãos do mundo, ou que não podem matar seus animais, está certo ou errado?

Do ponto de vista histórico, foram esses os únicos que sobreviveram até agora, que não foram escravizados, assassinados ou morreram de outras pragas trazidas pelos belicosos e pacíficos para as quais não tinhas defesas nem imunológicas nem psicológicas. Mas isso não quer dizer que eles estavam certo ou errados. Isso quer dizer que se não não somos fundamentalistas não que não temos direito de fazer de nenhum nenhum juízo, não temos nenhuma jurisdição nenhum poder de julgamento sobre a pessoa ou o mundo deles. Se praticamos o libertarismo como não como credo ou ciência ideológica, mas como fé ou consciência epistemológica, “seguimos” a dica do libertador (messias) da Galiléia dizia: não julgarmos para não sermos julgados. Não pelos outros, mas pelas ditadura do nosso próprio fundamentalismo, consciências condenados, sentenciados e aprisionadas no arcabouço do nosso próprio superego da cegueira fundamentalista.

Não há problema algum nas pessoas em levar a sua mensagem no credo de paz e liberdade para lugares e tribos que não a conheçam. O problema é acreditarem, que o outro é obrigado a recebê-la, ou mesmo recebê-lo em paz e liberdade. Não é. Pois se fosse o missionário não seria o mensageiro de paz e liberdade, mas o arauto do conquistador: que sabendo ou não seu papel, apenas está dizendo convertam e submetam-se a nossa visão de paz e liberdade, nos recebem e convivam conosco em paz ou serão obrigados a fazer isso a força. E isso seria no entender do fundamentalista nada mais nada menos do que o emprego da legitima defesa em nome da universalização da cultura da paz. A sua.

Logo o que os libertários enquanto ideólogos compartilham com qualquer outro fundamentalista é a ideia de que o ser humano mesmo o mais servil e covarde ou o mais belicoso e autoritário, do mais passivo ao mais pacifico, do mais ativo ao mais violento, do opressor e oprimido todos tem uma disposição dada por natureza que pode ser modificada pela cultura e educação. A sua cultura e educação. O problema é que a disposição natural não é ser ensinado, mas apreender. Que são coisas completamente distintas na medida que a primeira pode sim ser feita por condicionamento e imposição, e a segunda só por exercício da livre vontade autodeterminação e próprio-concepção. De tal modo que a natureza das pessoas de fato é exatamente a mesma, e por isso mesmo, governada por sua vontade que é sempre soberana, e se ela for vontade de entendimento. Não há entendimento possível. que dirá troca pacifica ou aprendizado. Por isso que missionários, todos os missionários sequestrar e apartam crianças de suas sociedades, sua livre vontade não está completamente moldada eles ainda são necessariamente dependentes da autoridade dos seus genitores. Logo ao substituir essa autoridade pela sua, reproduzem a cultura que esperam, seja ela qual for. Mas ainda sim não há garantia que ela irá se replicar de forma absolutamente idêntica, porque a livre vontade, na idade adulta se consolida naturalmente e muitos conseguem preservar sua autônomo para o bem ou para o mal, mesmo nas condições mais adversas de privação. Felizmente, porque senão já teríamos nos tornado completamente uma colonia fundamentalista e totalitária de formigas humanas sem personalidade regidas por uma inconsciência coletiva faz tempo.

Somos todos iguais em capacidades não em vontades

Todos somos capazes de usar tomar consciência, abdicar da força bruta e usar o diálogo e a razão para tomar decisões de inteligentes que permitam a todos viver livres e em paz. Todos somos igualmente capazes de usar suas capacidades inata a racionalidade que o define o ser humano para serem exercerem de fato a sua vocação e humanidade. E por isso somos todos iguais enquanto seres humanos. Mas sermos iguais, nessas capacidades não implica que temos as mesmas vontades de usá-las.

A ideia que a educação universal e bem-estar social igualmente universal — ambos evidentemente libertários, isto é voltados para a emancipação das são soluções necessárias enquanto disposição e não imposição, mas logo não são por isso mesmo toda a solução, e portanto suficientes. Elas são a solução absolutamente necessárias para quem as busca e não as encontra em lugar nenhum, mas solução nenhuma para lidar como quem não as quer, não busca nem as quer ver postas em lugar nenhum, mas sim quer ver as suas em todos os lugares e para todas as pessoas querendo ou não.

De acordo com essa visão, o que estaria faltando até hoje portanto para humanidade é progresso suficiente para realizar essa expansão. As condições para realizar esse projeto de humanidade. Conhecimento e tecnologia, educação e cultura que hoje temos para dar continuidade a nosso avanço civilizatório. Tudo que precisaríamos portanto seria, apenas combinar esses dois dispositivos os tecnológicos e os sociais para promover a educação, a conscientização que instaurariam as condições de transformação e libertação das pessoas e por consequência do mundo. O autoritarismo e seu inerente discriminação e segregacionismo e sistema de exploração do homem pelo homem teria prevalecido até então somente por causa disso: pela ausência de tecnologias tanto da informação, comunicação e transação capazes de transmitir o conhecimento e valores (comerciais e sociais) para realizar tanto a educação quanto a economia sob outra cultura que não a da violência e servidão. Porém hoje com a a crescente desmonopolização desses sistemas e universal ao acesso a esses dispositivos. As condições para a libertação estão enfim postas. Na verdade já estariam em curso. E esse progresso civilizatório em direção a liberdade seria inevitável, engedrado pelas próprio progresso não só dos adventos com fins pacíficos e libertários, mas também dialeticamente pela própria industria e inovação de viés belicoso e autoritário.

O que falta então? Falta combinar com os russos. Com os russos, com os americanos, com os norte-coreanos, com europeus, com os outros brasileiros, enfim falta combinar com o outro. Falta uma pecinha, importante nessa equação, o outro. Ou sua consciência. Que não é conversível, convencível, manipulável, mas o produto direto de uma forças elementares do universo encarnada em cada ser dotado de autonomia: a livre vontade. Sem entender esse força fundamental e inalienável dos entes e fenômenos da física e metafísica. Nossos castelos constituirão a serem construídos na areia dos sonhos sejam eles autoritários ou libertários. Veremos nossos planos a ruir por esse erro racionalista antropomórfico e antropocêntrico, onde o mundo é uma construção abstrata absoluta e reifificada de seres objetivados, e não a própria rede interligada de infinitos sujeitos do seu próprio mundo, mais ou menos conscientes da natureza paradoxal da sua existência concreta que absoluta e relativa que é ego e não-ego, partícula e onda, eu e o mundo.

Não nos faltam instrumentos ou controle dos instrumentos disponíveis, conhecimento ou difusão do conhecimento, falta-nos nos livrar da presunção que conhecemos, e que basta-nos ensinar e aprender o que é sabido. Porque não sabemos nada. Não nos conhecemos. E como pode aquele que não se conhece, conhecer ou reconhecer ou dar a conhecer ao outro? Se não entendemos os limites da nossa racionalidade, os limites do nosso poder e direito e capacidade de transformação do mundo, com nossos atos.

Dentro desse jogo de suposições de verdades universais o libertador e libertário tem um desvantagem estratégica monstruosa em relação ao autoridade do autoritário. Esse sabe que a maioria das coisas que ele propõe não se mantém senão por imposição. Principalmente quando suas somas de 2+2 dão 5 de lucro para ele e -4 de divida impagável com mas 1 de juros eternos para os todos demais. Ele sabe que só consiguirá impor a sua “verdade”e “realidade” simbólica não só com enganação mas força. Enquanto que aquele que consegue ver a enganação acredita que basta revelar a enganação, ensinar a quem não sabe ler esse mundo que 2+2=4 para que eles deixem de ser enganados e roubados, como se muitos deles não o soubessem, não o quisessem. Como se a eles tudo que faltasse fosse o dialógo, o entendimento, ou a liberdade para produzí-los. Com certeza é o que falta para muita gente. Mas não a todos. E aqueles que não se entendem não porque não sabem ou não podem, mas porque simplesmente não querem quais são as soluções libertárias que temos? E porque não as desenvolvemos senão porque continuamos a crer que todo o entendimento e instrumentos que temos para promove-lo ou protege-los de quem os quer voluntariamente os destruir é suficiente?

