A F1 que dá saudades (2)
Parte dois das minhas memórias de Fórmula 1
Na primeira parte deste escrito, falei que meu herdei a paixão por automobilismo através do meu pai, falei que Rubens Barrichello é o meu ídolo no esporte a motor, e ainda falei das polêmicas, de outras lembranças (essas boas) e porque não se deve chamar Rubinho de fracassado, o que se estende a Felipe Massa.
Pois bem, sente-se! Lá vem mais história
Em 2007, a Fórmula 1 conheceu o furacão Lewis Hamilton. O inglês tomou conta da McLaren e o clima com Fernando Alonso azedou muito ao longo do ano. Enquanto isso, Felipe Massa e Kimi Räikkönen fizeram sua parte e a temporada terminou com a taça nas mãos do finlandês. A única vez que ouvi uma corrida inteira de F1 pelo rádio foi no Grande Prêmio do Brasil de 2007. Recorri às ondas da Rádio Gaúcha porque havia faltado energia na casa de meus avós e só sobrou o bom e velho rádio.
Aquele ano de 2007 marcou a estreia do herdeiro de um dos maiores pilotos que o Brasil já teve. Falo de Nelsinho Piquet. Até então, outros brasileiros já tinham passado pela maior categoria do automobilismo mundial sem o mesmo brilho de Barrichello e Massa. Antonio Pizzonia e Cristiano da Matta tiveram uma carreira rápida na F1, e quis o destino (podemos chamá-lo de Flavio Briatore) que Nelsinho Piquet também tivesse sua trajetória encerrada precocemente.
O ”Cingapuragate” foi um dos escândalos mais nefastos da história da Fórmula 1. Nelsinho entrou na jogada de Briatore, por livre e espontânea pressão do chefe, e jogou no muro de Marina Bay não só sua Renault R27, mas junto sua reputação e carreira na F1. É impossível defendê-lo nesse caso, mas houve tempo para apagar o episódio e reconstruir sua carreira, hoje muito respeitável.

Ai, ai, ai… aquele GP de Cingapura de 2008 me causa uma dor no coração. Não exatamente pelo Cingapuragate, que só viria a ser descoberto muito tempo depois, mas pelo episódio da mangueira em um dos pit stops de Felipe Massa, então líder absoluto do GP. Lembro como se fosse hoje o “AI, AI, AI” de Galvão Bueno, lamentando o erro do mecânico da Ferrari que liberou Massa antes da hora — convenhamos, naquele momento a tecnologia traiu o pobre mecânico ferrarista. Aquela corrida em Cingapura custou o título mundial ao brasileiro.
E queira infelicidade maior que a quebra do motor Ferrari de Felipe Massa a quatro (quase três) voltas do final do Grande Prêmio da Hungria de 2008. O brasileiro liderava aquela corrida e caminhava para a vitória, e não havia sinal de que seria incomodado até a última volta. Contudo, o motor deu chabu e a corrida caiu no colo da McLaren de Heikki Kovalainen, que venceria pela primeira e única vez na carreira. E falando em primeira vitória, surgiu na corrida de Monza, um tal de Sebastian Vettel, então piloto da Toro Rosso. Mesmo tendo um carro modesto, o alemão fez pole e venceu que nem gente grande na chuva. Fantastisch!

O ano de 2008 marcou a única vez em que pude sentir o título mundial da Fórmula 1 chegar para mãos brasileiras. Aquele fatídico GP em Interlagos foi repleto de tensão, pois Felipe Massa dependia de resultados paralelos para ser campeão do mundo, ainda que vencesse. Liderava a corrida chuvosa em São Paulo, mas Lewis Hamilton ainda fazia o resultado necessário para botar água no chope de Massa. O piloto da Ferrari teve em alguns momentos a combinação necessária para ser campeão, inclusive na última volta.
Quis o destino que a chuva fizesse Timo Glock perder a tração de seu Toyota na Junção, o suficiente para que Hamilton lhe tomasse a quinta posição — o que dava o primeiro título mundial da F1 ao então jovem inglês. Assisti àquela corrida numa antiga tevê de tubo, consumido pela tensão, mais tarde pela fugaz euforia pela vitória de Massa, comemorando (em vão) — assim como os mecânicos da Ferrari, Titônio e Dudu Massa — o tão sonhado título mundial. Título esse que escorregou pelo ralo tão rápido quanto a chuva na Junção, em Interlagos.

Amanhã, a parte três deste escrito estará novamente por aqui neste espaço. Ainda não leu a parte um? Confira aqui.
