A Desimportância da Informação

Na era das “Fake News”, precisamos reaprender o que é essencial. Uma breve reflexão.

Qual foi a última notícia que realmente mudou sua vida?

Difícil dizer, não? Mesmo assim, bombardeamos nossas mentes com centenas de reportagens, artigos e postagens todos os dias. Sejam sites ou redes sociais, todos eles lançam contra nossos olhos, através dos raios luminosos do celular, notícias sobre as mais diversas questões. Política, tecnologia, esportes, famosos… Novidades tão diversas que, entretanto, carregam em si algo em comum: Todas passam.

Dificilmente nos lembraremos amanhã do que lemos hoje no Facebook. Entretanto, na busca compulsiva por estarmos sempre bem informados, desperdiçamos tempo precioso; dias e horas da vida que, gastas com coisas efêmeras, não haverão de voltar.

Nestes tempos de notícias falsas cabe a nós fazer uma preliminar diferenciação: por mais que seja bom estarmos atentos sobre o que acontece mundo afora, informação não é conhecimento. Saber a última movimentação de Donald Trump na Casa Branca te torna tão conhecedor de política quanto ler uma reportagem sobre o último avião que caiu me torna um especialista em aeronaves. Nós dois apenas reproduzimos discursos propagados pela mídia, às vezes assinados por algum suposto especialista, que tanto podem ser verdade quanto não. Tudo isto é informação, e ela não importa.

Este tipo de informação, da qual nos embriagamos todos os dias, não contribui em nada para nossa formação pessoal. Não nos ajuda a conhecer o mundo, alcançar a verdade dos fatos, ou mesmo perseguir o sentido de nossa existência. Ao contrário, como o álcool ela inebria, tornando nossa mente confusa demais para sequer entender onde estamos. Na dificuldade de compreender o mundo em meio a esta nuvem, juntamente com a necessidade de sermos aceitos, somos levados pelo caminhar da massa. Esta que não é movida pela verdade ou pela certeza do certo e errado, mas somente por discursos estéticos-sentimentais, ditados pelos artistas e intelectuais da moda, os colunistas da Folha e os especialistas extremamente isentos da Globo News.

Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação? 
Os ciclos celestiais de vinte séculos
Nos trazem mais longe de Deus e mais perto do Pó.
-T.S. Eliot, 1934.

O que faremos, leitor, você e eu? Creio eu que existem dois caminhos, duas opções.
A primeira opção é seguir o fluxo da humanidade. Continuar a absorver gigatoneladas de bites diariamente, não se importando com sua veracidade e nem com sua utilidade para a caminhada de nossa curta existência. Como disse, desperdiçando o pouco tempo que nos resta, crendo ser a vida que temos de mui pequena importância debaixo do sol.

Mas há outro caminho para seguirmos. Ele é libertador, pois se incia nos alertando um fato que deveria ser senso-comum: você não precisa opinar sobre todos os assuntos. Nem mesmo se importar. Podemos aprender a não nos alarmar tanto com as notícias que saem a cada dia. Podemos consumir menos artigos e mais livros, principalmente os clássicos. Menos informação e mais conhecimento. Menos conhecimento e mais sabedoria. Outras verdades seguem. Os debates na internet só diminuem nossa capacidade de contemplação. Nossas escaramuças políticas só nos impedem de encontrar o próximo. Nosso egoísmo nos impede de encontrar Deus.

Está na hora de aprendermos a ignorar todo o ruído que nos cerca e pararmos para ouvir a sinfonia que a vida nos apresenta, caminhando lado a lado com os grandes sábios, vivos nos livros, para decifrá-la e entender o que ela quer nos dizer. Afinal, tudo que não é eterno é eternamente inútil. Está na hora de buscarmos a Verdade, mesmo que a vejamos de forma turva, na expectativa de que logo a veremos face a face.