Eis a minha critica, e critica construtiva por que tudo o que faço é para encontrar uma saída para que as pessoas que não podem vencer não sejam pelo menos obrigados a se juntar a eles. Tenham alternativas. Não duvido do potencial transformador da educação da ação social, da desobediência civil, da não-violência, das novas tecnologias para conjugar e concretizar tudo isso que com certeza irá mudar o mundo, mas irá libertar as pessoas, irá extinguir as guerras, o genocídio, o assassinato, a fome, a miséria, a servidão voluntária ou as relações mantidas a força? Não acredito, não acredito que seja o suficiente para quebrar a hegemonia dessas culturas e sistemas de violência. Falta soluções para esse problema. E falta soluções porque não equacionamos todas os fatores determinantes, mas não o equacionamos porque há uma profunda incoerência no entendimento da paz e liberdade, incluso entre os pacifistas e libertários.

E eis sinteticamente porque as culturas de paz e liberdade são tão efêmera e está sempre subjugada a culturas de pax e violência. Eles tem e detém os instrumentos e conhecimentos para promovê-las, tecnologia, armas, estados, justiças, escolas, mercados, e capitais. O que nós temos e detemos de fato? o conhecimento em si a união dos que só tem o seu trabalho, ou o que é a mesma coisa a expropriação politica e econômica de tudo o mais que também é absolutamente capital. Temos rigorosamente os mesmos instrumentos e conhecimentos que são os deles e não os nossos, para desenvolver dentro da seus domínios territoriais e culturais nossa liberdade.

Novas tecnologias engendram revoluções , mas não necessariamente só revoluções. De tal modo que uma mesma tecnologia pode ser tanto usada para a libertação ou ampliação. Em suma é uma ferramenta com um martelo, um capital que pode ser usado tanto para dar na cabeça do opressor do oprimido, construir uma casa que sirva de abrigo ou um prisão que sirva de carcere. Rigorosamente a introdução de novas tecnologias abre novas oportunidades, se nas mãos dos escravos de libertação, se dos escravagistas de mais opressão. Se nas mãos de ambos, então de disputa e eventualmente guerra, para definir como se pode ou não pode usá-la, para quê e por quem.

Essa discussão tive durante os primeiros congressos de democracia direta com alguns militantes dos movimentos de redes. Eles acreditavam que o simples levante provocado pelo ciberativismo da população resultaria na independência e emancipação dos povos. Eu contra argumentava que as novas tecnologias de fato causam disrupção das velhas, mas não as sobrepujavam sem suas funções e nem protegiam contra delas por mais primitiva que elas fossem. Em outras palavras. A primavera dos povos cheio de celulares e ideias divulgados em redes de computadores anônimas , não é tão diferente assim das primaveras dos povos cheios de panfletos e redes de imprensas clandestinas. Ideais são a prova de balas. Mas gente não. Esses povos seriam esmagados. Lideres digitais se não fossem mortos, seriam presos e assim ficaram por toda vida. Potencias aproveitariam oportunisticamente o conflito para ampliar suas disputas geopolíticas e ditaduras permaneceriam, ou se instalariam. Pessimismo? Não. História. Toda geração acha que a sua é a definitiva e que seu novo conhecimento e nova tecnologia são as derradeiras. E não são. Não há ferramenta mágica. Todo conhecimento ou tecnologia não é propriamente a liberdade em si, mas o produto material e imaterial do seu exercício que não necessariamente pela natureza do próprio fenômeno existencial da vida enquanto liberdade é boa ou ruim, mas necessariamente constantemente livre para efetuar essa escolha.

Claro que não é porque as coisas foram assim que elas necessariamente tem que ser assim, mas sem a introdução de novas variáveis como fatores determinantes porque elas seriam diferentes? E não há novos fatores determinantes no plano ideológico, mas somente no epistemológico, são essas mudanças da cosmovisão de mundo que altera a relação da pessoa com o mundo, e levam a construir novos conhecimentos, tecnologias, mas sobretudo relações. Mudanças que nunca se dão para todos, nem são aceitas por todos mesmo que estejam abertas para todos. Por mais inteligentes ou racionais que sejam provocam a reação oposta e até mesmo agressiva de quem se sente seus domínios, mesmo que seu entendimento de domínio seja a vida e o destino e a terra ou até mesmo o corpo do outro!

Clockwork Orange

E eis aqui a objeção central aos resquícios autoritários tanto no pensamento anarquista quanto libertário, inclusive pacifista e pedagogista. O exercício da liberdade não implica necessariamente na extinção do autoritarismo e violência, mas tão somente a abertura da possibilidade necessária da alternativa ao mesmo. A possibilidade de escolhe e resistência. O que a educação para liberdade e programas sociais libertários fazem é dotar, disponibilizar os meios conceituais e mateiras para que a pessoa possa exercer sua livre vontade. Mas isso deixa em aberto a possibilidade para que a pessoa use a sua livre vontade para ser completamente insolidário ou até mesmo tiranizar o alheio? Sim. A liberdade não é um principio moral, mas o principio necessário, gerador da possibilidade da moralidade. É a possibilidade da escolha que gera o bem e por consequência o mal. Tentar cortar o mal pela raiz do bem e do mal, a liberdade, mata não só o mal, mas o bem e pior a sua força geradora: a liberdade.

Há um erro grave no racionalismo que interpreta o mal como ignorância, como bestialidade, como ausência de entendimento e inteligencia. Sim, ele é a discórdia, o desentendimento, mas não é fruto da ignorância da incapacidade do saber, mas justamente daquilo que o define a perversão do saber, a perversão daquele que justamente por não ser um inocente ou inimputável, aquele que sabendo e tendo a possibilidade de escolher por saber e poder, ainda sim o faz da direção oposta de todo o bem, mas de forma destrutiva e contrária ao principio criador deste bem e de todas as coisas, a liberdade. Nenhuma revelação, razão ou educação tem força alguma para alterar a maldade que assim como a própria bondade é inerente e deriva da própria livre vontade.

Ora como pode deus ser bom se ele permite que o mal acontecesse? Mas não foi ele que criou o mal, foi o homem? Mas se ele criou o homem e o diabo, porque deu a ele a liberdade para fazer o mal? Se ele é todo-poderoso e criador de todas as coisas poderia ter criado o homem sem liberdade para fazer o mal e só para fazer o bem? Poderia, mas então ele não seria um homem, não seria feito a sua imagem e semelhança enquanto ser dotado de livre-arbitrio, seria uma pedra rola conforme o mundo a empurra. O que por sinal também não impediria de causar o mal,apenas de fazê-lo sem vontade própria.

Parece até que adentramos o campo da teologia, e adentramos. E é fundamental quebrar essas fronteiras artificiais da epistemologia se queremos encontrar as respostas que não estão nos domínios epistemológicos nem de um nem outro campo, mas justamente perdidas, divididas e esquartejadas para a preservação de ambos e alienação dos desintegrados e apartados de si, dos demais por esses muros que impedem a cosmovisão sem as fronteiras do mundo que antes de serem políticas, religiosas ou ideológicas, são mentais, preconceituais e epistemológicas.

Sem adentrar essas fronteiras reproduzimos com outros termos e racionalizações modernas e científicos os mesmos mitos e credos primitivos de dominação e objetivição. Sem adentrar essas fronteiras podemos nos livrar dos mitos de super-homens, super-povos, ou seres supremos todo ou super-poderosos, mas não nos livramos da escatologia de gêneses, apocalipses, e claro do sonho utópico dos paráisos na terra ou no além.

A educação isto é o desenvolvimento das capacidades da pessoa humana incluso a razão diminui drasticamente a imensidão de coisas estupidas que fazemos e que se soubéssemos as causas e consequências não faríamos, assim como amplifica pela mesma razão o potencia destrutivo daqueles que conhecendo essas causas e consequências querem fazer uso delas justamente para destruir. Doutrinar por outro lado elimina as duas coisas, e junto com elas a própria capacidade de entendimento inteligencia e liberdade que constituiem a natureza e potencial humanos. De modo que através da educação apostamos e investir no que há de melhor em nossa natureza, mas o que garante o resultado é a arquitetura do sistema. Isto é o controle dos meios e recursos onde esse potencial será eliminado ou aplicado seja para o bem ou para o mal. E é aqui, saímos perdemos logo de cara não só em campo, mas antes de sequer entrar nele, no conceitual.

