MINHA PEQUENA GUERREIRA

Faz tempo que quero te escrever, minha filha. São tentas coisas guardadas…

Tantas palavras, minha pequena.

A primeira coisa que quero te contar, minha filha, é sobre teu nascimento. Como nascestes guerreira.

Me lembro como se fosse hoje aquele 19 de novembro de 2009. Com 2.08kg e 44cm tu veio ao mundo vencendo.

O Dr Ernesto, mudou pra sempre esse dia em nossas vidas. Decidimos fazer a cesariana, pois estava difícil tu ganhar peso dentro da barriga da tua linda mãe.

Descobrimos no teu nascimento que o cordão umbilical estava enrolado na tua perna.

De repente, teu mundo já não estava mais quentinho e escuro. Luz nos teus olhos. Um ambiente estranho, hostil. Um novo universo se abre pra ti. E tu chegou vencendo.

Me lembro de ti lutando para aprender a respirar. Me lembro de ti olhando meus olhos e encontrando teu pai.

Fiquei no teu lado nas primeiras horas. Tua mão pegava meus dedos e seguravam firme. Nosso laço já existia. Tu acabara de mudar a minha vida para sempre.

As horas foram passando na maternidade e tu continuava lutando para respirar. Tua mãe na sala de recuperação aguardava ansiosa a hora de te ver. Mas as enfermeiras diziam que tua respiração precisava acalmar antes.

Mais algum tempo, meu anjo, depois de te ver lutando para tomar leite, lutando para vencer as primeiras batalhas deste mundo, pedi as enfermeiras: vamos levar ela para os braços da mãe e ver se não se acalma?

Depois de ouvir algumas vezes não, pois o procedimento exigia que primeiro tua respiração se normalizasse, exigi que ligassem para a tua pediatra, a Dra Rosa.

Se tu não melhorasse, queria te levar para a UTI NEONATAL. Normal, minha princesa. Era o que se esperava. Teu parto estava previsto para o dia 17 de dezembro. E teu peso estava no limite do mínimo exigido.

Mas a Dra Rosa concordou comigo. E te levamos para os braços da tua mãe que te queria demais.

Pelo visto não era só ela.

Ao deitar no peito dela, tua respiração acalmou. Tu estava em casa novamente.

Foi lindo, meu amor. Tu venceu.

Venceu as teorias, venceu as enfermeniras, e mostrou pra mim que o sangue que corre em ti pode te fazer conquistar tudo aquilo que tu sonhares na vida. Lute sempre por tudo que quiseres.

Naquela noite de 19 de novembro tu lutou para respirar. E para estar no colo na tua mãe.

Nunca esquece disso. Tu podes tudo.

Te amo muito.

Teu pai,

M.

Porto Alegre, 7 de setembro de 2010

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