Uma Barata Servida

Não sei quando, nem o porquê comecei a usar a palavra servida como um sinônimo de grande ou bem gordinho mas esta semana precisei descrever uma visitante inusitada na minha casa desta forma pois se tratava de uma barata grande e gordinha ( isso sem contar as assas que a fazia ficar ainda mais ameaçadora ). Sim eu tenho muito medo de baratas e não hesito em fugir delas com todas as energias do meu corpo.

No entanto, apesar de deixar bem claro para todos minha alegria em ser uma pessoa independente que mora sozinha e paga suas contas, tenho que admitir que enfrentar uma barata sozinha foi um dos maiores desafios deste ano, me mudar para uma cidade grande sozinha ficou muito fácil perto disto.

Tudo começou em uma terça-feira que apesar de muito cansativa estava totalmente dentro da normalidade, cheguei em casa do trabalho com preguiça da vida e tomando coragem para fazer meu jantar/almoço do dia seguinte. Após ver todos os “Snaps” do dia e me atualizar nos canais que sigo no Youtube finalmente tomei coragem para ir cozinhar um delicioso filé de frango recheado. Bom esta era a ideia inicial…

Quando estava prestes a preparar minha refeição eis que avisto próximo a minha máquina de lavar, ela, minha futura inimiga de uma batalha que só teria sua conclusão dali há algumas horas. Voltando a historia, avistei aquela assas batendo e as antenas em alerta e minha espinha congelou e paralisei, sabe quando você se depara com algo que você tem muito medo e sua vida parece dar um pause? Então, vivi isso por alguns segundos.

Em seguida, me lembrei de um spray com veneno para baratas que estava guardado e fui pegá-lo. Enquanto isso o pouco de coragem que tinha adquirido devido a adrenalina do susto foi sumindo, e tive a ideia de fechar a porta da área de serviço e ir buscar ajuda com o porteiro do prédio. Afinal, quando se mora sozinha não se tem muitas opções de socorro. Mas o porteiro se negou a me ajudar e disse que não sabia de ninguém mais no prédio que poderia me ajudar na batalha contra a minha inimiga do momento. Voltei triste para apartamento e resolvi tentar ajuda com meus vizinhos de porta, afinal eu acreditava que vizinhos deveriam se ajudar não importa o que aconteça.

Mas para minha tristeza e decepção, me deparei pela primeira vez com a frieza de algumas pessoas nesta selva de pedra chamada São Paulo. Tentei com três vizinhos e eles nem ao menos abriram a porta para entender melhor meu pedido, mesmo explicando que era a vizinha deles e que tenho muito medo de baratas. Voltei triste para casa mas ainda precisaria enfrentar aquela barata sozinha.

A decepção com a falta de atenção dos vizinhos me fez criar coragem para ganhar aquela batalha. Calcei meus chinelos, peguei o spray de veneno e fui para área de serviço determinada a acabar com aquilo o quanto antes. Após uma longa batalha finalmente consegui vencer e finalmente ter a chance de relaxar.

Acabou sendo mais fácil do que imaginei mas saber que não posso contar nem ao menos com meus vizinhos me fez refletir o quanto estamos sozinhos neste mar de gente que chamamos de mundo. E que eventualmente teremos que enfrentar nossos maiores medos sozinhos por mais que nos falte coragem.

Aqui entre nós meus caros, travar uma batalha contra aquela barata servida não foi nada fácil! Mas sobrevivi a mais esta aventura que a vida nos proporciona.