Se a pedagogia libertária tanto aplicado a educação quanto no ativismo social estaria baseada na premissa do predeterminismo ambiental, de que todos os os seres podem ser transformados a revelia da sua vontade, estamos trabalhando com a ideia de que pessoas são robôs ou animais passiveis de programação e treinamento ou desprogramação seja para se comportar autoritária e belicosamente quanto libertária e pacificamente. E nisto os autoritários são menos crentes e fundamentalistas que os libertários. Já que guardam sempre um porrete ou as privações para dobrar a todos cujo adestramento pelo exemplo ou doutrinação não funcionar. Ou seja de libertária teria só o nome porque estaria impingindo uma doutrinação ideológica e comportamental seja através da pregação seja pior através do cerceamento manipulação ou privação das oportunidades de vida para que a pessoas desenvolva seu potencial e vocação.

O racionalismo com o qual a educação que buscam a conscientização da humanidade estão fadados a perder de todo fanatismo, não porque o ser humano seja primitivo ou idiota, mas porque o racionalismo supõe uma autoridade superior as outras crenças. Supõe-e que não é um credo, mas o método correto de representação da realidade e verdade quando não é senão uma representação da real e verdadeiro, uma simbolização que como qualquer outra é por definição uma mera abstração que carece do consentimento da credulidade do alheio! Nesse sentido o racionalismo que sustenta as teorias libertárias é mais supremacista e autoritário que a fé das crendices mais mitologicas e autoritárias, que ao menos reconhecem que sua visão de mundo embora creiam ser abolutamente verdadeira é objeto de credo, e não de verdades acima de credos.

E quando o pensamento libertário não compreende esse processo da formação epistemológica do pensamento, que mesmo o mais racional de todos objetos de pensamento, enquanto objeto de pensamento é um objeto de fé do ser pensante. Ele não consegue nem transmitir coerentemente sua mensagem, nem compreender que o pensamento autoritário e a violência são manifestações podem ser manifestações tão naturais da liberdade humana quanto a bondade e solidariedade. E que tentar reprimi-las para despertar toda a bondade e solidariedade só reforça a reação contrária como toda a repressão: o egoismo e a maldade.

O ponto fundamental dessa critica. É que sociedades em que a vocação humana para a liberdade e o livre-arbítrio prevaleçam são perfeitamente possíveis, mas elas não vão se estabelecer pela simples exercício ou educação ou disponibilização de todos os meios possíveis para o desenvolvimento da liberdade. Porque esses meios ajudam as pessoas que são violentamente forçadas por ameaças e privações a escapar do caminho da tirania e servidão. Mas não impede que aqueles que tendo tudo ou mesmo não tendo quase nada continuem a buscar o caminho da tirania e violência para conseguir o que falta ou o que mais quiserem.

Em culturais e estados mais sociais pacíficos e livres é evidente que tiranos e violentos não tem a massa de pessoas vulneráveis para serem cooptadas ou conscritas em seus bandos e exércitos. Mas ainda nada impede que eles formem criem as condições de caos e violência onde as pessoas outrora pacificas sejam convertidas pelo ódio e sofrimento ou a lutar do lado delas ou contra elas. forçando as mesmas a simbiose e reforçando seu poder através da discórdia.

Existe uma grave falha no modelo libertário, ele parte do pressuposto do racionalismo iluminista. Mas as pessoas não se comportam nem tomam decisões baseadas exclusivamente em pensamentos racionais, muito pelo contrário, na maior parte do tempo são governadas por respostas instintivas, reflexos condicionados, sentimentos e emoções momentâneas. E sobretudo necessidades que facilmente seja por oportunismo seja por pilhagem ou violação são convertidas em carências, carestia e vulnerabilidades. O poder é uma mal que se semeia e espalha com a mesma facilidade que uma doença, basta haver condições insalubres e se não há, não é preciso construir nada, mas apenas destruir para tê-las. E aí que ordem dos fatores altera o produto, não é a conscientização que vai trazer a renda básica e capital mas o capital que vai trazer a renda básica e a conscientização. Porque isso não um despertar de todos os homens, o inimigo está desperto, vigilante e pronto para usar de toda violência para deter aqueles que queiram sair do seu jugo. É o despertar do outro que carece de libertação, e que por vezes não para em pé nem para fugir ou lutar contra a violência e brutalidade que dirá ter paz e tempo livre para ler e aprender com o mundo.

O que isto implica em objeção a potencialidade da transformação da renda básica universal, da educação libertária, ações sociais que são processos de edução libertária? Eles mudam muito, mas não mudam o suficiente para garantir nem que essas comunidades não serão esmagadas pelos autoritários e violentos que hoje prevalecem sobre o mundo, nem que se por um milagre todos esses autoritária e violentos se matasse de vez, ficando só pessoas que querem viver em paz e livres. que as pessoas que fossem nascendo e quisessem viver pelo poder posse e violência, não reconstruirão o mundo novamente como o fizeram antes e como ele é hoje, corrompidas e pervertidas e exterminando quem não se junte e submeta a eles.

Nem só de pão vive o homem, mas sem pão ele não vive nem para saber o que é a outra coisa que ele não vive. O filosofo materialista erra ao pensar que a “outra coisa” não existe, ou não é necessária, mas o idealista erra mais ainda se acredita que a outra coisa pode trazer a primeira. O pão se faz do trigo, o trigo nasce da terra. O homem pode se unir até o infinito em solidariedade que continuará passando fome, enquanto não retomar o direito de plantar e colher o fruto da terra. E passando fome não terá forças senão para morrer solidariamente junto. E não para lutar da forma que preciso for para manter sua vida, contra quem quer ver seu filho morto seja na bala ou de fome. Porque até para ter voz e se tornar um mero pedinte ele precisa ter forças para fazê-lo e sem o que é capital, e sem o que é capital antes de perder completamente suas forças ele está condenado a morte, apenas não sabe ou não quer acreditar nisso.

Das Kapital

Não existe espirito de tempo nem do lugar, o que existe é o espirito dos homens. São eles que criam o movimento que definem seus tempo e os espaços. Quando falamos da carestia do sofrimento a quem tem detém os meios necessários sejam econômicos ou políticos para acabar com eles, isso não soa aos seus ouvidos: nossa como é que eu não tinha visto isso? Vamos fazer? Isso soa completamente diferente e ele pode não dizer mas pensa: o que você está querendo fazer, acabar com o meu negócio? E se sentir muito incomodado até age. As pessoas não estão inconscientes, servos e senhores sabem muito bem o que estão fazendo. Um não para de fazer porque não pode. O outro simplesmente porque não quer. De tal modo que os que são solidários e querem ajudar podem muito pouco, porque tem pouco ou menos ainda. e os que podem não querem ou fingem que querem, ou fingem que não sabem onde isso tudo vai dar.

O burguês é só um fascista moderado. Ele sabe que por trás do muro as pessoas estão morrendo e se matando. Ele sabe que a privação mais hora menos hora vai leva-la o outro a pular o muro, invadir seu território e que esse invasor vai levar bala. A diferença é que o burguês de direita apoia isso, enquanto o de esquerda, finge que não, mas não peça para ele sair do seu condomínio fechado. Antes viver na segurança insolidária da minha vizinhança fascistas do que na solidariamente na insegurança e desconforto dos que precisam lutar por sua liberdade. Os verdadeiros libertários que em geral são solidários quase sempre estão comentendo autoritário de julgar o outro pela sua medida. Está pressupondo que o outro é solidário. Quando não devem contar e pressupor nada, mas fazer o melhor podem e na via das dúvidas contar com o pior. Porque o que vier é lucro.

