A Carnavalização no Brasil.

O espírito carnavalesco cada vez mais, cria uma nova identidade ao nosso país. Como uma revolução, as principais capitais do Sudeste viram suas ruas serem tomadas por “bloquinhos” e acompanhamos a constante evolução de um carnaval livre e anárquico. Nele, quase tudo é permitido, beber até cair, discutir, liberar e protestar são algumas formas de se comemorar. Não se engane achando que não existem leis, pois o respeito ao próximo é muito bem estipulado.
Os ensaios dos bloquinhos em BH, o pré-carnaval em SP e a real festa no Rio trouxera-me um ponto comum, em todos esses momentos de folia que tive o privilégio de participar: o desejo de liberdade. O que são esses sete dias ( que agora quase se uniram as festas de fim de ano ) se não uma fuga da realidade e a liberação e permissão de soltarmos todos os nossos desejos reprimidos. O carnaval de rua une as pessoas e cria um desejo de igualdade e respeito entre todos os que estão dispostos a se permitir e praticar a troca de felicidade.
Os que foram às ruas em todos esses dias do pré ao pós carnaval, estavam felizes e muitas vezes incomodavam aqueles que não se mostravam dispostos a pensar que a cidade deve e precisa ser ocupada. Parques pouco utilizados, comunidades carentes, regiões centrais degradadas e monumentos públicos foram ocupados por uma grande festa que não tinha hora para acabar e levava a população a explorar áreas nunca antes visitadas.
O carnaval de rua é para aquele que está disposto a sair de sua zona de conforto e encontrar o bloco perdido em regiões inóspitas, são para os músicos que se dispõem a ensaiar antes e a tocar incansavelmente até o final, são daquelas que vão de peito purpurinado e aberto reivindicando liberdade e finalmente de todos que pensam e executam fantasias com muita criatividade e beleza colorindo lindamente as cinzas capitas.
Seja com spray de pimenta, seja com o patrocínio e cartel das marcas cervejeiras, seja com a truculência dos policiais, seja como for, o movimento que vimos nas ruas deve ser respeitado e cada vez mais liberado. O espírito do carnaval de rua não precisa acabar na Quarta-feira de cinzas e tem muito mais a dizer do que a simples folia.