Criatividade pra quê?

Era um job *Gremlin.

Um panfleto comemorativo aos cinco anos de aniversário de uma agência de turismo. O atendimento chega para conversar comigo após a peça estar pronta.

– Vi a peça de agência de turismo que você enviou.

– E aí?

– Achei muito viajada.

– Defina muito viajada.

– É uma peça de aniversário, acho que uma coisa trivial seria mais interessante.

Tenho plena certeza que neste momento o Francesc Petit se revirou em seu túmulo. Numa agência de publicidade — na guerra por vendas, destacar marcas e conquistar clientes — já vi de tudo, mas pedi para criar peça trivial era novidade…

– Não estou certo que uma “coisa trivial” seja interessante em algum lugar.

– O que estou querendo dizer é que é para ir direto ao objetivo.

– Exemplifique.

– Pensando em viajar? Algo direto, sacou?

– Olha só, colocar uma pergunta passível da resposta não em um título não é legal. Em vez de persuadirmos, estamos deixando a tomada de decisão para o receptor. E se ele responder não, teremos que criar um novo argumento.

– Mas cara, se ele responder não é porque que ele não é o público-alvo.

– (Silêncio!)

E continuei em silêncio pelo resto do dia. Não há como argumentar um conceito supremo como este.

Que Deus me ajude.

*conheça todos os tipos de jobs aqui.

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