É por isso que onde a pobreza é eliminada e a educação e disseminada a violência e tirania diminuem, mas não desaparecem, nem sequer seu perigo some ou está contido. Não podemos ter ilusões quanto a capacidade de transformação do ensino e programas sociais eles tem o poder de libertar de dar as condições para se libertar quem quer ser livre, não mudam o pensamento o pensamento, nem freiam as vontades contrárias de ninguém, ou tiram as condições e se tiram não são libertários de fato, mas apenas no nome, que ao invés de fabricar a paz e liberdade estão a produzir empurrar quem em outras condições optaria por ela para o oposto. Falta sempre ao libertário os instrumentos de não-violência, mas não os de contra-violência. De modo que quando é atacado acaba senão decaindo na mesma estratégia, recorrendo as mesmas tecnologias de defesa da violência, das armas e a guerra, acaba preso e morto sem nem ter como escapar, resistir ou se defender.

Essa é a grande sacada do capitalismo em relação aos antigos regimes de exploração humana, ele diminui seus custos de dominação para maximizar o ganho da exploração dos dominados não só através da normatização e normalização da servilidade, e exploração e pilhagem, mas dividiu essas funções com corporações subsidiadas pela Estado. Se antes os reis e senhores feudais escravizavam e pilhavam diretamente e davam a sacerdotes o papel de manter o homem conformado e entretido com a sua condição. Hoje essa divisão é tripla. Se Estado e a Igreja antes exploravam e pilhavam diretamente quem trabalha e produz cobrando impostos e dizimos hoje elas cobram para fazer o “trabalho” de mediar e remediar a relação do trabalhador e patrão, o intermediário dessa exploração e pilhagem. De modo que o vilão mais exposto dessa organização é esse patrão o capataz. Porém, essa classe patronal com o avanço do sistema também foi se dividindo, de acordo com a proximidade e privilégios, de modo que as empresas menores e mais distantes do centro de poder, praticamente desairam ao menos tributariamente a sina do trabalhador, enquanto as mais próximas do centro, se agigantaram e inverteram os papéis: passaram a ter a ditar as agendas e transformando eles os governantes em seus capatazes, e administradores dos seus interesses, fazendo novamente o Estado pagar o onûs da revolta popular pelas medidas antissociais. De tentáculos de um Estado Parasita sobre seu próprio território e povo, passaram a tentáculos multinacionais dos Estados Parasitos sobre territórios e povos estrangeiros, até deixarem de ser tentáculos para se tornarem os próprios Parasitas sem um território, povo ou Estado. Pois a medida que dependiam de todos os Estado hospedeiros, não dependiam também de nenhum em particular, mas cada um como clientes deles. De tentáculo foram para dentro do monstro e passaram a controlá-lo e passaram a ser o parasita do parasita. Mas a doença é a mesma, que permite essa infeção oportunista é a mesma, a vulnerabilidade dos sistema imonológico das sociedades é a mesma do inicio da infecção. O privação do capital. O achar belo e bonito as chagas e os vermes que infestam o organismo social, o gostar de criar e alimentar os vermes que está lhe rouba as forças e mata, claramente é uma etapa do tratamento. Mas não a cura, porque esses vermes não vão parar se sugar ou abandonar o corpo simplesmente por o parasitados tomaram consciência da sua condição. O problema permanece, de modo que sanar e retomar o controle da organismo da sociedade não passa apenas por deixar de gostar e alimentar os parasitas. Mas combater e se livrar dos parasitas que devoram justamente o que o organismo precisa para poder fazer isso: os meios e recursos vitais, o capital, de modo que toda a força, energia tempo e recursos que restam ao povo parasitado, por mais combativo ou solidário que ele seja é tão somente o suficiente para reproduzir o capital e se reproduzir como capital, para sobreviver das sobras, isto quando consegue.

Sem a menor sombra de duvidas e fundamental diminuir o grau de alienação reduzindo tanto os ganhos coma exploração quanto até produzindo custos insustentáveis para manter a dominação que quem não quer se submeter. Mas isso é só o parte. Como veremos a seguir na Catalunha, se ela não retroceder o Estado mesmo frente a desobediência não capitula imediatamente, ele retorna a seus métodos mais primitivos e violentos de dominação e exploração. Até quebrar um ou outro. E quem vai quebrar primeiro como numa guerra de cerco, é quem tiver seus viveres findos primeiros, o que não depende do trabalho ou vontade das partes, mas do controle do capital. É por isso que no Curdistão onde esse jogo não é feito cheio de dedos, Bagda já retomou militarmente o controle dos postos de petróleo.

A origem moderna das seguridades sociais é outro exemplo. Quando as greves surgem os trabalhadores de diferentes fabricas se associam e formam fundos de solidariedade mutua para que as famílias daqueles que estavam parados não morressem de fome, e pudessem manter a greve. Assim enquanto uns param para reivindicar direitos, outros continuam trabalhando como escravos assalariados para sustentá-los. Uma estratégia Uma estratégia de compensação da falta de capital, por associativismo que tinha tudo para dar certo… se o governo não declarasse essas associações ilegais e suas poupanças ilegais, as confiscando. Hoje supondo que toda a transações via moeda digital sejam irrastreável, no final das contas, em algum ponto esses trabalhadores terão de adquirir produtos de quem detenha o capital para produzí-los, ou se expor comprando no mercado vigiado. Mesmo que exista tal solidariedade, ou que os trabalhadores adquiram o capital para produzir o que precisam. Meios de troca podem permanecer invisíveis, capitais produtivos, uma plantação orgânica por exemplo e gente que trabalha, compra e vende e distribui não. Ademais nada impede que depois de criminalizado o sistema o Estado não adote os procedimento padrões para destruir esse negócio, se infiltrando no mercado, ou nas organizações. Para depois chancelar e subsidiar o seu próprio monopolizado: como o fez com a previdência social.

Quem não é autoridade ou protegido dela, rei ou amigo do rei, é ao contrário destes subordinado as leis feitas por eles. E qualquer estratégia que não seja autorizada e portanto conteste essas autoridade serão consideradas marginais e criminosas, ainda que seja preciso inventar novas leis pra isso. De tal modo que qualquer iniciativa que não aceita a intermediação forçada do Estado, é por definição um ato de desobediência civil e não importa se não entenda como tal, porque o estado que por óbvio não reconhece a legitimidade de nenhuma forma de desobediência civil, o reconhece senão como marginal, como um inimigo em potencial.

A efetividade de toda forma de desobediência civil resistência pacifica, seja por vias econômicas ou políticas, depende muito pouco do grau de civilidade ou humanismo ou capacidade de sensibilização do inimigo ou seus apoiadores. Ela requer um nível de sacrifício que muito vezes somente se atinge não pela moral dos ativistas ou da população enquanto “tropas”, mas sim pelo grau de desespero da falta de meios e recursos para se manter até mesmo na condição humilhante e indignificante da servilidade.

Muitas vezes por desobediência civil estamos falando nada mais do que pessoas dando literalmente a cara a bater. Até que o custo de espancar prender e massacrar seja maior para o opressor do que para os oprimidos!!! Uma contabilidade desumana de custo de pilhas de desobedientes presos ou mortos versus perdas e custos financeiros de violentos. “Vence” quem tiver mais bala ou bucha de canhão. Ou seja rigorosamente falando novamente quem não tem capital, entra literalmente com o couro. O capital da resistência pacifica é tão somente o que recurso humano. O corpo do povo, que se não tiver nem sequer o que comer nem capital para fazer greve de fome tem. Morre silenciosamente sem custos ou prejuízos a ninguém que detém o que precisa para viver: o capital.

Porque capital é isso. Não é um signo, uma coisa natural ou trabalhada, é o produto desse processamento simbólico e material dos seres em coisas, dos sujeitos em objetos. Do concreto e conexo no abstraído e desintegrado. De tal modo que a união das pessoas em torno do simbólico, mas sem a restituição do bem comum que as faz sujeitos iguais do mundo, não é nada além disso uma união ou declaração simbólica de liberdade, porque quem não possui bens comuns, mas só o trabalho, rigorosamente não faz parte do mercado, é a mercadoria. Quem não possui capital, é capital a ser possuído. Declara-se independente mas não tem independência de fato. É Brasil é Catalunha. E é por isso que não existe liberdade e independência sem revolução pacifica ou não. A associação e a moeda constituem em si valor próprio. Mas aquele que detém o acesso aos bens vitais que ela precisa para viver através das armas, não vai cedê-lo não enquanto ainda tiver balas. Assim a resistência pacifica pode sim, eventualmente parar o aparelho da violência, mas não porque conta com uma unidade promovida pela educação ou propaganda libertária, mas pelo contrário poque conta prevê e se protege de quem serve com gosto ou muito bem pago o poder que disposto a prender e atirar.

