A F1 que dá saudades (3)
Terceira parte das minhas memórias formulaunzísticas
Na segunda parte das minhas lembranças, falei em Lewis Hamilton, em tretas como o Cingapuragate, em Sebastian Vettel e sua primeira vitória, falei em Felipe Massa e sua saga pelo título em 2008.
Se prepare, pois a terceira volta está aberta!
Muitas mudanças aconteceram na Fórmula 1 no ano de 2009. Regulamento novo, com mudanças técnicas nos carros e o retorno dos pneus slick. Jamais passou pela minha mente que a novata Brawn GP, de Jenson Button, Rubens Barrichello e chefiada por Ross Brawn, pudesse tomar o domínio da categoria de forma tão impressionante e meteórica. A Red Bull mostrou suas garras na F1 naquele ano para nunca mais sair do posto das grandes, mas a Toyota faria seu último ano na categoria, apesar do bom carro que fez.
Confesso que sonhei com o inédito título mundial de Rubens Barrichello, após o impressionante desempenho da Brawn GP na pré-temporada de 2009. Ver meu ídolo campeão seria muito mais do que um sonho, mas uma resposta aos seus detratores. Porém, a competência e o talento de Button se sobressaíram à experiência de Barrichello naquela temporada e o britânico levou merecidamente o título mundial pela primeira vez na carreira. Ao menos deu para ver Rubinho vencer duas corridas, uma delas em Valência — a centésima do Brasil na F1.

Do dia 13 de setembro de 2009 até hoje, nunca mais se ouviu o Tema da Vitória e o hino brasileiro na Fórmula 1. Muita gente deixou de assistir os GP’s de F1 quando Ayrton Senna morreu, o que é uma lástima e um reflexo de como nós brasileiros somos carentes de uma grande figura. De 1994 até 2000, o Brasil passou longe do lugar mais alto do pódio. Em 2016, o hiato de sete anos sem vitórias brasileiras dos anos 90 foi superado pelo hiato vigente hoje.
Sem o mesmo entusiasmo ufanista de outrora da cobertura da emissora de TV aberta que transmite a Fórmula 1, os fãs brasileiros que acompanham a categoria passaram, aos poucos, a ser aqueles que gostam realmente do esporte — independente da presença de brasileiros ou não. A tendência é ter um público mais crítico e uma transmissão idem, com uma natural migração para a TV fechada. Espero que chegue no mesmo nível da transmissão da MotoGP que fazem Guto Nejaim e Fausto Macieira no SporTV. A F1 merece mais.
Ainda não leu as outras duas partes dessas memórias? Leia aqui a primeira parte e aqui a segunda parte de “A F1 que dá saudades”. Amanhã, o capítulo final dessa singela história de um jovem fã de Fórmula 1.
