A F1 que dá saudades (4)

Última parte do que o coração diz sobre a Fórmula 1

O automobilismo brasileiro sofre com a falta de apoio, o que afasta muitos jovens valores de chegarem na Fórmula 1, devido ao alto custo da carreira na Europa. Mas nem por isso os pilotos brasileiros sumiram do mapa. Grandes nomes estão por aí, como Lucas di Grassi — o talentoso, constante e inteligente novo campeão da Fórmula-E possui trajetória muito respeitável também no Endurance.

Cito Nelsinho Piquet, outro brasileiro campeão da F-E e com bom trabalho no WEC, Bruno Senna, Daniel Serra e Pipo Derani, nomes de respeito no Endurance. Cacá Bueno e Augusto Farfus Jr. — hoje no DTM — são outros nomes que lembro agora e que são pilotos com currículo importante.

No automobilismo norte-americano, há Helio Castroneves, três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Tony Kanaan, campeão da Indy e vencedor das 500 Milhas e Gil de Ferran, bicampeão da F-Indy. Matheus Leist surge como o futuro do Brasil nos EUA, com bons desempenhos na Indy Lights, e merece a citação, assim como Victor Franzoni — que tenta seu espaço no esporte na Pro Mazda.

Tony Kanaan e Helio Castroneves — dois dos maiores exemplos de sucesso brasileiro fora da F1

Na Europa, estão Sérgio Sette Câmara, Pietro e Enzo Fittipaldi, Pedro Piquet, Bruno Baptista, entre outros nomes que circulam pelas categorias de acesso do automobilismo europeu. É difícil vislumbrar um futuro para esses jovens a um médio prazo na Fórmula 1, pois precisarão amadurecer mais e comprovar seu talento frente aos outros jovens promissores concorrentes. Felipe Nasr, último brasileiro a deixar a F1, também parece distante de um futuro decente na categoria máxima do automobilismo.

Contudo, os pilotos brasileiros percebem cada vez mais que o caminho para a F1 é um terreno pantanoso e investem em outras categorias. O lema “há vida fora da Fórmula 1” é cada vez mais próximo de se tornar uma regra do que uma exceção. Os fãs mais inveterados sabem bem disso. Eu descobri isso com o passar dos anos, e não foi exatamente motivado pela seca brasileira na F1. Percebi que o esporte a motor é riquíssimo de boas competições, tão ou mais emocionantes que a Fórmula 1.

A MotoGP é um exemplo e tanto! Notei como melhorou a competição durante anos em que parei de assistir a categoria rainha. Lembro como era legal a MotoGP em Jacarepaguá, as disputas de Valentino Rossi com Sete Gibernau e Max Biaggi, a presença brasileira de Alexandre Barros, o surgimento de feras como Dani Pedrosa, Jorge Lorenzo, Marco Simoncelli, Marc Márquez, o fantástico título de 2006 de Nicky Hayden e o renascimento da Ducati, com Casey Stoner. Torci muito para todos que tentavam bater Valentino, mas o Doutor sempre levava a melhor. Craque é craque, não adianta.

A MotoGP é uma opção muito boa de entretenimento ao amante do esporte a motor

A categoria de monopostos que mais cresce, a Fórmula-E, tem tido boas disputas pela vitória nos últimos eP’s e apertadas decisões de título. Não podia faltar, é claro, a F-Indy! A principal categoria de monopostos dos Estados Unidos sempre é capaz de trazer corridaças ao público (as últimas Indy 500 que o digam!). WEC e Nascar não fazem parte do meu cardápio, assim como a Stock Car há muito tempo eu parei de assistir, não sei bem explicar o motivo.

Sinto-me incomodado quando falam mal da Fórmula 1, por mais que esteja a léguas de ser uma categoria perfeita e extremamente atrativa. Nos últimos anos, é realmente merecido. Entendo isso como um protecionismo da atração que me acostumei a ver desde os meus cinco anos de idade, e que passou por eras dominantes de Ferrari, Red Bull e Mercedes — com hiatos que se devem a sucessos da Renault e McLaren. Apesar de tudo, sinto saudades da F1 sempre que ela entra em férias.

Alonsão da Massa dá boas-vindas à F1

Não sabia que um velho passatempo renderia tantas linhas. Bem-vinda de volta, Fórmula 1.

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Maurício Colares Simões

Written by

Escriba, locutor, jornalista e adorador de futebol, automobilismo, MMA e futebol americano.

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