Em suma, o problema não é a falta de cultura, ciência, educação, comodismo ou vontade da população. Ninguém sai ou entra num de um campo de concentração sozinho. Ou quem está fora usa o que tem para ajudar o outro a sair ou nada muda, porque nem o médico cura a si mesmo. E mesmo que subamos uns nas costas dos outros, os últimos nunca saíram do buraco se os primeiros traírem os demais e não estenderem a sua mão para os últimos que deram suas costas para que esse saíssem. O associatismo, a solidariedade, a educação, a propaganda (de paz) pelo ato e palavra, os sistemas de seguridade mutua tudo isso é fundamental, mas se aquele que detém o pão não o compartilha, ou os que tem fome o tomam, os educados, solidários,sociáveis, pacíficos e propagadores da paz em ato e palavra morrem, juntos e abraçados, mas morrem.

Logo não adianta fugir da questão do trabalho e da propriedade. A questão do capital. Entre tantos outros erros gravíssimos motivados por seu estrelismo e autoritarismo, Marx cometeu um que muitos libertários compartilham. A supervalorização do trabalho só contra o capital, mas contra toda a propriedade. O problema não é o capital, mas o capitalista. O problema não é propriedade mas imposição forçada fora da ordem natural. A propriedade não é abstração completamente artificial sem correspondência a realidade. Ela é uma extensão da noção de que precisamos controlar nosso corpo e terra, nossos meios vitais internos e externos para existir tanto os coletivos quanto particulares ambos inalienáveis justamente pela mesmo direito e razão a liberdade e sobrevivência.

De modo que tanto a extinção forçada da propriedade particular para imposição da coletiva, quando oposto a extinção forçada da propriedade comum para imposição da exclusiva, não são propriedades mas roubo, um em pró de particulares outro em pró de coletivos, que na prática são apenas grupos ideológicos distintos minoritários a tomar bem comum e particular do resto, que por ser pacifico e não tem como se defender, por exclusão se define então como povo.

Marx portanto assumiu dois pressuposto fundamentais do escravagismo para tentar libertar o homem da exploração do homem.

Um: que a propriedade natural não existe, o que existe é força seja para expropriar ou se apropriar das coisas e definir o que é e o que não é propriedade.

O outra: que toda riqueza é produto do trabalho. E portanto ou você trabalha ou rouba e escraviza para obtê-la. Generalização falsa. Nem tudo é gratuito, nem tudo precisa de trabalho para se reproduzir. Assim como nem todo capital se reproduz sozinho, mas outros sim, especialmente o vivo e natural, se reproduzem e produzem sem o trabalho alheio, o que permite portanto que sejam explorados por parasitas. Prova disso são os recursos animais e humanos cativos que se reproduzem não por causa do cativeiro, mas apesar dele.

O filósofo materialista partilha da maldição do velho testamento que por sinal de liberal tem tudo: ganharás o pão com o suor do teu rosto, e pisarás no pescoço da mulher, o primeiro escravo desse homem. Pelo menos ele era coerente materialista e ateu, dificil é quem se diz cristão e acha que olhai os lírios e pássaros não trabalham e nem fiam de cú é rola. A terra é plana e o essa história de o sol nascer para todos está muito errada, porque nem todo mundo é filho de deus, ou se é é bastardo, porque eles são os únicos legítimos herdeiros.

No fundo a ideologia capitalista-trabalhista é uma religião antiga que o capitalismo e o trabalhismo. E a mito popular contado para os pobres de que não há riqueza que se produza sem trabalho, é entre os iniciados nada mais do que de fato é historinha para o povo dormir.

Porque não o capital reproduz o capital incluso como ou sem o trabalho de gente, ou quando as próprios seres humanos estão condenados a ser capital do outro. Como pelo contrário:

é o trabalho que não se produz nem reproduz sem o capital!!!

De modo que sem o capital o homem não é livre não só para o ocioso, o homem não é livre sequer para poder trabalhar!!! Ou em trabalhar livre para si mesmo, e não escravo ou empregado de outro. E isto é o capitalismo.

Sim heresia! Blasfêmia. Sou mais capitalista que os capitalistas e mais socialista que os socialista. Sou libertário.

Associações baseadas só no trabalho ou sem capital sem a posse da propriedade estão fadadas ao fracasso: primeiro porque elas não tem a propriedades da qual carecem para trabalhar. Segundo porque essas propriedades estão nas mãos de quem quer explorar seu trabalho, e terceiro e mais importante que vai implicar no seu extermínio em definitivo, em breve haverá os instrumentos, capazes de trabalhar para reproduzir o capital, as máquinas poderão reproduzir o capital sem precisar sozinhas. E o capital artificial, a riqueza irá se reproduzir com o capital natural sem a necessidade da mão do homem, que era utilizado para aumentar e maximar essa produtividade, e não necessariamente para “permiti-la” de modo que até para isso , sua trabalho ao qual foi reduzida a razão da sua existência será completamente dispensável. E ela com ele. Ou tem alguém que acha que o capitalista vai sustentar o que para ele não passa de um animal que ficou velho, ou uma maquina que virou lixo?

O direito a renda básica o de viver dos frutos da terra. Não existe apenas do trabalho, mas da restituição da terra. Moedas descentralizadas se sociais e populares retiram os parasitas dos meios de troca, mas não dos meios vitais.

Minha visão de mundo da entender que vivemos em guerra de todos contra todos. Não vivemos. Vivemos vivemos em paz com quem vive em paz conosco. Mas querendo ou não somos tragados constantemente a guerras com quem não aceita nossa forma de vida, liberdade ou sequer identidade. Porque onde um não quer dois não brigam só é verdade se quem não quer é invulnerável ou quem quer é inofensivo. Porque onde quem quer pode causar muitos danos e quem não quer é ou está vulnerável, se não há briga, há massacres. E não raro massacres após uma breve tentativa de defesa ou fuga do impotente.

Tudo o que podemos fazer portanto para escapar dessa sina é tornar os belicosos inofensivos ou o que em tese a mesma coisa, empoderando os pacíficos para não serem tão vulneráveis. Sem isso, continuaremos a viver no mesmo estagio evolutivo dos nossos antepassados. Matando e morremos, cercados domesticados por homens que são lobos do próprio homem em suas fazendas de gente. Mas pode chamar de Estado.

O mito da caverna e a concretude dos campos nazistas

Os libertários aprenderam e se livraram das noções alienantes e aleijantes de deuses todo poderosos, salvadores dos povos e das almas, mas ainda não se livraram da escatologia dos paraísos.

Não existem paraisos nem nessa nem em outras vidas. Não existem mundos livres do mal porque toda criação é fruto da liberdade, e a liberdade é por definição a possibilidade moral do bem e do mal. Da paz e da guerra. O mundo em que os lobos vivem em paz com as ovelhas não é só ingenuidade de utopias pacificistas, mas propaganda totalitária que serve sobrtudo a proliferação e preservação desse mundo dos lobos em que tudo que as ovelhas sonham é viver em paz com lobos, virar lobos ou concerter os lobos em ovelhas. Mas isso não é possível? Claro que é. Muitos lobos já viraram ovelhas, e tantas outras ovelhas já viraram lobos. Mas o possível não é o obrigatório. E o risco permanece nas duas mãos. De modo que a vulnerabilidade do sistema alimentada pelo sonho ou propaganda enganosa permanece.

Não existem paraísos. Nunca existirão uma Terra ou Humanidade cosmopolita e homegena em paz amor e liberdade. O que pode haver são territórios livres, cujo tamanho, jurisdição, proteção da vida e liberade como direito dependerá da disposição voluntária para investir prover e sustentar o desenvolvimento social e humano e defender esses espaços contra quem não tolera essa liberdade. Porque poder por definição é isso. Não é possuir posses condições ou capacidades, mas acima de tudo ambicionar as do outro, querer retirá-las e tomá-las para si. O que incomoda o desejoso de poder, não é o fato dela não ter algo, mas o do outro ter, e não algo igual, mas exatamente aquilo em particular, e nada mais particular que a liberdade, dignidade e identidade alheia. Nada mais insuportável e ofensivo a psicopatia do poder que uma pessoa simplesmente diferente de tudo que ela é, de uma pessoa simplesmente livre. Daí ser impossível com diálogo chegar a qualquer lugar com alguém que não tolera sequer que se coloque em questão e discussão a “autoridade dele” sobre você. É como tentar discutir relação com um sequestrador, um estuprador, escravagista ou psicopata. Você olha para ele com um outro ser humano, ele olha para você como carne e objeto.

A metáfora da luta libertária não portanto é a busca do paraíso na terra. É a luta contra a bestas da humanidade e o inferno. É a luta contra os fascismo e nazismo. O mito da caverna é um mito essencialmente supremacista e autoritário do salvador e iluminado. A verdadeira alegoria do mundo ao menos para os prisoneiros e acorrentados não é uma propriamente uma alegoria, mas uma realidade que persiste seja de forma mais sistemática ou explicita ou de forma mais velada e improvisada: é realidade dos genocídios e holocaustos. Nelas as cavernas são os campo de concentração ou as periferias do mundo, onde pessoas, famílias, raças, credos, raças, identidades são reduzidas a classes e segregadas a margem da sociedade, seja condenadas a trabalhar até morrer, e só morte mesmo enquanto isso…trabalham.

A caverna do homem, não é só platônica, a matrix feita de códigos e símbolos e normas que normalizam a monstruosidade e absurdo. E la é feita do próprio absurdo e mostruosidade materializado na realidade, fora do mundo das ideias, é feita de privações reais sofrimentos reais, de dignidades, liberdades e identidades roubadas e renegadas absolutamente sensíveis.

A metáfora da condição humano nos arcabouços da alienação é o campo de concentração nazista. Onde o argumento de Hannah Arent contra o subordinação dos dominados é em essência o mesmo dos próprios nazistas. Porque quando ela se pergunta porque eles não se levantaram mesmo estando desarmados, se eram em maior número contra apenas um homem com uma metralhadora, porque eles não se levantaram mesmo sabendo que muitos morreriam, mas outros mais se libertariam, ela na verdade coloca a questão da servidão exatamente nos termos que esses senhores assassinos querem para justificar o injustificável.

A unica diferença é que os nazis dizem vejam: eles não reagem, são animais de abate, merecem ser abatidos. Enquanto o humanista apenas diz o contrário: não somos animais de abate, não podemos deixar que eles nos abatam!!! Não não podemos, mas como diria Esopo, falar é fácil difícil é fazer, quem é que vai colocar o sino no gato?

A ASSEMBLEIA DOS RATOS

Era uma vez uma colônia de ratos, que viviam com medo de um gato. Resolveram fazer uma assembleia para encontrar um jeito de acabar com aquele transtorno. Muitos planos foram discutidos e abandonados. No fim, um jovem e esperto rato levantou-se e deu uma excelente ideia:
-Vamos pendurar uma sineta no pescoço do gato e assim, sempre que ele estiver por perto ouviremos a sineta tocar e poderemos fugir correndo. Todos os ratos bateram palmas; o problema estava resolvido. Vendo aquilo, um velho rato que tinha permanecido calado, levantou-se de seu canto e disse:
- O plano é inteligente e muito bom. Isto com certeza porá fim à nossas preocupações. Só falta uma coisa: quem vai pendurar a sineta no pescoço do gato? -Esopo

E falar de fora é mais fácil ainda. O Estado se sustenta não por servidão voluntaria , mas pela técnica mais antiga de dominação dos povos como massas, da redução das sociedades em multidões e manadas de pessoas de paz: o terror.

Não é preciso um exercito, um soldado com metralhadora, mas só um homem um revolver na mão para dominar outros desarmados pelo terror. Tanto o homem armado quanto a multidão desarmada sabem que seu revolver só tem seis balas, mas isso não importa porque ele só precisa de uma ou duas balas. Uma para meter bala no primeiro, e a segunda para perguntar quem é o próximo, caso mais alguém ainda não acredite que ele vai mesmo atirar. Terrorismo, mas pode chamar de dissuasão pela supremacia da violência. De modo que a pergunta da libertação dos povos, não é a educação, mas quantos pessoas existem no mundo disposta ao martírio para libertar as demais do holocausto certo? Quantas? Não importa o número, dê uma estimativa de quantos libertadores há e eles saberão o número de balas que precisam ter nos tambores e o tamanho da vala comum para se livrar dos corpos. Dê a mera estimativa da possibilidade do nascimento de um único libertador e Herodes irá matar todas as crianças antes que qualquer uma realize “a profecia”. Já vi povos se libertarem sem violência, mas nunca sem sofrer violência. E nunca vi as primeiras fileiras, as vanguardas, e os ditos libertadores morrem em paz na cama, exceto aqueles que se corverteram em tiranos, ou lacaios deles.

A pergunta não é porque o Brasil inteiro se cala servilmente perante nossa criminosa classe política agora representada por esse Tirano repugnante que a representa. A pergunta é? Quem é que vai colocar o guiso no Temer e seus comparsas e capangas? Teori?

A monstruosidade perversidade da dominação da violenta do homem pelo homem, está no uso do instituto de preservação contra a preservação, o uso perverso da vontade e esperança de viver contra a vida. O xeque-mate, do terrorismo quando ele domina e se faz um Estado é que ele exige sacrifícios humanos tanto para se manter quanto de quem quer se libertar. E se há uma coisa que não podemos pedir a ninguém é que sacrifique pelos demais, nem muito uns se sacrifiquem pelos outros. É por isso que o Estado vence. Ele não pede, nem espera, ele obriga. E quando esperamos então que um povo inteiro se levante e resiste não estamos esperando apenas por 1 messias, 1 salvador, 1 libertador, 1 por 1 martir, que seja, estamos esperando por todo um povo feito só deles.

A vantagem estratégica que os belicosos tem é que tudo que eles precisam exigir que as pessoas sirvam e se ajoelhem para viverem. E o que os libertários tem a oferecer? O paraíso? A ilusão de um lugar onde o leão vive em paz com a ovelha? Ou pior o inferno de uma guerra por liberdade onde todos precisam estar dispostos a morrer para que alguém tenha a sorte quem sabe de sair vivo e livre?

A grande sacada da escravidão moderna é que os custos delas extremamente reduzidos pelas técnicas de educação e entretenimento, pelas comodidades que ela proporciona. De modo que ela não só se torna a ameaça do obedeça ou morra quando o suborno do conforto não é aceito. É só nesse momento que o dominador mostra suas garras e dentes. e faz novamente sua proposta demoníaca: para que desobedecer e sofrer com a minha ira se basta você me aceitar e servil para ter o pão que lhe tiro, os reinos que quiser e a “proteção”que a liberdade não te dá?

E eis o grande “problema” da libertação? Embora o que tenha a ofecer dignidade, liberdade e vida com propriedade e identidade seja bens infinitamente maiores, os custos e riscos e impedimentos que os autoritários impõe mais subornos pela corrupção e servidão, são bem maiores que as chances que os libertários tem de oferecer isso sem riscos e esforços enormes. É uma armadilha por que no final o rato sempre será devorado pelo gato. Mas entre viver um pouco mais presos nessa armadilha, nessa matrix, ou enfrentar o risco de perder tudo e perecer imediatamente lutando por sua liberdade. A maioria das pessoas escolhe a servidão. Podemos chamá-las de covardes, ou fazer uma autocritica e aceitar que é preciso melhorar as condições mínimas para a resistência se quisermos que mais pessoas que querem sair da servidão mas não querem se sacrificar possam enfim ter os meios suficientes para fazê-lo de acordo com suas capacidades e força de vontade que pequena ou não basta existir se a alavanca e ponto de apoio forem fortes. Ou como diria o sábio que foi morto pelos soldados porque estava entretido demais com seus cálculos: Me dê um ponto de apoio e me moverei o mundo.

Ele está certo… universalmente certo: Dê o ponto o apoio que falta a todo ser humano e ele também como Arquimedes terá também enfim como mover o mundo.

A Matrix não é a matriz

A matrix não é a totalidade do sistema. É a máscara. Ela é o circo é a farsa o espetáculo que se interpõe entre o homem e o verdade do sistema. Quando tomamos consciência e saimos dela, essa egregora não se desfaz, nem nós nos libertamos, apenas começamos a lutar a verdadeira luta no mundo real, onde os senhores são vulneráveis, e os escravos tem alguma chance de liberdade real.

Estou a ser pessimista? Não. Estou dando meu testemunho de como funciona o sistemas lastreados pela violência. Obedeça e não será violentado. Desobedeça e será ameaçado. Proclame ou reclame liberdade e sera marcado e perseguido. Ouse ser livre e será preso e morto. Tente enfrentar isso como o mesmo meios para atingir outros fins, e perderá seus princípios. Se tornará o inimigo que outrora combateu.

Qual a saída então. A primeira é reconhecer a dimensão do problema é muito maior e mais complexa para o qual ainda não temos a resposta. A segunda é descobrir as novas soluções, sem desistir do desenvolvimento e aplicação daquelas que embora paliativas é tudo o que temos inclusive para chegar até as novas.

E enquanto não chegamos nelas, o diabo, o monstro, a besta, o animal que mora dentro de nós tem lá sua utilidade. E as garras e dentes afiados, só vão desparecer quando caírem em desuso, só entrarão em obsolência completa quando pela força da inteligencia quando finalmente conseguirmos nos tornar um pouco menos vulneráveis a todo desejo de onipotência, onisciência e onipresença daqueles que constroem o que lhe é sagrado profanando o alheio. Não imortais mas menos mortais ou sujeitos a sermos mortos e presos por aqueles que julgam que tem o direito de vida e liberdade sobre os outros. E isso com certeza passa pela união entre os que sofrem a mesma sina, mas para se colocar em um condição real longe do alcance violência. Algo que não se faz só com renuncia a violência, ou união pela paz, só como a adoção ou propagação do dialogo, ou mesmo com as garantias mutuas de meios necessários a sobrevivência, mas com o desenvolvimento de arquiteturas e tecnologias que não temos. Tecnologias e arquiteturas que nos coloquem de fato fora do alcance da mão das garras e dentes dos tiranos e predadores porque enquanto estivermos dentro do território deles, ou ele dentro do nosso, ou prendemos eles em jaulas ou eles fazem da nossa vida uma prisão. Ou fugimos deles, se tivermos para onde fugir, ou lutamos como e até onde pudermos para não sermos presos, violados e mortos. Gritar, fazer manifestações, associações, mesas de debate, mercados alternativos, sistemas de trocas e pagamentos mutuos, tudo isso ajuda a nos fortalecer, mas o fator determinante o mesmo fator que fez o homem prevalecer sobre as bestas e que permite que não só as dominemos, mas que até mesmo as protegemos em seus habitats exatamente como são permanece nos faltando, não temos cidades e sociedades suficientemente defendidas para não termos que viver em guerra com elas, ou mais precisamente com sua natureza violenta. Dito assim parece até que considero os homens belicosos meros animais e não seres humanos iguais a mim. Os considero, mas isso não os obriga a ter a mesma consideração por mim. E esse é o ponto. Eles são homens, e sendo homens são e devem ser livres para viver como quiserem até mesmo como animais, ou monstros se matando uns aos outros se essa for sua vontade, desde que não tentem impor essa “forma de vida” a ninguém, não temos o direito de intervir. E até poderiamos nesse caso fazê-lo usando de toda a força necessária. O problema é que essa força necessária a violência ou sua ameaça pode até servir para frear com a violência, mas não serve para constituir o estado de segurança ou de paz que precisamos. Logo o que nos falta se é consciência é a consciência que precisamos construir sociedades como casas onde aqueles que não querem viver como vivemos vivam como bem entendam como espaço e recursos suficientes para isso, bem longe delas. Ou o que é a mesma coisa nós o mais longe possível da violência e tirania deles. De modo que o lucro para impor uma coisa ou outra não pague nem o custo de tentar impô-las. Sou um entusiastas dos sistemas que Fabiana Cecin propõem porque acho que eles tem esse potencial.

Precisamos investir na construção desses sistemas e tecnologias porque não adianta sonhar, na falta ou falha ou queda deles, tudo o que nos resta novamente para preservar nossa vida e liberdade é a legitima defesa e nada mais estupido que insistir nisto que é somente a reação quando falta de recursos inteligentes como solução preventiva através da ameaça de dissuasão ou pior ataque preventivo- que além de não funcionarem produzem o efeito contrário.

Falta-nos cultura de produção da paz não só social mas material. Uma industria de tecnologia de soluções de defesa social e civil, que busquem tornar as formas armadas, contra toda força bruta e belicosa e tirânica não só obsoleta, mas inofensiva. As sociedades de paz precisam se tornar invulneráveis a essas armas, seja pela sua superioridade econômica, politica mas sobretudo tecnológica. E isso obviamente passa por parar de financiar, ou alimentá-las, mas também por acabar com as condições antissociais onde elas prosperam. Mas não só! Envolve ainda por cima desenvolver dispositivos de proteção que não contém só com desarmamento, educação, programas sociais, ou forças armadas. E que não existem e até onde sei não estão a ser desenvolvidos por nenhuma instituição tecnológica pelo simples fato de que não é essa abordagem que temos de defesa da paz e liberdade. Não temos dispositivos politicos, juridicos, economicos ou sociais, ou tecnolicos com poder de fato efeitivo para desarmar, neutralizar, ou proteger de fato as sociedades da ação militar, financeira, estatal, ou legal.

Ninguém é bicho, mas a pessoas que querem se comportar com tal. E não importa o que você faça elas vão seguir assim porque essa é sua vontade. Para lidar com essas culturas e estados de violência, ou nos afastamos do seu raio de ação, o que não funciona a longo prazo, porque ele tende a se expandir, ou desenvolvemos tecnologia capaz de mantê-los longe dos espaços e recursos e vitais, o que não quer dizer presos, mas o mais livre o possível da forma que queiram viver, sem interferir com a nossa forma de vida ou precisarmos interfir na deles. O principio da comunhão é por definição estabelecido por paz, liberdade e consentimento, onde não existe esses elementos de todas as partes nenhuma delas conseguirá viver em livre em paz como gostaria, mas acabará vivendo em função do outro o violento seja tendo que vigiar, defender-se, cuidar ou tomar cuidado com ele.

Direitos naturais são universais o que não é universal é a juridição de qualquer homem sobre os direitos naturais do outros. Nem sua compreensão, nem o seu respeito. A noção desses direitos não implica no direito de intervenção sobre quem não tem noção ou respeito por eles para impô-los, mas somente no direito de impedir que esses sejam desrespeitados por aqueles que demandam o seu respeito. Porque o direito natural é universal a cultura, os deveres e meios disponíveis para garanti-los não. De tal modo que quando estamos falando em intervenção e jurisdição nunca estamos falando em garantia de direitos, mas rigorosamente em imposição de deveres e obrigações para provê-los e defendê-los. E naturalmente não temos direito legitimo de fazer isso a nenhum outro ser dotado de vontade muito menos outro homem.

Nenhum ser humano é mais homem ou menos bicho que outro ser humano, e tanto como homem quanto como bicho deve ser respeitado em sua forma de existência ainda que queira existir como um predador. Resta para nós então o quê? Sermos obrigados a viver com lobos? Tentar venerá-los com temor como se fossem deuses todo-poderosos? Viver fugindo e se escondendo deles em cavernas? Caçá-los até o último da sua espécie (que diga-se de passagem é a nossa)? Adestra-los como se fossem cães como fazem conosco? O problema como bem sabemos é que esse homem lobo não é um lobo, é como nós! um homem e um bicho que diferente dos outros animais não se contenta com o que tem, quer tudo e além, e mata até o que não pode carregar. A solução autoritária, diga-se de passagem a unica solução que ainda temos a nossa disposição é combater os mais violentos e amputar-lhes as liberdades. A solução libertária- que não desenvolvemos- é tirar dos mais primitivos e infantil tudo do alcance de suas mãos que ele pode e não queremos que ele destrua. Por sinal exatamente o oposto do que fazemos quando entregamos por exemplo bombas nucleares para Trump e Kim.

Mas esse não é ponto. Há armas de ataque e destruição biologica em massa, porque há toneladas de investimento em pesquisa desenvolvimento nelas, mas nada em neutralização dos problemas sociais, militares e etc…?

O ponto é: porque não temos??? Seria porque os lobos governam? Isso é obvio! Não é os lobos que querem viram vegetarianos mais os bois e ovelhas. Eles que precisam parar de querer converter lobos, respeitar a natureza, ou sua decisão de vida, parar de tentar ensinar quer ser ensinado, converter quem não quer ser converter, convencer quem não quer ser convencido, deixar a ingenuidade quando não prepotência que a paz o bem e a liberdade porque são boas serão sempre recebidas porque “tem que ser”. E passar a desenvolver formas de defesa que coloca os dentes e garras dos lobos longe de sua carne. Porque nem ele nem nós temos a primazia de governar uns aos outros. Não porque assim prega a nossa fé, mas porque é burrice pregar a leões, ou quem pensa que é um, que não entende ou se faz de surdo, a outra linguagem que não a da força.

O problema portanto está em rezar, educar, renunciar, e prover o minimo vital ao próximo é suficiente. E note que não fazemos nem sequer nada disso, isso tudo diminui absurdamente nossa vulnerabilidade aos predadores. O problema está achar que só isso é suficiente para nos defender deles. Se queremos nos livrar de fato da hegemonia dessa cultura e da capacidade que ela tem de disseminar o ódio e corromper como uma doença epidêmica a psique coletiva precisamos não só sair da posição de servilidade, precisamos sair da condição de vulnerabilidade. E isso sem cair na armadilha de obrigar os antigos senhores a se tornarem servos — coisa que não querem- nem obrigá-los a se tornarem iguais- coisa que abominam tanto quanto! Mas não obrigando-os a nada, deixando livres para viver como bem quiserem junto da nossa convivência se inofensivos, bem longe dela se incapazes formos de não conseguirmos de nos defender deles sem precisar usar da violência e autoridade que de fato, ao contrário dos autoritários, não queremos mesmo usar!

Porque sem essas defesas, seja frente uma pessoa doente, um cão raivoso, ou o resta apenas a rendição ou a luta. O discurso o dialogo a educação e cultura não servem para nada. E ai temos que dar graças a deus ou a natureza , se anida termos o mesmo instinto violento e não sermos completamente domesticado como gado de abate por infinitas seleção artificial de eliminação dos mais jovens combativos e revoltados em prisões ou valas comuns. Porque uma vez arrastados para o jogo e a cova dos leões tudo o que nos resta é esse instinto de preservação chamado violência para sobreviver. Instinto que trabalhamos e precisamos obviamente trabalhar melhor para desaparecer. Mas não para nos tornar esse coisa abjeta e servil que entrega a sua vida ou a de seus filhos ao comando dos senhores por medo, idolatria ou reflexo condicionado, mas por completa segurança e desnecessidade de uso desse recurso primitivo de legitima autodefesa.

É por isso que não adianta apenas revoluções virtuais, ou educacionais. As revoluções não precisam ser violentas, mas se não forem concretas se não forem contra-violentas, se não tirarem a vida das inocentes das mãos deles , ou seja, as armas e os recursos vitais, não teremos nem paz nem liberdade. Porque a paz e a liberdade não precisam ser a ditadura contra os violadores e possesssivos. mas precisa ser um território livre da ditadura deles. Em verdade podemos até conviver em paz com eles, mas isso sempre será uma medida unilateral que nunca poderá contar com a boa vontade deles. Eles podem até abandonar quando quiserem a violência e aderirem a sociedade e cultura de paz, mas não só não podemos contar com isso, como prudentemente pela mesma razão, devemos também contar com o oposto, que quaquer pessoa independente do quanto tem disponível ou disposições em contrário pode a qualquer tempo apelar a violência. E enquanto não entendermos isso, a natureza da liberdade, não cosntruiremos os sistemas e sociedades livres que buscamos.

Pressupor que todos partilharão de uma mesma cultura cosmopolita é pressupor que o racionalismo e o libertarismo seja uma cultura universal. E não é. Ele é cultura como qualquer outra. Que entende que todas as culturas e credos tem o mesmo direito de existir. E que portanto não podem ser subjulgados ou eliminadas, nem mesmo as autoritárias, evidentemente onde esses autoritarismo esteja restrito ao território formado pelos habitantes que querem viver dessa forma sem sequestrar ninguém de fora, nem manter ninguém refém dentro. Porque do contrário o que nos resta senão intervir como pudermos para libertar essas pessoas?

E é por isso que a igualdade não é o valor primordial mas a liberdade, não se pode impor a força nem igualdades nem desigualdades, se a servilidade ao rei ou patrão não é mantida por violência nem privação dos meios de vida, mas consentida, o defensor da liberdade não pode impor a ausência dessa relação desigual de posses ou poderes a força contra as partes, porque o autoritário aqui seria ele. O solidário tende a pensar que onde a pessoa tem uma renda básica ninguém se submeteria a condições desiguais, indignas servis e degradantes. Mas se assim o fosse pessoas de posses não se submeteria a trabalho assalariados nessas condições apenas pela alta remuneração ou status social. Existem outros fatores que levam as pessoas a se submeter voluntariamente, um deles é a vontade de ficar rico, a outra é a esperança de um dia ocupar o cargo de mando de quem hoje manda nele.

Se as pessoas querer crer ou viver voluntariamente se sua relação é consensual então por mais absurdo ou desigual ou indignificante que seja, é direito soberano delas viver dessa forma, ninguém tem jurisdição para intervir senão for para justamente para libertar pessoa mantida na relação oposta de força não consensual. Sado-mazoquismo não é crime.

Sim, é por isso que o sonho libertário de um cosmos de um planeta com todos se vivendo como num paraíso é só o mais utópico, mas a porta aberta constante para os plantadores de males que vem para o bem, dos que administradores do mal com a desculpa que a para o bem do que sofre na sua mão. Não é um sonho de paz é um sonho de pax, porque não pode ser mantido sem a violação sem o emprego da violência, sem o uso da força contra quem não quer se submeter. É o oposto do viver em paz, ou deixar as pessoas viverem em paz como bem quiserem, é o querer impor a força sua noção de paz e liberdade ao outro. Impor a sua jurisdição imperial. No dia em que surgirem os libertadores compulsórios é por que os libertários de esquerda viraram reacionários, com direito ao fedor de toda burguesia progressista de esquerda politicamente correta, e de toda burguesia conservadora de direita religiosamente correta. Fundamentalistas de uma nova ideologias para travestir sua hipocrisia. Até lá, o cheiro de novidade esperança vai depender da juventude dessas idéias e ideias.

E enquanto não aprendermos a lidar com eles não vamos nos libertar, porque esse homem mora e renasce a amadurece a todo tempo dentro de nós.

Entender não é se conformar, nem é concordar, mas de certa forma é saber compartilhar algo em comum, nem que seja uma mesma sina ou só um sonho.

O LOBO E O CORDEIRO

Um Lobo, ao encontrar um Cordeiro desgarrado do rebanho, decidiu, ao invés de deitar mãos violentas sobre ele, encontrar alguma razão para justificar ao Cordeiro seu direito de comê-lo. Então ele lhe disse:
— Como é que você tem a ousadia de vir sujar a água que estou bebendo?
— Como sujar? — respondeu o cordeiro — A água corre daí para cá, logo eu não posso estar sujando sua água.
— Não me responda! — tornou furioso. –Pois sei que você estragou o meu pasto — replicou o lobo.
— Como é que posso ter estragado seu pasto, se nem dentes eu tenho? — respondeu o humilde cordeiro. — Além disso — rosnou o lobo — fiquei sabendo que você andou falando mal de mim há um ano.
— Como poderia falar mal do senhor há um ano, se sequer completei um ano?
O lobo, não tendo mais como refutar nem culpar o cordeiro, usou sua razão predadora e não disse mais nada: pulou sobre o pescoço do pobre animal e o devorou. — Fabula de Esopo
Like what you read? Give Marcus Brancaglione a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.